domingo, 30 de novembro de 2014

Umbanda Esotérica: Novos rumos doutrinais e sacerdotais

Na publicação de hoje apresentamos o vídeo “Umbanda Esotérica: novos rumos doutrinais e sacerdotais” em obediência aos desígnios da Cúpula Espiritual Diretiva da Umbanda Esotérica. Algo devidamente registrado em livro por Mestre Yapacani – W. W. da Matta e Silva, fundador e meu antecessor na Raiz de Guiné/ Velho Payé, quando afirma que novas fases surgiriam por dentro dos fundamentos da Umbanda Esotérica (fonte: Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda – 3ª ed. Pág. 14).

É corrente para os admiradores e simpatizantes da Umbanda Esotérica afirmar que seguem os princípios apresentados por mim e pelo Mestre Yapacani. Percebam que seguir remete a não ficar parado, a não estar estagnado. Seguir suscita movimento. Portanto, uma escola iniciática como a Umbanda Esotérica não pode ficar parada no tempo e no espaço.

Esta segunda fase não nega a primeira. Pelo contrário, realça pontos já apresentados anteriormente. Tanto o primeiro quanto este segundo momento são expressões da mesma raiz, não fragmentada e muito menos posta como solução de continuidade. Ambas estão integradas, sendo a segunda fase uma oportunidade ímpar para atualizar conceitos e fundamentos, como diz o título: novos rumos! Aranauan!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 570

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Ordenação Sacerdotal da Mestra de Iniciação do 7º Grau Aracyauara



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 569

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Publicação do Livro "Religiões Afro-brasileiras: uma construção teológica"

Há onze anos atrás, quando fundamos a FTU – Faculdade de Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras – nos propusemos a valorizar as tradições (Candomblés, Encantarias e Umbandas) respeitando suas diferenças, mas com igual importância.

De 2003 para cá, abrimos o curso de bacharelado em teologia afro-brasileira, reconhecido com nota de excelência, cursos de extensão universitária presenciais e telepresenciais (aplicados em terreiros no Brasil, Uruguai e Portugal) e mais recentemente turmas de pós-graduação (nível especialização) presenciais nas cidades de São Paulo, Brasília e Curitiba.

Pois bem, em São Paulo, o curso contou com importantes pesquisadores sobre religiões afro-brasileiras. Cito: Reginaldo Prandi, Sérgio Ferretti, Mundicarmo Ferretti, Irene Dias, Maria Helena Villas Boas Concone, Volney Berkenbrock, Luiz Assunção, entre outros. Grandes nomes como estes não participariam de um projeto, se não tivessem a certeza do compromisso da FTU com a educação brasileira por meio da teologia afro-brasileira.

O primeiro trabalho de especialização em teologia afro-brasileira da história fora defendido pelo nosso filho espiritual João Luiz Carneiro (Yabauara) nas dependências da FTU. Seu trabalho versou sobre a teologia afro-brasileira como campo próprio de conhecimento e foi aprovado com louvor. No ano seguinte da sua defesa e titulação como especialista desta área, a renomada editora Vozes publica o texto intitulado: “Religiões Afro-brasileiras – Uma construção teológica”. Uma editora grande como esta só reforça a importância da teologia afro-brasileira descrita pelo nosso filho.

Interessante comentar que o livro foi prefaciado pelo prof. Dr. Reginaldo Prandi (USP), um exímio acadêmico que entregou muitas contribuições à comunidade científica. Possui várias obras literárias com grande repercussão na sociedade. O prefácio do professor é muito interessante, mas gostaríamos de destacar o trecho:

Se houve um tempo em que as religiões afro-brasileiras não falavam por si mesmas no diálogo com o mundo fora do terreiro, mas se contentavam em se deixar nas mãos das ciências sociais, que falavam por elas, agora, com a nova escola (FTU), a ideia era permitir que elas mesmas estabelecessem um diálogo com as ciências humanas por meio do trabalho de seus profissionais da religião e falassem por si mesmas. Tarefa nada fácil. E de difícil aceitação por quem está de fora.

João Luiz Carneiro demonstra exatamente isto que Prandi alerta em seu livro. Reúne contribuições de vários setores científicos, mas na parte teológica em si utiliza o conhecimento religioso das religiões afro-brasileiras decodificado e traduzido para uma ciência própria, a teologia afro-brasileira. Com todo respeito que nutrimos aos teólogos cristãos e filósofos, mas faltam elementos epistêmicos e metodológicos para produção de conteúdo teológico afro-brasileiro genuíno.

São nos terreiros que estes saberes surgem e nas salas de aula da FTU que os mesmos são refletidos e sistematizados. Sendo assim, existe mais do que uma parceria entre religião e ciência. Como já afirmamos anteriormente, são braços diferentes de um mesmo corpo.

Por tudo isso, convido a todos os nossos seguidores do Blog a ler o livro de nosso filho. Em tempos onde muitos privilegiam as aparências do que a simplicidade de serem o que são, João Luiz Carneiro vai ao encontro da nossa Raiz. Primeiro fazemos. Depois mostramos ao grande público os feitos... 

Minhas bênçãos a você, Yabauara: Onan rerê, Ayó e Axé!


Abaixo, seguem as fotos da capa, quarta capa e orelha. Clique para ampliar!







Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 568

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Rito de Inauguração da T.U.O. - Itanhaém

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Publicação 567

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Palavras do Mestre na inauguração da T.U.O.



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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

T.U.O. - REVIVIDA NA TERRA DO VERBO (ITANHAÉM)

Depoimento de Ygbere e Obaositalá

Aproveitando os bons auspícios da T.U.O. revivida, gostaríamos de pasar a pena hoje para mais dois filhos espirituais. Ygbere e Obaositalá.


Obs: Clique na foto para ampliar



Ao retornar de Itanhaém, na madrugada de sábado para domingo, depois do rito da reinauguração da T.U.O – Tenda Umbandista Oriental, vi-me inundado de tantos pensamentos que, gradativamente fui lembrando de cada instante, de cada visão e cada sentimento do que se apresentara novo, mas era tão antigo.
Antigo em sua ancestralidade, mas, principalmente antigo em mim, pois reconhecia, naquele espaço de Itanhaém, a T.U.O. de Itacuruçá, onde um dia estive, junto com meu mestre, há muitos anos atrás.
Fisicamente, as dependências eram parecidas, mas o que me chamou a atenção foi o astral, que era exatamente o mesmo... mas como poderia ser o mesmo, perguntariam os amigos?
Sim, eram os mesmos ancestrais que transitavam e inundavam de vida aquele pequeno/grande templo e que, em Itacuruça – RJ assentavam suas forças e diretrizes...
Era chegada a hora de adentrar o conga e pisar novamente nas areias sagradas! Naquele momento, senti profunda alegria e muita emoção. Ao ver o santuário com os sinais grafados no meio círculo, a cruz triangulada em cima, a coroa do destino em movimento amparando a cruz iniciática e tudo de uma forma tão singela que fez estancar meus pensamentos.
O rito apenas começava e já se sentia a presença sutil e sutilíssima do mundo astral. Nosso mestre ao iniciar os cânticos de raiz (pontos), fez reverberar em nossos corações, pelas palavras de poder, sentimentos e pensamentos de retorno ao início.
A atmosfera, envolta em defumações preparadas, as invocações, os gestos e os signos presentes, envolviam a todos em vibrações de profunda paz e nos predispunha ao contato com aquele astral maravilhoso.
E assim chegaram os ancestrais com suas mensagens. O caboclo Cobra Coral, Pai Joaquim de Angola e finalmente, o guardião da 7 Encruzilhadas.
Em todos estes momentos únicos, fomos acometidos da profunda convicção e da certeza do trabalho que nosso mestre vem realizando diuturnamente, atando as pontas de um mesmo círculo (As Umbandas, As Encantarias e os Candomblés).
Eu vivi estes anos todos ao lado do mestre e tive a oportunidade de estar no rito de transmissão da raiz do Pai Guiné de Angola a ele (Mestre Arapiaga). Vejo agora, que isso tudo já obedecia às ordenações vindas de cima; sim, do mesmo astral que tinha seu fulcro central em Itacuruçá - RJ e que passa, agora a ter seu endereço terreno em Itanhaém – SP.
Hoje, com a experiência, posso ver muitas coisas com maior clareza, e sei que fui e sou abençoado por ter o mestre ao meu lado, ensinando e fazendo com que eu viva e seja fruto dessas vivências que transformam o profano em sagrado.
E não podemos nos esquecer que as vivências são transmitidas por meio de um mestre vivo, e que ele faz com que sua ancestralidade esteja viva por meio dele. Portanto, Mestre Yapacani vive pela sua linhagem, onde o sucessor legitimo de sua raiz é o Mestre Arapiaga – Pai Rivas.
Aos que não tiveram a oportunidade de conhecer o Mestre Yapacani – Pai Matta e Silva, e hoje se valem de seus livros, deveriam ter o cuidado em não inventar coisas que não foram ditas, pois percebe-se, nas redes sociais principalmente, que muitos falam com ênfase de um mestre morto e esquecem do seu sucessor legitimo (Mestre Arapiaga – Pai Rivas), que está vivo, e vem fazendo as mudanças que já estavam acordadas desde antes da passagem do velho mestre.
Para os que querem ver a T.U.O. revivida, basta ir a Terra que Canta e Encanta – Itanhaém...
Ygbere
Discípulo de Mestre Arapiaga

Depois desses anos vivenciando as múltiplas facetas das religiões Afro-brasileiras, apresentadas a mim por meu mestre, surpreendo-me com as memórias do início de minha caminhada.
Foi nas areias da Chebl Masud que conheci a Umbanda, e foi pelas mãos misericordiosas das Santas Almas do Cruzeiro Divino, que cheguei até aquelas portas. Uma a uma, estas portas se abriram, e seus mistérios, ainda muitos, foram aguçando minha mente e meu coração.
Aquecida pelo profundo amor que senti naquela corrente impressionante, fui percorrendo minha caminhada. A árdua tarefa de vencer a mim mesma, meus limites, minhas fraquezas e mazelas.
Areias benditas, que socorrem o espírito, purificam e retificam. E foi, ao pisar nelas, que reencontrei meu mestre, minha ancestralidade, minha origem. E o compromisso assumido chamou forte. Nunca mais consegui me afastar delas e ao mesmo tempo de mim, o profano iluminado pelo sagrado.
Desnecessário é dizer o quanto foi emocionante reencontrar esta corrente maravilhosa em Itanhaém. A reinauguração da TUO foi ansiosamente esperada por todos nós. Filhos, netos e bisnetos, herdeiros da Sagrada Raiz de Guiné. Pai Joaquim, Caboclo Cobra Coral, Exu 7 Encruzilhadas...
As lágrimas que rolaram lá semearam aquelas areias benditas. O corpo ainda se arrepia... Pai Guiné e agora, Velho Payé!
A TUO está revivida! Lugar bendito, de crescimento e realização para todos nós.
Enfim, a tríade Candomblé, Encantarias e Umbanda está completa. Se queríamos trabalho, ele está lá, em Itanhaém. Crescimento espiritual, responsabilidade e inclusão. Religiosidade sem Exclusão!
Que as sagradas areias da TUO sejam o campo fértil para o trabalho das Santas Almas do Cruzeiro Divino!
Obaositala
Discípula de Mestre Arapiaga

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Publicação 565

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

T.U.O. - REVIVIDA NA TERRA DO VERBO (ITANHAÉM)

Depoimento de Mãe Valdinez e Pai Deni dirigentes do Templo de Umbanda Pai Joaquim de Aruanda (Abatemy e Taramatan)

Como informamos na publicação anterior, a inauguração da T.U.O. foi celebrada no último dia 08 de novembro. Neste mesmo texto passamos a pena para dois filhos do nosso santé no intuito de compartilhar suas percepções. Desta vez, entregamos ao leitor do nosso Blog as palavras de Mãe Valdinez (Abatemy) e Pai Deni (Taramatan) que estiveram de corpo presente no primeiro dia da T.U.O aberta ao público.



Obs: Clique para ampliar a foto

Aranauam,

Graças a Zamby, tivemos a oportunidade de  presenciar mais um rito maravilhoso como todos, desta vez o 1º Rito na T.U.O. em Itanhaém SP.
O que nos fez pensar em tudo que vivemos nos últimos 9 anos, desde que começamos  a  vivenciar e aprendemos a respeitar outros ritos que não os nossos.  Seremos eternamente gratos ao nosso Mestre por iluminar nossa caminhada com a sua vivência e conhecimento.
Nestes anos temos presenciado  Mestre Arhapiagha /Pai Rivas, promover o diálogo e o respeito entre os cultos das religiões afro brasileiras e não a mistura deles ! Muito pelo contrário somos provas vivas de que ele nunca sugeriu a mínima mudança no templo que o Astral nos confiou. Na nossa humilde visão só alguém com conhecimento e altruísmo pode fazer!
Alguns falaram coisas infundadas, mas é difícil contestar ações com simples palavras. É só pensar um pouco meus irmãos!
Quem está certo, aquele que usa seu tempo dedicando-se, produzindo, doando-se, trazendo uma cultura de paz, união, respeito e dialogo a comunidade, ou aquele e usa seu tempo criticando?
Já ouvimos até palavras bastante ofensivas de alguns irmãos, mas temos dificuldades em acreditar que o Astral que os acobertam seja conivente em propagar a ofensa, discórdia, leviandade, desigualdade. As mesmas pessoas que dizem orgulhar-se de “defender” a Umbanda. Um tanto incoerente não acham?
Mas não temos a mínima pretensão de julgar a forma de pensar de cada um, só gostaríamos de dividir com os irmãos, esse momento de introspecção , alegria e gratidão.
Nossos pedidos de bênçãos .

Abatemy e Taramatan 
Dirigente do Templo de Umbanda Pai Joaquim de Aruanda Sorocaba SP

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Publicação 564

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

1º Ritual da T.U.O. em Itanhaém


No último sábado, dia 08 de novembro, foi o primeiro ritual da T.U.O. em Itanhaém. A inauguração de mais um dos templos sediados em Itanhaém representa um marco histórico em nossa trajetória iniciática, sobretudo, porque faz parte de um dos nossos compromissos assumidos: o de levar adiante a Escola da Umbanda Esotérica.
Quando conhecemos Mestre Yapacani, W.W. da Matta e Silva (fundador da Umbanda Esotérica) na década de 1970 eu já havia sido iniciado por outros setores das religiões afro-brasileiras, no candomblé e nas encantarias por Babá Omolokan, Pai Ernesto de Xangô Ayrá, o qual havia sido iniciado por Martiniano do Bonfim.
Pai Matta ao nos conhecer contou-nos sobre nossa anterior trajetória iniciática e sempre foi muito respeitoso com todas as elas, mas foi ímpar ao nos conduzir ao Mestrado na Umbanda Esotérica de tal modo que em 1987 nos transmitiu sua raíz. Para elucidar esse processo de condução religiosa utilizamos a metáfora da moeda, sendo Pai Guiné representado em uma face e Velho Payé em outra. A moeda é uma só, fazem parte de um mesmo núcleo religioso. Assim, nosso percurso sempre foi o de seguir os fundamentos religiosos transmitidos da Umbanda Esotérica quando estávamos imbuídos e trabalhando nela. Jamais fizemos qualquer mistura entre fundamentos religiosos do candomblé, das encantarias e das várias umbandas (dentre elas a Esotérica).
Dia 08 de novembro foi, portanto, mais um marco representativo da força da transmissão da raíz para nós pois honramos continuamente nosso compromisso. Se antes Mestre Yapacani e Pai Guiné conduziam este movimento, por ordem deles mesmos há mais de duas décadas, nós e Caboclo Velho Payé damos continuidade à Umbanda Esotérica. É motivo de muita alegria poder honrar nosso Pai e o astral pela tarefa e a T.U.O. – Santuário de Itanhaém é mais uma oferenda viva que entregamos a Eles.
Consideramos uma abordagem interessante a de reunir depoimentos de naturezas diversas de dois filhos de santo presentes na inauguração da T.U.O – Santuário de Itanhaém, minha filha de santo Érica Jorge (Yacyrê), a qual viveu os rituais de Umbanda Esotérica da década de 1990 e teve a oportunidade de revivê-los recentemente; e João Luiz Carneiro (Yabauara), que não viveu este processo nos idos de 1990, porém, tornou-se iniciado nesta raíz ao longo dos anos subsequentes. Aproveitamos, ainda, para apresentar algumas fotos que registraram momentos da inauguração, sendo os registros primeiros guardados no íntimo de todos que lá estiveram.
Minhas vibrações de paz e vida longa a todos.
Aranauan!
 
Depoimentos
YACYRÊ
Não me parece tarefa fácil a de recompor em poucas linhas o sentimento de viver a Umbanda Esotérica na década de 1990 e poder revivê-la atualmente, pelas mãos do mesmo Mestre. Estou certa de que as linhas abaixo serão pálida expressão do que sinto e do que vivo constantemente desde que conheci Mestre Arhapiagha por volta dos meus doze anos de idade.
Meu primeiro contato com ele e sua comunidade foi em um ritual de sábado realizado no templo da Chebl Massud, em São Paulo. Esperei ansiosamente pela abertura do portão porque, de fato, queria entrar e me acomodar, conhecer e observar. Eu já havia ido em terreiros de umbanda e, em alguma medida, pressentia que estava prestes a conhecer uma realidade totalmente desconhecida.
A sensação de desconhecimento, ao mesmo tempo que aumentava, já que não conhecia aquela “forma” de se fazer umbanda, era também diminuída, já que foi um verdadeiro processo de reconhecimento de vibrações seguido de uma certeza, a de jamais me afastar de lá. Os cheiros da defumação percorriam todos os ambientes do templo e o silêncio só era interrompido pelos pássaros que piavam de quando em quando já que os rituais eram iniciados entre o fim da tarde e início da noite. Neste dia, especialmente, passei com uma entidade que logo me disse “quanto tempo te esperava, que bom que você chegou!”. Não precisava de mais nada. Eu já havia sido acolhida pelos ancestrais que lá estavam!
Desde então, passei a frequentar todos os rituais até me tornar filha-de-santo. Vestir a roupa da Umbanda Esotérica pela primeira vez e adentrar nas areias do santuário fazendo parte da corrente foi mais um passo marcante. Penso que para esta publicação não cabe contar as muitas histórias que vi, senti, vivi naquelas areias sagradas. Das muitas palavras de pretos-velhos, dos poderes curativos dos caboclos, da magia dos exus...tudo isso está guardado e impresso em meu espírito. Mais importante aqui penso que seja registrar a emoção que senti ao pisar novamente nas areias sagradas, desta vez em Itanhaém e décadas depois.
Como disse anteriormente, não é mensurável o que se sente ao ver as entidades, sentir suas vibrações e comungar com elas da história de uma simples “gira de umbanda”. Sendo assim, centro minhas letras no que senti ao ver Mestre Arhapiagha conduzir novamente um ritual da Umbanda Esotérica. Era o mesmo sendo diferente. Porque essa é a lei da vida, a mudança. Fiquei emocionada e, de fato, lágrimas me escorreram, ao entender parcialmente a grandiosidade de um compromisso espiritual. Nós médiuns de terreiro costumamos falar em responsabilidade, em tarefa. E, com certeza, temos mesmo! Mas, observar concretamente os fatos históricos e a honradez com os compromissos assumidos com o astral para uma grande parcela da sociedade é para poucos. Muitos querem as loas, as glórias e os títulos, mas poucos são aqueles trabalhadores ininterruptos pela espiritualidade. Mestre Arhapiagha nos brindou não apenas com as bênçãos das entidades que vieram por meio de sua brilhante mediunidade. Ele nos brindou com a força do seu caráter. Ele nos brindou com sua retidão espiritual.
Um Mestre condutor de raiz não pode se omitir em apresentar seus trabalhos efetivos principalmente porque os trabalhos não são para Ele, são para eles ou para todos nós, como já antecipado por Pai Matta. Em 1956, Pai Matta escreve Umbanda de Todos nós. Em 2014, Mestre Arhapiagha continua a nos mostrar como isso é verdadeiro para os que trabalham nela e por ela. Como já dizia um ponto de Umbanda “como é bonito o pisar do caboclo que pisa na areia no rastro do outro...” Desde o fim da década de 80 Mestre Arhapiagha vem pisando nas areias que foram anteriormente pisadas por Mestre Yapacani e realizando sua tarefa pelos outros com capacidade e responsabilidade coletiva.
Agradeço por mais esta experiência em minha trajetória iniciática.
Meus pedidos de bênçãos.
Yacyrê.
YABAUARA
O importante filósofo Maurice Merleau-Ponty ensina em sua fenomenologia a importância de viver, experimentar, tocar a vida para extrair dela o conhecimento. Mestre Araphiagha propugna uma teoria prática que é prática da teoria. São setores diferentes do conhecimento que apontam para o mesmo norte: a experiência.
As obras escritas de meu avô de santé Mestre Yapacani e meu pai Mestre Araphiagha formam um verdadeiro compendio doutrinário da Umbanda Esotérica. Isso é inegável. Tão inegável quanto ao fato de que para pertencer a esta Raiz, torna necessário uma vivência real com um Mestre de Iniciação.
Mil livros não são suficientes para expressar a alegria de pisar na areia da T.U.O., sentir o cheiro da defumação, as batidas do coração enquanto Mestre Araphiagha fazia sua prédica. Como traduzir em palavras os pontos de Raiz entoados ou a pemba traçada?
Caboclo Cobra Coral, Pai Joaquim de Angola e o Exu 7 Encruzilhadas coroaram a inauguração da T.U.O. com o que há de melhor: mediunidade e magia ativas. Seguindo a Tradição de forma insofismável, respirei pela primeira vez o ar da Umbanda Esotérica praticada na casa-máter rediviva em Itanhaém e senti seus efeitos de forma imediata.
Quando entrei em transe mediúnico com o caboclo, pai velho e exu, senti as mesmas entidades que sempre me valeram e guardaram de outras formas. Mais do que isso, outra dinâmica e linguagens condizentes com seus pressupostos.
Quem sabe, faz. Quem é, vive. Meu Mestre conjuga estes quatro verbos em todas as religiões afro-brasileiras. Especialmente na Umbanda Esotérica, onde é sucessor, Mestre Arapiagha inaugura uma nova fase. Afinal, dinamiza um nova Escola na justa medida em que resgata seus fundamentos avoengos.
Quiseram fazer da Umbanda Esotérica terra de ninguém, um filão mercadológico. Os “filhos dos livros” de Matta e Silva e Rivas Neto não perceberam uma coisa. A Raiz de Guiné/Velho Payé não está parada nas letras das obras de seus protagonistas, mas viva nas mãos de seu detentor, Mestre Araphiagha.
Eternamente grato e fiel à sua Raiz,
Mestre Yabauara - Discípulo de Mestre Araphiagha
 
 
 

 
 
 
 















 


 




 


 
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Publicação 563

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Inauguração da T.U.O. - Santuário de Itanhaém

Assista ao vídeo e o convite virtual de inauguração da T.U.O.




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Publicação 562

Mino Carta fala de papa, criacionismo e evolucionismo



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Publicação 561

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sr. Capa Preta nas ruas de Itanhaém -- 01 de novembro de 2014

Na publicação de hoje apresentamos fotos do Toque de Exu realizado no  Ilê Oka 7 Estradas, na cidade de Itanhaém-SP. Mais uma vez Exu foi para a rua e com ele a celebração das conquistas de nossa comunidade de Axé e das Religiões Afro-brasileiras. 
























Obs: clique na foto para ampliar!

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Publicação 560