quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Pade Olonan


Na publicação de hoje gostaríamos de agradecer a todos pais e as mães de santo que compareceram ao Pade Olonan. São dezenas de sacerdotes e sacerdotisas que para não esquecer de nenhum(a) em específico, preferimos nos congratular com todos. Também não podemos deixar de estender nossa gratidão a todos os consulentes que foram de forma maciça ao toque de Exu.
Aproveitamos para passar a pena ao nosso filho de santo João Luiz Carneiro (Yabauara). Ele apresenta aspectos interessantes do Pade Olonan. Ao final, disponibilizamos algumas fotos do Toque. Axé!




O ENCONTRO COM A TRADIÇÃO


No último sábado, dia 18 de outubro de 2014, a FTU – Faculdade de Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras – realizou o toque anual de Exu. Como todos os anos, temos a previsibilidade de que a casa estará cheia de pais e mães espirituais de vários lugares do Brasil e que o toque propiciará a todos muito axé. A parte previsível acaba aí. Tudo que acontece durante todas as fases do toque é imprevisível para o público geral, mas alguns momentos são únicos e inconcebíveis de força e poder de realização até mesmo para quem está próximo do Babá Iwin Ayotolá (Pai Rivas). Será Exu? Será Ogum? As palavras a seguir tentarão contar o incontável, o que só pode ser aprendido pelo toque e pela vivência, tal qual o próprio Axé.
Um número significativo de pais e mães espirituais, após uma profícua discussão sobre o tema diversidade nas religiões afro-brasileiras conduzida pela Sacerdotisa Obalolá (Mãe Maria Elise Rivas), adentraram o templo público da FTU com um assentamento majestoso no centro do terreiro. O idá de Ogum, lembrando histórias milenares, a frente de muitas ervas dispostas no chão e em quatro vasos cheios de peregun que circundavam o assentamento. No centro, um pilar emergia o quinto vaso do Peregun. Os espaços foram demarcados, os Orixás já podem chegar e brincar (xirê) entre os homens.
Para quem acompanha os toques anuais de Exu, certamente percebeu nesse ano uma forma diferente de cantar e dançar os orins. Como reza a tradição o Babá ficou sentado em sua cadeira próxima aos ilus direcionando e observando (verdadeiro oluwô) o destino coletivo que estava sendo fortalecido e louvado naqueles instantes.
Exatos 17 orins de Exu e Ogum foram entoados pelo Alabê e acompanhados por todos. O assentamento central com o Idá se enchia de vida. Os pais e mães de santo oriundo dos Candomblés dançavam entorno dele e Babá Iwin Ayotolá levantou-se para louvar os Orixás no Xirê. A dança dos mais velhos exigiam a posição de Ibá com as mãos. Eram bênçãos que transbordavam para todas e todos. Ao final, um orin sui generis de Ossain relacionado com o Peregun fixava a força dos Orixás nas ervas e abria os caminhos para os Ancestrais chegarem no reino.
Sim, Pade Olonan, enredo do toque, concretizou exatamente o que seu nome sugere: Um encontro com o Senhor dos Caminhos. Encontramos na qualidade de Exu Lonan esta representação, que fora ritualizado, mas o ancestral da kimbanda também simboliza isso e precisava marcar sua presença.
Para surpresa de todos, os assentamentos de Exu foram montados diretamente na rua – na Avenida Santa Catarina de fronte a FTU. No espaço público, devidamente fechado pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a rua virou o grande terreiro da kimbanda. E nele todos os presentes se fartaram de ajeum, cerveja (bebida propícia para este tipo de toque), mas principalmente com a presença das Pomba-giras e Exus por meio do transe em pais, mães e filhos espirituais presentes. Desta maneira, o enredo estava completo.
Interessantíssimo ressaltar a proposta do toque ao transformar a rua, lugar de todos, em terreiro, lugar que aceita todos. Isso traz, em primeira instância, visibilidade às religiões afro-brasileiras. Sim, podemos expressar livremente nossa confissão de fé, sem medo, sem vergonha, sendo simplesmente o que somos: adeptos das religiões afro-brasileiras. Porém, olhando do ponto de vista estrutural, este toque induz a uma profunda reflexão de todos nós sobre o porquê da aliança com o senhor dos caminhos ser coroado no seio do espaço público, vinda de um terreiro que também é uma instituição de ensino superior...
Essas várias linguagens só foram possíveis de serem ritualizadas porque nosso Babá fora iniciado em todas elas. Sua vivência sacerdotal, superior a cinco décadas, permitiu que tudo isso fosse idealizado pela Tradição que Ele representa e concretizado por sua comunidade de Axé. Foi essa vivência que inaugura um novo marco teológico de compreensão das Religiões Afro-brasileiras.
Sua proposta vivenciada sugere 3 grandes grupos: Candomblés, Encantarias e Umbandas possuidoras de um núcleo duro. Algo que os caracteriza como tal e ao mesmo tempo impede que um conjunto se confunda com o outro. Está aí o respeito à Tradição e à diversidade. Esses núcleos irradiam sua epistemologia, seus conhecimentos,  para todos os lados. E nessas expressões do núcleo surgem zonas de diálogos entre os três grupos por meio dos seus pontos comuns (transe, música sacra, magia de vários níveis, entre outros). Ou seja, na periferia há diálogo. Está aí a isonomia dos grupos.
Para tanto, Pai Rivas sugere que os adeptos desses núcleos específicos realizem seus toques em locais específicos. Como fora iniciado em todos, Pai Rivas optou por formar três terreiros distintos com filhos específicos em Itanhaém (SP). Assim temos as Umbandas, especificamente a Esotérica, na T.U.O.; os  Candomblés, em especial o Jeje-nagô, no Ilê Axé Funfun Awô Oshogun; e as Encantarias, com ênfase na Jurema de chão e o Candomblé de Caboclo, no Ile-Oka 7 Estradas.

Só assim o Pade Olonan pode acontecer na FTU. Esse encontro harmonioso é fruto de um sacerdote que conhece os elementos a serem encontrados (núcleo duro) e como promover a aproximação deles (zona de diálogo – periferia). Por tudo isso, seu filho da mais uma de tantas vezes o dubalê. Agradece pela felicidade de participar deste projeto mágico-religioso dos seus terreiros e sócio educacionais na primeira e única faculdade afro-brasileira da nossa história. Percebam que o Padê Olonan ultrapassou as religiões afro-brasileiras. Pai Rivas também sabe fazer o encontro entre Ciência e Religião, daí a Teologia... Mas isso fica para um outro dia. 

João Luiz Carneiro - Filho de Santo de Pai Rivas









































Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 557

3 comentários:

  1. Eu amo as fotografias.
    Eu quero usar as fotografias.
    Eu sou um pesquisador.
    Estou no Caribe.
    Desculpe. Meu Português.
    Google traduzido. antiguachemist@yahoo.com

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  2. Onde fica o terreiro da mãe Maria Elise Rivas?

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