quinta-feira, 28 de junho de 2012

I JORNADA TEOLÓGICA: TEOLOGIA EM AÇÃO


MEIO AMBIENTE E ESPIRITUALIDADE


Na última segunda e terça-feira (25 e 26 de junho) a FTU realizou a I Jornada Teológica: Teologia em Ação – Meio Ambiente e Espiritualidade. Ficamos muito satisfeitos com o evento principalmente pelo prolífico diálogo interreligioso travado entre várias confessionalidades.
Na segunda-feira tivemos as falas de Prof. Msc. Allan Novaes (teologia adventista) e Prof. Msc. e também padre José Rocha C. Filho (teológia católica). Ambos foram extremamente gentis, sensíveis e apresentaram conceitos e contextos específicos das teologias que defendem como pastores e que discutem como acadêmicos.
Na terça-feira tivemos as falas da Profa Ms Maria Elise Rivas (FTU - teologia umbandista) e Prof Dr. Yuri Tavares (USP) sobre como as religiões afro-brasileiras interpretam suas relações com a natureza. Ao final um emérito professor de teologia que ministra aulas em Porto Alegre emocionou-se pelas apresentações e pediu a palavra. Sua fala foi ao encontro do que todos os palestrantes trouxeram: a reunião e o processo de identidade que os cidadãos planetários devem ter para com a natureza que, em verdade, não está dissociada da natureza humana, apenas esquecida.
Aproveitamos para lembrar a etimologia da palavra recordação, proveniente da raiz latina coração (cor, cordis). Recordar significa passar novamente pelo coração. Os latinos também associavam o coração ao centro da memória. Esperamos, portanto, que a I Jornada Teológica tenha possibilitado que seus participantes recordassem da necessidade de conectarem-se com o mundo sobrenatural, consigo mesmo, com os demais irmãos e com a natureza. Esperamos que a I Jornada tenha facilitado avivar a memória de todos sobre o processo identitário com a natureza espiritual e física e mais que isso que as várias teologias ali presentes possam construir juntas reflexões cada vez mais críticas e apuradas sobre o universo que habitamos.
Disponibilizamos abaixo algumas fotos do evento!


I Jornada Teológica: Teologia em Ação

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 265

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Convite FTU: I Jornada Teológica. Teologia em Ação – Meio Ambiente e Espiritualidade


Hoje nossa publicação destina-se a fazer um convite a todos os nossos amigos seguidores do blog, colegas da comunidade científica e da comunidade de santo, das várias Escolas Afro-brasileiras.

Hoje a Faculdade de Teologia Umbandista tem a honra de promover e sediar a I Jornada Teológica: Teologia em Ação que ocorrerá nos dias 25 e 26 de junho.

O caráter do evento se constitui pelo diálogo inter-religioso entre várias confessionalidades que se predispuseram a conversar e debater sobre a interface entre Meio Ambiente e Espiritualidade.

Sabemos que a sociedade planetária vivencia hoje um momento bastante peculiar em que são e serão necessárias medidas importantes para promover desenvolvimento sustentável, vide encontro da Rio +20 no Rio de Janeiro. Este e outros eventos buscam firmar posições que beneficiem à sociedade e o meio ambiente, mas infelizmente esbarram na gana de alguns estados e governos pelo lucro capitalista.

A I Jornada Teológica, ao contrário, visa promover o diálogo amistoso entre várias confessionalidades para que elas entendam como cada Teologia pensa e elabora seu discurso sobre o Meio Ambiente, uma vez que a relação do homem com a natureza e tida também como algo Sagrado.

A organização da I Jornada Teológica só foi possível graças à experiência de 5 anos da FTU com congressos e seminários científicos e, principalmente, pelas amizades firmadas durante esses anos com vários membros de renome da mesma. Muitos deles, aliás, realizaram produções acadêmicas relevantes após o contato com a FTU e Centro de Cultura Viva como o artigo “Conhecimento Teológico e Experiência Religiosa” do Prof. Dr. Volney Berkenbrock publicado na revista Atualização.

Prof Volney retoma algumas discussões já iniciadas por nós sobre as vertentes da Teologia, saber religioso (crenças, rituais, vivências) e científico. Além disso alertou sobre a inovação da FTU em manter o templo no mesmo local da faculdade, mostrando que os princípios religiosos (fé) se complementam aos princípios acadêmicos, o que, segundo ele, é um modelo a ser seguido.

Convidamos todos vocês para mais este evento, gratuito, para que possam juntos conosco dialogar sobre Meio Ambiente e Espiritualidade!

I Jornada Teológica: Teologia em Ação – Meio Ambiente e Espiritualidade
Local: Faculdade de Teologia Umbandista – FTU
Horário: 20h
Dias: 25 e 26 de junho.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 264

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino – subsede Distrito Federal

Na publicação de hoje, vamos ler as palavras de nosso filho espiritual Silvio L. R. Garcez (Aramaty), que está dirigindo a subsede da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino em Brasília (DF), sobre sua vivência templária. Axé!


Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino – subsede Distrito Federal


         Estou na Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino desde 1988, e hoje depois de 24 anos de experiência, convivendo com meu Mestre, vejo o quanto isso influenciou positivamente em minha vida.
Reencontrei Mestre Arhapiagha por meio da 1ª. edição da obra Umbanda a Proto Síntese Cósmica, então editada pela Livraria Freitas Bastos. Na época, trabalhava em um terreiro, na cidade onde nasci e morava (Taubaté-SP), e todas as segundas, quartas e sextas tínhamos ritos de atendimento publico, com Caboclo e Preto Velho. Já era leitor assíduo de Mestre Yapacany que também editava seus livros pela Freitas Bastos. Assim, por meio do representante desta livraria, recebi a indicação de um livro escrito, segundo ele me informou,  pelo legitimo sucessor de W.W. da Mata e Silva,Mestre Yapacany, F. Rivas Neto Mestre Arhapiagha. Mais do que depressa solicitei que me enviasse a obra e quando a recebi qual não foi minha surpresa, o autor tinha feito uma dedicatória que dizia o seguinte: “Ao irmão de Fé Silvio Luiz R. Garcez com votos plena assistência espiritual “assina F. Rivas Neto.
A sensação que experimentei no momento foi indescritível, um misto de alegria, euforia e emoção, fiquei por alguns minutos estático... Entrei em contato com meu irmão de terreiro Eugenio (Mestre Tashanan) e lhe contei sobre a obra, que comecei a ler tão logo recebi.
Ao longo da leitura encontrei um encarte que convidava os leitores a se encontrarem com o autor em São Paulo, capital, na sede da Livraria Freitas Bastos. Na semana seguinte, lá estava eu,  aguardando ansiosamente o encontro com o autor.
Quando vi Pai Rivas pela 1ª. vez senti uma alegria profunda, um contentamento que não tenho palavras para expressar. Conversamos por mais de uma hora e neste dia ele me disse coisas sobre minha vida que ninguém sabia, sai de lá atônito e muito, muito feliz. Retornando para Taubaté, relatei para o meu irmão Eugenio tudo o que havia acontecido e combinamos de, na semana seguinte irmos a São Paulo para de novo me encontrar com o Mestre...
Após uma espera que parecia interminável, nos dirigimos eu e Eugenio para São Paulo para mais um encontro. Novamente Mestre Arhapiagha nos recebeu com alegria e ficamos também por mais de uma hora falando sobre Umbanda.
 A simplicidade, com que nos recebeu, a atenção que nos dedicou me impressionou e me marcou profundamente. Só hoje consigo avaliar a importância e relevância deste momento para minha atual encarnação.
No final de nossa conversa ele nos convidou para sua gira em seu Templo na Travessa Magalhães atual Chebl Massud, dando como referencia a antiga Metalúrgica Aliperti. Que saudade... Como foi difícil chegar lá!
Chegar ao rito, outro momento de intensa emoção: encontro com Caboclo das Sete Espadas, que nos recebeu dizendo, “vocês são filhos desta raiz...” e nos colocou imediatamente na corrente mediúnica. Conversar com esta entidade que incorporada estava em Mestre Arhapiagha, foi algo que ultrapassa minha capacidade de traduzir em palavras as emoções que meu espírito vivenciou.
No final daquela noite entreguei a Mestre Arhapiagha a edição do livro Umbanda a Proto Síntese Cósmica com a dedicatória que ele havia feito. Então acrescentou: “Em tempo : também Filho de fé do meu santé...” .
A partir daí comecei a caminhar ao lado de meu Mestre (que mais uma vez me aceitou como discípulo) e a pisar nas areias sagradas do Templo do Caboclo Urubatão da Guia.
Ao longo dos anos que se passaram vivi inúmeras coisas: as sextas que antecediam os ritos públicos de sábado, as mediúnicas, os amacys aos domingos, as cachoeiras (quanto Oriri de mamãe Oxum...), os ritos na praia, na mata, as encruzas, as visitas aos terreiros, os novos irmãos que chegavam, os fóruns escola de síntese e Umbanda pede Ago, as mensagens, as longas conversas, o Gino, nossa, quanto aprendizado, que saudade!
Não posso deixar também de relatar a primeira vez que presenciei a incorporação do Sr. Urubatão da Guia, em Mestre Arhapiagha, pois neste dia fui oficialmente filiado à OICD. Fazia tempo que esta entidade não baixava e antes dele chegar senti um frescor no ambiente e uma fragrância de lavanda tomou conta do lugar. Quando começamos a cantar o ponto “Quando seu Urubatão firmou o seu Conga, todos os Caboclos vieram ajudar...” meu coração disparou, comecei a chorar compulsivamente, não de tristeza e sim de alegria, me senti uma criança que reencontra seu Pai, seu ancestral, seu condutor. Nunca havia visto, até aquele momento, incorporação tão profunda e perfeita. Neste mesmo dia no final do rito também presenciei a vinda do Sr. Kauritan (7 Encruzilhadas), poderoso guardião que deixou firmada sua espada... Mojubá Exu ! Foi uma noite inesquecível...
Percebi depois de um tempo, que havia nascido de verdade, que vivendo tudo o que vivi passava por um processo de reajuste e burilamento, minha vida de fato havia começado.
 Em 09 de julho 1994 fui iniciado num rito realizado no Templo da Chebl Massud e a partir daí deixei de usar o “apelido” de Silvio, passando a usar meu verdadeiro nome: Aramaty.
Recebi a Cruz do compromisso, da lealdade e principalmente do respeito por quem, por misericórdia, colocava suas mãos sobre meu Ori.
Em maio de 1998 recebi e incumbência sacerdotal de conduzir, como preposto, o Templo da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino na cidade de Campinas. Foram exatos 4 anos. Neste período muito trabalho foi desenvolvido muitas lutas travadas, fiz amigos, muitas realizações efetivadas, comecei a entender o que Mestre Arhapiagha me dizia: “Meu filho o dia que tiveres seus filhos você irá entender...”.
Em março de 2002, no final de um rito interno, numa quarta feira, Mestre Arhapiagha me chamou e disse que eu deveria assumir o comando do templo da OICD no Distrito Federal, pois tinha lá uma missão a cumprir, missão esta que estou cumprindo.
De lá para cá muitas coisas foram construídas e realizadas, muitas lutas, muitas... Assim até hoje permaneço como sacerdote do templo da OICD no Distrito Federal.
Muito mais poderia escrever, e para isso teria que dividir em capítulos minha trajetória, pois são infindáveis os momentos em que ao lado de meu Mestre pude aprender, por meio de suas ações e realizações.
         Hoje, aos 52 anos,  constato e repito o que disse no inicio, a relevância do reencontro com Mestre Arhapiagha, o quanto isso fez diferença em minha vida. Alguns a esta altura podem não compreender minhas palavras, especialmente os que não encontraram ainda um Mestre que os arrebate da mesmice, que os coloque no caminho e que acima de tudo os ensine, com seu exemplo, a serem livres e felizes.
Aos que me lêem e são filhos, jamais esqueçam daquele que um dia colocou sua mão em seu Ori. A escolha foi nossa e a misericórdia foi dele. Negar isso é negar a própria história e existência, é negar a si mesmo.
Agradeço a meu Mestre e amigo Yamunisiddha Arhapiagha, pela paciência, tolerância e pelos ensinamentos que me passou, passa e passará. Especialmente por ter me aceitado como seu discípulo. Se hoje consegui caminhar alguns passos em minha jornada e tenho este relato para compartilhar, devo a meu Mestre que me retirou da estagnação espiritual libertando-me das ilusões e dos apegos, me despertando de um sono profundo... 

 Sua Benção meu Pai! Vida Longa! Mais uma vez Obrigado!

         Brasília, 18 de junho de 2012

Aramaty  - Silvio L. R. Garcez
            Discípulo de Mestre Arhapiagha – Pai Rivas     

PS: Segue abaixo algumas fotos e um pequeno vídeo do templo da OICD-DF em Brasília que ilustram o trabalho que realizamos, fruto desta vivencia com Mestre Arhapiagha.  









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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Vertente estrutural nas Religiões afro-brasileiras




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Publicação 261


segunda-feira, 11 de junho de 2012

TRADIÇÃO MANIFESTADA NO LIVRO:

Escolas das Religiões Afro-brasileiras – Tradição Oral e Diversidade

No último dia 01 de junho nosso livro Escolas das Religiões Afro-brasileiras – Tradição Oral e Diversidade foi lançado pela Arché Editora no Palácio do Centro Histórico da cidade de São Luís do Maranhão.
Tivemos a honra de lançar o livro junto com outras obras escolhidas pela Comissão Científica da Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR). Esta associação realizou na Universidade Federal do Maranhão entre os dias 28 e 02 de junho o XIII Simpósio Nacional “Carisma e poder: as formas da vida religiosa no Brasil” apresentando discussões sobre religiões, poder, diversidade, etnicidade entre outras.
Alguns professores da Faculdade de Teologia Umbandista também marcaram presença apresentando trabalhos científicos que foram resultados de seus esforços em defender, divulgar e discutir a Teologia das Religiões Afro-brasileiras na academia. Ficamos muito contentes em saber que acadêmicos de várias universidades do país já conheciam a FTU e gostariam de participar das nossas discussões, que não são “nossas”, mas de toda a comunidade brasileira, acadêmica, religiosa e civil como um todo.
Escolas das Religiões Afro-brasileiras – Tradição Oral e Diversidade - é uma coletânea de textos escolhidos escritos ao longo de alguns anos de observação e práticas de terreiro. Foi então, a partir da nossa vivência de terreiro (que agrega ampla gama de rituais de matriz africana, ameríndia e indo-europeia) e observando atentamente todos os processos a ela ligados (espirituais, culturais, sociais, psíquicos) que sentimos a necessidade de sistematizar (não engessar) em um conceito o que encontramos nas religiões afro-brasileiras.
A abordagem do conceito de Escolas valoriza todas as múltiplas formas de se vivenciar e praticar as religiões afro-brasileiras. “Escola” pressupõe fundamentos que são transmitidos de pai/mãe espiritual para filho(a) de santo em uma relação de oralidade e de experiências vivenciadas, não adquiridas em livros técnicos. O “conhecimento de santo” só existe vivenciando-o, respirando e trocando o axé em sua comunidade. Mas só isto não define uma Escola. É preciso, portanto, uma Epistemologia (um corpo de fundamentos), um Método (a abordagem ritual escolhida) e uma Ética (forma de vivenciar a Tradição).
Claro que o livro não esgota a temática em torno do conceito de Escolas das Religiões Afro-brasileiras, ao contrário, foi a primeira de outras obras que esperamos lançar que enfatiza e valoriza a diversidade das práticas rituais afro-brasileiras. Nosso próximo trabalho é sobre Etnomedicina nas Religiões Afro-brasileiras, cujo conteúdo pretende apresentar a relação entre Mente – Sagrado – Espiritualidade – Cura  e Autocura. Axé!
Os livros lançados em São Luís foram esgotados. A primeira reimpressão já se encontra no prelo e, em breve, anunciaremos no blog o local e data do lançamento em São Paulo. Aos seguidores e amigos do blog que desejarem reservar seu livro disponibilizamos o email abaixo como forma de estabelecer um canal com a editora:

"Escolas das Religiões Afro-brasileiras - Tradição Oral ... on Twitpic


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Publicação 260

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Astral é um só!

Dando sequência lógica à última publicação, novamente passamos a pena para o nosso filho de santo João Luiz Carneiro (Yabauara) que relatará sobre outras nuances dos Tambores de Mina maranhenses e as relações com a nossa Tradição. Axé!

O Astral é um só!
Aranauan, Saravá, Axé!

Em textos recentes comentei sobre a vivência na minha raiz de várias formas de pensar e experenciar o Sagrado nas Religiões Afro-brasileiras e, em especial, o Tambor de Mina. Mais do que falar sobre, pisei em um Terreiro de Mina tradicional no Maranhão, assistindo, interagindo e vivenciando este ritual maravilhoso.

Ainda evocando o que já escrevi, consegui ter uma terceira percepção além do pesquisador acadêmico ou religioso de outro terreiro. Dito de outra forma, realmente me senti um “mineiro”, como se fala no jargão. Esta identidade não foi criada hoje. Está profundamente relacionada com o Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras. Por este motivo, gostaria de comentar umpouco desta minha experiência especificamente com esta casa do Pai Rivas.

Faz alguns anos que pisei pela primeira vez no Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras, casa de Iniciação onde sãoritualizados vários ritos da nossa Tradição, inclusive o Tambor de Mina.

Pois bem, neste primeiro contato com o Centro de Cultura senti o que todo mundo sente. Curiosidade com o novo, odesconhecido. Uma profusão de símbolos que me traziam paz, felicidade, mas que ao certo não conhecia seus reais significados. Aliás, Pai Rivas sempre abrira o Centro de Cultura para que vários filhos seus, adeptos de outros terreiros, acadêmicos, consulentes, enfim a sociedade geral o conhecesse. Igualmente muitos destes citados lá pisaram e nada compreenderam. Mas oAstral é sábio e, de uma forma ou outra, dá o tempo necessário para que todos encontrem os seus caminhos.

Meu Pai deu a oportunidade de continuar frequentando o Centro de Cultura e, anos depois, participar ativamente dos seus vários ritos ao lado de vários irmãos de santo que perceberam a importância, seriedade e profundidade desta proposta espiritual. Claro que alguns não entenderam, mas sabemos que assumir o estilo de vida do povo de santo não é fácil. Não cabe preconceito, elitismo ou desigualdades de qualquer ordem.

Continuando, vi e vivi os Mestres, Caboclos, Encantados, Exus,Voduns, Inkices, Orixás, enfim a diversidade de Ancestrais e do panteão de Deuses Afro-brasileiros. Foi esta diversidade que vivi também no Tambor de Mina em terras maranhenses. Afinal eles fazem as ladainhas católicas, em latim inclusive, cantam para Vodum, cantam para Orixá, cantam para Caboclo. Louvam os Ancestrais!

Fico me perguntando onde está a pureza doutrinária e ritualística que tantos acadêmicos ou religiosos ortodoxos evocam e que não se faz presente nas casas mais tradicionais das Religiões Afro-brasileiras. Aliás, as semelhanças não param por aí.

Por exemplo, abaixo coloco uma foto onde lado-alado estão: médium do tambor de Mina saindo do transe e Mestre Canindé acostado no Pai Rivas cessando o transe de uma filha de santo no Centro de Cultura Viva.


O cessar do transe por meio da toalha. Terreiros diferentes, ... on Twitpic 

Obs: Foto disponível também em - http://twitpic.com/9sj7zv

Observem  que ambos utilizam o mesmo elemento: a toalha branca. A dinâmica rito-litúrgica também é idêntica. Final do rito; ambos realizando o procedimento próximo dos tambores/abatás; postura dos médiuns (ligeiramente curvados) e voltados para ocentro da roda... Este registro fotográfico comparado é apenas uma das várias formas de demonstrar o que expus.

Se para mim foi motivo de agradável surpresa, para o Astral e estes sacerdotes, tenho certeza, é algo natural. No espiritual nãoexiste cizânias, desigualdades. Existem sim expressões diversas de uma mesma Espiritualidade.

Ps: O pano utilizado no Centro de Cultura não é pano-da-costa, mas a professora Mundicarmo Ferretti comentara conosco que em sua etnografia verificou que as casas mais antigas utilizavam o pano branco liso. O pano-da-costa é um elemento mais recente no Tambor de Mina, atualmente utilizado em larga escala.

Aranauan, Saravá, Axé,
Yabauara (João Luiz Carneiro)
Discípulo de Mestre Arhapiagha (Pai Rivas)
(03-06-2012) 

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Publicação 259

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Vivenciando o Tambor de Mina: O (re)encontro!

Aproveitamos a publicação de hoje para transmitir as palavras de nosso filho de santo João Luiz Carneiro (Yabauara) sobre sua importante vivência acadêmica e religiosa em São Luís - MA no XIII Simpósio da ABHR e nos Tambores de Mina maranhenses. Axé!


Vivenciando o Tambor de Mina: O (re)encontro!

Aranauan, Saravá, Axé!

Esta semana estive em São Luís (Maranhão) para participar do XIII Simpósio Nacional da ABHR (Associação Brasileira de História da Religião). Foi um momento muito importante, pois conseguimos mostrar a força da Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras e trocar muitas experiências com os principais nomes da Academia que pesquisam a nossa tradição religiosa.

Uma destas referências são os professores Sérgio e Mundicarmo Ferretti, os quais nutrimos uma verdadeira amizade consolidada na vinda deles à FTU para participar do Congresso do ano passado e que foi renovada nesta minha ida ao Maranhão. Pois bem, estes queridos amigos convidaram-me para conhecer dois terreiros de Tambor de Mina e prontamente os acompanhei rumo às Religiões Afro-maranhenses.

Devido à minha condição de adepto e pesquisador das Religiões Afro-brasileiras, meu interesse foi duplamente satisfeito. Tanto conheci uma nova Escola Afro-brasileira, o Tambor de Mina, enriquecendo minha vivência acadêmica como conheci o povo de santo daquela região, ampliada pela prazerosa sensação de sentir os Voduns e Caboclos que chegaram no terreiro. Se esta dupla condição eu devo ao convite que recebi dos professores Ferretti, a terceira e mais profunda que relatarei agora devo ao meu Pai Espiritual. Explico-me.

Ao tomar contato com a rito-liturgia vivenciando o Astral das casas de mina, observei e senti a mesma Tradição da minha Casa de Iniciação. Desde elementos simples como roupas, passando pelos cânticos sagrados, a forma de transe mediúnico, até a similitude dos Guias propriamente dita. É uma coisa maravilhosa não pela diferença (que de fato existe entre os terreiros e não quero negá-la), mas pelas inúmeras semelhanças. Esta sensação de estar lá, mas me sentir em casa, o respeito e abertura ao culto de outros terreiros eliminando o ignorante e etnocêntrico preconceito, bem como conhecer pela prática os símbolos e significados do Tambor de Mina, devo à minha Raiz, logo ao Pai Rivas.

Quem me acompanha no Facebook e frequenta os terreiros do pai Rivas já deve ter visto as fotos onde registro algum destes momentos no Tambor de Mina. Os fatos, ou melhor, as fotos falam por si só. O conceito de Escolas não é apenas uma teoria inteligente, mas a concretização de uma prática oriunda de um sacerdote que efetivamente passara por estas várias Escolas e está conectado com o Astral das Religiões Afro-brasileiras sem exclusivismos, sem elitismos, sem misoneísmos, apenas o Astral Superior. Tão simples quanto complexo.

E deixa a Gira girar! 

Aranauan, Saravá, Axé,
Yabauara (João Luiz Carneiro)
Discípulo de Mestre Arhapiagha (Pai Rivas)
(01-06-2012)

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 258