segunda-feira, 10 de novembro de 2014

1º Ritual da T.U.O. em Itanhaém


No último sábado, dia 08 de novembro, foi o primeiro ritual da T.U.O. em Itanhaém. A inauguração de mais um dos templos sediados em Itanhaém representa um marco histórico em nossa trajetória iniciática, sobretudo, porque faz parte de um dos nossos compromissos assumidos: o de levar adiante a Escola da Umbanda Esotérica.
Quando conhecemos Mestre Yapacani, W.W. da Matta e Silva (fundador da Umbanda Esotérica) na década de 1970 eu já havia sido iniciado por outros setores das religiões afro-brasileiras, no candomblé e nas encantarias por Babá Omolokan, Pai Ernesto de Xangô Ayrá, o qual havia sido iniciado por Martiniano do Bonfim.
Pai Matta ao nos conhecer contou-nos sobre nossa anterior trajetória iniciática e sempre foi muito respeitoso com todas as elas, mas foi ímpar ao nos conduzir ao Mestrado na Umbanda Esotérica de tal modo que em 1987 nos transmitiu sua raíz. Para elucidar esse processo de condução religiosa utilizamos a metáfora da moeda, sendo Pai Guiné representado em uma face e Velho Payé em outra. A moeda é uma só, fazem parte de um mesmo núcleo religioso. Assim, nosso percurso sempre foi o de seguir os fundamentos religiosos transmitidos da Umbanda Esotérica quando estávamos imbuídos e trabalhando nela. Jamais fizemos qualquer mistura entre fundamentos religiosos do candomblé, das encantarias e das várias umbandas (dentre elas a Esotérica).
Dia 08 de novembro foi, portanto, mais um marco representativo da força da transmissão da raíz para nós pois honramos continuamente nosso compromisso. Se antes Mestre Yapacani e Pai Guiné conduziam este movimento, por ordem deles mesmos há mais de duas décadas, nós e Caboclo Velho Payé damos continuidade à Umbanda Esotérica. É motivo de muita alegria poder honrar nosso Pai e o astral pela tarefa e a T.U.O. – Santuário de Itanhaém é mais uma oferenda viva que entregamos a Eles.
Consideramos uma abordagem interessante a de reunir depoimentos de naturezas diversas de dois filhos de santo presentes na inauguração da T.U.O – Santuário de Itanhaém, minha filha de santo Érica Jorge (Yacyrê), a qual viveu os rituais de Umbanda Esotérica da década de 1990 e teve a oportunidade de revivê-los recentemente; e João Luiz Carneiro (Yabauara), que não viveu este processo nos idos de 1990, porém, tornou-se iniciado nesta raíz ao longo dos anos subsequentes. Aproveitamos, ainda, para apresentar algumas fotos que registraram momentos da inauguração, sendo os registros primeiros guardados no íntimo de todos que lá estiveram.
Minhas vibrações de paz e vida longa a todos.
Aranauan!
 
Depoimentos
YACYRÊ
Não me parece tarefa fácil a de recompor em poucas linhas o sentimento de viver a Umbanda Esotérica na década de 1990 e poder revivê-la atualmente, pelas mãos do mesmo Mestre. Estou certa de que as linhas abaixo serão pálida expressão do que sinto e do que vivo constantemente desde que conheci Mestre Arhapiagha por volta dos meus doze anos de idade.
Meu primeiro contato com ele e sua comunidade foi em um ritual de sábado realizado no templo da Chebl Massud, em São Paulo. Esperei ansiosamente pela abertura do portão porque, de fato, queria entrar e me acomodar, conhecer e observar. Eu já havia ido em terreiros de umbanda e, em alguma medida, pressentia que estava prestes a conhecer uma realidade totalmente desconhecida.
A sensação de desconhecimento, ao mesmo tempo que aumentava, já que não conhecia aquela “forma” de se fazer umbanda, era também diminuída, já que foi um verdadeiro processo de reconhecimento de vibrações seguido de uma certeza, a de jamais me afastar de lá. Os cheiros da defumação percorriam todos os ambientes do templo e o silêncio só era interrompido pelos pássaros que piavam de quando em quando já que os rituais eram iniciados entre o fim da tarde e início da noite. Neste dia, especialmente, passei com uma entidade que logo me disse “quanto tempo te esperava, que bom que você chegou!”. Não precisava de mais nada. Eu já havia sido acolhida pelos ancestrais que lá estavam!
Desde então, passei a frequentar todos os rituais até me tornar filha-de-santo. Vestir a roupa da Umbanda Esotérica pela primeira vez e adentrar nas areias do santuário fazendo parte da corrente foi mais um passo marcante. Penso que para esta publicação não cabe contar as muitas histórias que vi, senti, vivi naquelas areias sagradas. Das muitas palavras de pretos-velhos, dos poderes curativos dos caboclos, da magia dos exus...tudo isso está guardado e impresso em meu espírito. Mais importante aqui penso que seja registrar a emoção que senti ao pisar novamente nas areias sagradas, desta vez em Itanhaém e décadas depois.
Como disse anteriormente, não é mensurável o que se sente ao ver as entidades, sentir suas vibrações e comungar com elas da história de uma simples “gira de umbanda”. Sendo assim, centro minhas letras no que senti ao ver Mestre Arhapiagha conduzir novamente um ritual da Umbanda Esotérica. Era o mesmo sendo diferente. Porque essa é a lei da vida, a mudança. Fiquei emocionada e, de fato, lágrimas me escorreram, ao entender parcialmente a grandiosidade de um compromisso espiritual. Nós médiuns de terreiro costumamos falar em responsabilidade, em tarefa. E, com certeza, temos mesmo! Mas, observar concretamente os fatos históricos e a honradez com os compromissos assumidos com o astral para uma grande parcela da sociedade é para poucos. Muitos querem as loas, as glórias e os títulos, mas poucos são aqueles trabalhadores ininterruptos pela espiritualidade. Mestre Arhapiagha nos brindou não apenas com as bênçãos das entidades que vieram por meio de sua brilhante mediunidade. Ele nos brindou com a força do seu caráter. Ele nos brindou com sua retidão espiritual.
Um Mestre condutor de raiz não pode se omitir em apresentar seus trabalhos efetivos principalmente porque os trabalhos não são para Ele, são para eles ou para todos nós, como já antecipado por Pai Matta. Em 1956, Pai Matta escreve Umbanda de Todos nós. Em 2014, Mestre Arhapiagha continua a nos mostrar como isso é verdadeiro para os que trabalham nela e por ela. Como já dizia um ponto de Umbanda “como é bonito o pisar do caboclo que pisa na areia no rastro do outro...” Desde o fim da década de 80 Mestre Arhapiagha vem pisando nas areias que foram anteriormente pisadas por Mestre Yapacani e realizando sua tarefa pelos outros com capacidade e responsabilidade coletiva.
Agradeço por mais esta experiência em minha trajetória iniciática.
Meus pedidos de bênçãos.
Yacyrê.
YABAUARA
O importante filósofo Maurice Merleau-Ponty ensina em sua fenomenologia a importância de viver, experimentar, tocar a vida para extrair dela o conhecimento. Mestre Araphiagha propugna uma teoria prática que é prática da teoria. São setores diferentes do conhecimento que apontam para o mesmo norte: a experiência.
As obras escritas de meu avô de santé Mestre Yapacani e meu pai Mestre Araphiagha formam um verdadeiro compendio doutrinário da Umbanda Esotérica. Isso é inegável. Tão inegável quanto ao fato de que para pertencer a esta Raiz, torna necessário uma vivência real com um Mestre de Iniciação.
Mil livros não são suficientes para expressar a alegria de pisar na areia da T.U.O., sentir o cheiro da defumação, as batidas do coração enquanto Mestre Araphiagha fazia sua prédica. Como traduzir em palavras os pontos de Raiz entoados ou a pemba traçada?
Caboclo Cobra Coral, Pai Joaquim de Angola e o Exu 7 Encruzilhadas coroaram a inauguração da T.U.O. com o que há de melhor: mediunidade e magia ativas. Seguindo a Tradição de forma insofismável, respirei pela primeira vez o ar da Umbanda Esotérica praticada na casa-máter rediviva em Itanhaém e senti seus efeitos de forma imediata.
Quando entrei em transe mediúnico com o caboclo, pai velho e exu, senti as mesmas entidades que sempre me valeram e guardaram de outras formas. Mais do que isso, outra dinâmica e linguagens condizentes com seus pressupostos.
Quem sabe, faz. Quem é, vive. Meu Mestre conjuga estes quatro verbos em todas as religiões afro-brasileiras. Especialmente na Umbanda Esotérica, onde é sucessor, Mestre Arapiagha inaugura uma nova fase. Afinal, dinamiza um nova Escola na justa medida em que resgata seus fundamentos avoengos.
Quiseram fazer da Umbanda Esotérica terra de ninguém, um filão mercadológico. Os “filhos dos livros” de Matta e Silva e Rivas Neto não perceberam uma coisa. A Raiz de Guiné/Velho Payé não está parada nas letras das obras de seus protagonistas, mas viva nas mãos de seu detentor, Mestre Araphiagha.
Eternamente grato e fiel à sua Raiz,
Mestre Yabauara - Discípulo de Mestre Araphiagha
 
 
 

 
 
 
 















 


 




 


 
Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 563

3 comentários:

  1. Irmãos em fé,
    Não poderia de deixar de expressar aqui o meu sentimento diante do fato de estar pisando no solo sagrado da TUO no sábado passado dia 08/11/2014.
    Tal rito levou meus pensamento a 25 anos atrás quando fui aceito como médium na OICD e dentro os anos que lá estive pude conviver com as entidades que se apresentaram na TUO, foi um rito onde fiquei saudosista pelo fato de poder vivenciar novamente a experiência do convívio do Caboclo da Cobra Coral, Pai Joaquim e o Exu das 7 Encruzilhadas entidades estas que fizeram parte da minha educação mediúnica e com elas pude ver e aprender muitas coisas, as quais carrego dentro de mim e a eles tenho esta eterna gratidão.
    Nestes 25 anos pude acompanhar as mudanças da OICD/FTU no que tange a forma de processar os ritos, sendo introduzido o atabaque no ritual entre outras coisas, que hoje demonstra como a Umbanda é eclética e se preocupa em atender a grande massa, respeitando o grau de consciência de cada ser espiritual, dentro da sua grandeza a Umbanda se adapta a nós, quando este fato deveria ser contrário, mas...
    Enfim, reviver a Umbanda Esotérica na TUO e ter o privilégio de sentir novamente em meu amago tal rito me trouxe uma grande felicidade, somente quem vivenciou e irá vivenciar saberá do que falo, porque somente no dia a dia do terreiro e sentindo em sua essência este rito é que se pode tecer qualquer tipo de comentário, apenas tivemos uma pequena mostra do que será esta casa e com certeza ela traz a luz da Aruanda.
    Mestre Araphiagha permita-me desejar que Oxala o abençoe hoje e sempre e que tenhas muitos anos de vida terrena porque seus filhos ainda necessitam de vossos ensinamentos.
    Axé.
    Alexandre

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  2. De que dia são os rituais e vai haver aulas?

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