segunda-feira, 15 de abril de 2013

Iniciação nas Religiões Afro-brasileiras – Relação entre Id/Ego/Supergo com o Ori


Apesar de Freud (1856 – 1939) ser “adorado” por uns e “odiado” por outros, a psicologia e a psicopatologia muito lhe devem. Em virtude disso, usaremos o conceito estrutural de personalidade propugnado por ele, para entendermos o quanto a Iniciação influencia esta estrutura psíquica e o quanto é influenciada por ela.
A teoria freudiana faz menção ao determinismo ou causalidade psíquica que propõe que cada evento psíquico é determinado pelos eventos que o precederam do mesmo modo que todos os eventos físicos tem determinantes causais.
Outro aspecto, e que nos interessa nesta publicação, é o da Teoria do Inconsciente. Freud, que desenvolveu a teoria da personalidade, diz que ela é formada por três sistemas principais, às vezes, tão interligados que se torna difícil determinar qual deles está desempenhando o papel predominante na conduta.
Os três sistemas são: Id, Ego, Supergo. Quando na última publicação discorremos sobre a Iniciação por dentro das Religiões Afro-brasileiras, segundo nossa visão, citamos os três sistemas, que esperamos demonstra a relação entre eles e a Iniciação.
O Id é o sistema original da personalidade. Compreende todos os componentes psicológicos presentes no nascimento, incluindo os instintos. Ele é o reservatório de toda a energia psíquica, fornecendo o poder para a operação dos outros dois sistemas, ego e supergo.
Ele opera de acordo com o princípio de prazer procurando a gratificação imediata das necessidades instintivas e redução da tensão física, indiferente à situação da realidade. Seu modo característico de funcionamento é por meio do processo primário do pensamento; isto é, procura resposta imediata a um estímulo instintivo sem distinguir entre a realidade e a fantasia. Assim agindo, se a resposta da realidade não é possível, será necessário recorrer aos sonhos nos indivíduos sadios e, às alucinações nos mentalmente enfermos.
O segundo, o ego, foi considerado por Freud a porção executiva da realidade. Mediador entre o id e o mundo exterior, deve lidar também com o supergo, com memórias passadas e com as necessidades físicas do corpo. Opera de acordo com a realidade utilizando o processo secundário do pensamento. Ele procura satisfazer os impulsos do Id, mas agirá assim, se necessário, por intermédio de meios indiretos e frequentemente demorados, enquanto que, ao mesmo tempo, leva em conta a demanda ambiental. Este tipo de pensamento é verbal e caracteriza-se pela lógica e objetividade.
O terceiro, o supergo, é o representante interiorizado por aquilo que o indivíduo considera ser basicamente certo ou errado. Ele possui duas partes: consciência e ego ideal. A consciência baseia-se nos fatos ou coisas que sofreram desaprovação ou pelas quais ocorrem punição ao indivíduo quando criança, pela ação dos seus pais ou outros que auxiliaram na educação infantil. A conduta ou pensamento que se opõe a estas proscrições provocam o sentimento de culpa. O ego ideal, por sua vez, representa as coisas ou fatos que receberam forte aprovação ou pelas quais ele foi recompensado, pela ação de seus pais e outros. A satisfação do ego ideal resulta em sentimentos internos profundos de bem-estar e orgulho. O supergo forma-se na ocasião da resolução do conflito edipiano, quando a criança incorpora sua própria personalidade, aquilo que ele acredita constituir os princípios básicos ideais de seus pais. Ele torna essas coisas parte de si mesmo. Nesse ponto, o autocontrole torna-se um substituto do controle dos pais. O supergo também inclui muitos valores e tradições básicas da cultura na qual o indivíduo está inserido.
Depois de sumarizarmos nossos próprios textos publicados em outras oportunidades, discorreremos resumidamente sobre a topografia da personalidade associando-a à teoria estrutural. A divisão topográfica da psique compreende o consciente, o pré-consciente e o inconsciente.
O consciente inclui as porções de vida mental das quais o indivíduo tem conhecimento rápido a qualquer momento dado. Ele inclui a maioria, mas não a totalidade do ego. O pré-consciente inclui as partes da vida mental que podem ser trazidas ao consciente por concentração e esforço. Compreende principalmente o ego. O inconsciente é desconhecido, totalmente fora da percepção do indivíduo. Seu conteúdo pode permanecer permanentemente desconhecido, ou partes dele podem, às vezes, passar para a pré-consciência e daí serem chamados para o consciente.
Após ligeiros conceitos de estrutura e topografia da personalidade, discutamos também, de forma ligeira, a dinâmica da personalidade. A energia psíquica é a experiência subjetiva de força e entusiasmo. Ela é universalmente reconhecida, porém, praticamente intraduzível em termos fisiológicos. Na teoria de Freud ela é totalmente inconsciente, sendo a responsável por todas as ações psicológicas (psicodinâmica). O Id e seus instintos fazem a ponte entre e a energia do corpo e da personalidade. O conceito de energia psíquica postula que ela é distribuída entre três sistemas – id, ego, supergo – de diferentes modos, nos diferentes indivíduos. Originalmente toda energia pertence ao Id. O ego necessita de energia psíquica no sentido de lidar com o id e o supergo e para a manutenção de seus mecanismos de defesa. Quanto mais energia psíquica for desse modo utilizada, menos energia disponível para o ego lidar com problemas do mundo exterior. Um exemplo clássico, constante em muitos tratados da psiquiatria diz que uma estudante cujo ego está envolvido em conflitos. Em conflito quanto ao seu envolvimento em atividade sexual, está despendendo energia psíquica na tentativa de resolver os embates entre forças opostas do Id e do Superego pelo uso excessivo de mecanismos de defesa. Ela está assim reduzindo seus depósitos de energia disponível para seus estudos podendo apresentar sérias dificuldades acadêmicas. Segundo Freud, um dos principais objetivos da análise é capacitar o ego para a resolução de conflitos em uma base realista e objetiva. Isso reduz a necessidade dos mecanismos de defesa, de tal modo que menos energia psíquica será utilizada de uma maneira mais construtiva e criadora. Essa teoria proposta por Freud, foi atualizada por Erikson na exposição da psicologia do ego e fusão da psicanálise com a psicologia.
Na esteira dessas considerações várias vezes afirmamos que o Homem pode ser denominado em sua constituição como ser biopsicossocial. É o que podemos inferir pois ao Id podemos associar os aspectos biológicos (instintos/pulsões), ao ego o psiquismo e ao supergo, o social. Sim, temos os três sistemas interligados, apesar de cada um desses sistemas ter suas próprias funções, propriedades, componentes, princípios de operação, dinamismos e mecanismos, eles interagem tão estreitamente que é difícil, senão, impossível, desemaranhar seus efeitos e pesar sua relativa contribuição ao comportamento humano.  O comportamento é quase sempre o produto de uma interação entre esses três sistemas; e raramente um sistema opera com a exclusão dos outros dois. (Hall, Lindzey, Campbell).
Apresentamos denominações, sistemas, topografia, estrutura, todavia não localizamos a personalidade, a mente no organismo humano. Neste exato momento, expressamos que “algo” imanifesto que citamos, a mente, se manifesta no cérebro. Reiteramos, manifesta-se no cérebro, não é o cérebro, o qual apesar de sua extrema complexidade é apenas veículo da mente, sendo por demais mecânico em relação à sutileza criativa da mente.
Tomando o cérebro, o encéfalo (dentro da cabeça) dentro do crânio, localizamos nele, três regiões vibracionais diferentes (energia elétrica) com diferentes raios despedidos.
A região da testa (crânio) que se corresponde aos lobos frontais, a luz é intensa; do córtex motor até a extremidade da medula espinhal a luz diminui para tornar-se quase luz bruxuleante nos gânglios da base.
No sistema nervoso, temos o “cérebro primeiro”, sede de atividades inconscientes (a nossa saga, desde o momento primeiro de nossa existência). Aí arquivamos todas as experiências e captamos os menores fatos da vida. Os impulsos automaticos representando os serviços realizados, as experiências e vivências passadas. Essa região representa nossos hábitos e automatismos (Inconsciente Passado).
A região do córtex motor, zona intermediária entre os lobos frontais e nervos, manifesta nossas conquistas atuais, as qualidades que estamos erigindo, o esforço e a vontade, nosso Presente. Nos lobos frontais encontram-se materiais sublimes, que despertaremos gradativamente, em nossa saga espiritual, as noções superiores que um dia atingiremos enfim, a meta superior, o encontro definitivo com a luz espiritual de nós mesmos, com nosso Genitor Divino - Orishá.
Depois de descrevermos de maneira sucinta os sinais luminosos (radiação luminosa) que identificam três regiões importantes do sistema nervoso, vejamos por dentro da Iniciação das Religiões Afro-brasileiras como se identificam os processos citados exemplificaremos com o Culto de Nação/Ketu.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 348

2 comentários:

  1. Neste post de nosso mestre, as relações psíquicas de Id, Ego e Superego com a Iniciação é por demais excitante ao pensamento. A descrição de cada um dos sistemas, nos leva a entender os momentos vividos na trajetória iniciática, com tal clareza que descortina novos horizontes sobre a mesma.
    As possibilidades de aprofundamentos em conceitos sobre ajustes e aportes de energias psíquicas sobre o adepto/iniciado por meio de rituais nas religiões afro brasileiras, toma dimensões inimagináveis até então.
    Este entendimento, trazido ao conhecimento de todos por nosso mestre, mostra o ineditismo do assunto quando aplicado aos conhecimentos do preceituar o Ori.
    Tenho a certeza que mais uma vez o mestre Arhapiagha, nos agracia com estes saberes, no intuito de compartilhar sua sabedoria e vivência neste meio.

    Paó ao mestre Arhapiagha!
    Ygbere

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  2. Agradeço Mestre, pela oportunidade de fazer essa associação de nossa dinamica psiquica com o processo de iniciação. Peço licença para perguntar: É adequado associar com a nossa poção de superego com o nosso processo de nos obsediarmos a nós mesmos e de bloquearmos o nosso discernimento entre o que somos e a interpretação que é externada sobre nós?
    Obrigada e Benção meu Pai!
    Jaci

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