segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Religiões Afro-brasileiras reatualizando o destino


Temos reforçado em nossas últimas publicações o compromisso das religiões afro-brasileiras com a comunidade do santo e com a sociedade civil. Tal compromisso é alicerçado nas várias ações espalhadas pelos estados brasileiros e coordenadas pelos pais e mães de santo de todo o Brasil.
Nossa casa de fundamentos também está fortemente engajada neste processo e funda seu compromisso a partir de duas principais vertentes. A primeira, a Faculdade de Teologia Umbandista, instituição de ensino superior que procura resgatar o senso de pertença, identidade e, acima de tudo, dar visibilidade e promover a isonomia das religiões afro-brasileiras perante outras religiões e teologias. Em outras publicações discutimos a questão do poder sob vários aspectos. Nosso empenho segue no sentido de diminuir as desigualdades impostas em nossa sociedade, já que a religião não assume um caráter escapista da realidade, ao contrário, está a todo momento interfaceando com várias esferas da vida social. Portanto, com a criação da FTU, pretendemos diminuir as desigualdades que em âmbito político, geram fortes e fracos; em âmbito econômico, ricos e pobres e, finalmente, em âmbito ideológico, sábios e ignorantes.
A segunda vertente, é a realização de vários toques de fundamentos, nos quais cumprimos a tarefa espiritual de nossa raiz e valorizamos o corpus de fundamento dos sacerdotes e sacerdotisas afro-brasileiras. Acreditamos que aliar as duas práticas não é uma tarefa fácil, mas em nome da dignidade religiosa afro-brasileira levamos avante tal compromisso.
No último dia 20 de dezembro realizamos mais um desses toques. A função deste, particularmente, era de sacralizar e construir o ori coletivo. Isso foi feito a partir da reatualização dos mitos. Estes, como uma ciência concreta, possuem a função de recontar a história da nossa ancestralidade. Todos os rituais, portanto, presentificam a história de nossa ancestralidade.
Outra função essencial vinculada a este toque foi a de restabelecer o equilíbrio biopsicossocial. Tal homeostasia é quebrada toda vez que corpo e pessoa se tornam instâncias fragmentadas. Corpo é a parte física, já a pessoa está envolta em vibrações mais sutis. A construção do ori coletivo e o consequente compartilhamento de axé possibilita um ajuste com o destino coletivo e individual propiciando saúde, que para nós, significa o bem estar biopsicossocial. Durante a construção do ritual utilizamos vários elementos minerais, vegetais e animais, todos eles portadores e veiculadores de axé e, consequentemente, potencializadores de saúde.
O toque foi realizado sob os auspícios de Baba Ori - Oxalá e Ya Ori - Yemanjá, Orixás que relacionam-se à cabeça e, portando, vinculam-se à criação e ao destino. Temos certeza que todos os toques das religiões afro-brasileiras visam proporcionar um contato com a ancestralidade. Este foi o nosso, fechando o ano dos trabalhos ritualísticos de nossa casa de fundamentos. Abaixo disponibilizamos fotos do toque que reproduzem minimamente o que foi vivenciado in loco.
Esperamos que todos vocês, leitores do blog, adeptos, simpatizantes, acadêmicos ou pais e mães de santo possam ter um feliz renascimento e um bom destino, de saúde, alegria e muito axé.






Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 316

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