segunda-feira, 30 de abril de 2012

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

ENCANTARIA DOS CURANDEIROS

A encantaria, com sua rica e diversa liturgia, proporciona uma viagem ao interior profundo (imaginário) do indivíduo relacionando-o com o mundo invisível presente na dimensão oculta da natureza – A natura naturandis.
Sim, há os reinos ou cidades invisíveis em nossa dimensão, mas plenos de existência e “vida” constantemente repaginados em sítios “subaquáticos” (mar, rios, lagos), subterrâneos (cidades sob a terra, cavernas ou aberturas), aéreos ou eólicos (sobre as copas das árvores gigantes – de 5m ou mais), por dentro das pedreiras e cachoeiras, etc.
Os encantados tomam corpo e desenvolvem vários enredos por intermédio de vários rituais “encantados flechador” (tatu, jacarés, peixes, onças), “curador” (mestres que atuaram principalmente como líderes de suas comunidades, nas funções de “médicos ou curadores do mato”) e cientistas da macaia (magos e xamãs).
Estas entidades de reinos e cidades míticas, encantadas, são frutos da imensa sabedoria das religiões afro-brasileiras, onde se corrige, se promove justiça a várias populações deserdadas ou não dos bens econômicos e sociais, mas principalmente, aos sofredores de todos os matizes que invariavelmente encontram razão de vida e existência feliz com qualidade de vida melhorada efetivamente, quando se encantam com os encantados de todas as religiões afro-brasileiras.
Por isso e por tudo que nos ofertam em dádivas e benesses de várias dimensões, agradecemos as bênçãos de ter nascido e estar vivenciando as religiões afro-brasileiras e todos os seus encantos, de tantas realidades e realizações proporcionadas pelos: Orixá, Vodum, Inkisse, Caboclo, e todos os encantados sejam de onde forem seus “encantes”.
Salve, salve! Axé!
Nesta publicação disponibilizamos álbum de fotos de mais um Toque de Encantados da nossa Comunidade Terreiro - Casa de Fundamentos do Caboclo Urubatão da Guia, para que todos possam robustecer o quadro mental pelo texto acima observando e concluindo da importância e necessidade dos Encantados em nossa vida tão desencontrada e desencantada. Felizmente, com eles nos encontramos e ficamos, para sempre, “encantados”. Axé!



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 248

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Religiões Afro-brasileiras

Introdução às discussões teológicas sobre a Divindade
         
Nos últimos textos nos ativemos à Divindade Suprema, ao Universo e aos Seres Espirituais. Como Puro Espírito entendemos o Espírito em sua “natureza” espiritual, isento de veículos de manifestação, sejam eles tempo, espaço, matéria e energia. Sim, o Espírito desnudo na Eternidade, sendo seu domínio o Vazio, a imutabilidade, a adimensionalidade e a infinitude.
Iniciemos respeitosamente nossas considerações sobre a Divindade que muitos denominam Deus. O Supremo Espírito para muitos é tido como Onisciente (Sabedoria Total), Onipotente (Todo Poderoso) e Onisciente (Presença Total), sendo pois, infinitamente Bom, Sábio, Poderoso, Justo, Misericordioso e todos os demais atributos que os homens tem como modelos de excelência.
Entende-se também que o Supremo Espírito estendeu seu poder criando todas as criaturas, sendo o “homem criado à sua imagem e semelhança”. É o senhor de Tudo, é o senhor do Nada. É o senhor de todas as realidades por nós conhecidas e desconhecidas.
Afirma-se que Ele domina e dirige tudo. Como Tudo se entende todos os Espíritos, a Substância primeva geradora da matéria/energia, o espaço cósmico, a Eternidade.
As várias Religiões Afro-brasileiras entendem que, por intermédio de sua Suprema Vontade e de seu Supremo Poder Idealizador, Ele plasmou o “modelo” das formas para todos os Espíritos que desceram ao outro lado da “Casa do Pai”, isto é, desceram de seus planos virginais onde “habitavam” sem nenhum veículo que expressasse suas afinidades virginais. Frisamos que “desceram” do Cosmo Espiritual, onde”habitavam”, e só Eles “habitavam” (no Cosmo Espiritual não há interpenetração da substância primeva), para as regiões onde teria domínio a substância primeva que deu origem ao: espaço, tempo, matéria e energia em vários níveis de densidade (do sutilíssimo ao denso).
Ressalvam também que o Supremo Espírito é Eterno, indivisível, nunca tendo recebido sobre si qualquer agregação ou sopro-vibração de nenhum outro Ser ou não Ser ou Realidade. Disso depreende-se que Ele é o Incriado Absoluto (“ninguém o criou”).
Ressaltam que é no Cosmo Espiritual a 1ª Via de Evolução para todos os Espíritos. Nessa 1ª via afirmam que há “hierarquia”. É como se o “Pai”, o Supremo Espírito, estivesse para fora desse Cosmo Espiritual, mas atuante através de sua Onisciência, irradiada em forma de Onipresença, naquilo que denominam Hierarquia Virginal. Esses Espíritos de máximo poder nesse Cosmo Espiritual vibram em “Consciência”, como um Colegiado, com o Supremo Espírito, com seus Emissários Primevos – Orishás. Primeiro Elo entre Ele e as Hierarquias subsequentes é denominado de “Coroa Divina”.
Bem, acreditamos que, no concernente aos conceitos teológicos sobre a Divindade Suprema já é o suficiente para, respeitosamente, fazermos algumas perguntas e pontuarmos outras maneiras de enfocar a Divindade Suprema, o que faremos em nossa próxima publicação.
No próximo texto ou vídeo discutiremos questões metafísicas e filosóficas importantes, as quais, não pretendem se colidir com nenhuma outra, apenas apresentar considerações que deixaremos ao leitor decidir sobre a pertinência dos mesmos.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 247

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Religiões Afro-brasileiras - A Teologia da "criação"


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 246

quinta-feira, 19 de abril de 2012

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

VALORIZAÇÃO DA TRADIÇÃO SACERDOTAL
                            

A constante da Tradição Espiritual que carregamos por dentro das religiões afro-brasileiras/americanas é uma unidade aberta em construção ou que permite releituras, repaginações ou ser reinterpretada.
Nessa esteira nos aconselham os Ancestrais Ilustres (guias espirituais) que nos assistem que não é possível ler as obras que nos orientaram a escrita há mais de duas décadas, como se fosse uma mensagem única e fixa. Ela deve constantemente passar por releituras, repaginações e reinterpretações. Assim como todas as demais obras...
Isto é muito salutar no atual momento das religiões afro-brasileiras que têm buscado o respeito incondicional com as diferenças, com a diversidade. Há várias religiões afro-brasileiras que no passado tinham conceitos, inclusive sobre entidades espirituais, completamente antagônicos e hoje estão revendo tais conceitos.
Se na atualidade trabalhamos com o diálogo gestáltico é importante que se saliente o conceito de Escola, não como uma instituição de ensino formal, mas como uma forma de interpretar, identificar e praticar o Sagrado por dentro das religiões afro-brasileiras, conhecimento vivencial que só pode ser adquirido na prática de pai para filho espiritual. Não há, portanto, cursos iniciáticos que possibilitem isso.
Estes conceitos estão sendo por nós propugnados, falados e acima disto vivenciados desde o ano 2000, por isso, temos em nosso templo vários tipos de toques ou rituais que atendem ao escopo citado e como forma de união e renovação das práticas religiosas afro-brasileiras onde a competição do passado está sendo cambiada por cooperação e respeito incondicional à diversidade.
Foi com o mote da Tradição ser passada de pai para filho, na vivência do terreiro e valorizando o sacerdócio que criamos o primeiro e segundo Congresso Internacional de Sacerdotes e Sacerdotisas das Religiões afro-brasileiras/americanas. E deles surgiu o Fórum Internacional Permanente do respeito à diversidade das religiões afro-brasileiras/americanas que conta com a participação espontânea, em vídeo, na internet, de mais de 200 sacerdotes e sacerdotisas que esperamos sejam mais de 500 até o III Congresso datado para 27 de outubro de 2012.
Reafirmando esta proposta publicamos texto: Unidade das religiões afro-brasileiras/americanas manifestada na diversidade de rituais.
A UNIDADE DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS/AMERICANAS MANIFESTADA NA DIVERSIDADE DE RITUAIS
Um dos processos que contribuem para a Paz Mundial conforme aprendemos na Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino (Templo de Fundamentos), implica na reunião de todos os povos em torno de um conhecimento não fragmentário da Realidade, que compreende as realidades espiritual e material como uma só, sendo esta última a manifestação da primeira.
Sabemos que o conhecimento humano foi setorizado em quatro formas de se observar a realidade, a saber, a filosofia, a arte, a ciência e a religião. Percebemos que, embora os méritos de desenvolvimento desses quatro ramos do conhecimento sejam diferentes, seus objetos de estudo são o mesmo, qual seja a Realidade em seus aspectos concretos ou abstratos. Considerando que o homem contém em si tanto as realidades concretas como as abstratas, sendo ele o microcosmo que representa o macrocosmo. Em última análise podemos dizer que o objeto de estudo dos quatro pilares do conhecimento é o próprio homem e sua identidade com o cosmo.
O papel de nosso Templo de Fundamento, desde sua manifestação no plano Terra em 1970, assim como outros templos, é colaborar para a reversão do processo de fragmentação que ocasiona os conflitos internos (dilemas existenciais de cada indivíduo) e os conflitos externos ou sociais (guerras, desigualdades sociais e injustiças).
Em obediências às Confrarias Espirituais, nossa Casa de Fundamentos estabeleceu mais um marco dentro do processo de respeito incondicional às diferenças quando no dia 28 de julho de 2000 anunciou que, a partir de então, haveria vários ritos públicos. Esses toques ou ritos abrangem uma gama ampla de entendimento do Sagrado ou ângulos de interpretação, fazendo a reunião de praticamente todos os setores ou Escolas dentro das religiões afro-brasileiras.
Para demonstrar nossa proposição, basta observarmos os vários ritos desenvolvidos quinzenalmente, conforme o esquema abaixo:
Toque de Encantados (contato com os encantados ou encantarias várias promovendo a união com a pajelança, jurema, terecô, tambor de mina e outros)
Toque de Umbanda Traçada (influências evidentemente ameríndias e africanas, promovendo a união com os praticantes do culto omolocô, do candomblé de caboclo e todos os demais que fazem essas ligações)
Toque da Kimbanda (fortes vínculos com os exus que carregam toda a valência de sua função de ser elo de comunicação e transportador do axé)
Toque de Umbanda Mítica – Mista (influências regionais com a presença das entidades que se manifestam como caboclinhos, meninas das águas, marinheiros, boiadeiros, etc, fazendo o entrelaçamento étnico e dos sincretismos que surgiram dentro da Umbanda.
Toque de Umbanda Esotérica (aspectos iniciáticos da umbanda preconizados por Matta e Silva e sua linhagem)
Como podemos observar nos vários toques ou rituais existe uma ampla integração entre todas as Escolas ou setores das religiões afro-brasileiras, algo pioneiro e que promove o respeito incondicional às diferenças rituais, à diversidade. Isso só é possível pelo conhecimento que vivenciamos na prática sobre todos esses setores, nunca desdenhando de nenhum deles. Os vários ritos representam, exclusivamente, uma integração da visão regionalista sendo que todos são igualmente importantes e tem suas funções precípuas dentro da coletividade terrena.
Na maior parte dos templos, já existe uma compreensão mais ampla dos pontos em comum entre todos os setores das religiões afro-brasileiras. Nossa Casa de Fundamentos é capaz de realizar esta interação devido ao seu aprofundamento e visão aberta sobre as religiões afro-brasileiras.
Essa postura de vanguarda, que dividimos com todas as Escolas, permite a inclusão total e o respeito a todas as manifestações das religiões afro-brasileiras. Está claro agora que somente com esta compreensão aberta do Sagrado, desenvolvida por nós ao longo dos anos, é possível a integração com todos os setores. Axé!

Nota – Convite: Convidamos toda comunidade afro-brasileira e a sociedade como um todo para o Toque dos Encantados a ser realizado no dia 25 de abril às 21h no Templo da Rua Chebl Massud, 157. Água Funda.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 245

segunda-feira, 16 de abril de 2012

TEOLOGIA DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS


UNIVERSO CRIADO POR DEUS OU DEUSES


Neste texto tentaremos obter êxito na defesa que fizemos sobre a origem, existência do universo. Não se pode enfocar o problema tal qual faz o senso comum, sobre quem “surgiu primeiro”: o ovo ou a galinha.

Utilizamos alguns argumentos que são constituídos por declarações ou premissas que remetem à conclusão. Há regras simples mas, que devem ser mobilizadas para dizer se um argumento é verdadeiro ou falso. As premissas deverão obedecer a lógica formal e ao mesmo tempo serem verdadeiras.  Além do enumerado, é necessário reiterar que o argumento bom e sólido é aquele em que suas premissas são mais plausíveis do que suas negações.

Noutros textos onde se introduziu o tema Cosmologia-Criação, usamos como argumento básico: tudo que existe tem uma explicação para sua existência. Também expusemos que os números e outras entidades matemáticas existem na necessidade de sua própria existência. Seria impossível eles não existirem, são tidos como noções primitivas. Não há além deles algo que exista e não tenha causa. Existir, portanto, é sinônimo de ter causa.

Insistimos, e isto é fundamental nos aspectos filosóficos e metafísico-religiosos, que o universo possui uma explicação para sua existência, ele não é "autocausado".

O universo não sendo causado por ele mesmo, tem de ter uma explicação. Mas o universo não poderia ser a exceção, ou seja, não ter causa? Se tudo tem uma explicação para sua existência o mesmo tem de acontecer com o universo, pois como isentá-lo, fazê-lo exceção já que tudo que existe tem uma causa? O que existe é efeito da causa que o “criou”.

Há os que defendam não ter explicação para a existência do universo, pois uma explicação para o universo teria de ser algum estado anterior de propriedades nas quais ele ainda não existia. Antes de ele existir havia o Nada, mas o Nada não pode explicar nada ou pode?

Reafirmando, conceituamos o universo como toda realidade espaço-tempo (4 dimensões) e também a energia-matéria. Ao Nada associamos o poder divino – “Deus” (Imutabilidade/Adimensional/Eternidade).

No rigor filosófico não poderíamos dizer da existência de Deus, pois Ele estaria sujeito à finitude (transitório), mas para fins de entendimento prático, que se Deus “existe” a explicação para a existência Dele repousa na necessidade de sua “Própria Natureza”, uma vez que é impossível Deus ter uma causa (Princípio Divino). A explicação que demos é insuficiente, pois Deus em sua transcendência não pode sequer ser discutido, pois não temos condições cognitivas ou outras formas de entender a Eternidade, e tudo que viemos a falar é mera especulação metafísica. A conclusão deste texto está disponibilizada no vídeo abaixo: Deus - Orixás  criaram o universo?




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 244

quinta-feira, 12 de abril de 2012

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

 O MUNDO PODE TER SURGIDO DO NADA?


Tudo que esta no universo é plausível de ser explicado, tem uma causa. Sim, tudo que está no universo pode ser explicado, mas e o universo pode ser explicado? Qual a causa que deflagrou o universo?
Uma outra interrogação, talvez a mais essencial, é necessária: tudo que  existe tem uma causa? Se o universo existe, e parece que sim, deve ter uma causa! Satisfeitas as argumentações ou declarações de que o universo existe, qual sua causa?
Antes da resposta devemos lembrar que antes do universo, segundo a ciência, e isto também parece óbvio, não havia NADA, ou seja, não havia algo causado, (efeito), pois o nada não pode ser causa de alguma coisa, ou pode?
Robustecendo o quadro de questionamento, antes do surgimento do universo não havia aquilo que conhecemos como espaço/tempo, ou seja, não havia finitude, dimensionalidade, transitoriedade, mas havia o que? Nada do que conhecemos como as quatro dimensões (ou mais?): largura, comprimento, profundidade e tempo. Mas se não há a finitude e nem tempo, pode-se pensar na infinitude e na eternidade? Será que podemos pensar ou melhor imaginar naquilo que não conhecemos e nem temos condições de conhecer empiricamente? Vejamos!
O universo existe e antes dele nada existia, certo? Estaremos afirmando que ele existiu a partir do nada?  O nada pode ter causado o universo? Se o nada causou o universo ele pode causar outras coisas, mas ele tem causado outras coisas? Se a resposta for não, devemos pensar, ou melhor, procurar a resposta na Teologia, que além de crença, fé, rituais é também senso crítico.
Disse é também, mas com certeza não responderá se não estivermos “fundamentados” na crença da religião.
Na obra de nossa autoria Cura e Auto cura nas Religiões afro-brasileiras, comentamos a Cosmologia (criação) por intermédio de vários mitos que podem por meio de sua dimensão complementar a do logos, afirmar que o universo surgiu (cosmogênese) há 13,7 bilhões de anos, tal  qual afirma a astrofísica.
Observem que corroboramos com a ciência acadêmica, mesmo porque não podemos regredir a eventos passados infinitos (quando?!), ou seja, os eventos passados são finitos e, precisam ter um começo.
Assim justificamos, pois como pode ter eventos passados infinitos?  Simplesmente não podem, pois na eternidade não há espaço nem tempo, logo não há passado, presente e futuro. A eternidade não pode ter início (inicio do tempo que não existe) logo não pode ter fim, por isso que é eternidade.
Mas afinal, como surgiu o universo? Qual a sua causa primeva? O universo surgiu de acordo com o modelo do Big Bang.
As religiões afro-brasileiras explicam (algumas delas) que o Poder Volitivo dois Orishás, deu origem a “Pré-Energia” denominada Substância/Energia Escura, que ao condensar-se em um só ponto (Unidade Cosmológica inicial) deu origem a realidade finita do universo (espaço, tempo). Sim o Big Bang foi deflagrado a partir do “ovo primordial”. Com isto podemos afirmar que o universo obedece leis da termodinâmica (vide vídeo aula – Cosmologia – 2010), ou seja o universo já foi do tamanho de um ponto e ainda esta em expansão.
Aos cientistas que não desdenham das religiões e os que desdenham, sejam ou não cientistas, temos uma explicação oferecida pelas religiões afro-brasileiras, sobre a precedência dos Orishas (enviados do Deus Supremo) na cosmogênese, sendo, pois, segundo nossos fundamentos, os Senhores do Universo e de toda a criação. Axé!
Nota: Continuaremos a discussão na próxima publicação.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 243

segunda-feira, 9 de abril de 2012

FTU E CENTRO DE CULTURA VIVA DAS TRADIÇÕES AFRO-BRASILEIRAS NA ÓTICA DO PROF. VOLNEY BERKENBROCK


O processo de transformação da consciência ordinária e seus sentidos grosseiros (“ser do mundo”) em consciência iluminada e manifestação sublime (“estar no mundo”) deve ser a expectativa de todo ser humano, pois isso transforma o homem, sua humanidade, enfim, o mundo.
Nas religiões Afro-brasileiras esse processo é denominado de Iniciação, o qual permite conectar o homem com o universo interno e externo, neutralizando essa dualidade aparente. Apesar das várias formas de entendimento e práticas (vivência iniciática com o sacerdote) todas as religiões Afro-brasileiras tem como escopo elevar o nível consciencial de seus iniciados ou simples prosélitos, algo que acontece sem traumas e sem atropelar etapas que são vivenciadas pelo tempo. Não há atalhos, todavia isto não impede o marketing religioso, pois há quem acredite no menor esforço e, claro, na ineficiência.
Esta introdução deve-se ao excerto, recorte de texto que postarei do Prof. Dr. Volney Berkenbrock publicado na revista Atualização. Dr. Volney é um profundo estudioso da Teologia e das Ciências da Religião e um dos docentes do curso de pós-graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG-UFJF). Seu objeto de estudo, entre tantos outros, é o das religiões Afro-brasileiras, no qual tem promovido avanços consideráveis no âmbito da pesquisa e do magistério.
O artigo do iminente professor, no que tange ao excerto que postamos, deveu-se a uma palestra que ele proferiu na FTU e de sua visita que muito me honrou no Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras.
Quero realçar a fala do Prof. Volney, pois o mesmo em seu apostolado, como católico praticante, tem promovido, assim como outros, uma apologia do diálogo interreligioso como forma de um caminhar que proporcione paz, amizade e certeza da religião na vida hígida de todo ser humano.
Parabenizo o Prof Volney e todos os interessados na paz, por dentro das religiões, pois a elas, entre tantas tarefas, nenhuma é tão extremada em importância com a paz, que se desdobra na fé e em práticas vivas de amor e sabedoria. Vamos ao excerto! Boa leitura!
CONHECIMENTO TEOLÓGICO E EXPERIENCIA RELIGIOSA
A república brasileira foi proclamada e construída sob a égide da laicidade. Um dos grandes marcos disto foi justamente a separação entre Igreja e Estado. Até o fim da monarquia, o catolicismo era a religião oficial e o exercício de outros cultos eram apenas permitidos sob circunstâncias especiais. Se Igreja (e igrejas!) e Estado conseguem viver separados até hoje já é uma outra questão que não vem ao caso aqui discutir. Uma das marcas da constituição laica da república foi a construção do sistema de ensino em todos os seus níveis. E consequência disto foi, na constituição das diversas ciências que se transformavam em cursos superiores, a ausência da teologia. A república brasileira não reconheceu a teologia como ciência a receber o status de faculdade.
Os cursos de teologia em todo o país, ligados as instituições religiosas, mesmo que realizado com todas as exigências de cursos superiores, não recebiam a chancela pública da faculdade. Isto é de estranhar especialmente pelo fato de nossas faculdades e universidades terem se inspirado enormemente nos sistemas europeus e nelas ter se pós-graduado inclusive boa parte da elite acadêmica do Brasil. Na maior parte da Europa, a teologia é uma ciência reconhecida em faculdade há muitos séculos. E em não poucos casos, o curso de teologia contribuiu inclusive para a própria constituição das universidades. Mas no Brasil, uma certa ideia de laicidade do Estado mantinha o curso de teologia sem reconhecimento oficial como curso de nível superior. Isto mudou há um pouco mais de uma década. A possibilidade de mudança ocorreu através da aprovação por parte do Conselho Nacional de Educação Superior do Parecer CES 241/99, de 15 de março de 1999 que, embora mantenha clara a separação entre Igreja e Estado, permitia o reconhecimento no Brasil, sob algumas condições específicas, do bacharelado em Teologia. Embora o ministro da Educação tenha titubeado em homologar o parecer e fazê-lo publicar no Diário Oficial da União, isto acabou ocorrendo no dia 15 de julho do mesmo ano*. Muitas instituições de denominações cristãs diversas que mantinham cursos de teologia entraram com pedido de reconhecimento e receberam a autorização para tanto. Neste meio tempo, já são algumas dezenas de cursos de teologia funcionando com status de curso superior autorizado e/ou reconhecido pelo Ministério da Educação. Dentre estes, um curso autorizado – um único até agora – não é de tradição cristã. Trata-se da FTU – Faculdade de Teologia Umbandista. A faculdade foi fundada a partir da atividade religiosa e de pesquisa desenvolvida há muito anos por Francisco Rivas Neto (Pai Rivas) em São Paulo. Após ter tido contatos via e-mail com as pessoas desta instituição, tive a oportunidade de visitá-los e ter sido acolhido com uma generosidade e abertura ímpar. Francisco Rivas Neto (Pai Rivas) e Maria Elise Rivas (Sacerdotisa Yamaracyê) mostraram-me a FTU e o Centro de Cultura, dispuseram de tempo generoso para conversas e, sobretudo me senti incluído com a maior naturalidade naquele centro de estudos. Das muitas coisas que me levaram a refletir naquele diálogo, duas marcaram-me profundamente e sobre elas teço alguns comentários.
A TEOLOGIA COMO “ATO SEGUNDO”: A FÉ COMO FUNDAMENTO DA TEOLOGIA
A discussão sobre a ciência teológica é longa e interessante. Qual é a base do conhecimento teológico? De onde nasce a teologia? Qual o seu método de conhecimento? O grande mestre no Brasil desta questão é Clodovis Boff com o seu livro clássico “Teoria do Método Teológico”. Respondendo à questão de como nasce concretamente a teologia, Clodovis Boff afirma: “A pessoa de fé quer naturalmente saber o que é mesmo aquilo que acredita, se é verdade ou não. Quer saber também o que implica tudo aquilo em sua vida concreta e em seu destino. É que a fé tem isso dentro dela: a curiosidade. Ela quer saber de si mesma. É possuída por um dinamismo interno que a leva a se autocomprometer. Tal é a definição clássica da teologia: fides quaerens intellectum ( a fé buscando entender). É a expressão, já clássica de Sto. Anselmo (+1109). Significa: a fé é desejosa de saber. Ela busca luz”**. A teologia é, portanto, um “ato segundo” é a fé. A fé é o fundamento, o pressuposto da teologia. Teologia só é possível a partir de uma realidade: a realidade da fé. Não se trata aqui necessariamente da fé particular de quem faz teologia (a fé do teólogo), mas a realidade da fé como apriori teológico. A tradição teológica cristã, especialmente a católica que conheço, é bastante longa e tem muitos (e muitos!) escritos e mestres. Todos estes escritos e mestres são importantes para a teologia. Esta tradição carrega consigo, porém o perigo – e talvez mais que perigo, a tentação – de fazer teologia a partir da teologia, esquecendo ou deixando um tanto de lado a fé como fundamento da teologia.Talvez pelo fato de a FTU não ter a obrigação de carregar consigo uma longa tradição  acadêmica e seus escritos, senti ali uma proximidade muito consciente entre o estudo acadêmico e a experiência de fé. O próprio espaço de funcionamento do curso é uma feliz simbiose entre espaços de estudo e espaços de experiência religiosa. Os limites entre academia e templo são muito tênues, proporcionando aos estudantes – assim tive a impressão – uma permanente memória visual e simbólica do “ato primeiro” da teologia. O conhecimento advindo da experiência de fé não tenha (mais) talvez na tradição teológica cristã a importância que deveria ter. Não quero aqui fazer comparações simplistas entre a teologia feita na academia cristã que conheço e a teologia feita na FTU e dizer que esta ou aquela tem vantagens ou desvantagens. Mas o diálogo na FTU me levou a refletir sobre a afirmação de que a teologia é ato segundo em relação à fé, afirmação esta que eu mesmo já fiz diversas vezes ao lecionar teologia fundamental aos meus alunos.
A visita e o diálogo na FTU chamou-me isto novamente à consciência e de maneira que não poderia deixar de notar como fruto do diálogo inter-religioso.
O CENTRO DE CULTURA: O CULTIVO RELIGIOSO VIVO
Na visita à FTU, fui convidado a visitar também o centro de cultura mantido pela instituição, chamado ali de “Centro de Cultura Viva”. Disseram-me se tratar de um centro onde estavam reunidos elementos oriundos das muitas tradições religiosas afro-brasileiras. E assim é: um centro que reúne objetos, estética, instalações, elementos da grande diversidade das tradições religiosas afro-brasileiras. Inicialmente imaginei tratar-se de uma espécie de “museu”. Esta impressão passou logo quando iniciei a visita. Acompanhado de Pai Rivas, ciceroneados por uma guia, eu e muitas outras pessoas (grande parte alunos da FTU) fomos adentrando os diversos espaços que se nos apresentavam com músicas, gestos, danças, bebidas, ritos e passos de cada tradição. Entendi ali que o termo cultura não era usado de forma estática, mas no sentido de cultivar (ou cultuar). Estávamos num centro de “cultivo” das tradições afro-brasileiras, não olhando de fora os elementos, mas tentando nos colocar no sentimento religioso que cada qual emana. Fui informado que todas as semanas os alunos da FTU podem se dirigir ao centro de cultura e tomar parte destes rituais como atividade integrante (mesmo que não obrigatória) da atividade teológica. Lembrei-me da definição de sentido de P. Verger: “sentido é a consciência de que existe uma relação entre as experiências. ¹¹. A construção de sentido religioso ali dada era conduzida pela ideia da experiência religiosa. Em cada passo dado (e sentido, pois a caminhada se faz descalça) no centro de cultura, em cada música entoada, em cada instrumento tocado, em cada ritmo dançado, em cada gesto feito, construiu-se em mim um pequeno sistema de sentido. Experimentei isto como mais uma forma de diálogo inter-religioso: a possibilidade de se construir pequenos sistemas de sentido, dentro do qual nos entendemos com as pessoas que dele participam. E este sentido não precisa ser de totalidade, nem precisa explicar o mundo todo. Mas se conseguir criar espaços onde se pode, por alguns momentos caminhar juntos, este terá sido um momento de diálogo. Depois de algumas horas de participação neste “centro de cultura viva” tanto visitando ritualmente os diversos ambientes, como numa relativamente longa conversa com Pai Rivas, despedimo-nos e voltei para casa. Fiquei pensando num aspecto do diálogo inter-religioso: o de criar espaços onde e pode dar alguns passos em conjunto. Não penso que o diálogo inter-religioso tenha a obrigação de superar   as diferenças, pois a alteridade religiosa é irredutível. Mas ao mesmo tempo, o diálogo é possibilitado por estarmos de algum modo em um espaço comum, onde podemos dar alguns passos em conjunto. E esta experiência tive no “centro de cultura viva”.

O recorte é do artigo “Diálogos com o Candomblé e a Umbanda” de BERKENBROCK, Volney J., constante da Revista Atualização - Diálogo inter-religioso –Ano XLI, NN 348 e 349; jan.-abr-2011, paginas 207-211.

Prof. Dr. Volney J. Berkenbrock  é Doutor pela Rheinische Friedrich-Wilhelm Universität Bonn na Alemanha e professor do Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG).

*. Para entender melhor todo este processo de reconhecimento da teologia como saber universitário no Brasil, veja:P.F.CARNEIRO DE ANDRADE, O reconhecimento da teologia como saber universitário: tensões e articulações entre as dimensões confessional e profissional “ in A.M.L.SOARES & J. PASSOS (orgs.), Teologia pública, São Paulo: Paulinas, 2011, pp.21-36.
**. C.BOFF, Teoria do Método Teológico, Petrópolis: Vozes, 1998, p. 25 e  P.BERGER, T.LUCKMANN, Modernidade, Pluralismo e Crise de Sentido:,Petrópolis: Vozes, 2004,p.15


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 242

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A RELIGIÃO NA PERSPECTIVA DE FREUD



Para o grande cientista e médico vienense Freud – o Pai da psicanálise - “as ideias religiosas são ilusões, realizações dos mais antigos, fortes e prementes desejos da humanidade” (The future of an Illusion).
Na verdade ele ia mais longe, pois interpretava a crença em Deus como uma reação do reconhecimento do desamparo humano.
Essa reação por sua vez, deveu-se a aterrorizante impressão de desamparo na infância que despertou a necessidade de proteção – de proteção pelo amor – que foi fornecida pelo pai, e o reconhecimento de que esse desamparo dura por toda a vida tornou necessário ligar-se a existência de um pai, desta vez, porém, de um pai mais poderoso – Deus.
Para alguns sacerdotes, e me incluo entre eles, e muitos teólogos afirmam que a atitude de Freud para com a religião era com a forma religiosa e nunca com a essência e o valor inestimável da religião no psiquismo e no comportamento do ser humano.
Importante salientar, inclusive, que desde a época de Freud, a psicanálise tornou-se cada vez mais voltada para a mãe e os novos teólogos ocuparam-se em eliminar (tentaram) a ideia de um Deus “lá em cima”, por conseguinte, é difícil avaliar a pertinência dos trabalhos de Freud quanto ao cenário religioso contemporâneo.
No que se refere às práticas religiosas - ações obsessivas para ele – escreveu que “em vista dessas semelhanças e analogias, poderíamos aventurar-nos a encarar a neurose obsessiva como o correspondente patológico da formação de uma religião, descrever essa neurose como uma religiosidade individual e a religião como uma neurose obsessiva universal”.
Freud não só alardeou o ateísmo como fê-lo grassar como uma patologia, a neurose obsessiva universal. Guardando as devidas proporções ele repetiu os romanos em relação aos cristãos. Os primeiros cristãos foram chamados de ateus porque negavam a existência das divindades romanas. Enfim o ateísmo para ambos, romanos e Freud, foi utilizado como sendo uma ofensa às posições “religiosas e científicas” de seus opositores.
Ao citar Freud, o fiz pelo seu prestigio e inegável contribuição à Ciência da Mente, todavia não concordo com suas premissas sobre a religião e muito menos, embora respeite, e a de tantos outros críticos que surgiram no decorrer da história.
A difusão da descrença em Deus ou nas religiões se demora no ocidente, de há muito, por dentro da história. Não se pode negar o ranço ao teísmo de um Holbach e Diderot. Outros como Voltarie, o existencialista Jean Paul Sartre, Upton Sinclair entre outros em várias épocas.  Que dizer de Nietzsche, Feuerbach, Schopenhauer, Marx, Russel e o próprio Freud sobre o qual vimos a descrença que possuía em relação a religião, tomando como neurose a religiosidade individual. A neurose obsessiva universal associava à religião.
Quais os motivos de tantos filósofos, cientistas e intelectuais consagrados aderirem ao ateísmo?
Muitos seriam os motivos, mas os mais significativos seriam os da religião impedir o avanço das ciências. Alguns citam que é inaceitável o design inteligente. Outros mais afirmam que atributos como Onisciência, Onipotência, são incompreensíveis à mente humana (confesso, que para mim também, reles mortal).
Há ateus passivos e ateus ativos e ambos descreem dos atributos tidos como divinos, pois o homem não tem condições de emitir juízo de algo que não conhece e é completamente despreparado para fazê-lo, como por exemplo, mais uma vez a Onisciência, Onipotência e Onipresença. Há quem diga que o conceito de Deus é inconsistente, pois como um Deus Onisciente pode ser ao mesmo tempo Todo Bondade, da mesma forma Ele não possui corpo, portanto não é Onisciente.
 E o problema do mal? Por que há o mal sendo Deus Onisciente, Onipotente? Segundo os ateus isso é prova inconteste da inexistência de Deus. Os argumentos são sinceros e merecem respeito, mas com os quais discordo. Discordo, pois a visão que tenho de Deus não coincide com a decantada por eles e por tantos outros que sem se importar com a descrença que geram estão a vociferar “fatores Deus”, mundo a fora.
Encerrando nos próximos textos (não obrigatoriamente a próxima postagem) explicitaremos como as várias religiões afro-brasileiras entendem, louvam e fazem grassar Olodumare (Ketu), Zamby ou Zamby Apongo (Angola), Tupan (matriz indígena). Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 241

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Religiões afro-brasileiras rediscutindo o ateísmo


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 240