segunda-feira, 8 de julho de 2013

Religiões afro-brasileiras: reacionários apontam seus mísseis à democracia?

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 371

Um comentário:

  1. Rose Amanthea disse:
    Caríssimo Mestre,
    Acompanho com frequência os posts deste blog compartilhados pelos amigos de Facebook da OICD, que tenho o privilégio de frequentar há quase dez amos. As últimas três publicações, abordando as manifestações de rua no país têm sido particularmente inquietantes e por isso me permito agora, passada a euforia e confusão dos primeiros momentos, comentar alguns aspectos que considero importante, principalmente entendendo a fundamental importância das suas reflexões e do seu papel como formador de opinião, não apenas da comunidade das religiões afro-brasileiras. Sua preocupação com as versões dos fatos dadas pelos inúmeros meios de comunicação é legitima, uma vez que a mídia, como qualquer setor econômico, não está imune aos conflitos de seus interesses e pode sim, ser tendenciosa, para um lado ou para outro, em inúmeras situações. Mas é pouco provável que, apesar do proveito político que se tenha tirado da situação para denegrir o governo do PT, exista de fato alguma ameaça concreta à democracia ou qualquer possibilidade de quebra das instituições. Os protestos não foram contra Dilma apenas, mas contra a classe política e a popularidade de todos os governantes, independente do partido, despencou. A hipótese de impeachment da presidente sempre foi risível, mesmo nos massivas manifestações iniciais que surpreenderam o país. A comparação com o Egito é muito frágil, já que naquele país, houve um “golpe” anterior do presidente eleito democraticamente que aprovou uma lei de superpoderes às escuras, apoiado pela minoria da Irmandade muçulmana, ansiosa por instaurar um governo religioso. Nem de longe estou apoiando o golpe militar, porque o povo teria outras opções para depor o presidente Mursi , (até mesmo o impeachment), sem precisar recorrer ao exercito. Mas os militares não podem nem pensar em deixar de convocar eleições diretas e democráticas o mais rápido possível, porque a comunidade internacional está de olho e não reconheceria o governo. O próprio presidente Obama já pós em avaliação a assistência financeira de U 1,5 bilhão ao país, a depender do comportamento dos militares. Além disso, a sociedade egípcia, que derrubou Osni Mubarak não vai engolir de jeito de novo o autoritarismo varrido com os ventos da primavera Árabe. No Brasil, um golpe seria ainda mais impensável. Primeiro porque não existe nenhuma força política capaz de agregar apoio para isso, muito menos o PSDB, que nunca conseguiu fazer uma oposição maior que débil. Como diz a piada do CQC, até uma reunião de ministros de Dilma tem mais gente que uma convenção tucana. e ainda: a sociedade brasileira que foi as ruas também está mostrando que não engole mais salvadores da pátria (vermelhos ou azuis) e pela primeira vez desde as Diretas Já clama por um reforma estrutural significativa. Tenho profundo respeito por quem lutou contra a ditadura, e sei que o fantasma de um momento tão terrível ronda as noites quem vivenciou sua violência. Mas o mundo mudou, o cenário é mais complexo, imbricado, intrincado, os agentes são múltiplos, os interesses também, as demandas da sociedade mais ainda e, tudo isso, num pano de fundo onde a tecnologia possibilita a informação instantânea e as redes sócias denunciam qualquer tentativa de manipulação fácil. (Para os interessados, sugiro o ultimo livro do filosofo Manuel Castells, sobre o papel das redes sociais na Primavera árabe.) Espero contribuir com a reflexão sobre o tema e reforçar a importância de visão amplificada de um momento tão significativo para o país e para o mundo. Não apenas na dimensão social e econômica, mas, sobretudo, moral e espiritual. Reafirmo ainda meu profundo respeito, admiração e carinho pelo meu sempre Mestre, Arhapiagha. Aranaum, Axé, Saravá. Rose Amanthéa

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