segunda-feira, 27 de julho de 2015

Impressões sobre o Barco de Iaôs na perspectiva de 4 abyians



 
 
Um domingo radiante, o Sol iluminando todos os Oris... Especialmente os que estavam dentro do Ile Funfun e viram uma das primeiras saídas durante os 21 dias do barco de iaôs do Ile Funfun Aşé Awo Oş'oogun. Lembro-me de comentar com um irmão meu que o terreiro cheirava a candomblé. É a valência, o Axé de meu Babá e sua Tradição firmada nas terras de Itanhaém. A cidade que hoje é morada dos Orixás com a chegada de nosso primeiro barco.Após me emocionar com fundamentos específicos que ficam guardados para aqueles que vivenciaram no Ilê e/ou são Iniciados nessa tradição, ao som de orins que remetem aos ciclos e ritmos da vida, vi diante de mim Deuses e Deusas manifestas em irmãs da nossa casa de fundamentos. Irmãs que conheço há anos, e que sempre nos cumprimentamos com sinceros abraços, hoje motivaram-me a pedir Ibá, pedir Benção. Já não são mais as mesmas. São assentamentos vivos dos Orixás, dançando em torno do Opá, pintadas, paramentadas, vestidas como reza e pede a Tradição.A cada passo, cada paó, cada orin, mais e mais alegria em nosso Egbé. Vi abians transformarem-se em iaôs. Vi meu Babá pacientemente ensinar, zelar o Orixá manifesto nelas. Na verdade, mais do que isso, construir em minhas irmãs o aperê (suporte) para que o Orixá possa viver diuturnamente nelas. Uma verdadeira “feitura do santo” por alguém que conhece e cuida, por um verdadeiro sacerdote. Como disse e repito, elas não são mais as mesmas. Ocorre que eu não sou mais o mesmo.Mais uma vez, incansavelmente, eu agradeço ao meu Babá. O senhor transformou minha vida, meu destino. E agora o senhor faz isso novamente de forma muito mais profunda. Pois ao mudar o destino de minhas irmãs de egbé, sinto-me mais forte, meus caminhos mais abertos do que nunca para sermos felizes. Ogum, Omulu, Oyá e Nanã, Ogyian não estão longes. Vivem conosco por meio do Senhor, egbomis e as mais novas iaôs do nosso terreiro. Axé!
Yabauara
 
Hoje, com as primeiras saídas dos 17 dias, presenciamos dentro do Ilê Fun Fun um parto. Três Deuses e duas Deusas nasceram pelas mãos de nosso Babá e foram acalentadas pela Ajibonã para gáudio de nosso egbé. Um pedaço do orum tomou forma em cada oşùu, em cada pinta funfun que cobria os corpos das Iyawos.Tivemos a honra de dançar com os Orixás, reverenciá-los, além de, com isso, rememorar e reafirmar a noção de tempo/espaço e a junção orum/ayê constituída no Ilê.Estamos transformadas, inundadas em alegrias profundas. O renascimento de nossas irmãs, Iyawos, é também o nosso renascimento, aquele que emociona e nos mostra quem verdadeiramente somos: Filhos dos Orixás, filhos do nosso Babá. Axé Babá Mi!
Ayobolaya e Bárbara
 
 
Aberta a porta do ronkó, esperava que saíssem pessoas conhecidas. Então houve um estranhamento e uma surpresa. Não vi pessoas, vi deuses e deusas: nos corpos de Iaôs, já não eram aquelas mesmas pessoas. Estavam diferentes. Assim, de repente, senti muita vontade de chorar, sem saber como e por que precisamente surgiu essa vontade. É por isso que não tenho muito o que dizer, porque foi muito o que senti, foi – e ainda é – emoção indescritível presenciar o renascimento de minhas irmãs. Nossa comunidade está em festa. Nosso axé se multiplica. Pelo dia de hoje, pela minha vida, meu destino, só tenho a agradecer e celebrar. Adupé o, Babá mi!
Rodrigo Garcia
 

 
 


 Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 637


Um comentário:

  1. caro mestre onde posso contatá-lo via email? muito grato pela resposta

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