quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Cursos de habilitação para pais e mães de santo e “cursos de formação teológica”: a prática da clandestinidade no universo afro-brasileiro

Nossas publicações mais recentes tem procurado enfatizar a diferença entre um curso de teologia reconhecido pelo Ministério da Educação e outros que se intitulam cursos livres de teologia. Além disso, discutimos também sobre os cursos de habilitação para pais e mães de santo que se proliferam, especialmente na capital do estado de São Paulo.  Sobre este último tópico, gostaríamos de comentar que, recentemente, conversamos com um rapaz que frequentou um desses cursos que “forma” sacerdotes. Ele nos disse que recebia dos “aplicadores” dos cursos algumas orientações:
O “aluno” é orientado a não seguir nenhum pai ou mãe-de-santo. Deve seguir conselhos, única e exclusivamente, dos seus guias ou conselhos que surgirem na cabeça da pessoa, a qual não precisa nem ao menos ser médium.
Quanto ao exposto, fazemos alguns desdobramentos:
a)      Qual a finalidade e/ou o sentido de fazer um curso que habilita alguém a ser pai ou mãe-de-santo se a orientação é de que ninguém procure os pais e mães de santo?!
b)      O sujeito “aplicador” do curso, ao dar esta orientação, quer, certamente, se eximir de qualquer responsabilidade e, inclusive, a de ser testado como pai-de-santo.
c)      O sujeito “aplicador” do curso não deseja que o “aluno” ou aspirante a pai/mãe-de-santo busque ou procure um pai ou mãe-de-santo, afinal, sacerdotes que se prezem sabem que as formações religiosas são feitas apenas nos terreiros, sob orientação e vivência com um pai/mãe-de-santo e sua comunidade-de-santo.

Além desses desdobramentos, mencionamos que é muito interessante que essa prática de desmerecimento do legítimo sacerdócio vivenciado, tem sido transposta para o campo teológico. Simples de explicar. Há cursos que habilitam qualquer pessoa a ser pai ou mãe-de-santo. Da mesma forma, há cursos livres e associações que tem seus trabalhos firmados para formar teólogos e teólogas sem estarem reconhecidas pelo Ministério da Educação. Aliás, sem ao menos, estarem vinculadas a uma instituição de ensino superior. Assim, a prática da falácia e do engodo no universo afro-brasileiro que antes permeava o campo religioso, agora existe também no universo acadêmico. Há duras penas, a FTU foi reconhecida pelo MEC, em função do preconceito. Felizmente, todo o trabalho realizado foi valorizado pelo MEC e a FTU recebeu nota de excelência em seu reconhecimento. No entanto, aspirantes à academia tem, apressadamente, voltado seus esforços para formarem teólogos e teólogas sem o aval para o mesmo. Ou seja, mais uma vez, a prática da enganação no ar.
Com o intuito de alertar o povo de santo, os adeptos, simpatizantes e pesquisadores, estaremos discutindo sempre tais questões, afinal, seremos sempre contra às ações que rebaixam nosso “povo” à ilegalidade, à marginalidade e à clandestinidade.
Axé!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 415

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