segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Religiões Afro-brasileiras no censo 2010 pela visão de duas teólogas da FTU


Há mais de um ano o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vem publicando resultados dos dados colhidos no Censo 2010. Este trabalho é de suma importância e tem o objetivo de mapear o que ocorre com a população brasileira, seja no que se refere aos arranjos familiares, aos segmentos religiosos, aos dados sobre trabalho, violência entre tantos outros.
Um deles, por exemplo, diz respeito aos nossos indígenas que, hoje, somam apenas 896,9 mil, com 305 etnias e 274 idiomas. Esses números revelam quão ínfima é esta população se comparada a anos atrás.
Os dados sobre religião, logo que divulgados, foram foco de trabalhos acadêmicos de sociólogos, antropólogos e teólogos. Foi o caso de Maria Elise Rivas e Érica Jorge, duas teólogas com ênfase nas religiões afro-brasileiras formadas bacharéis na Faculdade de Teologia Umbandista em 2008.
As teólogas preocuparam-se em analisar quais as possíveis razões para explicar a manutenção do número de pessoas que se dizem vinculados às religiões afro-brasileiras. Tanto no censo de 2000 quanto em 2010 o número se manteve em 0,3% da população. Estagnação diria alguns sociólogos. Mas a proposta das teólogas foi mais desafiadora: o número indica uma mudança. Há dez anos atrás os sociólogos diziam que as religiões afro-brasileiras tendiam para sua quase escassez. Nesse sentido, a manutenção em 0,3% representa um avanço.
Pertencimento religioso, identidade étnica, pertencimento de grupo, dupla, tripla pertença religiosa, preconceito, repressão foram algumas das discussões levantadas e muito bem articuladas. Mas, as hipóteses mais contundentes levantadas pelas teólogas diz respeito à articulação das comunidades afro-brasileiras via mídia social e pela implementação da Faculdade de Teologia Umbandista, a qual promoveu um status diferenciado para os praticantes afro-brasileiros. Foi uma voz legitimadora e um caminho aberto pela Educação, muito mais nobre que qualquer embate religioso com outras vertentes, o que certamente acarretaria em enfraquecimento dos adeptos.
Assim, apresento o link abaixo do artigo produzido e que foi aceito para publicação em um periódico de uma instituição de ensino superior luterana. O aceite reforça a qualidade do trabalho, a importância da temática e, principalmente, o reconhecimento do trabalho que vem sendo construído por meio do saber teológico afro-brasileiro. Boa leitura a todos.
Axé!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 304

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