segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Ile Oka 7 Estradas repudia preconceitos celebrando a vida

Ontem dia 24 de janeiro tivemos o primeiro toque público do Candomblé de Caboclo no Ilê Oka Sete Estradas. Os preparativos já haviam sido iniciados dias antes por parte da comunidade de santo. A partir das 21h dava-se início mais um dia de festa! Como se diz no linguajar do santo, foi um belíssimo xirê. Para quem não conhece, esta expressão indica festa, celebração! Foi exatamente isso que vivenciamos, uma grande celebração da vida, da saúde e dos caminhos abertos. Ao som dos ilus, com o cheiro das ervas, os cantos variados e as danças ritmadas todos permitiam, de maneira alegre e feliz que o mundo sobrenatural se fizesse presente no mundo natural.
Todas as religiões possuem, em alguma medida, a vontade de conectar realidades sobrenaturais e naturais e procuram realizá-la à sua maneira, com suas especificidades. No Ilê Oka Sete Estradas, um terreiro de candomblé de caboclo, este acesso é realizado pela tradição de santo transmitida e expressa nos assentamentos, nas palavras do sacerdote (historietas de Ifá) nos orins, nos ebós, pelas ervas, pelas comidas de santo, pelas danças e pelo transe! Tudo isto envolve uma performance alegre, intensa, viva e expressiva. No Candomblé de Caboclo nada é contido, nada fica retido, travado, escondido. À exceção dos awôs, do que fica guardado e é transmitido de boca, no Candomblé de Caboclo a marca é uma performance expansiva, intensa sendo esta mesma a direcionadora de caminhos que visam a saúde em vários âmbitos.
Infelizmente, nem todos conseguem entender, respeitar e valorar a cultura religiosa alheia. Enquanto os adeptos desejam e buscam a saúde expressa em axé físico e espiritual, muitas pessoas procuram rechaçá-los, criticá-los e vilipendiá-los. Estas pessoas possuem livre expressão de crença religiosa, porém, é lamentável que mantenham uma visão preconceituosa, especialmente quando esta disposição incide em uma crença afro-brasileira.
Sabemos que o Brasil é um país de imensa diversidade religiosa, mas abriga ainda um grau de intolerância que envergonha. Envergonha pelo preconceito e por tudo que dele decorre como as ações agressivas e violentas. Envergonha ainda mais pois muitas destas ações velam o desejo em manter as religiões afro-brasileiras na marginalidade cultural, social e religiosa.
Desde 2007 foi sancionada pelo então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lei 11.635 que prevê o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Este dia presta uma homenagem à uma Iyalorixá baiana que sofreu infarto seguido de morte em função de intolerância religiosa. A partir deste ano, os dias 21 de janeiro são dias oficiais de combate à intolerância religiosa. Esta foi uma ação importante, mas e os demais dias do ano?
Dia 24 de janeiro, três dias após o Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, o Ilê Oka abriu seu calendário litúrgico em festa, com respeito e visando a saúde. Com disposição ao diálogo com todas as pessoas, sem discriminação de classe, raça ou gênero. Nossa performance religiosa é viva e como tal jamais ataca, recrimina, preconceitua quem quer que seja. 
Iniciamos o toque com uma historieta dos Ibejis que enganam a morte. E então a vida, a saúde, a liberdade, diversidade e felicidade é o que que desejamos e que podem ser vistas nos registros abaixo!
Axé,















Obs: Clique  na foto para ampliar a mesma

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 588

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