quinta-feira, 20 de setembro de 2012

A TRADIÇÃO VIVENCIADA E RENOVADA DIA-A-DIA


Transmissão de práticas, fundamentos e mesmo de valores espirituais de geração em geração é o que se denomina Tradição.
Possivelmente encontraremos outras definições como: transmissão oral de lendas, fatos; conhecimento ou prática resultante da transmissão oral, entre outros.
Nas Religiões Afro-brasileiras todas as formas citadas como sendo Tradição se entrelaçam e se complementam. Por dentro das Religiões Afro-brasileiras há várias Tradições, todas nobres em seus propósitos mas que precisam ser vivenciadas não só no terreiro mas na vida...
Para conhecer e viver a Tradição é necessário, antes de qualquer coisa, saber sua origem, memória e reatualização. Este conhecimento-vivência faz com que o indivíduo-pessoa entenda como funciona e qual o mote, o que propõe seu pai ou mãe de santo e sua Comunidade Terreiro.
Sim, em cada Tradição há uma memória (história) e origem, ambas constantemente reatualizadas. Em cada tempo há um detentor da “Coroa da Tradição” que é o transmissor dos fundamentos aprendidos e vivenciados em uma sequência de transmissão de pai/mãe para filho desde os tempos imemoriais. Isto equivale a pessoa (filho/a de santo) perceber e sentir-se parte desta Tradição, que de fato o é. A isto denominamos pertença.
É muito grave, falo pelo lado do sacerdote, do pai-de-santo, introduzir ou transmitir a Tradição a qualquer um, pois é um ato irrevogável. Mesmo que o pai/mãe de santo não desejasse não poderá dizer que este ou aquele não foi seu filho/a-de santo, pois foi algo concretizado na Ancestralidade. Se assim o fizer, estará infringindo a lei que rege sua raiz da qual é detentor, mas principalmente um guardião.
É óbvio que há exceções, mas aqui nos referimos à regra e alicerçado nela afirmamos que o pai/mãe de santo incorpora e absorve a Tradição de seus iniciadores, sendo ele/a o elemento reatualizador da mesma. Isto promove a identidade dos membros de sua comunidade, sua cosmovisão, seu estilo de vida, ou seja, a maneira de encarar a vida, de vivenciá-la.
Pode-se questionar como incorporar a Tradição? Fui iniciado por um Mestre e após 7 anos de práticas e vivências no terreiro que me escolheu como seu sucessor, antes de fazer sua passagem para o outro lado da vida,. Sim, teríamos de levar a Tradição não só como Iniciado (tive com ele uma convivência iniciática de 18 anos) mas como Mestre-raiz – o pai-de-santo da raiz.
Toda vez que temos a oportunidade explicamos que como Mestre-raiz falamos em nosso nome (Tradição reatualizada) e de todos os demais que nos antecederam na Tradição da qual faço parte.
No encerramento, queremos salientar que a Tradição para muitos tem como pedra fundamental a continuação ad-aeternun de seus princípios categoriais, com o qual discordamos. Transmitimos e vivenciamos na teoria e principalmente na prática que Tradição tem uma pequena parcela que deve ser continuada, não mudada, mas a grande parcela deve ser transformada continuamente, requer mudanças.
Por isto afirmamos que a constante da Tradição é a contínua mudança, mormente por aquele que sabe e tem as chaves de sua Tradição, caso contrário, uns e outros poderiam invertê-la. Como sempre toda Tradição tem sabedoria e mecanismos de defesa para impedir a ação autodestrutiva ou de outrem.
Nesta publicação disponibilizamos vídeo: Reconhecendo a Raiz pela sua Linhagem. No vídeo observaremos mais de uma dezena de nossos filhos espirituais que possuem seus próprios Templos. Muitos deles cumprem há muito a tarefa, sendo iniciados há algum tempo, e outros estando nas obrigações finais de sua iniciação. É a raiz e sua reatualização por meio da linhagem por nós conduzida. Axé!



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 289

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