segunda-feira, 17 de novembro de 2014

T.U.O. - REVIVIDA NA TERRA DO VERBO (ITANHAÉM)

Depoimento de Ygbere e Obaositalá

Aproveitando os bons auspícios da T.U.O. revivida, gostaríamos de pasar a pena hoje para mais dois filhos espirituais. Ygbere e Obaositalá.


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Ao retornar de Itanhaém, na madrugada de sábado para domingo, depois do rito da reinauguração da T.U.O – Tenda Umbandista Oriental, vi-me inundado de tantos pensamentos que, gradativamente fui lembrando de cada instante, de cada visão e cada sentimento do que se apresentara novo, mas era tão antigo.
Antigo em sua ancestralidade, mas, principalmente antigo em mim, pois reconhecia, naquele espaço de Itanhaém, a T.U.O. de Itacuruçá, onde um dia estive, junto com meu mestre, há muitos anos atrás.
Fisicamente, as dependências eram parecidas, mas o que me chamou a atenção foi o astral, que era exatamente o mesmo... mas como poderia ser o mesmo, perguntariam os amigos?
Sim, eram os mesmos ancestrais que transitavam e inundavam de vida aquele pequeno/grande templo e que, em Itacuruça – RJ assentavam suas forças e diretrizes...
Era chegada a hora de adentrar o conga e pisar novamente nas areias sagradas! Naquele momento, senti profunda alegria e muita emoção. Ao ver o santuário com os sinais grafados no meio círculo, a cruz triangulada em cima, a coroa do destino em movimento amparando a cruz iniciática e tudo de uma forma tão singela que fez estancar meus pensamentos.
O rito apenas começava e já se sentia a presença sutil e sutilíssima do mundo astral. Nosso mestre ao iniciar os cânticos de raiz (pontos), fez reverberar em nossos corações, pelas palavras de poder, sentimentos e pensamentos de retorno ao início.
A atmosfera, envolta em defumações preparadas, as invocações, os gestos e os signos presentes, envolviam a todos em vibrações de profunda paz e nos predispunha ao contato com aquele astral maravilhoso.
E assim chegaram os ancestrais com suas mensagens. O caboclo Cobra Coral, Pai Joaquim de Angola e finalmente, o guardião da 7 Encruzilhadas.
Em todos estes momentos únicos, fomos acometidos da profunda convicção e da certeza do trabalho que nosso mestre vem realizando diuturnamente, atando as pontas de um mesmo círculo (As Umbandas, As Encantarias e os Candomblés).
Eu vivi estes anos todos ao lado do mestre e tive a oportunidade de estar no rito de transmissão da raiz do Pai Guiné de Angola a ele (Mestre Arapiaga). Vejo agora, que isso tudo já obedecia às ordenações vindas de cima; sim, do mesmo astral que tinha seu fulcro central em Itacuruçá - RJ e que passa, agora a ter seu endereço terreno em Itanhaém – SP.
Hoje, com a experiência, posso ver muitas coisas com maior clareza, e sei que fui e sou abençoado por ter o mestre ao meu lado, ensinando e fazendo com que eu viva e seja fruto dessas vivências que transformam o profano em sagrado.
E não podemos nos esquecer que as vivências são transmitidas por meio de um mestre vivo, e que ele faz com que sua ancestralidade esteja viva por meio dele. Portanto, Mestre Yapacani vive pela sua linhagem, onde o sucessor legitimo de sua raiz é o Mestre Arapiaga – Pai Rivas.
Aos que não tiveram a oportunidade de conhecer o Mestre Yapacani – Pai Matta e Silva, e hoje se valem de seus livros, deveriam ter o cuidado em não inventar coisas que não foram ditas, pois percebe-se, nas redes sociais principalmente, que muitos falam com ênfase de um mestre morto e esquecem do seu sucessor legitimo (Mestre Arapiaga – Pai Rivas), que está vivo, e vem fazendo as mudanças que já estavam acordadas desde antes da passagem do velho mestre.
Para os que querem ver a T.U.O. revivida, basta ir a Terra que Canta e Encanta – Itanhaém...
Ygbere
Discípulo de Mestre Arapiaga

Depois desses anos vivenciando as múltiplas facetas das religiões Afro-brasileiras, apresentadas a mim por meu mestre, surpreendo-me com as memórias do início de minha caminhada.
Foi nas areias da Chebl Masud que conheci a Umbanda, e foi pelas mãos misericordiosas das Santas Almas do Cruzeiro Divino, que cheguei até aquelas portas. Uma a uma, estas portas se abriram, e seus mistérios, ainda muitos, foram aguçando minha mente e meu coração.
Aquecida pelo profundo amor que senti naquela corrente impressionante, fui percorrendo minha caminhada. A árdua tarefa de vencer a mim mesma, meus limites, minhas fraquezas e mazelas.
Areias benditas, que socorrem o espírito, purificam e retificam. E foi, ao pisar nelas, que reencontrei meu mestre, minha ancestralidade, minha origem. E o compromisso assumido chamou forte. Nunca mais consegui me afastar delas e ao mesmo tempo de mim, o profano iluminado pelo sagrado.
Desnecessário é dizer o quanto foi emocionante reencontrar esta corrente maravilhosa em Itanhaém. A reinauguração da TUO foi ansiosamente esperada por todos nós. Filhos, netos e bisnetos, herdeiros da Sagrada Raiz de Guiné. Pai Joaquim, Caboclo Cobra Coral, Exu 7 Encruzilhadas...
As lágrimas que rolaram lá semearam aquelas areias benditas. O corpo ainda se arrepia... Pai Guiné e agora, Velho Payé!
A TUO está revivida! Lugar bendito, de crescimento e realização para todos nós.
Enfim, a tríade Candomblé, Encantarias e Umbanda está completa. Se queríamos trabalho, ele está lá, em Itanhaém. Crescimento espiritual, responsabilidade e inclusão. Religiosidade sem Exclusão!
Que as sagradas areias da TUO sejam o campo fértil para o trabalho das Santas Almas do Cruzeiro Divino!
Obaositala
Discípula de Mestre Arapiaga

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 565

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