quinta-feira, 13 de setembro de 2012

FTU FAZENDO GRASSAR AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS



Pedimos aos amigos que acompanham nosso blog uma pequena licença para interromper a linha de pensamento que vínhamos traçando há algumas semanas sobre a visão de saúde e doença nas religiões afro-brasileiras. Tão importante quanto nossos apontamentos sobre essas questões é a notícia que vamos destacar nessa publicação.
Há vários anos a Faculdade de Teologia Umbandista vem participando de eventos acadêmicos de outras instituições além de organizar o congresso brasileiro das religiões afro-brasileiras que este ano completará sua quinta edição.
Inicialmente a trajetória trilhada pelos professores da FTU foi muito dura sendo que eles enfrentaram muita resistência não só acadêmica como do próprio universo religioso afro-brasileiro, mesmo que o discurso da diversidade religiosa se faça presente tanto na vertente acadêmica quanto religiosa. Felizmente, os anos passaram e o que poderia enfraquecer a luta pela visibilidade das religiões afro-brasileiras resultou em um processo contrário. Atualmente a Faculdade de Teologia Umbandista tem sido convidada a participar de eventos, não apenas como ouvinte, mas sobretudo, com poder de fala garantido.
Foi o que ocorreu no último dia 11 de setembro na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/Rio) no seminário intitulado O censo e as religiões no Brasil. Com uma programação bastante diversa o seminário propôs que algumas teologias abordassem os dados publicados no Censo 2010 sobre as religiões de forma a refletir sobre a noção do atual campo religioso brasileiro. Assim, a Faculdade de Teologia Umbandista foi convidada a falar sobre as religiões afro-brasileiras e foi representada pela sacerdotisa, teóloga (FTU/SP) e mestranda em Ciências da Religião (PUC/SP) Maria Elise Rivas.
A FTU ficou bastante honrada com o convite! A fala girou em torno dos dados trazidos pelo censo sobre a manutenção do número de 0,3% da população de adeptos afro-brasileiros, mesmo número de dez anos atrás. Assim, mais do que apresentar questões definidas, uma vez que o universo religioso é muito amplo e rotativo, e sabendo das dificuldades metodológicas do próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para traçar um quadro claro das religiões e seus adeptos, Maria Elise optou por apresentar hipóteses para a manutenção do número. Ao contrário de alguns sociólogos que consideraram este resultado um significado de perda de adeptos, a teóloga propôs uma interpretação que levasse em conta a mudança na forma com que as pessoas se autodonominam religiosamente e que, portanto, deve ser analisada em termos estruturais da história das religiões afro-brasileiras no Brasil.
Dois momentos são marcantes nessa história. O primeiro de marginalização, criminalização e repressão das práticas religiosas afro-brasileiras principalmente pelo discurso médico-jurídico, sendo que seus adeptos tinham medo de afirmarem-se com tais. E o segundo momento que aponta para uma inversão desse quadro onde a ideologia da diversidade religiosa principalmente nas sociedades “multirraciais” teve de ser reprensada. Assim, algumas questões entraram na análise como as estratégias históricas para sobrevivência dos rituais afro-brasileiras, a identidade dos mesmos e o senso de pertença.
Apresentamos abaixo algumas fotos e um trecho da fala da sacerdotisa e teóloga Maria Elise Rivas, bem como o link da programação do evento:

Vídeo da teóloga Maria Elise Rivas:


Fotos do evento: 






Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 287


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