segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A TRADIÇÃO EM MARCHA FRAÇÃO DO ACERVO FOTOGRÁFICO DE 1963 A 1987



Nesta postagem quero compartilhar, fazer alusão ao início dos anos 1960 (62), quando iniciei minha jornada mediúnica por dentro da Tradição Umbandista. Quero relembrar quem me iniciou, homenageando e agradecendo-lhes os fundamentos e experiências, vivências a mim transmitidos.
Nesta foto vemos a esquerda o Sr. Antonio Romero mediunizado com o Caboclo Pedra Branca abençoando as alianças de Creuza e Heriberto, que muitos anos depois seriam meus filhos espirituais, sendo ambos iniciados no início da década de 1980.  A  bênção estendida ao Heriberto e a Creuza foi realizada na Rua 1822, no Ipiranga.

Na próxima vemos à direita, além das pessoas citadas, a Maria das Dores Francisco da Cruz, médium de predicados insofismáveis de Caboclo Arruda.

Vemos a Maria incorporada com o Caboclo Arruda orientando uma criança e sua mãe. À esquerda vemos a Creusa (esposa do Heriberto). A fotografia é histórica, a Maria é a mesma que estaria comigo em 1968, quando edificamos nosso primeiro terreiro, e continuou na Via Anchieta 308, onde em 1970 inauguramos o Templo Seara de Umbanda do Caboclo Urubatão e Caboclo Arruda. Outro fator é o local desta fotografia ser, como dissemos, várias vezes, na rua Oliveira Alves, próximo à Silva Bueno, na Mansão da família Jafet (garagem).

Visualizamos o Heriberto  (Kaoanan) mediunizado com o Caboclo Pele Vermelha, no mesmo local.

A corrente mediúnica de Caboclo Pedra Branca no local citado. Saudades dos amigos, muitos deles já estão no plano de cima, com certeza vitoriosos, pois já cumpriram fielmente suas tarefas.
Com o Sr. Antonio Romero conheci a Umbanda e nela fui “desenvolvido”, pelos Caboclo Pedra Branca e Caboclo Guarantan, e em 1968 fomos iniciado, elevado ao grau de médium-coroado.
Meu preito de gratidão, respeito e amizade, pois foi por intermédio deles que tive a benção de ter em minha coroa Caboclo Urubatão da Guia, Pai Joaquim, Caboclo Angarê, Pai Chico, Sr. Doum e tantos outros que nos abençoaram e abençoam nossa vida espiritual e terrena.
Sr. Antonio Romero desencarnou em 31 de dezembro de 1969. Acompanhei seu “corpo” até o cemitério de Congonhas, num fim de tarde . O planeta perdia, no plano físico, um filho ilustre, que se fizera merecedor de haurir vivências no plano astral superior.
A saudade é grande, mas com certeza cedo ou tarde nos encontraremos e com muito jubilo irei lhe pedir a bênção.

Como muitos conhecem a história (detalhadamente descrita e discursada em publicações anteriores) nos adiantemos até o ano de 1987.
Esta imagem era do terreiro de Pai Guiné D’Angola, em 1987 – Tenda Umbandista Oriental, na Rua Dona Nair, 57 em Brasilinha, Itacuruça – RJ.
Foi nesse local que convivi 18 anos com Pai Matta (Mestre Yapacany) vendo, aprendendo, respirando e pisando nas areias sagradas de Itacuruça. As saudades são imensas, mormente a amizade e paternidade do Mestre para comigo, algo que sempre serei grato e jamais será esquecido de meu “eu espiritual”. Sua bênção meu “Velho”! (Pai e amigo de sempre)

No mesmo ano de 1987 vemos Pai Matta em nosso Templo, a O.I.C.D. – Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino. Observamos nosso Mestre iniciando a prédica daquele inesquecível dia 17 de dezembro.

Continua explicando a todos seus “netos espirituais” o que faria naquele ritual secreto e seleto.

Como sempre o fiz e farei, me ajoelhei e pedi mais uma vez sua bênção. Que prazer tinha em receber sua bênção! Ao fundo vê-se os sinais de Pai Guiné dado por Pai Matta em 1983 (quando completei 33 anos).

Pai Matta mediunizado segura a “Toalha Sacerdotal” – de Mestre de Iniciação de 7º Grau – 3º Ciclo. Nas minhas costas a “Toalha Iniciática”, a mesma que recebi em 1978, acrescida de mais cinco sinais-raiz – Ordens e Direitos de Comando Magístico – Vibratório.

Pai Guiné, incorporado em “Pai Matta” – Mestre Yapacany, firmando o ponteiro, que como seta marcaria no tempo, de forma indelével, aquele momento inesquecível nos vários planos da vida. Sempre acobertado com a “Toalha Sacerdotal de nossa raiz, juntamente com o Cálice da Ordenação”.

Observam-se os sinais sagrados que tem o poder de Lei, traçados no círculo que recebe todas as figuras harmônicas com a ressonância das esferas girantes do universo. Deu-me de beber pela primeira vez o néctar da Transmissão da Raiz, contido simbolicamente no “Cálice da Ordenação Magística-Religiosa”.

Continua o ritual solene, mas muito simples da Transmissão do Comando da Raiz. Vê-se próximo de Pai Guiné, no chão a espada (Poder Magístico-Vibratório).
No mesmo plano um pouco atrás, vê-se a bandeja de Ifá, em que ele mais uma vez consagra, e faz as amarrações finais, segundo palavras de Pai Guiné.

Pai Guiné pede a Terezinha (minha ex-esposa) que lhe dê minha espada, dizendo que ela estará sempre de pé, como sustentáculo vibratório, representando o poder de ação e reação da Confraria dos Magos Brancos, Confraria dos Espíritos Ancestrais.
No peji observa-se a toalha com os sinais (21) de Tembetá, por mim recebido e confirmado por Pai Guiné, como sendo o “Alfabeto de Pemba” desdobrado por interveniência direta da Augusta Confraria de OKA MARAGUAÇU XAMAN, extensão da Confraria do TUYABAÉ-CUAÁ.
Com a Espada Magística (um dos quatro símbolos básicos da Iniciação) cobre meu Ori, minha tarefa Magística-Mediunica. Diz que ficava de pé e falava de forma altissonante, para que todos soubessem, em todos os planos da vida, os bons e os demais que haveria sempre mais um iniciado de espada na mão para defender a Lei e a Justiça, razão de ser de nossa Doutrina e vida.

Segurei a espada com minhas duas mãos na lâmina, enquanto ele segurava a empunhadeira, dizendo que “segurássemos a espada, na certeza de que Ele, Pai Guiné e seu “cavalo” (Pai Matta) sempre estariam juntos de mim, em minha tarefa mediúnica, e que Caboclo Urubatão da Guia / Caboclo Velho Payé (dito por Pai Guiné) tinham muitos planos e precisavam de minha fé, confiança e empreendedorismo, que não temêssemos a nada, e no final me disse  frase que se tornou célebre e sempre atual em minha tarefa entre as humanas criaturas (que não citarei).

É como sempre me encontrei, em profunda meditação, meditando na vida e nos quefazeres. Pois não posso, e não acredito em sacerdote só de palavras e mãos vazias, e muito menos de aluguel, pois continuo trabalhando sempre realizando, sempre repaginando, tendo ciência que sou muito pequeno, preciso crescer e para isto preciso trabalhar e muito mais, pois o compromisso assumido com Pai Guiné e Velho Payé precisam ser cumpridos. Esperamos fazê-lo.

A todos deixamos a última foto, após a Transmissão da Tradição da “Raiz de Itacuruça” em 17/12/1987, onde se vê o terreiro de Caboclo Velho Payé sereno e iluminado, convidando-nos ao trabalho renovador e salutar.
Esta imagem presente em minha alma para a eternidade, com toda valência de paz, luz, alegria e felicidades é o que desejo sinceramente dividir com todos. Por favor, queiram aceitar minha humilde oferenda, que espero seja aceita e more na alma de todos.

Saravá! Aranauan! Aumbhandhan... Anauan... Tanan... Euá
Obs.:
A Tradição tem uma história e esta se realiza com fatos reias, comprovados pelos presentes nos vários rituais, onde Mestre-Discípulo em perfeita harmonia, permutam vibrações em que o Mestre se vê no discípulo. Pronto, a linha de transmissão vivenciada e experienciada se forma, se adensa, permitindo a continuação da Raiz Iniciática, num complexo mecanismo espiritual que é transmitido de Mestre para discípulo desde o início dos tempos, e continuará por todo o sempre!
Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 280




















4 comentários:

  1. Prezados amigos, parabéns pela postagem e principalmente por tornar conhecida uma trajetória peculiar e importante para história das religiões afro-brasileiras. Um abraço, Luiz Assunção.

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  2. Meu Mestre, como escrever algo que não pode ser expresso por palavras? Sentimentos, olhos úmidos... Coração apertado... Obrigado, Mestre, por ser seu discípulo, o menor deles. Obrigado por permitir-me conhecer minha Raiz e auxiliar-me a procurar fazer o melhor de mim pela Tradição...
    Ashé, Baba Mi!
    Tashirenanda

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  3. Agradecemos a PAI OXALÁ; ao CABOCLO URUBATÃO; ao CABOCLO SETE ESPADAS; as ENTIDADES de NOSSAS BANDAS e ao MESTRE ARHAPIAGHA; a acolhida e a oportunidade para o nosso processo de "reforma" com suas orientações! Que o ASTRAL transforme nosso agradecimento em energias positivas para o MESTRE e para suas realizações. Jose e Jaci Ferfila

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  4. Obrigado a Mestre Arhapiagha,Meu Mestre, pela benção de ter me aceitado como seu filho. Obrigado pela honra de conhecer vossa trajetória e nossa raiz. Isto reforça e faz crescer em mim ainda mais a vontade e o compromisso do trabalho. Axé Baba Mi.
    Aratyara

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