quinta-feira, 29 de maio de 2014

T.U.O de Matta e Silva a Rivas Neto

Dia 14 de maio: ordenação sacerdotal de Yatamaran como Mestre de Iniciação de 7º grau. Dia 21 de maio: defesa da tese de doutorado de Yabauara sobre a relevância da FTU para a esfera pública (aprovação com excelência, nota 10). Dia 28 de maio: Ordenação de Yabauara como Mestre de Iniciação de 6º grau. Listo aos colegas do blog apenas algumas das realizações marcantes do mês de maio de 2014 para a nossa casa, a Escola de Síntese. Todos os que acompanham sabem que nosso Baba, Pai Rivas tem apreço por valorizar as conquistas de seus filhos de santo, pois sabem do esforço e empenho que ultrapassam os limites da individualidade e visam abarcar o todo das religiões afro-brasileiras.

Ontem, após o ritual de iniciação de Yabauara nosso Baba ocupou-se em nos esclarecer fatos importantes de sua trajetória iniciática. Ao ver um filho se iniciando, naturalmente que o Pai recorda-se de seus passos. Como sabem, Pai Rivas tem várias formações iniciáticas por dentro das religiões afro-brasileiras que contemplam, inclusive, os três grandes grupos por ele pontuados: o grupo dos candomblés, das encantarias e das umbandas. Seu último mestre de iniciação foi W.W.da Matta e Silva, um pernambucano que venceu muitas barreiras financeiras, sociais e identitárias para se firmar como o fundador da Escola da Umbanda Esotérica, com sua casa Tenda Umbandista Oriental (T.U.O.).

Não nos cabe assinalar, por hora, os caminhos trilhados por Mestre Yapacani, mas sim que ele fez de Pai Rivas seu sucessor em 1987 em ritual de transmissão da raiz. Pai Rivas possui os documentos oficiais que comprovam sua função de sucessor e neles estão impressos a vontade maior de Pai Matta em ver sua raiz ser dirigida, conduzida e representada no Brasil e no exterior por Pai Rivas. Ao ouvir as palavras de meu pai questionei-me sobre o grau de antecipação da passagem da raiz (4 anos antes, entregando os sinais de Pai Guiné a Pai Rivas e 4 meses antes de seu falecimento fazendo o ritual de transmissão). Quais seriam os reais motivos que o levaram a deixar tudo registrado, tudo demarcado e devidamente ritualizado com fotos e videos? Quem conhece a literatura de Mestre Yapacani sabe que ele tinha clareza sobre muitos detratores, pessoas que se vestiam a capa de sacerdotes das religiões afro-brasileiras e faziam e falavam barbáries. Esses mesmos detratores estavam, estão e possivelmente estarão presentes. Isso existe não apenas no universo afro-brasileiro, mas em todas as religiões. O fato é que Mestre Yapacani, ao transmitir a raiz com antecedência sabia o que estava fazendo. Sabia que mesmo com todas as outras iniciações precedentes à da umbanda esotérica Pai Rivas saberia honrar a todas, pelo seu caráter e fidelidade não só à T.U.O., mas a todo o astral que a ela estava vinculado.

Interessante foi que meu Pai comentou que muitas pessoas tem questionado algumas práticas de Pai Rivas pois como sucessor estaria “desvirtuando” a raiz de Pai Matta. Ora, isso é fácil de ser rebatido. Quem foi a pessoa que viveu quase duas décadas ao lado de Mestre Yapacani? Quem foi que recebeu dele ordenações iniciáticas e mais, a sucessão de sua Escola? Sim, foi Pai Rivas. Acontece que os desavisados de plantão apressam-se em formular criticas (infundadas) sem entender um processo muito maior que diz respeito à própria interpretação do que é uma tradição e o dinamismo religioso. Mestre Yapacani não escolheu um filho de santo que tivesse se iniciado apenas na umbanda esotérica. Ao contrário, escolheu aquele que havia passado por várias e como tal, com seus esquemas interpretativos próprios e vivência peculiares. Passados alguns anos, esse mesmo sacerdote “escolhido” para ser o sucessor da raiz funda a Escola de Síntese e, mais tarde, a Faculdade de Teologia com ênfase em Religiões Afro-brasileiras.

Teria sido um erro a escolha de Mestre Yapacani? Um descuido com sua raiz que estaria hoje “contaminada” por outros rituais, por outras éticas? Hoje Mestre Yapacani não pode responder a essas perguntas. Mas, como filha de santo que acompanha Pai Rivas há 18 anos, asseguro que suas várias realizações efetivas e afetivas pelas Religiões Afro-brasileiras fazem dele mais que sucessor de Pai Matta, mas é o próprio Pai Matta atuando e reelaborando o movimento das religiões afro-brasileiras. Poderia escrever laudas e mais laudas a vocês sobre isso, mas deixarei que as linhas aqui escritas ofereçam um caminho de reflexão para os que procuram compreender a estrutura e dinamicidade de um processo iniciático e suas responsabilidades para uma sociedade que está sempre em constante mudança. Afinal, Pai Guiné e Velho Payé atuam juntos desde há muito. Então temos, hoje, a T.U.O. viva, atuante, pois esta nunca se desfez, sempre teve presente!

Uma das perguntas feitas a meu pai era como ele teria aberto uma faculdade de teologia com ênfase em religiões afro-brasileiras, ou mesmo a Escola de Síntese se Pai Matta, seu Mestre, era elitista, contrário às mulheres e aos homossexuais? Essas e outras perguntas serão devidamente respondidas. Aguardem os próximos passos em texto e/ou vídeo. Neles estarão informações importantes para sobre a transmissão e a transição da umbanda esotérica de Pai Matta a Pai Rivas!

Aproveito para registrar meus sentimentos de vida longa a Yatamaran e a Yabauara. Que vocês possam, em suas trajetórias honrar nossa raiz como fez e faz nosso Pai, desde sempre, atentos ao que pede o astral e a nossa sociedade.

Ao meu pai, meu Baba, agradeço pela sua integridade, transparência e respeito que tem por seus filhos e filhas espirituais ao contar e recontar parte de uma história que se perde nos dias e noites dos Grandes Iniciados! Axé Baba!

Yacyrê.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 513

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