segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A EXPERIÊNCIA-VIVÊNCIA DO COMPLEXO AXÉ-IWÁ-ABÁ PROMOVE SAÚDE


Nas últimas postagens nos ativemos a discutir como as Religiões Afro-brasileiras conceituam indivíduo, saúde e doença e suas relações com o axé (Princípio Vital), “maná” fundamental na manutenção do equilíbrio, da harmonia e estabilidade do complexo mente-corpo-sociedade ou dos aspectos naturais e sobrenaturais.
Explicitamos que não se desdenha de conceitos da biomedicina que, embora, honoráveis em suas aspirações de prevenção, promoção e cura, diferem dos conceitos das Religiões Afro-brasileiras, principalmente de sua cosmovisão.
A cosmovisão das religiões afro-brasileiras afirma que vive-se ao mesmo tempo em duas dimensões diferentes: Orun (espaço sobrenatural) e Aiyê (espaço natural), mas que são apenas visões e percepções diferentes da mesma realidade, ou seja, o Aiyê (corpo físico) é manifestação do Orun (mente). Não há dualidade.
Discutimos, segundo nossa visão, como se entende saúde (corpo fechado) e doença (corpo aberto), sua relação com o indivíduo (o doente que manifesta a doença ou produz a doença) e sua capacidade de absorver, manter, multiplicar e renovar constantemente o axé.
O indivíduo quando não absorve a contento, o mesmo acontecendo com a manutenção, multiplicação e a renovação do axé, perde o equilíbrio da mente (enfraquece o Ori), perde a estabilidade afetivo-emocional (enfraquece o Okan e tudo que dele decorre) e a harmonia física e social (O Ará propriamente dito como um todo e seu convívio salutar com a sociedade é profundamente prejudicado).
O desequilíbrio, a instabilidade e a desarmonia deflagrados pelo indivíduo carente de axé (do relacionamento efetivo com seu Genitor Divino) são as causas das doenças, portanto, devida aos doentes (indivíduos) que desencadeiam doenças via mente, para o organismo todo e para a desastrosa convivência em sociedade (carência afetiva, econômico-financeira, etc).
Embora mantenhamos o respeito irrestrito com a biomedicina, nas religiões afro-brasileiras a visão de saúde e doença difere bastante. Entendemos que não há doença e sim doente, o qual nessa condição está de “corpo aberto” sem imunidade para as doenças físicas, mentais ou sociais, sendo o tratamento completamente diferente.
Tratamos o indivíduo não esquecendo ser ele uma unidade biopsicossocial e que está afeto a determinada cultura. Acreditamos que há necessidade de aspectos profiláticos ou preventivos, os de manutenção e os de, quando necessário, de reparação ou tratamento não só nos efeitos, mas fundamentalmente nas causas (no próprio indivíduo carente de axé, com repercussões mais ou menos sérias ou agravadas pela não atenção ao seu Iwá (destino) desencadeando um equivocado sentido a vida (Abá).
Adiamos para as próximas publicações os aspectos da etiologia das doenças segundo as Religiões Afro-brasileiras (não hegemônicos), prevenção e tratamento não olvidando ou excluindo outras possibilidades, inclusive aquelas proporcionadas pela biomedicina. Na próxima postagem discutiremos a relação saúde-equilíbrio-axé.
Axé!
Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 288

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