sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pronunciamento - Projeto de políticas nas Religiões afro-brasileiras


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 298

Um comentário:

  1. Excelente e elucidativo este pronunciamento de Pai Rivas Neto sobre política e espiritualidade.

    É excelente porque traz um tema que, a princípio, parece distante da espiritualidade, mas não está, conforme Pai Rivas expôs.

    É elucidativo porque esclarece como política e espiritualidade estão ligadas, uma vez que somos espíritos encarnados que vivemos em sociedade.

    Cada um de nós está desempenhando um papel na sociedade, é um “ator” social, estando numa ou noutra ponta da relação de poder, oprimido ou opressor. Na sociedade, é espantoso que existam pessoas obcecadas e viciadas em bens materiais, porém, mais assustador ainda são aquelas para as quais a riqueza e o acúmulo de bens já não são o importante; o “status” de detentor de poder e consumir, ter, comprar e manter o poder como se fosse uma mansão ou uma joia é o importante, numa sede insaciável... Temos vários exemplos de políticos brasileiros com este perfil, infelizmente...

    Se um “ator social” das religiões afro-brasileiras está, por diversas razões sociais, numa situação de detentor de poder, deve exercê-lo de forma participativa, justa e a favor da maioria, já que não deve crer no poder temporal, mas pode e deve usá-lo com ética espiritual e justiça social.

    Porque o exercício da justiça social é o mínimo que podem fazer aqueles que acreditam no mundo espiritual. Se todos nós somos igualmente espíritos, o primeiro passo para a justiça social é nós igualarmos como membros da sociedade planetária. É inconcebível crer na espiritualidade, mas defender ou propiciar uma sociedade classista ou de castas. Estive recentemente na Índia e percebi que estão num caminho muito equivocado; sua diversidade religiosa propicia e mantém uma sociedade de castas, desigual, injusta e mantenedora do poder na mão de poucos. Isso é incoerente com a igualdade espiritual que nos caracteriza como humanidade...

    Como afirmou Pai Rivas, devemos “(...) agregar nosso vontade política, política dentro da religião, para uma sociedade mais justa, para uma sociedade mais fraterna e para uma sociedade, segundo nossa visão de [Povo de] Santo, que se encaminha com mais justiça social”. Assim: “(...) a política, a sociedade, a espiritualidade e a sustentabilidade não podem estar separadas”.

    Vivekara

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