quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A UNIDADE ORI-BARÁ-UMA VISÃO NÃO FRAGMENTÁRIA


As religiões afro-brasileiras possuem maneiras específicas de lidar com as questões relativas ao equilíbrio e desequilíbrio do indivíduo. Para melhor entendermos a perspectiva afro-brasileira convém destacarmos que acima de tudo elas não possuem uma visão fragmentária da realidade, ao contrário, compreendem a realidade espiritual e material como uma só, sendo esta última manifestação da primeira.
As doenças físicas são resultados da instabilidade, desequilíbrio e desarmonia do indivíduo consigo mesmo, com sua ancestralidade, com seus Orixás e, principalmente com seu Ori (destino). Nesse sentido, as doenças podem ser entendidas como a não percepção da integração do homem com ele próprio, com seus pares, com a natureza física e o sobrenatural.
Ao remontarmos a questão da não percepção do homem é importante pontuarmos que para as religiões afro-brasileiras os indivíduos sabem que estão vivos porque possuem o “exu no corpo” – princípio de individualização (Baraiye). Mencionamos na última publicação que no corpo físico a cabeça é a manifestação da mente e cada região está associada a um período de nossas vivências (passado, presente e futuro), ou seja, embora o Ori seja um só, temos em nós mesmos o passado, presente e futuro. Exu, o que dá o poder dinâmico da vida, é responsável por ajustar o trânsito do passado, presente e futuro com a finalidade de reuni-los, ou seja, ir ao encontro da Origem, ou, dos nossos Genitores Divinos, Orixás, Inkices e Voduns.
No painel das religiões afro-brasileiras, embora não se fale em mente e corpo, ao grassar a unidade Ori-Bará, reforça-se a não dualidade e também que a energia da mente não provém do corpo. Nós não saberíamos onde começa o Espírito e termina a matéria e vice-versa já que para as religiões afro-brasileiras, há planos de existência para uma mesma realidade (continuum).
Atualmente os processos mente-corpo vem sendo estudados de forma transversal pela psicologia, antropologia, neurociências, filosofia, em suas várias teorias e também por religiosos nas teorias ditas dualistas. A teoria relacionada com a ciência afirma que tudo provém do corpo, já as dualistas afirmam que a coisa mente é de uma substância diferente da coisa corpo. Nós não contrariamos as teorias, mas em nossas especulações afirmamos que não há dualidade. Para as religiões afro-brasileiras o corpo é manifestação da mente via sistema nervoso central onde o cérebro, embora seja um órgão nobre, é somente um instrumento (efeito) da mente (causa). Nas próximas publicações continuaremos as especulações aqui citadas. Axé! 


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 285

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