segunda-feira, 9 de julho de 2012

Magia, Psicurgia e Teurgia: Reflexões nas Religiões Afro-Brasileiras


Esta publicação é destinada a rever alguns aspectos da relação entre o Homem com a Natureza e suas manifestações: Reino Mineral – Vegetal – Animal, atuando sobre os elementos sensíveis e latentes, físicos e hiperfísicos. Em suma, falaremos rapidamente sobre a magia.
O texto-base que deu origem a esta publicação está em Fundamentos Herméticos de Umbanda, cuja obra está sendo reeditada e será lançada em breve.
As religiões afro-brasileiras foram categorizadas como mágicas de forma pejorativa pela literatura sócio-antropológica e apenas nas últimas décadas foram reinterpretadas. Em uma das análises mais recentes Vagner Gonçalves da Silva mostrou como a umbanda e candomblé apresentam-se como religiões em termos weberianos e não apenas mágicas (Silva, 1995). Assim, o universo afro-brasileiro deixa de ser apenas magia para elevar-se ao status de religião, assim como todas as demais. Outro fator que contribuiu para um olhar mais equânime com as religiões afro-brasileiras foi o surgimento da Faculdade de Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras, possibilitando o viés acadêmico da cosmovisão afro-brasileira aos seus adeptos e não adeptos também.
A magia foi analisada por vários antropólogos mas muito pouco esmiuçada em termos teológicos e são nesse termos que pretendemos abordar aqui.
A Magia, a Psicurgia e a Teurgia, podem ser associadas aos aspectos positivos, relativos e superlativos, respectivamente, são Artes Dinâmicas.
A magia é mais afeta aos elementos, elementais e elementares. A psicurgia é afeta aos elementos de ordem astral e suas egrégoras consonantes (aspectos psicológicos), atuando mais diretamente no psiquismo, na “alma”. A teurgia é um aprofundamento da magia e psicurgia. Seus elementos mentais-espirituais atuam mais diretamente nas várias potências espirituais.
A magia é básica, a teurgia é o corolário da movimentação da energia em seus diversos graus de densidade e dos diversos graus hierárquicos das potências espirituais.
Para não reinventar a roda, utilizaremos a nomenclatura indo-védica no esquema abaixo, elucidando as Artes Dinâmicas:
No organismo físico (grau positivo – magia):
O mantra associa-se aos Cânticos Sagrados, pontos cantados, louvarias, orikis.
O yantra associa-se aos Movimentos: danças sagradas
O tantra associa-se aos vários rituais, ebó, bori, feituras.
No organismo astral (grau relativo – psicurgia):
O mantra associa-se à voz do coração, ao sentimento trazido pelas entidades.
O yantra associa-se à escrita dos Orixás, como as pembas, por exemplo.
O tantra associa-se ao poder criativo gerado a partir do axé dos rituais.
No organismo mental (grau superlativo – teurgia):
O mantra associa-se à vontade de lutar pelos valores espirituais.
O yantra associa-se à expansão da consciência gerada a partir do contato com as entidades nos rituais.
O tantra associa-se à luz consciencial, às vibrações e axé trazidos diretamente pelos Orixás e entidades. Em verdade, axé – iwá – abá.
Apresentamos os esquemas acima como forma de trazer a reflexão sobre as formas que os Orixás se manifestam: mantra, yantra e tantra, pela nomenclatura indo-védica. Em realidade, todas elas são possibilidades de manter o contato com as divindades, com os ancestrais e toda a plêiade de seres espirituais, sendo a magia, a psicurgia e a teurgia, artes específicas manipuladas por sacerdotes responsáveis com as tarefas espirituais visando o auxílio de todos.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 268

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