segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Iniciação e cursos a distância: delimitações fundamentais

Algumas pessoas nos perguntaram sobre a intenção da FTU em ofertar cursos a distância. Parte desse questionamento deve-se ao fato de uma crítica anterior baseada no descrédito da educação mediada pelas novas tecnologias. Esta modalidade de ensino surgiu há muito tempo, mas só agora, com o uso excessivo (e quase obrigatório) dos computadores e da rede em nossas vidas, ela parece ganhar destaque.
Muitos dos colegas que nos questionaram sobre o uso dessa modalidade alegam que nas religiões afro-brasileiras o conhecimento só pode ser transmitido via oralidade e presencialmente. No entanto, sentimos necessidade de diferenciar dois pontos: conhecimento religioso da iniciação de cada casa de santo e conhecimento acadêmico sobre a cultura religiosa afro-brasileira.  O primeiro, de fato, só deve ser transmitido, vivenciado e compartilhado no interior de cada comunidade religiosa sob os auspícios e bênçãos de cada mãe e pai de santo. A metodologia da iniciação afro-brasileira sempre foi pautada na oralidade, embora esta não sendo mais a oralidade primária (em que as pessoas não sabiam ler e escrever). Claro, muitos dos adeptos podem ter suas dificuldades em letramento, mas o que queremos enfatizar é que a iniciação se faz única e exclusivamente entre o ouvido do pai e mãe de santo e o de seus filhos(as), tendo os rituais como alicerces concretos da tradição religiosa. Já o conhecimento acadêmico pode e deve ser compartilhado por vários suportes. Aliás, este é um dos pressupostos da missão acadêmica: a divulgação das pesquisas e teorias.
O que pretendemos expor é que, de forma alguma, os cursos graduação, extensão universitária EaD e pós-graduação ofertados pela FTU expõem fundamentos religiosos das casas de santo, ao contrário, procuram de várias maneiras justificar que estes só podem ser transmitidos no círculo social das famílias-de-santo. Os cursos oferecidos possuem a intenção de apresentar conteúdos teológicos, antropológicos e sociológicos da trajetória afro-brasileira, contextualizando-os ao processo histórico de ampliação da liberdade religiosa no Brasil.
Em suma, estamos cumprindo com o compromisso assumido perante ao Ministério da Educação: oferecer ensino, pesquisa e extensão com qualidade. Essa proposta apenas reforça o que sempre almejamos para o povo de santo do ponto de vista religioso e, agora também, em âmbito acadêmico: a valorização da cultura religiosa e o reavivamento do senso de pertença de cada adepto.
Vivemos em um momento de muita discussão política no cenário nacional. Não podemos nos esquecer que a educação e cultura não vivem apartadas disso, ao contrário, estão completamente misturadas de forma que pensar em educação e religião é, também, pensar em inclusão em vários níveis.
Nossos cursos tem este objetivo último, afinal, conhecimento é mais que uma ferramenta importante de poder, é uma ferramenta de inclusão.
Axé!

Para maiores detalhes sobre os cursos de extensão na modalidade EaD, acessem http://ftu.eadbox.com/ ou pelo email extensaoead@ftu.edu.br
Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 389

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