segunda-feira, 11 de março de 2013

ORDENAÇÃO INICIÁTICA CONFIRMADA EM TEXTO-DOCUMENTO

É necessário conhecer sua Tradição, algo que implica em saber sua origem, resgatar a memória e entender como funciona esta Tradição em sua comunidade religiosa.
Reiteramos que a Tradição diz da origem, memória e reatualização, sempre havendo grupo ou indivíduo que é detentor (legítimo e legal), pois “incorpora” a ancestralidade que vem sendo transmitida numa Raiz-Linhagem de Pai para Filho, de Mestre para discípulo, e é claro, isto não é feito, não é concretizado de forma alegórica ou de aluguel.
A Tradição permite um sentimento de pertença, de pertencimento, de fazer parte de uma comunidade que tem um estilo de vida, que vivencia, respira e experiência seus valores.
Isso corresponde ao grupo, ao indivíduo detentor de uma Raiz, ou seja, viver, experienciar por intermédio da Iniciação ou convivência real com seu sacerdote (mestre ou pai-de-santo), sendo, pois, pela sua vivência a própria da Tradição, vive-a, sendo pois a Tradição Viva. Todo este processo leva os indivíduos que seguem de verdade a terem uma identidade, que é permanente, pois serão veículos de sua Tradição para a posteridade, mesmo que a mesma sofra as reatualizações devidas e necessárias.
A Tradição, como dissemos, além de ser percebida, deve ser transmitida pelo Mestre Raiz, transmissão esta de valores espirituais através das gerações, numa sequência ordenada e legítima que passa de Pai para Filho, o qual se torna Pai.
Sumarizemos com o seguinte Fluxograma Tradição e Identidade:





Nas religiões afro-brasileiras, mormente em suas iniciações, seguem o modelo que propusemos, isto é, fazem grassar seu sentimento de pertença e identidade, que jamais podem ser conseguidas sem uma vivência e aderência a experiência espiritual, que por motivos óbvios não podem ser transmitidos em cursos, mormente os que têm uma visão particular, homogeneizada e que desejam o poder, ou melhor açambarcar o poder para serem hegemônicos (codificarem para todos fazerem um único modelo, que atenda aos seus desejos financeiros e econômicos) do codificador, é claro.
Na umbanda, segundo nossa visão, que é pela diversidade, ela é uma ideia manifesta em várias linguagens, religião manifesta em várias linguagens sendo todas respeitadas e tidas como legítimas, mas somente aquelas que não desejam a homogenia e muito menos a hegemonia (ser o dono, o codificador).
A aceitação e prática real da diversidade implica em fazer grassar o direito universal de inclusão, de democracia, lato senso, pois todos tem o mesmo direito efetivo, e buscam impedir o nefando e inaceitável preconceito.
Preconceito (pré-conceito) é conceito ou oposição formados antecipadamente, sem maior ponderação ou maior conhecimento dos fatos; prejuízo; intolerância; ódio; aversão a credo, raça, etnia, etc.
A inclusão que norteia a diversidade de cultos permite o diálogo, o respeito com a alteridade, e mais, reconhece o outro como importante, como a si mesmo.
O preconceito que fomenta violências várias, próprios de regimes totalitários, é carregado principalmente nos pobres, negros, analfabetos, nordestinos, homossexuais e mulheres.
Como aludimos, os cultos de umbanda e de outras religiões afro-brasileiras como uma ideia que se manifesta em várias linguagens, chegamos ao absurdo de uns e outros quererem ditar uma “linguagem culta ou elitista” que, na verdade, camufla seus sentidos e desejos de poder, prestígio social, político e econômico, e para tal, afirmam ser necessário “falar” a “linguagem” (língua) certa, caso contrário, haverá uma decadência. Mas, decadência de quem/que?
Outra questão que julgamos pertinente: mas qual é a certa? Se houver uma, então todas as demais são erradas? Não. Há várias linguagens, a diversidade aceita todas e tem-nas como legítimas. Não há como legitimar uma só, sem ferir a lei, o direito e a justiça social e espiritual.
Por isto, e somente por isto, respeitamos a todas as religiões afro-brasileiras e, principalmente, a Iniciação por dentro delas. Eis o porquê de sermos contrários a cursos que formam sacerdotes ou outras denominações que venham dar, como também somos contrários à formação dessa ou daquela Raiz-Linhagem, pois ninguém é mestre de si mesmo, e muito menos, pode se achar fundador dessa ou daquela Raíz que dizem precisar ser resgatada. Mas, porque precisa ser resgatada e porque eles devem ser aqueles que, presumidamente, precisam resgatá-la? Não há necessidade de resgate algum, o que acontece é que uns e outros querem ser os “resgatatadores” da Raiz sem ter precisão...
Os adeptos da boa lógica não terão dificuldades em perceber o que desejam. É só analisar o que faziam, como faziam e porque deixaram de fazê-lo. A investigação minuciosa dará a resposta. E mais. Ninguém de repente, nada mais que de repente, se torna fiel depositário de uma Tradição que não vivenciou, experienciou ou respirou. Mas, infelizmente, é isto que acontece e vem acontecendo.
Lastimamos mas não podemos deixar de expor nossa visão, pois esses mesmos que citamos, mais uma vez, à socapa, tal qual no passado faziam com nosso Pai (Pai Matta – W.W. da Matta e Silva) querem, agora, detratar, difamar nosso trabalho, calcado na experiência e vivência iniciática que tivemos com três mestres, mas em especial, com Mestre Yapacani, o qual nos fez seu sucessor.
Remontando ao nosso Pai Espiritual (Pai Matta) com o qual tivemos uma vivência de 18 anos queremos levar a público pela primeira vez, portanto, de forma inédita (temos muitas coisas ainda para mostrar, só estamos aguardando a oportunidade devida) parte de um texto que explicita a vivência iniciática com nosso Iniciador.
Assim fazemos pois apesar de vivenciarmos por mais de 18 anos e termos levado exatos sete anos para sermos iniciado como Mestre de Iniciação, assim mesmo Ele nos deu o texto que apresentaremos no final dessa publicação. Apenas pedimos escusas pois o texto-documento que só tem valor para quem o recebeu, terá sua parte final ilegível, pois é Iniciático, e de direito apenas dos que foram iniciados na Raiz de Pai Guiné d´Angola. Apenas cumpriremos nosso dever de Iniciado, não revelando aquilo que é próprio da nossa Escola de Iniciação.
Pode-se questionar: “Mas porque, então, tornar público um texto-documento que é próprio da Raíz Iniciática?
Digitalizamos parte do documento para que todos possam perceber o quanto é séria e grave a Iniciação e também para que confirmem o que temos falado e feito nesses últimos vinte e cinco anos (1988 – 2013).
Mais uma vez agradeço ao Mestre Yapacani, seu mestrado e os “presentes” que nos ofereceu e nos oferece por intermédio de sua sabedoria milenar.
Abaixo, segue o texto-documento que espero fortaleça aqueles que seguem seu Iniciador e não se deslumbram por atalhos, por atalhos...
Aranauan, Anauan, Macauam, Saravá, Axé!

 Obs: Clique no documento para ampliar.



Em tempo...
Após a digitalização apresentada de forma parcial, afirmo que muitos filhos de fé, Iniciados ou Iniciandos e mesmo muitos dos consulentes que frequentam os ritos de minha Casa Espiritual ouviam o nome da Entidade Guardiã da Luz para as sombras e dessas para as trevas. Disso nunca fiz nenhum segredo.
Quanto ao mistério do Rito Yayrê, não transmiti a ninguém em tempo algum.
O Mestre de Iniciação deve ser módico, ponderado e reticente nos fundamentos que estende, caso contrário pode colocar esses fundamentos em cabeças e mãos indevidas. Reitero que a nenhum Iniciado transmiti esse ritual.
Como a própria digitalização demonstra, o mistério do Axé do Rito Yayrê é transmitido, segundo nossa Raiz, a Mestres de Iniciação de 7º Grau, no 2º ciclo.
Que fique patenteado que os Iniciados por mim ordenados até o momento, nenhum foi no 2º ciclo. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá 


Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 337


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