quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Tradição religiosa, educação a distância e cultura digital

Em nossas últimas publicações temos discorrido sobre a educação a distância e seu uso com as religiões afro-brasileiras. O uso das novas tecnologias deixa de ser um assunto periférico e já é um elemento fundamental da nossa cultura. Vivemos inseridos na era da cultura digital. Ao escrever sobre isso, imediatamente, pensamos em um momento de transformações, tecnologias, inovações. E as religiões afro-brasileiras parecem não se adequar, de início, a este contexto. Alguns leitores poderiam nos questionar essa aparente não adaptação.
Ao falar em religiões afro-brasileiras, o povo do santo e os estudiosos da academia gostam de evocar a palavra tradição. Tradição como raiz, como origem, como princípio. Gostam de procurar os purismos, em uma busca pela “verdade”. Nós, por outro lado, pensamos a tradição de uma forma diferente, embora respeitemos a visão acima mencionada.
Tradição para nós significa valores espirituais que são passados, transmitidos e compartilhados cultural e religiosamente em um determinado espaço/tempo. Tradição, embora seja este complexo espiritual intangível (pois que não é deste plano apenas), só se faz e se vive de forma contextualizada, em um dado “local”, em um dado “momento”. Tradição é, portanto, a realidade espiritual manifesta. Mas o que gostaríamos de deixar registrado é que esta tradição não é fixa, imutável. Ao contrário, a tradição aqui em nosso “plano” está em transformação, ou como costumávamos dizer: “a constante da Tradição é a contínua mudança”.
Por isso, as religiões afro-brasileiras, suas crenças, valores e práticas não estão descontextualizadas da cultura digital. Ao contrário, as pessoas que vivem as religiões afro-brasileiras estão inseridas em uma dinâmica maior que é a vida em sociedade e, portanto, partilham também de outros processos. Conhecem e vivem, portanto, o atual momento sócio-cultural.
Se ainda é nebuloso como a cultura digital influencia o mundo religioso afro-brasileiro, o mesmo não ocorre para a academia, especialmente para a educação. Cada vez mais novas tecnologias são desenvolvidas para suprir distâncias, realizar mediações e interações. Foi com base nesse pressuposto que a FTU lançou seu projeto de extensão universitária na modalidade a distância, na certeza de que os meios digitais servem de suporte para aproximar pessoas e projetos. Ainda este ano, novos cursos serão acrescentados na plataforma e estarão acessíveis para todos aqueles que desejam conhecer, estudar e dialogar sobre as religiões afro-brasileiras. Estamos cumprindo a missão de oferecer à comunidade em geral, e não apenas à acadêmica, ensino de qualidade. Ofertar cursos de extensão universitária a distância é, enfim, adaptar-se às novas linguagens de interação e, portanto, demonstram a idoneidade, responsabilidade e compromisso de nossa instituição da FTU com a cultura brasileira.
Para maiores informações sobre os cursos a distância, sugerimos acessar http://ftu.eadbox.com/. Ou ainda, entrar em contato pelo email extensaoead@ftu.edu.br

Axé!
Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 390

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