segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Nossas filhas-de-santo e professoras da FTU publicam capítulo em livro de organizações da Editora Paulinas: Religião e Educação: múltiplos olhares sobre o Ensino Religioso

No último dia 22 de agosto, duas de nossas filhas de santo foram convidadas a participar do lançamento de livros da Editora Paulinas, em São Paulo. Tratava-se de um seminário acadêmico que discutia a importância das pesquisas sobre o ensino religioso nas escolas. Não por acaso, um dos livros lançados foi Religião e Educação: múltiplos olhares sobre o Ensino Religioso, organizado pelos professores Dr. Afonso Ligório Soares e Msc. Selenir Kronbauer.
Nossas filhas de santo (Érica Jorge/Yacyrê e Maria Elise Rivas/Yamaracyê) foram convidadas a escrever um capítulo neste livro sobre a visão que as religiões afro-brasileiras possuem e disseminam em suas práticas sobre a educação das crianças e o ensino religioso. Em realidade, esta não foi a primeira vez que elas (e outros filhos-de-santo) foram convidados a participar de um livro de organizações. Mas, desta vez a participação ganhou um destaque especial uma vez que o texto é um dentre vários outros que tratam sobre diferentes confessionalidades e o ensino religioso. Ou seja, não é um livro específico sobre religiões afro-brasileiras, ao contrário, como o próprio título sugere, vários olhares são contemplados.
O convite foi muito honroso pois chegou não apenas pela amizade firmada entre nossas filhas-de-santo e os organizadores mas, principalmente, pela força (e repercussão) do trabalho da Faculdade de Teologia Umbandista. Há mais de dois anos nossas filhas vem realizando pesquisas em vários encontros acadêmicos e, embora a academia exija a assinatura dos artigos (autor, co-autor), o que tem sobressaído é a imagem da FTU que elas tão bem divulgam, não por marketing, mas por crença na seriedade da proposta para a comunidade de santo e para os estudos acadêmicos sobre a temática (teologia, antropologia, sociologia, ciência da religião).
O capítulo foi, afetuosamente, intitulado Plantando raiz para colher flor: educação e aprendizado nas religiões afro-brasileiras. O nome foi inspirado no ponto cantado nos terreiros, afinal, é do interior das várias casas de santo que sai o corpo doutrinário fundamental e norteador para a educação religiosa. Diferentemente de outras religiões que possuem um instrumental já consagrado em livros, apostilas para o ensino das crianças, bem como um dia especial e separado dos rituais para o “aprendizado”, nas religiões afro-brasileiras esta pedagogia é muito mais vivenciada que “ensinada” formalmente. Enquanto são entoados orins, orikis, pontos cantados, que médiuns dançam, incorporam, entram em transe, fazem suas festas rituais, seus oros, as crianças vão assimilando este corpus cultural-religioso. A educação religiosa se faz durante a prática ritual, nos rituais, no encontro com os sacerdotes, com a família-de-santo, com as entidades, enfim, planta-se a raiz no terreiro para que as crianças possam dar frutos e flores para além dele.
Ficamos muito felizes com a publicação da obra. O texto fala das religiões afro-brasileiras de uma forma geral, não prevalecendo esta ou aquela forma de ritualizar e educar. É uma alegria quando o Mestre/Pai-de-santo vê em seus filhos-de-santo o seu trabalho de iniciação. Um capítulo como esse veiculado em uma editora católica de grande visibilidade e penetração editorial, ao lado de outros tantos bons trabalhos só nos faz ter a convicção que nosso trabalho é efetivo, que dá frutos e flores seguras para a comunidade de santo, acadêmica e sociedade civil como um todo. Já é difícil ter uma conduta singular e séria no terreiro (afinal, a iniciação lida com verdades de cada um), imagina uma conduta e trabalhos reconhecidos em outros meios. Isso só é motivo de felicidade e certeza do nosso trabalho espiritual e da FTU. Axé!


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Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 387

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