quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Religiões afro-brasileiras - Há Mestres e aqueles que dizem ser mestres



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 386

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

EXCERTOS DA RAIZ DE GUINÉ NA VISÃO DO MESTRE-RAIZ MEMENTOS – PARTE II

Retomamos o texto da publicação passada e para que os leitores entendam melhor a nossa publicação, explicitemos a parte final do mesmo.
Em dezembro de 1987, a O.I.C.D. com todo seu corpo mediúnico presente estava esfuziante, espiritualmente falando para receber nosso querido Mestre e, muito especialmente, Pai Guiné.
Às 20 horas em ponto adentramos o solo sagrado de nosso Santuário. Pai Matta fez exortação, dizendo-se feliz de estar mais uma vez em nosso Terreiro. Embora felizes, sentíamos em nosso Eu que aquela seria a última vez que nosso Mestre pisaria, nessa sua existência, as areias de nosso Templo.
Pai Guiné, ao baixar, saudou a todos e promoveu um ritual profundamente vibrado e significativo. Num determinado instante do ritual, disse-nos de forma grave:
- ARAPIAGA, MEU FILHO, SEMPRE FOSTE FIEL AO MEU “CAVALO” E AO ESPIRITUAL, MAS SABEIS TAMBÉM QUE A TAREFA DE MEU CAVALO NÃO FOI FACIL, E A VOSSA TAMBÉM NÃO SERÁ... NÃO VOS DEIXEIS IMPRESSIONAR POR AQUELES QUE QUEREM USURPAR E SÓ SABEM TRAIR... LEMBRAI-VOS DE QUE OXALÁ, O MESTRE DOS MESTRES, FOI COROADO COM UMA COROA DE ESPINHOS ...  QUE OXALÁ ABENÇOE VOSSA JORNADA, ESTAREI SEMPRE CONVOSCO.
Em uma madeira de cedro, deu-nos um ponto riscado, cravou um ponteiro e ao beber o vinho da Taça Sagrada, disse-nos:
-PODES BEBER DA TAÇA QUE DEI AO MEU “CAVALO” - AO BEBERES, SEGUIRÁS O DETERMINADO... QUE OXALÁ TE ABENÇOE SEMPRE!
A seguir em voz alta, transmitiu-nos o Comando Espiritual-Magístico de nossa Raiz.
Alguns dias após o ritual, Pai Matta deu-nos um documento com firma reconhecida, no qual declarava que éramos seu representante direto, em âmbito nacional e internacional.
Na época, não entendíamos o porquê da tal precaução, mesmo porque QUERÍAMOS E QUEREMOS SERMOS APENAS NÓS MESMOS.
Talvez por circunstancias Pai Guiné e Pai Matta e Silva NÃO PUDESSEM DEIXAR O HIATO ONDE USURPADORES VÁRIOS PODERIAM, COMO AVENTUREIROS APROVEITAR-SE PARA DESTRUIR O QUE ELES HAVIAM CONSTRUIDO. SABIAM QUE, COMO SUCESSOR DO GRANDE MESTRE, EU NÃO SERIA NADA MAIS DO QUE UM FIEL DEPOSITÁRIO DE SEUS CONCEITOS DOUTRINARIOS.
Quem nos conhece sabe que somos desembuídos da tola vaidade! Temos defeitos, mas vaidade não é um deles. Não estaríamos de pé durante 45 anos de lutas e batalhas se o espiritual não estivesse conosco!...
ASSIM, QUEREMOS DEIXAR CLARO A TODOS QUE, NEM AO PAI GUINÉ OU AO PAI MATTA, EM MOMENTO ALGUM, SOLICITAMOS ISSO OU AQUILO REFERENTE À NOSSA INICIAÇÃO E MUITOS MENOS À SUCESSÃO... FOI PAI GUINÉ QUEM PEDIU, E COMO SEMPRE O FIZEMOS, A ELE OBEDECEMOS... MAS O QUE QUEREMOS, EM VERDADE, É SER AQUILO QUE SEMPRE  FOMOS: NÓS MESMOS.
NÃO FOI A SUCESSÃO QUE NOS FEZ REALIZAR O QUE REALIZAMOS. FARÍAMOS O QUE FIZEMOS, POIS SEMPRE ACHAMOS QUE NÃO BASTA SABER É NECESSÁRIO FAZER.
Aquilata-se a destreza e a capacidade de um Mestre pelas obras que realizou, e não pelo que falou ou não falou... É necessário para ser Mestre não ter mãos vazias, mas repletas de realizações. No mais é utópico, falacioso e erístico, tão apropriado aos fariseus de todos os tempos.

Relataremos alguns eventos e atos que abrangem vários anos de nossa vivencia Iniciática com o nosso Mestre, o Babalawô Yapacani.
1.       Em julho de 1983 quando completávamos 33 anos, fomos agraciados por nosso Mestre, Pai Matta, com os Sinais Riscados na Lei de Pemba, que ele havia recebido de Pai Guiné em 1946. Esses Sinais eram “Ordens e Direitos”, que ele havia recebido do Astral Superior, de Pai Guiné para sua tarefa mediúnica.
Quando pediu que colocássemos esses Sinais em nosso “congá”, já tínhamos as “Ordens e Direitos” de Velho Payé, que havia nos estendido há muitos anos.
2.       Na época deixamos os “Sinais” de Velho Payé velados atrás dos de Pai Guiné. Assim, em nosso Congá, ficaram visíveis, os Sinais de Pai Guiné.
Na ocasião não havíamos percebido o que de realidade se passara. Sim, o Pai Guiné por intermédio do Pai Matta já estava preparando-nos para o que viria acontecer – A SUCESSÃO DA RAIZ DE GUINÉ.
3.       Em 1987 no Rito de Transmissão de Comando da Raiz de Guiné, que obvio eu não pedi, Pai Guiné, entre outras coisas nos disse – “Você ficará com esses “Sinais de Pemba” que dei ao meu “cavalo” e também a você, até o sétimo  ano  após a passagem dele para outros planos da vida. Isto é necessário pois no outro lado da vida ele precisará estar desvinculado de qualquer ligação com os entrechoques de sua última reencarnação.
Você tomará a frente. Não se assuste, estaremos ao seu lado. Esses Sinais que lhe demos representam a Tradição e que agora passam as suas mãos.
Após o sétimo ano, retire-o do Congá. Coloque-o sob os “Sinais de Pemba” que Caboclo Velho Payé lhe deu. São suas Ordens e Direitos de Trabalho.”
Do exposto conclui-se que Pai Guiné d’ Angola reconheceu e legitimou os Sinais de Pemba de Caboclo Urubatão da Guia em perfeita incorporação sobre mim há muitos anos. Esse reconhecimento aconteceu no Templo da O.I.C.D. em 1987 em meio a mais de 100 pessoas.
4.       Até o presente momento procuramos transmitir fielmente os acontecimentos por nós vividos até a data de 20/03/1996 (após os 7 anos citados) . A partir desta data, Caboclo Velho Payé assume a Raiz de Guiné. Sim, a Raiz de Velho Payé é a Raiz de Guiné renovada, revigorada, refundida e atualizada, segundo os conceitos contemporâneos.
5.       Aproveitamos o ensejo para respondermos a muitos, quando nos perguntam sobre outros irmãos de Santé da Raiz de Guiné, o porquê alguns deles serem nossos detratores declarados ou a socapa. A todos esses pedimos muita atenção para nossa resposta.
Não acreditamos que tenhamos irmãos que nos ataquem por palavras, atos ou agressão mística. Primeiro todos fomos Iniciados pelo mesmo Pai, portanto conhecemos os fundamentos e a ética de nossa Raiz; segundo, como poderíamos ir contra a um irmão feito pelo Pai? Não seria o mesmo que ir contra o Pai? Não seria um suicídio Iniciático, espírito-magístico? NÃO, NA NOSSA RAIZ, A RAIZ DE GUINÉ HOJE DE VELHO PAYÉ NÃO HÁ TRAIDORES E MUITO MENOS USURPADORES DE DIREITOS, POIS CONHECEM OS DEVERES ENSINADOS POR PAI MATTA, POR PAI GUINÉ E TODA SUA LINHAGEM.
6.       Outros mais nos questionaram se nossos irmãos de Raiz , Mestres de Iniciação de 7º grau no 1º e 2º Ciclo teriam se ressentido de não terem sido escolhidos para a sucessão da Raiz.
Mais uma vez somos levados a discordar dos nobres interlocutores, pois todos os Mestres de Iniciação de 7º Grau sejam no 1º ou 2º Ciclo sabem que a escolha não fui eu que fiz, mas sim o Pai de todos nós, e mais que isso, o Pai Guiné de Angola (Mestre Yoshanan).
Também muitos perguntaram porque alguns de nossos irmãos de Raiz – Mestres de Iniciação do 7º grau, se aliaram a nossos detratores declarados e além disso os Iniciou como sendo da Raiz de Guiné, isto é, para legitimá-los como filhos de uma Raiz que jamais conheceram e nem conhecerão.   
Não podemos responder pelos outros, mas acho improvável tal atitude de um Mestre de Iniciação de nossa RAIZ, pois fere os cânones da ética de nossa Casa de Fundamentos que foi sediada por muitos anos em Itacurussá. Não iria o hipotético “Mestre” tomar para si a responsabilidade de acobertar erros e traições ao seu par de Raiz, principalmente sendo ele, o atual Mestre-Raiz de nossa “Escola-Iniciática”. E por que não? Porque estaria em rota de colisão com a Ética Mestral cantada em prosa e verso por Pai Matta e Pai Guiné, e por terem sido eles que me escolheram para ser o sucessor da Raiz.
7.       Pai Guiné incorporado em Pai Matta no dia da Transmissão de Comando da Raiz disse alto e bom som a todos os presentes na O.I.C.D. que seríamos o único de seus filhos, MESTRE DE INICIAÇÃO DO 7º GRAU NO 3º CICLO. Desde esse dia até os de hoje não tivemos nenhuma contestação, como só poderia ser, de nenhum Mestre de Iniciação de nossa Raiz. Quero render homenagem a todos eles: Mestre Itaoman (Ivan Costa), Mestre Yassuami (Mário Tomar), Mestre Arabayara (Ovidio Carlos Martins), Mestre Yatsara (Omar Belico dos Reis), Mestre Itassoara (Valter Lima Silva), Mestre Kariumá (Jairo Nilton Pinto), Mestre Itaçuan (Wilson Tadeo) e ainda Mãe Salete, Miriam Gavião, Butiol, Professor Rodrigues e tantos outros.


Finalizando, nosso trabalho só confirma a aguçada percepção que Pai Matta e Pai Guiné possuíam, pois sabiam, que não SERÍAMOS MESTRE DE INICIAÇÃO DE MÃOS VAZIAS, mas sim de realizações, de trabalhos e atuação na nossa comunidade afro-brasileira.
Sabiam que éramos participe do: NÃO BASTA SABER, É PRECISO FAZER. E todos sabem que fizemos e fazemos com a aquiescência de Velho Payé e Pai Guiné. Axé! Salve, Saravá!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
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Publicação 385


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Recredenciamento da FTU é publicado no Diário Oficial da União

É com muita satisfação e alegria que publicizamos o recredenciamento da (FTU) Faculdade de Teologia Umbandista, fundada por nós, pelo do MEC (Ministério da Educação). Sendo assim, a FTU que já é autorizada e reconhecida, renovou seu credenciamento firmando-se na história como a primeira instituição de ensino superior que forma bacharéis, teólogos com ênfase nas religiões afro-brasileiras.
Sim, sempre afirmamos esta condição. A FTU forma somente teólogos. Esse é o nosso compromisso com as tradições afro-brasileiras, ou seja, a faculdade não tem pretensão ou intensão de formar médiuns e, muito menos, pais ou mães de santo. Acreditamos, porque passamos pelo mesmo processo, que sacerdote só se forma pela iniciação dentro do terreiro sob as orientações de um pai ou mãe de santo.
Lembramos que a FTU possui atualmente um curso de graduação e outro de pós-graduação presencial. Também oferece cursos de extensão universitária telepresenciais realizados Brasil a fora por meio de parceria com terreiros. São estes os cursos que recebem a chancela do MEC no exato instante que renovamos o credenciamento da faculdade.
Não poderíamos encerrar esta publicação sem deixar de agradecer a todos no MEC na figura do conselheiro Gilberto, responsável pelo parecer. Abaixo, transcrição e digitalização do Diário Oficial da União de 21 de agosto de 2013. Axé!
Ps: Devido à importância desta notícia alvissareira para as tradições afro-brasileiras, retomaremos nossos textos sobre a Raiz apenas na próxima publicação.


“e-mec: 200806156 Parecer: CNE/CES 135/213 Relator: Gilberto Gonçalves Garcia Interessada: Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino – São Paulo/SP Assunto: Recredenciamento da Faculdade de Teologia Umbandista, com sede no Município de São Paulo no Estado de São Paulo Voto do relator: Favorável ao recredenciamento da Faculdade de Teologia Umbandista (F.T.U.), com sede na Avenida Santa Catarina, nº 400/414, Bairro Vila Alexandria, no Município de São Paulo, no Estado de São Paulo, observando-se tanto o prazo máximo de 5 (cinco) anos, conforme artigo 4º da Lei nº 10.870/2004, quanto a exigência avaliativa, prevista no artigo 10, parágrafo 7, do Decreto nº 5.773/2006, com a redação dada pelo Decreto nº 6.303/2007 Decisão da Câmara: APROVADO por unanimidade”.

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Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
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Publicação 384

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

EXCERTOS DA RAIZ DE GUINÉ NA VISÃO DO MESTRE-RAIZ MEMENTOS – PARTE I


Alguns mementos de nossa vivência pessoal e iniciática de 18 anos com o Babalawô Yapacani.
1.       Nascido em Garanhuns – Pernambuco, em  28.06.1917 (segundo R.G.), talvez tenha sido o médium que maiores serviços prestou à Umbanda, durante seus 50 anos de mediunismo.
2.       Sua primeira obra literária foi “Umbanda de Todos Nós” – considerada por todos a Bíblia da Umbanda pois transcendentais e avançados eram e são seus fundamentos. A 1ª edição veio à luz pela Gráfica e Editora Esperanto, a qual situava-se na época, à Rua General Argolo, 230 – Rio de Janeiro. O volume número 1 da primeira edição dessa fabulosa obra encontra-se em nosso poder, presenteados que fomos pelo insigne Mestre. Em sua dedicatória consta:
Rivas, esse exemplar é o número 1. Te dou como prova do grande apreço que tenho por você, verdadeiro filho de fé do meu Santuário – do Pai Matta – Itacurussá, 30.07.1986.”
3.       “Umbanda de Todos nós” agradou milhares de Umbandistas que encontraram nela os reais fundamentos em que poderiam se escudar, nos aspectos mais límpidos da Doutrina Umbandista. Mas, se para muitos foi um impulso renovador de fé e convicção, para outros, os interessados em iludir, em fantasiar e vender ilusões foi um verdadeiro obstáculo, tanto que começaram a combatê-la por todos os meios possíveis. Até a socapa.
Momentos difíceis assoberbaram a postura de Mestre, que muitas vezes, segundo ele, sentiu-se balançar, mas não caiu!...E os outros? Ah! Os  outros...
4.       Na época, não fosse por seu astral, Matta e Silva teria desencarnado... Várias vezes disse-nos que só não tombou porque Oxalá não quis. Seus dois filhos Ubiratan e Eluá, também sofreram as rebarbas dos entrechoques de ordem astral. A demanda foi feroz (segundo suas próprias palavras), sendo que, de seus perseguidores a maioria recebeu segundo a Lei.
Pai Candido, que logo a seguir denominou-se como Pai Guiné assumiu toda a responsabilidade pela manutenção e reequilíbrio espiritual e físico de seu filho.
5.       Apesar de suas obras serem lidas não só por adeptos Umbandistas, mas também por simpatizantes e mesmo estudiosos das ditas ciências ocultas, seu Santuário era frequentado pelos simples, pelos humildes, que sequer desconfiavam ser Pai Matta um escritor conceituado. Ele guardou o anonimato, vários e vários anos, em contato com a natureza e com a pureza de sentimentos dos simples e humildes. Ele merecera essa dádiva e nessa doce paz do seu Santuário escreveria suas obras.
6.       Conhecemos Pai Matta em 1971 quando, após ler “Umbanda de Todos Nós”, tivemos forte impulso de procurá-lo. Assim é que nos dirigimos ao Rio de Janeiro, “sem saber” se o encontraríamos. Para nossa alegria, o encontramos na Livraria Freitas Bastos da Rua 7 de setembro.
Quando nos viu disse que nos aguardava e por que tínhamos demorado tanto?! A partir desta data mantivemos um contato estreito,  frequentando a gira de Pai Guiné em Itacurussá – Terra da Cruz Sagrada, onde Pai Guiné firmou suas raízes, que iriam espalhar-se, difundindo-se por todo o Brasil.
7.       Conhecer Pai Matta foi realmente um privilegio, uma dádiva dos Orixás, que guardo como sagrado no âmago de meu Ser. A todos tinha uma palavra amiga e individualizada. Pai Matta não tratava casos, tratava almas, tinha para cada pessoa uma forma de agir.
Sua cultura era exuberante, mas sem perder a simplicidade e originalidade. De tudo falava. Discutia ciência, política, filosofia, arte e sociedade com naturalidade que parecia ser Mestre em cada uma delas. E era!...
8.       No mediunismo era ímpar seu desempenho. Seu pequeno copo da vidência parecia uma televisão tridimensional imensa! Na mecânica da incorporação, era singular seu desempenho! Em conjunto simbiótico com Pai Guiné ou Caboclo Juremá, trazia-nos mensagens reveladoras, além de certos fenômenos magísticos que não devemos citar, pois muitos de seus filhos de fé nem presentes estiveram.
Muitas vezes participamos como médium atuante da T.U.O. – Tenda Umbandista Oriental, verdadeiro Centro de Iniciação à Umbanda em seus aspectos esotéricos, na Rua Boa Vista, 157, no Bairro de Brasilinha (o mesmo número de nosso Templo na Rua Chebl Massud, São Paulo).
9.       Na T.U.O. fomos, em 1978 coroado como Mestre de Iniciação do 7º Grau e considerado representante direto da Raiz de Pai Guiné em São Paulo. É necessário esclarecer que antes de sermos coroado já havíamos passado por rituais (7 anos) que antecedem a “Ordenação Sacerdotal” (Coroação Iniciática).
É necessário frisar que desde 1968, tínhamos nossa humilde choupana de trabalhos, em São Paulo, onde atendíamos centenas de pessoas. Muitas delas tornaram-se médiuns de nossa Choupana (Chão), a Orem Iniciática do Cruzeiro Divino.
10.   Não raras vezes tivemos a felicidade de contarmos com a presença de Pai Matta em nosso Templo (O.I.C.D). Constam ainda de nossos arquivos centenas e centenas de fotos em nosso Templo e de outros locais.
11.   Em novembro de 1987, estivemos em Itacurussá, pois nossos Guias espirituais já vinham nos alertando que a pesada tarefa do Mestre Yapacani estava chegando ao fim. Ficamos perplexos, pois ele havia nos pedido para irmos com urgência a Itacurussá falar com ele assunto de profunda relevância. Quando lá chegamos ele nos chamou no terreiro e, a sós e em tom grave, disse-nos:
- Rivas, minha tarefa esta chegando ao fim, o Pai Guiné já me avisou... Pediu-me que eu vá a São Paulo e lá, no seu Terreiro, ela baixará para promover a passagem, a Transmissão do Comando Vibratório Espiritual de nossa Raiz...
Disse-nos também que a responsabilidade da literatura ficaria ao nosso cargo, já que lera “Umbanda – A Proto Síntese Cósmica” e “Umbanda – Luz na Eternidade”, vindo PREFACIAR AS DUAS OBRAS.
12.   Em dezembro de 1987, a O.I.C.D. com todo seu corpo mediúnico presente estava esfuziante, espiritualmente falando para receber nosso querido Mestre e, muito especialmente, Pai Guiné.
Às 20 horas em ponto adentramos o solo sagrado de nosso Santuário. Pai Matta fez exortação, dizendo-se feliz de estar mais uma vez em nosso Terreiro. Embora felizes, sentíamos em nosso Eu que aquela seria a última vez que nosso Mestre pisaria, nessa sua existência, as areias de nosso Templo.
13.   Pai Guiné, ao baixar, saudou a todos e promoveu um ritual profundamente vibrado e significativo. Num determinado instante do ritual, disse-nos de forma grave:
- ARAPIAGA, MEU FILHO, SEMPRE FOSTE FIEL AO MEU “CAVALO” E AO ESPIRITUAL, MAS SABEIS TAMBÉM QUE A TAREFA DE MEU CAVALO NÃO FOI FACIL E A VOSSA TAMBÉM NÃO SERÁ...NÃO VOS DEIXEIS IMPRESSIONAR POR AQUELES QUE QUEREM USURPAR E SÓ SABEM TRAIR... LEMBRAI-VOS DE QUE OXALÁ, O MESTRE DOS MESTRES, FOI COROADO COM UMA COROA DE ESPINHOS... QUE OXALÁ ABENÇOE VOSSA JORNADA ESTAREI SEMPRE CONVOSCO.
Em uma madeira de cedro, deu-nos um ponto riscado, cravou um ponteiro e ao beber o vinho da Taça Sagrada, disse-nos:
-PODES BEBER DA TAÇA QUE DEI AO MEU “CAVALO” -  AO BEBERES, SEGUIRÁS O DETERMINADO... QUE OXALÁ TE ABENÇOE SEMPRE!
A seguir em voz alta, transmitiu-nos o Comando Espiritual-Magístico de nossa Raiz.
14.   Alguns dias após o ritual, Pai Matta deu-nos um documento com firma reconhecida, no qual declarava que nós éramos seu representante direto, em âmbito nacional e internacional.
Na época, não entendíamos o porquê da tal precaução, mesmo porque QUERÍAMOS E QUEREMOS SER APENAS NÓS MESMOS.
Talvez por circunstancias  Pai Guiné e Pai Matta e Silva  NÃO PUDESSEM DEIXAR O HIATO ONDE USURPADORES VÁRIOS PODERIAM, COMO AVENTUREIROS, APROVEITAR PARA DESTRUIR O QUE ELES HAVIAM CONSTRUIDO. SABIAM QUE, COMO SUCESSOR DO GRANDE MESTRE, EU NÃO SERIA NADA MAIS DO QUE UM FIEL DEPOSITÁRIO DE SEUS CONCEITOS DOUTRINARIOS.
15.   Quem nos conhece sabe que somos desembutidos da tola vaidade! Temos defeitos, mas a vaidade não é uma delas. Não estaríamos de pé durante 45 anos de lutas e batalhas se o espiritual não estivesse conosco!...
ASSIM, QUEREMOS DEIXAR CLARO A TODOS QUE, NEM AO PAI GUINÉ OU AO PAI MATTA, EM MOMENTO ALGUM, SOLICITAMOS ISSO OU AQUILO REFERENTE À NOSSA INICIAÇÃO E MUITOS MENOS À SUCESSÃO... FOI PAI GUINÉ QUEM PEDIU, E COMO SEMPRE O FIZEMOS, A ELE OBEDECEMOS... MAS O QUE QUEREMOS, EM VERDADE, É SER AQUILO QUE SEMPRE  FOMOS: NÓS MESMOS.
NÃO FOI A SUCESSÃO QUE NOS FEZ REALIZAR O QUE REALIZAMOS. FARÍAMOS O QUE FIZEMOS, POIS SEMPRE ACHAMOS QUE NÃO BASTA SABER É NECESSÁRIO FAZER.
Aquilata-se a destreza e a capacidade de um Mestre pelas obras que realizou, e não pelo que falou ou não falou... É necessário para ser Mestre não ter mãos vazias, mas repletas de realizações. No mais é utópico, falacioso e erístico, tão apropriado aos fariseus de todos os tempos.
16.   Anexaremos uma foto do documento original, onde se vê claramente a chancela e a rubrica do Mestre Matta e Silva. O documento foi averbado com firma reconhecida em cartório, em 1987  e convalidado em 2010.
Continuaremos na próxima publicação. Saravá, Aranauan, Macauan, Aubhandhan. Mukuiu, Motumbá, Kolofé.  Axé!





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Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 383

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

SERIA BOM SE O TEMPO PERDIDO FOSSE ENCONTRADO...


Nos dezessete dias de dezembro de 1987, no Templo da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, o Babalawô Yapacani – Pai Matta, num rito solene, mas  simples, nos transmite , confirmado por PAI GUINÉ DE ANGOLA, em perfeita incorporação sobre ele, a SUCESSÃO de nossa Raiz, nos elevando a Mestre de Iniciação de 7º grau no terceiro ciclo – Mestre Raiz da Umbanda Esotérica.
Com Eles, Pai Guiné e Pai Matta, nos compromissamos a levar avante algumas tarefas que felizmente conseguimos realizar e isto fez com que muitas pessoas por vaidade,  inveja ou despeito se posicionassem contra nós.
A esses se faz necessário duas explicações:
1ª . Ao Pai Matta e ao Pai Guiné nunca, ou em tempo algum, pedimos que nos fizesse sucessor ou qualquer outra coisa. Aprendemos, como discípulo, que o Mestre sabe o que faz.
2º . Muitos atualmente insistem em criticar nossas incursões às várias RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS. Ou seja,  a dar publicidade e prática da diversidade manifestada na fundação da primeira Faculdade de Teologia Umbandista – FTU no mundo,  com ênfase em Religiões Afro-Brasileiras, autorizada, credenciada e hoje reconhecida pelo MEC, com louvor.
A esses críticos que, inclusive podem ter sido ex-discípulos (nunca filhos) e mesmo alguns “irmãos” de Raiz, a critica deve ser dirigida então ao Pai Guiné de Angola e ao Pai Matta, pois foram eles que me transmitiram a SUCESSÃO DA RAIZ. Se disserem que estou errado, estarão dizendo que Pai Guiné e Pai Matta seriam irresponsáveis de transmitir a RAIZ a uma pessoa que iria destrui-la.
Esperamos ter respondido para muitos irmãos de fé de nosso Blog e Twitter e mesmo Filhos de Fé e prosélitos de nossa “gira” as perguntas que nos fazem sobre o que colocamos acima. Para reforçar nossa resposta, deixamos a todos a analise da apresentação da Livraria Freitas Bastos, da obra Segredos da Magia de Umbanda e Quimbanda, 3ª edição, 1994.
APRESENTAÇÃO DA EDITORA
Woodrow Wilson da Matta e Silva nasceu em Garanhuns, Pernambuco em 28 de julho de 1916, e não em 28 de junho de 1917, conforme se supunha.
Matta e Silva (YAPACANI), como era conhecido, foi o médium que mais serviços prestou ao movimento umbandista, durante seus cinquenta anos de mediunismo. Foi através dele e de suas obras, que desvendam os 7 véus da SENHORA DA LUZ VELADA, que milhares de iniciados, não só da Umbanda como de outras correntes filosóficas e religiosas, encontraram a porta de entrada que as levaria aos degraus do caminho do oculto.
Matta e Silva iniciou sua missão mediúnica muito jovem, mais precisamente aos dezoito anos de idade, embora aos dez já fosse possuidor de uma CLARIVIDÊNCIA que o acompanharia até os últimos dias de trabalho mediúnico. Já no Rio de  Janeiro, na década de 50, escreveu sua primeira obra, “UMBANDA DE TODOS NÓS”. Considerada a Bíblia da Umbanda.  
Como veículo de Seu Mestre Maior, o autor deixou ainda um precioso legado literário para todos os Umbandistas. Referimo-nos a “Sete Lágrimas de Um Preto-Velho”, que circula em terreiros e lojas de Umbanda como sendo de “autor desconhecido”, mas que, na verdade, é obra de Matta e Silva.
Conhecido e respeitado em todo o Brasil e até no exterior, Matta e Silva a todos cativava com seu jeito humilde, sendo avesso ao endeusamento e a mitificação de sua pessoa. Tinha sempre uma palavra amiga para todos
Os filhos-de-fé, que nos anos 70 eram jovens iniciados dedicados ao Mestre, são hoje relembrados: Benedito Lauro da Silva (Capitão Lauro), grande amigo e conselheiro; Ivan Horácio Costa (ITAOMAN), que foi de grande ajuda na criação dos livros; Mario Tomar (YASUAMY), o braço direito durante os últimos 25 anos, chegando até a ser confundido com seu filho carnal e que acompanhou o Mestre até sua ultima morada na Terra; Ovídio Carlos Martins, amigo e irmão, e Francisco Rivas Neto (ARAPIAGA), discípulo, amigo e irmão, escritor com várias obras publicadas sobre Umbanda Esotérica.
A história da Livraria Freitas Bastos, fundada em 1917, se confunde, a partir da década de 50, com a história da vida de Matta e Silva. Isto porque o autor nos prestigiou com edição de todas obras e, por muitos anos, compareceu duas vezes por semana, à nossa antiga sede, na Rua 7 de Setembro, 111, no Rio de Janeiro, onde atendia uma legião de irmãos que ali acorriam em busca de conforto espiritual.
A reedição da obra de W.W. da Matta e Silva é um dever que cumprimos para com a comunidade umbandista, e uma modesta homenagem ao homem e ao espírito de Luz.”
LIVRARIA FREITAS BASTOS, outubro de 1994

P.S. Além dos irmãos de Raiz citados que conheceram o Babalawô Yapacani, antes de mim e que possuem trabalhos importantes e de escol aos quais rendo homenagem, respeito, amizade e carinho, não posso deixar de citar alguns irmãos de fé, contemporâneos, que para mim contribuíram de forma decisiva para a consolidação da Tradição de Itacurussá - da Raiz de Pai Guiné de Angola:
Miriam Gavião, Aline, que foi mãe pequena de Pai Matta, Professor Rodrigues, Pai Castro, Roberto, o Gordo, Butiol, Rodolfo, Valter e, em especial a querida Mãe Salete, a segunda esposa de Pai Matta.

Aranuan, Macauan, Aumbhandhan, Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 382

domingo, 11 de agosto de 2013

"UMBANDA DE TODOS NÓS" - A UMBANDA É AFRICANA?


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 381

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Religiões afro-brasileiras - Harmonia e equilíbrio no Terreiro


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 380