terça-feira, 28 de abril de 2015

Run de Ogiyan no Ile Funfun Axé Awo Oshoogun

Na publicação de hoje disponibilizamos um pequeno excerto do Run de Ogiyan realizado no último sábado, dia 25 de abril no Ile Funfun Axé Awo Oshoogun. Viventes e amantes das religiões afro-brasileiras sentem e sabem o que representa a presença do Orun no Aiyê. Divindades que se fazem presentes por meio dos iniciados e iniciadas, trazem a força e a realeza do mundo dos Orixás. Eles dançam, se expressam por vários gestuais, se comunicam. Esse é o ponto: os deuses e deusas do candomblé estão em contato conosco, são próximos e permitem, dessa maneira, que a vida no Ayiê seja pautada na ética de uma aliança factível, exequível, real e presente. Os deuses e deusas estão conosco e compartilham do seu axé! Pouco nos resta falar. As breves imagens são capazes de transmitir a alegria e a honra em sentirmos a presença de Ogiyan, o Guerreiro Branco! Seu majestoso e alvo alá que a todos protege e acoberta!



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 615

segunda-feira, 20 de abril de 2015

TUO um processo dialógico



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 614

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Reflexões sobre a história religiosa na ABHR

Na publicação de hoje passamos nossa pena para João Luiz Carneiro, nosso filho de santo e docente da FTU, para apresentar algumas reflexões sobre sua presença no XIV Simpósio Nacional da ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões). Axé!


Olhando a história vejo como se faz História

Acabo de sair do segundo dia de congresso. Refiro-me ao XIV Simpósio Nacional da ABHR. Por volta das 17hs, fizemos o lançamento do livro “Religiões Afro-brasileiras: Uma construção teológica” e foi inevitável constatar como as pessoas estão interessadas na proposta da FTU – Faculdade de Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras. Mulheres e homens, literalmente de Norte a Sul, querendo saber o que tem por de trás desse livro. Como é a FTU, como surgiu, quem participa do projeto? Após um final de tarde muito agradável, fomos para a conferência “Chico Xavier e a palavra escrita na Umbanda da primeira metade do século XX” do prof. Dr. Artur Isaia (UFSC).
Em sua interessante fala, o professor afirma como o discurso umbandista vai ao longo do século XX se apropriando da ideologia espírita e cristã na tentativa de legitimar suas práticas e seu espaço social. Notadamente a figura de Chico Xavier se destaca em vários textos umbandistas não só na primeira metade, como atravessa a segunda metade do século passado. Cita Diamantino Trindade, Lourenço Braga, Cavalcanti Bandeira, entre outros intelectuais de umbanda que foram ao encontro desse discurso. Comenta que o primeiro congresso de umbanda tinha como autodenominação “espiritismo de umbanda”, algo que deixou de ser usado no segundo congresso (década de 60), mas que ainda reforçava (e muito) essas aproximações. Na segunda metade do século XX, evoca a figura de W. W. da Matta e Silva como esse importante intelectual umbandista reproduzira o discurso de Chico Xavier ao considerar o Brasil uma pátria especial, “coração do mundo”. Justifica o argumento com um dos capítulos de “Doutrina Secreta da Umbanda”.
Após sua fala, a plenária ficou aberta para perguntas. Fiz o primeiro questionamento. Apenas um detalhe: ao afirmar que era docente da FTU, fui recebido pelo prof. Isaia com um verdadeiro sorriso, algo que demonstra como a Faculdade de Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras está cada vez mais conhecida no meio. Pois bem, perguntei como ficariam as outras umbandas, tendo em vista que o discurso era majoritariamente de autores e intelectuais de umbanda “branca”. O que fazer com a umbanda traçada, umbanda omolocô? Até mesmo a umbanda esotérica, citada na fala, já possuía em Matta e Silva influências africanas, sendo que seu sucessor Rivas Neto daria e vem dando total ênfase às influências africanas, deixando os elementos espíritas e cristãs totalmente inviabilizados nessa nova fase.
O professor respondeu concordando que esse discurso codificado da umbanda cristã nem de longe reproduz a realidade. Ele mesmo como pesquisador não admite tais propostas, que reforçavam o racismo, usando o sincretismo como poderosa arma para diluir as influências africanas no universo umbandista que exaltava o espiritismo para serem aceitas por camadas mais abastadas da sociedade.
Minha primeira satisfação foi em reconhecer como o discurso de Rivas Neto é coerente, academicamente falando. O que o professor respondeu, sinceramente, já tinha ouvido do meu Babá há mais de ano. Teologicamente e historicamente a análise dos fatos aponta para as mesmas questões. Não podemos “tapar o sol com a peneira”. Principalmente os que se dizem umbandistas. Olhar para esse passado e naturalizar o que fora feito é sinônimo de conivência com preconceitos vários, do religioso ao étnico.
Isso não ficou vago na Umbanda Esotérica. Pai Rivas mostra como a primeira fase com seu antecessor foi importante, vide a questão de Ifá de seu Mestre, mas não nega os erros que essa escola cometeu. Ao contrário, assume e tem a coragem de retificar tudo que for preciso. Inclusive o afastamento da doutrina espírita e centralizando as origens africanas do principal fundamento da Umbanda Esotérica, ou seja, nas palavras Dele, “colocando Ifá na sala de estar”. Esse movimento com Ifá promovido nessa segunda fase da Umbanda Esotérica exige uma série de mudanças. Nos aspectos sociais é a total aversão e repúdio ao racismo, misoginia, etnocentrismo, evolucionismo social e espiritual, entre outros.
Alguns olham a história para reproduzir nos dias atuais. Meu Babá fez e está fazendo história, entre outras coisas, por assumir todas as retificações e ratificações necessárias. Isso é a ética de Ifá viva e atuante! Mojubá, Babá!


 João Luiz Carneiro

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 613

domingo, 12 de abril de 2015

Comunidade de santo: sonho do Babá concretizado

O universo das religiões afro-brasileiras é entendido e sempre apresentado como plural, diverso. Seus adeptos o veem dessa maneira bem como as pessoas em geral assumem a multiplicidade de visões, concepções, ritualizações como marcas identitárias desse campo religioso.
É sabido, igualmente, que as religiões afro-brasileiras são formadas por grupos variados que se encontraram, conviveram e se misturaram: a vertente africana, a indoeuropeia e a indígena. Cada um desses grupos não pode ser entendido de uma maneira homogênea, ao contrário, cada um desses grupos era composto por infindáveis culturas, as quais advogavam seus sensos de pertença e identidade.
Assumir que as religiões afro-brasileiras são diversas significa, portanto, aquiescer com a pluralidade de formas de se pensar o que é a vida, a morte, a saúde, a doença, o espírito, o corpo, a dança, o axé entre outros. Quando falamos “religiões afro-brasileiras” precisamos ter a clareza de que esse universo possui um amplo espectro de simbolismos e representações.
Partindo da vivência teológica, Pai Rivas apresentou uma organização bastante coerente para sistematizar o que ocorre nas religiões afro-brasileiras. Elas se organizam basicamente no grupo dos candomblés, no grupo das umbandas e no grupo das encantarias. Todos eles grafados no plural indicando que dentro de cada um há, por consequência, mais e mais ramificações.
Pai Rivas possui em sua trajetória iniciática a vivência nos três grandes grupos afro-brasileiros. Iniciou sua vida religiosa nos candomblés, nas encantarias e, posteriormente, nas umbandas. Seu momento nesses grupos não foi de espectador, não foi apenas uma passagem, antes disso, recebeu iniciação em todos eles. E, justamente, por isso é capaz de pensar a ética de vida proposta por cada um. Se consentimos que há diversidade é também verdade que há maneiras diferenciadas de se pensar as relações sociais, os vínculos. O corpo de conhecimento de cada um dos grupos atrelado à sua prática ritual informam qual a ética vivenciada.
E a ética pensada em termos de estilo de vida é concretizada nas várias ações dos membros das famílias de santo. Esse termo, consagrado pelo uso nas religiões afro-brasileiras em caráter geral, foi primeiramente utilizado tendo como referência as famílias africanas que chegavam ao Brasil via tráfico de escravos. A família dizia respeito às pessoas que vinham de um mesmo local, de uma mesma origem. A segregação dessas famílias realizada propositalmente para que os escravos se fragilizassem em termos de mobilização (já que falavam línguas, dialetos e tinham concepções particulares de vida) acabou propiciando que os membros se misturassem e, muitas vezes, fossem acolhidos por outros grupos.
Os candomblés construídos no Brasil e com fortíssimas contribuições africanas foram os grupos que assimilaram essa noção de família. Agregaram ao termo o adjunto “de santo”. Tratavam-se, então, de famílias vinculadas pelos laços também das vivências dos orixás.
As famílias de santo guardam, ainda que não racionalmente, a memória dessas experiências vividas sob o manto das adversidades, da resistência e, consequentemente, da união. Os terreiros, em geral, passaram a fazer uso do termo família de santo, mas reforço que este nome remonta a história de um momento particular da experiência africana no Brasil. As experiências das famílias de santo espalhadas por todo território nacional são outras, mas o gérmen do que significa viver em família de santo é mantido e talvez a palavra que mais se aproxime disso seja comunidade.
Comunidade é um termo bastante refutado do ponto de vista sociológico porque as teorias reforçam que o mesmo tende a homogeneizar as pessoas e as relações, minimizando as diferenças existentes dentro desse grupo. O fato, porém, é que do ponto de vista teológico ela faz todo o sentido já que carrega a ideia de “viver com”, compartilhar as mesmas concepções, atuar e agir segundo valores específicos e com um senso de coesão cujos laços sem praticamente inquebrantáveis. Quando se vive em uma família de santo espera-se que você tenha e expresse sua identidade enquanto indivíduo, mas que a identidade da comunidade seja maior, mais expressiva e determinante. Isso não implica no desaparecimento das especificidades de cada um. Significa a possibilidade de que as experiências coletivas norteiem a todos. Essa vida em comunidade vai de encontro com as experiências individuais da sociedade moderna, pautada na competição, no individualismo e na segregação.
Nesse sentido, afirmar-se como membro de uma família de santo é uma contra-cultura, é um posicionamento religioso e político, entendendo política como forma de interação e participação na vida democrática.
É por isso que Pai Rivas em sua trajetória iniciática sempre afirmou ter planos para 5, 10, 25 e 50 anos. Iniciou sua vida nos candomblés, depois nas encantarias, nas umbandas e, agora, retorna à experiência do candomblé sendo totalmente cabível a concretização de uma verdadeira e forte comunidade de santo. Por razões variadas e que podem ser discutidas em outros textos, os outros grupos não abrem a possibilidade de efetivação de laços fortes tais quais os vividos no candomblé. E cabe dizer que não se trata de preconceito com os outros grupos, mas da clareza de que há epistemologias e métodos que mais se coadunam com a ética da família de santo. Laços sociais existem em qualquer segmento religioso, mas a qualidade e as especificidades são diferentes em cada um.
Não por acaso, no momento em que Pai Rivas passa a residir em Itanhaém e fixa seus ilês nessa cidade com centralidade da ética pautada nos desígnios de Orunmilá Ifá, muitos de seus filhos e filhas de santo modificaram suas vidas particulares, mudaram-se para Itanhaém, possuindo uma rotina que nem de longe se assemelha à anterior vivida em outras cidades, como São Paulo onde a maioria residia. O deslocamento físico para Itanhaém reforça o deslocamento espiritual e ética sofrido na comunidade de Pai Rivas. Na medida em que a ética de Ifá retorna ao centro das atividades rituais, ela opera uma mudança ética individual e coletiva. Individual pelas mudanças já aludidas e coletiva porque a família se reorganiza sob outros alicerces. O Ifá, cuja ascendência é africana, é um sistema divinatório entrelaçado em histórias míticas dos Orixás, nas tramas das várias famílias de Orixás e guarda o senso de vida coletivo.

Hoje em Itanhaém, há mais de dez famílias nucleares que se deslocaram de seus centros de atuação pessoal e profissional para viver uma vida em comum, em princípios éticas comuns, regidos pelas orientações de um babalawô e, portanto, de Ifá. Há muitos aspectos que definem o que é a ética no candomblé. A família de santo com laços fortes e fieis aos desígnios de Orunmilá Ifá, a seu babalawô e à sua comunidade é, certamente, um deles.

Comunidade de Santo de Rivas de Ogiyan - Babalorixá

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 612

terça-feira, 7 de abril de 2015

Toque de Exu na FTU



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 611