segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

VI Congresso Nacional das Religiões Afro-brasileiras: a FTU na Câmara Municipal de Itanhaém!

Na última sexta-feira e sábado (12 e 13 de dezembro) a FTU promoveu em Itanhaém o VI Congresso Nacional das Religiões Afro-brasileiras. As cinco edições anteriores foram realizadas na sede da FTU em São Paulo. Desta vez, porém, foi diferente. O VI Congresso ocorreu na Câmara Municipal de Itanhaém. Destacamos o fato de que a Câmara jamais havia recebido eventos desta natureza, mas seus membros representativos sentiram-se bastante confortáveis e confiantes com a proposta acadêmica advinda dos projetos educacionais da FTU. Se já era histórico um evento acadêmico na Câmara, o que dizer de um evento acadêmico promovido por uma instituição de ensino superior teológica com ênfase afro-brasileira? Para nós da FTU foi um sinal de que continuamos a fazer história no campo teológico mas também com o aceite e confiança de outras esferas.
O Congresso foi organizado com palestras, mesas de discussão, apresentação de pôsteres de alunos da graduação e pós-graduação, bem como lançamentos de livros.
Na sexta-feira a palestra de abertura foi “Teologia do Ori-Bará” em que pudemos abordar elementos fundamentais para se pensar questões da teologia afro-brasileira como a noção de doença, de saúde, os três espaços que habitamos (natural, social e sobrenatural) e a função e relação de exu dentro deste processo de predição, prevenção e cura nas religiões afro-brasileiras. Finalizamos a sexta-feira com um coquetel, momento de celebração da abertura do evento entre os congressistas.
No dia seguinte, sábado, os trabalhos do congresso foram iniciados com a mesa sobre Exu e Pombagira em que algumas questões-chave foram problematizadas como, por exemplo, exu é o diabo? Pombagira é uma mulher promíscua? Onde e quais são as atuações dos exus, como eles são cultuados em África e no Brasil e sua relação com a sobrevivência física e com o destino de todos os adeptos afro-brasileiros. A mesa foi conduzida pela Profa. Ms. Érica Jorge, Prof. Esp. Antonio Luz, Prof. Ms. Rodrigo Garcia e Prof. Dr. João Luiz Carneiro.
Em seguida, os congressistas tiveram a oportunidade de ouvir a palestra do Prof. Dr. Yuri Tavares (USP) com o tema da Etnobotânica afro-brasileira em que foram discutidas as várias importâncias e usos rituais das ervas e flores nos terreiros.
Após o almoço e visando uma interação efetiva com os congressistas, foi realizada a Oficina de Etnomúsica conduzida principalmente pelos alabês, Mestres dos Ilús, Thales de Ogum e Pai José Roberto de Ogum. Os demais integrantes da oficina eram nossos filhos de santo e, além deles, houve a participação de Ricardo de Paula, aluno do 2º ano da FTU e tata de angola que cantou para a tradição angola, a qual pertence.
Após a oficina de Etnomúsica foi a vez das teólogas Érica Jorge e Maria Elise Rivas debaterem na mesa sobre Teologia Afro-brasileira, discutindo questões fundamentais como a interface entre saber científico e religioso, oralidade e escrita, formação teológica, meio ambiente, intolerância religiosa e a visão da teologia sobre os racismos de variados matizes. Além disso, a discussão do sincretismo foi trazida. A teologia afro-brasileira não se coloca contrária ao sincretismo no sentido de negar a história da própria formação do campo religioso brasileiro, porém, problematiza a subserviência e falta de autonomia de alguns grupos religiosos que se colocam inferiores e em posição de dominação por grupos com status político e capital cultural imperantes no país.
Após o intervalo da tarde, o professor João Luiz Carneiro também discutiu a teologia afro-brasileira e apresentou seu novo livro publicado pela Editora Vozes e que é fruto de suas reflexões teológicas na especialização em teologia afro-brasileira, defendida em 2013 e orientada pelo Prof. Dr. Reginaldo Prandi (USP).
A última palestra proferida no congresso foi sobre as questões de gênero em terreiros afro-brasileiros em que a professora e sacerdotisa Maria Elise apresentou sua pesquisa sobre o preconceito sofrido por homossexuais quando estes exercem suas performances religiosas, principalmente quando incorporados da entidade pombagira.
Durante todo o evento houve o lançamento de vários livros da Arché Editora. Dentre eles, citamos:
Teologia do Ori-Bará – autor F. Rivas Neto
Teologia da Tradição Oral – autores F. Rivas Neto, Maria Elise G.B.M. Rivas, João Luiz Carneiro
Teologia Afro-brasileira – Organização Érica Jorge, Irene Dias e Maria Elise G.B.M. Rivas
Exu e Pombagira: uma perspectiva teológica – Organização F. Rivas Neto
Encerrando o evento, fizemos questão de realizar a síntese das várias discussões proferidas e frisamos a questão da serventia em termos reflexivos que nosso congresso pretendeu propiciar a todos. Agradecemos a todos os pais e mães de santo presentes, aos congressistas, aos organizadores do evento e, principalmente, à Câmara Municipal de Itanhaém pela confiança no trabalho da FTU e por permitir que a pluralidade e respeito se fizessem efetivos.  Como casa do povo, nada mais justo que a voz afro-brasileira fosse ouvida!
Abaixo apresentamos fotos que registram momentos importantes e felizes do VI Congresso Nacional das Religiões Afro-brasileiras da FTU em Itanhaém.
Axé!
Obs: Para adquirir os livros, favor entrar em contato pelo email vendas@archeeditora.com.br






















Obs: Clique na imagem para ampliar.


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 574

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