segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O espírito manifesto na unidade mente-corpo


Nossa última publicação foi destinada a apresentar a visão das religiões afro-brasileiras acerca do corpo e sua relação com o Sagrado. Gostaríamos, hoje, de retomar a questão para aqueles que não tiveram a oportunidade de assistir o vídeo.
A religião, como forma de provir interpretação e releitura da vida é uma instituição forte e, ao contrário, do que muitos teóricos profetizavam sobre o fim da religião na era moderna isso não se confirmou. Os problemas da humanidade não foram resolvidos, vivemos um momento planetário de muitas mudanças e redefinições do ciclo evolutivo dos seres humanos e, justamente, nessa fase as pessoas tem se apegado muito às religiões pela capacidade delas de possibilitar um caminho para o reencontro com o Sagrado.
As religiões afro-brasileiras inserem-se neste contexto e possuem uma maneira específica de lidar com o corpo, por ele ser o veículo que possibilita essa conexão. O corpo não é visto como algo pecaminoso ou como uma externalidade do processo espiritual, ao contrário, está intimamente ligado ao processo de cura e de religare do homem com ele próprio, com sua essência.
O conceito de corpo está intimamente relacionado ao processo de cura já que este é um dos motes das religiões afro-brasileiras, possibilitar que os filhos de santo entrem em contato com sua ancestralidade e sintam-se melhores e ativos, em equilíbrio, harmonia e estabilidade, na sua cotidianidade. Assim, o corpo é sagrado. Os sentidos (visão, audição, tato, paladar, olfato) são portas de acesso à outros estados de consciência. Por isso, nos terreiros há defumações, ervas, oferendas, ritos de fundamento, bebidas e comidas de santo, entre tantos outros elementos que fazem parte de um arsenal simbólico que atua diretamente na constituição bio-psicossocial do indivíduo, sendo o corpo e mente apenas manifestações do ser espiritual
Longe de nós vermos o corpo como um elemento negativo. É ele que nos possibilita vivenciar o momento ápice da experiência religiosa afro-brasileira: o transe, seja este de possessão ou mediúnico.
Em próximos textos continuaremos essa discussão aproveitando para apresentar a relação do Ori e Bará com o processo de cura afro-brasileiro que faz parte de uma discussão mais aprofundada sobre a Teologia do Ori/Bara.
Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 282

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