quinta-feira, 12 de julho de 2012

A resistência das Religiões Afro-brasileiras em números: Construindo uma hipótese


Na presente publicação, disponibilizamos um texto interessante sobre os números do CENSO-2010 do nosso filho espiritual Yabauara (João Luiz Carneiro) que também é acadêmico e pesquisa sobre as Religiões Afro-brasileiras. Axé!


A resistência das Religiões Afro-brasileiras em números:
Construindo uma hipótese

No dia 29 de junho deste ano, o IBGE disponibilizou a participação percentual das religiões no total da população brasileira. Eis o número atual, ano 2010, e a comparação com o censo de 2000:



Diante do exposto, as Religiões Afro-brasileiras são 0,3% do número total de habitantes do nosso país. Este número é difícil de digerir para quem é adepto e estuda estas religiões. Afinal, este questionário possui deficiências na hora de retratar a múltipla ou dupla pertença e o fato de um adepto das Religiões Afro-brasileiras se autodenominar como católico ou espírita em nada invalida a sua filiação a este universo religioso afro-brasileiro[i].

Contudo, na condição de acadêmico não posso negar que este levantamento oferecido pelo Censo do IBGE é o retrato mais próximo do real. Logo, os números que o estudo oferece não podem ser olvidados. Sendo assim, convido ao leitor que analise a evolução das religiões afro-brasileiras nas últimas décadas:



Ao constatar a evolução dos números (1980 até 2010), as Religiões Afro-brasileiras pela primeira vez não caíram na medição do IBGE. Isto não deixa de representar uma importante resistência, tendo em vista os avanços de igrejas eletrônicas no Brasil com braços significativos no poder político, econômico e social. Lembro que pessoas de referência no meio apontaram que justamente estes avanços de setores mais radicais do protestantismo/(neo)pentecostalismo seriam os responsáveis diretos pela dizimação ou até mesmo aniquilamento das Religiões Afro-brasileiras.

Ocorre que, de fato, nos últimos dez anos só têm aumentado os ataques às Religiões Afro-brasileiras e mesmo assim, após uma década, o número de adeptos das Religiões Afro-brasileiras se manteve.

Uma nova questão surge: O que aconteceu de significativo nas Religiões Afro-brasileiras em nível nacional que possibilitou ou, pelo menos, auxiliou esta resistência?

Ainda é muito recente a publicação destes números e em dez anos muita coisa aconteceu no Brasil. Mas já podemos levantar hipóteses. Diante do que venho pesquisando, sugiro uma: a criação e consolidação da Faculdade de Teologia Umbandista (FTU) com ações religiosas e acadêmicas de cunho presencial, telepresencial, internet, sem falar dos ritos de aproximação das várias comunidades da nossa religião no país e fora dele. Este é o fato novo e expressivo na última década neste cenário religioso que, portanto, não pode ser deixado de lado.

As iniciativas da FTU, instituição concebida e criada pelo sacerdote F. Rivas Neto (Pai Rivas), continuam a repercutir na sociedade mesmo depois desta primeira década. Destacamos a rede mundial de computadores. Apenas para ilustrar, citamos o Blog Espiritualidade e Ciência[ii] que neste início de ano superou os 100.000 acessos[iii] e o seu canal de vídeos gratuitos no Youtube[iv] com mais de 223.000 acessos[v].

Além disto, ainda neste ano, acontecerá nas dependências da FTU o III Congresso Internacional de Sacerdotisas e Sacerdotes das Religiões Afro-brasileiras/Americanas. O maior encontro de Escolas[vi] das Religiões Afro-brasileiras no ano passado resultou em um blog[vii] com a contribuição de mais de 300 pais e mães espirituais, além de superar os 60.000 acessos[viii] em apenas 8 meses.

Por tudo que esta instituição fez e está fazendo, entendo que é plenamente possível levantar a FTU como hipótese para justificar a resistência das Religiões Afro-brasileiras quando consideramos o número de seus adeptos na última década.

João Luiz Carneiro
Doutorando em Ciências da Religião (PUC-SP)
Mestre em Filosofia
Professor da Faculdade de Teologia Umbandista


[i] Prandi discorda desta colocação, mas reconhece dificuldades nos números oferecidos pelo Censo do IBGE quando analisa a dinâmica religiosa afro-brasileira. Cf. PRANDI, R. As Religiões afro-brasileiras e seus seguidores. Civitas – Revista de Ciências Sociais v. 3, nº 1, jun. 2003. Disponível em <http://revistaseletronicas.pucrs.br/civitas/ojs/index.php/civitas/article/viewFile/108/104> acesso 11 de julho de 2012.
[ii] RIVAS NETO, F. Blog Espiritualidade e Ciência: A Interdependência entre Espiritualidade, Saúde e Sustentabilidade. Disponível em: <http://espiritualidadeciencia.wordpress.com> acesso 11 de julho de 2012.
[iii] Fonte: Google Analytics
[iv] RIVAS NETO, F. Canal Espiritualidade e Ciência. Disponível em: <http://www.youtube.com/pairivas> acesso 11 de julho de 2012.
[v] Fonte: Youtube
[vi] O conceito de Escolas das Religiões Afro-brasileiras foi desenvolvido por F. Rivas Neto. O autor sustenta, por exemplo, que na Umbanda: “(...) pela diversidade dos seus adeptos, há também uma diversidade de ritos e de formas de transmissão do conhecimento. A essas várias formas de entendimento e vivência da Umbanda denominamos escolas ou segmentos. (...) As várias escolas correspondem a visões, umas voltadas mais aos aspectos míticos e outras mais voltadas à essência espiritual, abstrata. Embora não haja consenso quanto à ritualística, que são várias formas de interpretar e manifestar a doutrina, a essência de todos é a mesma e todos são legitimamente denominados umbandistas”. RIVAS NETO, F. Sacerdote, Mago e Médico: cura e autocura umbandista. São Paulo: Ícone. 2003, p. 459-460.
[vii] FTU. III Congresso Internacional de Sacerdotisas e Sacerdotes das Religiões Afro-brasileiras/Americanas. Disponível em: < http://religiaoediversidade.blogspot.com.br/s> acesso 11 de julho de 2012.
[viii] Fonte: Google Analytics


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 269

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