domingo, 30 de agosto de 2015

Candomblé - Ifá faz prevenção das "doenças"

Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve,
Babá Rivas T'Ogyion
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 645

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

No Candomblé, o Oráculo faz predição



Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve,
Babá Rivas T'Ogyion
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 644

sábado, 22 de agosto de 2015

O CANDOMBLÉ FAZ “MEDICINA PREDITIVA”


PREDIÇÃO NO CANDOMBLÉ

Acreditamos que o sacerdote ou sacerdotisa precisa dialogar, pelo menos em 3 níveis. O primeiro é a linguagem do terreiro, onde clientes, filhos e filhas de santo se afeiçoam e experimentam a força do Aşé. A segunda é direcionada aos Iniciados e Iniciadas, onde os fundamentos são transmitidos e desenvolvidos. Finalmente temos a linguagem para a sociedade civil abrangente, onde traduzimos para todos (independente da filiação religiosa) o que aprendemos e ensinamos em nossos barracões.
Embora sejamos de tradição oral secundária e com a práxis de terreiro há mais de 50 anos, não podemos deixar de fazer uma analogia de medicina acadêmica. Por um motivo muito simples, é na medicina acadêmica que a sociedade se apoia oficialmente para tratar as doenças. Ocorre que essa medicina hoje terapêutica, pretende ser preditiva.
O sacerdote, ou Onişégun, quando faz o seu jogo, pode não saber desses conceitos mais afetos à medicina, mas certamente sabe como neutralizar o aspecto de oşogbo para não ter doenças futuras (predição). Claro que tudo o que estamos expondo neste texto e neste vídeo é fruto da nossa vivência de terreiro. Fazendo uma analogia com a medicina, o sacerdote, ou Onişégun, jogando e sabendo qual o odu e como neutralizar esse estado citado (oşogbo), pode fazer com que o gene deletério não tenha expressividade e penetrância. Ou seja, que a doença não se apresente no cliente que acorre ao terreiro.
Assim estamos valorizando o Candomblé e o que há de mais importante neles, os bastiões da Tradição. Evidente que nos referimos aos pais e mães de santo. Aos interessados neste e outros aspectos da “medicina preditiva” do candomblé, a sugestão não pode ser outra: busque seu pai ou mãe de santo. Eles sabem o que fazem. Não só curam, mas com esse arsenal de Ifá, consubstanciando em Iniciação e Clarividência, podem predizer (prever) e prevenir (evitar) doenças sociais, naturais e sobrenaturais.
Muitos poderiam perguntar, mas como o Candomblé pode fazer uma medicina preditiva, se a medicina, a biomedicina (medicina acadêmica) só faz ou é essencialmente, na atualidade, medicina terapêutica?
Sim, a medicina é terapêutica mas pretende ser para o futuro (?) preditiva. Como?
Em 12 de fevereiro de 2001, o segredo da constituição humana foi revelado. Como afirmaram os membros do HUGO (Human Genome Organization), devemos imaginar o “LIVRO DA VIDA” composto por 23 volumes, com um total de 3 bilhões de letras, todas exclusivamente A,T,C,G.
Imaginemos ainda que apenas 5% desses três bilhões de letras impressas realmente contivessem a mensagem fundamental, sendo que os 95% restantes seriam desnecessários (?!!).
Essa analogia que fazemos representa o genoma humano. Cada um dos 23 volumes seria um de nossos cromossomos. Cada capítulo representaria um fragmento de DNA (a substância da vida que compõem o cromossomo); porém, 95% dos capítulos não teriam interesse.
Só 5% do nosso genoma codifica proteínas, sendo considerados os carros-chefes da maioria das funções biológicas (manifestações do código dos odu).
O primeiro passo para desvendar esse mistério seria descobrir em que ordem a natureza posicionou esta sequência de 3 bilhões de bases nitrogenadas que compõem o DNA (A/T e C/G adenina/timina e citosina/guanina), segredo guardado por milhões de anos.
As descobertas foram muitas. As estimativas quanto ao número de genes da espécie humana giravam em torno de 100 mil. Porém, o número de genes encontrado é 1/3 disso, cerca de 30 mil.
Existem pelo menos 12 mil doenças genéticas diferentes das quais, com certeza, da maioria delas a sociedade nunca ouviu falar. Como consequência futura, a medicina oficial acadêmica, que hoje é quase na totalidade uma medicina terapêutica, será uma medicina preditiva.
Afirmamos será uma medicina preditiva, enquanto o Candomblé tem condições por intermédio dos vaticínios oraculares promovidos por Orunmilá Ifá (vários métodos: alubaça, obi, orobo, inhame, maçã, búzios, opelé e Oponifá) de ser, pois sempre foi, uma “medicina preditiva”.
Para maiores detalhes remetemos ao vídeo “O Candomblé faz “Medicina” Preditiva”. No vídeo entenderemos melhor o que expressamos no texto e que complementaremos no próximo vídeo da série Candomblé, Equilíbrio e Aşé.



Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve,
Babá Rivas T'Ogyion
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 643

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Predição, Prevenção e Cura no Candomblé

Apesar das agências de saúde serem da esfera pública, o Terreiro ocupa este está função dentro do egbé (comunidade) onde é também promotor de saúde. Como já afirmamos em nosso livro, no prelo, em seminários, bem como no vídeo abaixo, a visão do candomblé é que a noção de saúde/doença precisa ser observada nos níveis natural, sobrenatural e social.

No intuito de cuidar o indivíduo nessa perspectiva mais ampla, deixando seus caminhos abertos e corpo fechado, propomos que um bom “olhador” e Babá Onişegun agem em três níveis a saber: predicação, prevenção e cura.

Essa visão inédita enseja uma importante pergunta. Como prever, evitar e curar algo diferente do indivíduo? A essa resposta é possível relacionar o que foi dito no vídeo anterior, onde afirmamos que o Orişá se manifesta e não incorpora no seu filho(a) de santo. Portanto...

Informamos que, para breve, vamos promover seminários em terreiros e faculdades, ou seja, no espaço religioso e acadêmico para discutir e aprofundar essas questões de interesse dos praticantes do candomblé, pesquisadores acadêmicos e a sociedade abrangente. Vamos ao vídeo!
  


Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 641

domingo, 16 de agosto de 2015

Babá Onişegun redimensionando o destino

Acreditamos no terreiro como uma agência promotora de saúde com métodos próprios que podem estar associados ou não com a biomedicina. Isso ocorre, principalmente, nos Terreiros que respeitam o aşé e a Tradição dos Onişegun e Oogun (medicina e magia). Os Onişegun do passado e do presente deixaram esses fundamentos guardados a 7 roncos em seus sabaji.
Somos defensores que o grande “plus” do Terreiro, aquele que tem um bom “olhador”, não é simplesmente curar doenças e nem as prevenir, mas, sim, ter ação preditiva penetrando no aspecto de osogbo do odu pessoal. Ou seja, você olha a mesa de jogo (Ifá) e diz a predisposição que cada sujeito que acorre ao terreiro pode ter para desenvolver essa ou aquela doença.
Após a predição, entra o segundo aspecto que é preventivo. Isto é, dizer à pessoa o que deve ou não deve fazer para evitar as doenças do corpo, do sobrenatural e do social. Sendo possível demonstrar a todos com casos resolvidos positivamente que temos, sacerdotes e sacerdotisas do Candomblé, a oferecer à Sociedade em geral.
Devo muito ao meu Babá que era Onişegun, aliás, sendo filho de Airá que, por ter origem às árvores, se relaciona muito com Aroni, Aaja e iwin e Oşanin, assim como Osanyin. Em tempo. Aceitamos a medicina e sua tecnologia, mas ela só sabe tratar o que vê e mesmo assim os efeitos e não as causas. Algo que deveria ser corriqueiro nos Terreiros pois tem sabedoria para tal.
Mas o que é isso, predição (prever) e a prevenção? São processos que devem ser iniciados o mais cedo possível para benefício da pessoa. Por exemplo, quando do nascimento onde é possível trabalhar a placenta, afinal a última nada mais é do que o próprio bará Orun do indivíduo.
Dito de outra forma, é como se todos nós tivéssemos um código do Orişá Genitor Divino manifesto no genoma do indivíduo. Dentro de poucas semanas vamos discutir isso na Academia, em evento promovido pela Unicamp com a presença de vários sacerdotes.
Imaginem só, amigo e amiga leitora de nosso blog. Nós do Candomblé discriminados e com a pecha de primitivo tratando dessa maneira a Sociedade abrangente. Isso pode representar muitas coisas positivas para o nosso povo de santo. Afinal, nós das Tradições dos Orişá, Inkisi e Vodun temos métodos próprios de entender o equilíbrio do indivíduo consigo mesmo e com o universo sendo o Aşé o fator decisivo e cuja fonte principal é a divindade, ou seja, o Orişá.

Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 641

domingo, 9 de agosto de 2015

Orişá - Manifestação ou Incorporação?



Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 640

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O Egbé ensinando a viver com cidadania: Contribuições do candomblé para a sociedade abrangente

Torna-se muito importante nos posicionarmos perante a Sociedade abrangente. Temos de ter preocupações com o social, cultural, político e econômico e suas repercussões na qualidade da vida do indivíduo e do grupo que está inserido.
Nós do Culto ao Orişá, Inkisi e Vodun temos nossa cosmovisão e por intermédio dela acrescentamos a vertente do sobrenatural as demais vertentes citadas.
Por isso acreditamos que vários Aşé possuem condições de nortear seu egbé na construção real, na prática de uma Sociedade mais justa e equilibrada onde se trabalha para diminuir as injustiças sociais várias, minimizando as desigualdades em todos os âmbitos, favorecendo e contribuindo com a dimensão Orun manifesta no Aiye
Em nosso Aşé temos a sabedoria ancestral que carregamos na questão de sermos uma agência promotora de saúde onde temos parcerias com universidades, com o poder público e privado. Auxiliando não apenas na cura, mas, principalmente, nos aspectos PREDITIVOS (pode-se prever por intermédio das divindades denominadas ODU  - osogbo ou ire ) PREVENTIVO (como evitar doenças ) e, por último, o aspecto curativo. Ou seja, a pessoa já está doente. O desequilíbrio energético que até pode ser ewo proveniente de desarmonias e desacertos do indivíduo com seu Ori e orişa, incluindo o ebora Eşu e outras mil coisas
Bem por essa é outras me solidarizo com toda Comunidade de Santo e com todos e todas Sacerdotes e Sacerdotisas

Motumbaşé, Mukuiu no Zamby, Olorun kolofé, Aşé

Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 639

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Dia do Orunkó: O marco do renascimento de uma nova vida

O Egbé de Babá Rivas T’Ogyion está em festa! Passados 17 dias de recolhimento no barco e os últimos dias do panan, ainda em curso, o Ile Funfun  Aşé Awo Oş'oogun foi o espaço sagrado da feitura de santo de queridas irmãs. Entraram abyians, saíram Iyawos. O que dizer?
Diria que foram muitos dias de aprendizado. Não me refiro só as iyawos, mas a todos e todas indistintamente. Respiramos fundamento, força, renovação e tantas quantas forem as palavras para expressar a valência ancestral dos Orisás africanos em nossas vidas. Deuses e Deusas que vi, senti e vivi com meus irmãos sob os auspícios do Babá Rivas T’Ogyion.
O ápice para nosso egbé, certamente, foi a saída do 17º dia. Nesse dia como reza a tradição, filhos e filhas, pais e mães de santo se reuniram para o Siré. Uma roda, uma exortação aos nossos genitores divinos como uma brincadeira, uma festa, uma verdadeira celebração. Rezamos com canto, exercitamos a nossa fé com a dança. Cantando e dançando para todos os Orisás, ansiávamos para o momento da saída pública das iyawos.
E elas saíram. Todas pintadas, o efun, com sinais que foram feitos desde o início da nossa linhagem e agora são mais uma vez evocados para marcar no ori e no bará que aquelas Iyawos pacientemente gestadas no útero em que se transformou a camarinha são manifestações dos próprios Orisás. Após, os orins que versam sobre esses enredos, os paós recebidos pelos Orisás nos pontos específicos do Ile, algo sabido de sobejo pelos Babás e Yás, elas são recolhidas.
Retomamos o Siré já na expectativa da derradeira saída com as roupas e paramentos próprias de cada Orisá. Dançavamos em torno do opá de Ogyion, os Babás e Yás em suas cadeiras, a comunidade, os familiares e amigos mais próximos dentro do barracão olhando tudo com grande entusiasmo. Eis que o Babá sai da camarinha chamando os Deuses e Deusas vivos, realizados e presentes nas iyawos. As palmas, as saudações, o sorriso, as lágrimas de felicidade, uma profusão de sentimentos tomou conta do Ile. Nesse momento, o tempo parou. As barreiras entre o Orun e o Àiyé se apagaram momentaneamente. E os Orisás dançaram, marcaram presença, firmando seu Asé em nós.
Mas o momento mais emocionante estava para se processar. Foram instantes depois desse registro fotográfico:



Nessa ordem Dofona, Dofonitinha, Fomo e Fomitinha, em transe com os Orisás, sentados, depois de ouvir tanto os nossos cânticos, nossos paós, nossos sentimentos, resolveram falar. Era a hora do orunkó. Cada Babá e Yá pela ordem do barco abraçava o Orisá e saía para uma pequena volta no barracão. Assim como realizado em tantas e tantas vezes de África ao Brasil, o Orisá falava baixinho no pé do ouvido o nome para o sacerdote/sacerdotisa. Esses últimos com adjá na mão, pediam para o Orisá falar bem alto seu nome. Eis que o Orisá falava e pela primeira vez todo o público ouvia...
O Ile se encheu de emoção. A alegria era arrebatadora. Todos nós entramos num grande êxtase coletivo, o Asé era tão forte que podíamos sentir seu cheiro, ouvir seu som, estava nas Iyawos, no Babá. Estava em nós. Algo que não esquecerei jamais em minha existência. Os Orisás chegaram, dançaram, usaram suas ervas, seus instrumentos, nos abençoaram, tiraram o orunkó. Tudo isso em horas de toque que entrou madrugada a dentro, mas que passou em um piscar de olhos. Piscar esse que viu o retorno das iywaos para a camarinha. Instantes depois, com o Siré terminado, já estava me fartando no ajeum. Conversando, rindo com meus irmãos e irmãs. Aquele dia já passou, ficou na história. Entretanto, o que vi e vivi ainda reverbera na minha alma. Isso é o Santo, isso é o Candomblé em sua plenitude.
Não tenho palavras para agradecer. A tudo isso que experenciei, Ibá Babá Mi. Adupé O. Ibá Gbogbo Orisá, Ibá Onilé!


João Luiz Carneiro (Yabauara)

Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 638