segunda-feira, 19 de agosto de 2013

EXCERTOS DA RAIZ DE GUINÉ NA VISÃO DO MESTRE-RAIZ MEMENTOS – PARTE I


Alguns mementos de nossa vivência pessoal e iniciática de 18 anos com o Babalawô Yapacani.
1.       Nascido em Garanhuns – Pernambuco, em  28.06.1917 (segundo R.G.), talvez tenha sido o médium que maiores serviços prestou à Umbanda, durante seus 50 anos de mediunismo.
2.       Sua primeira obra literária foi “Umbanda de Todos Nós” – considerada por todos a Bíblia da Umbanda pois transcendentais e avançados eram e são seus fundamentos. A 1ª edição veio à luz pela Gráfica e Editora Esperanto, a qual situava-se na época, à Rua General Argolo, 230 – Rio de Janeiro. O volume número 1 da primeira edição dessa fabulosa obra encontra-se em nosso poder, presenteados que fomos pelo insigne Mestre. Em sua dedicatória consta:
Rivas, esse exemplar é o número 1. Te dou como prova do grande apreço que tenho por você, verdadeiro filho de fé do meu Santuário – do Pai Matta – Itacurussá, 30.07.1986.”
3.       “Umbanda de Todos nós” agradou milhares de Umbandistas que encontraram nela os reais fundamentos em que poderiam se escudar, nos aspectos mais límpidos da Doutrina Umbandista. Mas, se para muitos foi um impulso renovador de fé e convicção, para outros, os interessados em iludir, em fantasiar e vender ilusões foi um verdadeiro obstáculo, tanto que começaram a combatê-la por todos os meios possíveis. Até a socapa.
Momentos difíceis assoberbaram a postura de Mestre, que muitas vezes, segundo ele, sentiu-se balançar, mas não caiu!...E os outros? Ah! Os  outros...
4.       Na época, não fosse por seu astral, Matta e Silva teria desencarnado... Várias vezes disse-nos que só não tombou porque Oxalá não quis. Seus dois filhos Ubiratan e Eluá, também sofreram as rebarbas dos entrechoques de ordem astral. A demanda foi feroz (segundo suas próprias palavras), sendo que, de seus perseguidores a maioria recebeu segundo a Lei.
Pai Candido, que logo a seguir denominou-se como Pai Guiné assumiu toda a responsabilidade pela manutenção e reequilíbrio espiritual e físico de seu filho.
5.       Apesar de suas obras serem lidas não só por adeptos Umbandistas, mas também por simpatizantes e mesmo estudiosos das ditas ciências ocultas, seu Santuário era frequentado pelos simples, pelos humildes, que sequer desconfiavam ser Pai Matta um escritor conceituado. Ele guardou o anonimato, vários e vários anos, em contato com a natureza e com a pureza de sentimentos dos simples e humildes. Ele merecera essa dádiva e nessa doce paz do seu Santuário escreveria suas obras.
6.       Conhecemos Pai Matta em 1971 quando, após ler “Umbanda de Todos Nós”, tivemos forte impulso de procurá-lo. Assim é que nos dirigimos ao Rio de Janeiro, “sem saber” se o encontraríamos. Para nossa alegria, o encontramos na Livraria Freitas Bastos da Rua 7 de setembro.
Quando nos viu disse que nos aguardava e por que tínhamos demorado tanto?! A partir desta data mantivemos um contato estreito,  frequentando a gira de Pai Guiné em Itacurussá – Terra da Cruz Sagrada, onde Pai Guiné firmou suas raízes, que iriam espalhar-se, difundindo-se por todo o Brasil.
7.       Conhecer Pai Matta foi realmente um privilegio, uma dádiva dos Orixás, que guardo como sagrado no âmago de meu Ser. A todos tinha uma palavra amiga e individualizada. Pai Matta não tratava casos, tratava almas, tinha para cada pessoa uma forma de agir.
Sua cultura era exuberante, mas sem perder a simplicidade e originalidade. De tudo falava. Discutia ciência, política, filosofia, arte e sociedade com naturalidade que parecia ser Mestre em cada uma delas. E era!...
8.       No mediunismo era ímpar seu desempenho. Seu pequeno copo da vidência parecia uma televisão tridimensional imensa! Na mecânica da incorporação, era singular seu desempenho! Em conjunto simbiótico com Pai Guiné ou Caboclo Juremá, trazia-nos mensagens reveladoras, além de certos fenômenos magísticos que não devemos citar, pois muitos de seus filhos de fé nem presentes estiveram.
Muitas vezes participamos como médium atuante da T.U.O. – Tenda Umbandista Oriental, verdadeiro Centro de Iniciação à Umbanda em seus aspectos esotéricos, na Rua Boa Vista, 157, no Bairro de Brasilinha (o mesmo número de nosso Templo na Rua Chebl Massud, São Paulo).
9.       Na T.U.O. fomos, em 1978 coroado como Mestre de Iniciação do 7º Grau e considerado representante direto da Raiz de Pai Guiné em São Paulo. É necessário esclarecer que antes de sermos coroado já havíamos passado por rituais (7 anos) que antecedem a “Ordenação Sacerdotal” (Coroação Iniciática).
É necessário frisar que desde 1968, tínhamos nossa humilde choupana de trabalhos, em São Paulo, onde atendíamos centenas de pessoas. Muitas delas tornaram-se médiuns de nossa Choupana (Chão), a Orem Iniciática do Cruzeiro Divino.
10.   Não raras vezes tivemos a felicidade de contarmos com a presença de Pai Matta em nosso Templo (O.I.C.D). Constam ainda de nossos arquivos centenas e centenas de fotos em nosso Templo e de outros locais.
11.   Em novembro de 1987, estivemos em Itacurussá, pois nossos Guias espirituais já vinham nos alertando que a pesada tarefa do Mestre Yapacani estava chegando ao fim. Ficamos perplexos, pois ele havia nos pedido para irmos com urgência a Itacurussá falar com ele assunto de profunda relevância. Quando lá chegamos ele nos chamou no terreiro e, a sós e em tom grave, disse-nos:
- Rivas, minha tarefa esta chegando ao fim, o Pai Guiné já me avisou... Pediu-me que eu vá a São Paulo e lá, no seu Terreiro, ela baixará para promover a passagem, a Transmissão do Comando Vibratório Espiritual de nossa Raiz...
Disse-nos também que a responsabilidade da literatura ficaria ao nosso cargo, já que lera “Umbanda – A Proto Síntese Cósmica” e “Umbanda – Luz na Eternidade”, vindo PREFACIAR AS DUAS OBRAS.
12.   Em dezembro de 1987, a O.I.C.D. com todo seu corpo mediúnico presente estava esfuziante, espiritualmente falando para receber nosso querido Mestre e, muito especialmente, Pai Guiné.
Às 20 horas em ponto adentramos o solo sagrado de nosso Santuário. Pai Matta fez exortação, dizendo-se feliz de estar mais uma vez em nosso Terreiro. Embora felizes, sentíamos em nosso Eu que aquela seria a última vez que nosso Mestre pisaria, nessa sua existência, as areias de nosso Templo.
13.   Pai Guiné, ao baixar, saudou a todos e promoveu um ritual profundamente vibrado e significativo. Num determinado instante do ritual, disse-nos de forma grave:
- ARAPIAGA, MEU FILHO, SEMPRE FOSTE FIEL AO MEU “CAVALO” E AO ESPIRITUAL, MAS SABEIS TAMBÉM QUE A TAREFA DE MEU CAVALO NÃO FOI FACIL E A VOSSA TAMBÉM NÃO SERÁ...NÃO VOS DEIXEIS IMPRESSIONAR POR AQUELES QUE QUEREM USURPAR E SÓ SABEM TRAIR... LEMBRAI-VOS DE QUE OXALÁ, O MESTRE DOS MESTRES, FOI COROADO COM UMA COROA DE ESPINHOS... QUE OXALÁ ABENÇOE VOSSA JORNADA ESTAREI SEMPRE CONVOSCO.
Em uma madeira de cedro, deu-nos um ponto riscado, cravou um ponteiro e ao beber o vinho da Taça Sagrada, disse-nos:
-PODES BEBER DA TAÇA QUE DEI AO MEU “CAVALO” -  AO BEBERES, SEGUIRÁS O DETERMINADO... QUE OXALÁ TE ABENÇOE SEMPRE!
A seguir em voz alta, transmitiu-nos o Comando Espiritual-Magístico de nossa Raiz.
14.   Alguns dias após o ritual, Pai Matta deu-nos um documento com firma reconhecida, no qual declarava que nós éramos seu representante direto, em âmbito nacional e internacional.
Na época, não entendíamos o porquê da tal precaução, mesmo porque QUERÍAMOS E QUEREMOS SER APENAS NÓS MESMOS.
Talvez por circunstancias  Pai Guiné e Pai Matta e Silva  NÃO PUDESSEM DEIXAR O HIATO ONDE USURPADORES VÁRIOS PODERIAM, COMO AVENTUREIROS, APROVEITAR PARA DESTRUIR O QUE ELES HAVIAM CONSTRUIDO. SABIAM QUE, COMO SUCESSOR DO GRANDE MESTRE, EU NÃO SERIA NADA MAIS DO QUE UM FIEL DEPOSITÁRIO DE SEUS CONCEITOS DOUTRINARIOS.
15.   Quem nos conhece sabe que somos desembutidos da tola vaidade! Temos defeitos, mas a vaidade não é uma delas. Não estaríamos de pé durante 45 anos de lutas e batalhas se o espiritual não estivesse conosco!...
ASSIM, QUEREMOS DEIXAR CLARO A TODOS QUE, NEM AO PAI GUINÉ OU AO PAI MATTA, EM MOMENTO ALGUM, SOLICITAMOS ISSO OU AQUILO REFERENTE À NOSSA INICIAÇÃO E MUITOS MENOS À SUCESSÃO... FOI PAI GUINÉ QUEM PEDIU, E COMO SEMPRE O FIZEMOS, A ELE OBEDECEMOS... MAS O QUE QUEREMOS, EM VERDADE, É SER AQUILO QUE SEMPRE  FOMOS: NÓS MESMOS.
NÃO FOI A SUCESSÃO QUE NOS FEZ REALIZAR O QUE REALIZAMOS. FARÍAMOS O QUE FIZEMOS, POIS SEMPRE ACHAMOS QUE NÃO BASTA SABER É NECESSÁRIO FAZER.
Aquilata-se a destreza e a capacidade de um Mestre pelas obras que realizou, e não pelo que falou ou não falou... É necessário para ser Mestre não ter mãos vazias, mas repletas de realizações. No mais é utópico, falacioso e erístico, tão apropriado aos fariseus de todos os tempos.
16.   Anexaremos uma foto do documento original, onde se vê claramente a chancela e a rubrica do Mestre Matta e Silva. O documento foi averbado com firma reconhecida em cartório, em 1987  e convalidado em 2010.
Continuaremos na próxima publicação. Saravá, Aranauan, Macauan, Aubhandhan. Mukuiu, Motumbá, Kolofé.  Axé!





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Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 383

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