quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino – subsede Distrito Federal

Na publicação de hoje, vamos ler as palavras de nosso filho espiritual Silvio L. R. Garcez (Aramaty), que está dirigindo a subsede da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino em Brasília (DF), sobre sua vivência templária. Axé!


Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino – subsede Distrito Federal


         Estou na Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino desde 1988, e hoje depois de 24 anos de experiência, convivendo com meu Mestre, vejo o quanto isso influenciou positivamente em minha vida.
Reencontrei Mestre Arhapiagha por meio da 1ª. edição da obra Umbanda a Proto Síntese Cósmica, então editada pela Livraria Freitas Bastos. Na época, trabalhava em um terreiro, na cidade onde nasci e morava (Taubaté-SP), e todas as segundas, quartas e sextas tínhamos ritos de atendimento publico, com Caboclo e Preto Velho. Já era leitor assíduo de Mestre Yapacany que também editava seus livros pela Freitas Bastos. Assim, por meio do representante desta livraria, recebi a indicação de um livro escrito, segundo ele me informou,  pelo legitimo sucessor de W.W. da Mata e Silva,Mestre Yapacany, F. Rivas Neto Mestre Arhapiagha. Mais do que depressa solicitei que me enviasse a obra e quando a recebi qual não foi minha surpresa, o autor tinha feito uma dedicatória que dizia o seguinte: “Ao irmão de Fé Silvio Luiz R. Garcez com votos plena assistência espiritual “assina F. Rivas Neto.
A sensação que experimentei no momento foi indescritível, um misto de alegria, euforia e emoção, fiquei por alguns minutos estático... Entrei em contato com meu irmão de terreiro Eugenio (Mestre Tashanan) e lhe contei sobre a obra, que comecei a ler tão logo recebi.
Ao longo da leitura encontrei um encarte que convidava os leitores a se encontrarem com o autor em São Paulo, capital, na sede da Livraria Freitas Bastos. Na semana seguinte, lá estava eu,  aguardando ansiosamente o encontro com o autor.
Quando vi Pai Rivas pela 1ª. vez senti uma alegria profunda, um contentamento que não tenho palavras para expressar. Conversamos por mais de uma hora e neste dia ele me disse coisas sobre minha vida que ninguém sabia, sai de lá atônito e muito, muito feliz. Retornando para Taubaté, relatei para o meu irmão Eugenio tudo o que havia acontecido e combinamos de, na semana seguinte irmos a São Paulo para de novo me encontrar com o Mestre...
Após uma espera que parecia interminável, nos dirigimos eu e Eugenio para São Paulo para mais um encontro. Novamente Mestre Arhapiagha nos recebeu com alegria e ficamos também por mais de uma hora falando sobre Umbanda.
 A simplicidade, com que nos recebeu, a atenção que nos dedicou me impressionou e me marcou profundamente. Só hoje consigo avaliar a importância e relevância deste momento para minha atual encarnação.
No final de nossa conversa ele nos convidou para sua gira em seu Templo na Travessa Magalhães atual Chebl Massud, dando como referencia a antiga Metalúrgica Aliperti. Que saudade... Como foi difícil chegar lá!
Chegar ao rito, outro momento de intensa emoção: encontro com Caboclo das Sete Espadas, que nos recebeu dizendo, “vocês são filhos desta raiz...” e nos colocou imediatamente na corrente mediúnica. Conversar com esta entidade que incorporada estava em Mestre Arhapiagha, foi algo que ultrapassa minha capacidade de traduzir em palavras as emoções que meu espírito vivenciou.
No final daquela noite entreguei a Mestre Arhapiagha a edição do livro Umbanda a Proto Síntese Cósmica com a dedicatória que ele havia feito. Então acrescentou: “Em tempo : também Filho de fé do meu santé...” .
A partir daí comecei a caminhar ao lado de meu Mestre (que mais uma vez me aceitou como discípulo) e a pisar nas areias sagradas do Templo do Caboclo Urubatão da Guia.
Ao longo dos anos que se passaram vivi inúmeras coisas: as sextas que antecediam os ritos públicos de sábado, as mediúnicas, os amacys aos domingos, as cachoeiras (quanto Oriri de mamãe Oxum...), os ritos na praia, na mata, as encruzas, as visitas aos terreiros, os novos irmãos que chegavam, os fóruns escola de síntese e Umbanda pede Ago, as mensagens, as longas conversas, o Gino, nossa, quanto aprendizado, que saudade!
Não posso deixar também de relatar a primeira vez que presenciei a incorporação do Sr. Urubatão da Guia, em Mestre Arhapiagha, pois neste dia fui oficialmente filiado à OICD. Fazia tempo que esta entidade não baixava e antes dele chegar senti um frescor no ambiente e uma fragrância de lavanda tomou conta do lugar. Quando começamos a cantar o ponto “Quando seu Urubatão firmou o seu Conga, todos os Caboclos vieram ajudar...” meu coração disparou, comecei a chorar compulsivamente, não de tristeza e sim de alegria, me senti uma criança que reencontra seu Pai, seu ancestral, seu condutor. Nunca havia visto, até aquele momento, incorporação tão profunda e perfeita. Neste mesmo dia no final do rito também presenciei a vinda do Sr. Kauritan (7 Encruzilhadas), poderoso guardião que deixou firmada sua espada... Mojubá Exu ! Foi uma noite inesquecível...
Percebi depois de um tempo, que havia nascido de verdade, que vivendo tudo o que vivi passava por um processo de reajuste e burilamento, minha vida de fato havia começado.
 Em 09 de julho 1994 fui iniciado num rito realizado no Templo da Chebl Massud e a partir daí deixei de usar o “apelido” de Silvio, passando a usar meu verdadeiro nome: Aramaty.
Recebi a Cruz do compromisso, da lealdade e principalmente do respeito por quem, por misericórdia, colocava suas mãos sobre meu Ori.
Em maio de 1998 recebi e incumbência sacerdotal de conduzir, como preposto, o Templo da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino na cidade de Campinas. Foram exatos 4 anos. Neste período muito trabalho foi desenvolvido muitas lutas travadas, fiz amigos, muitas realizações efetivadas, comecei a entender o que Mestre Arhapiagha me dizia: “Meu filho o dia que tiveres seus filhos você irá entender...”.
Em março de 2002, no final de um rito interno, numa quarta feira, Mestre Arhapiagha me chamou e disse que eu deveria assumir o comando do templo da OICD no Distrito Federal, pois tinha lá uma missão a cumprir, missão esta que estou cumprindo.
De lá para cá muitas coisas foram construídas e realizadas, muitas lutas, muitas... Assim até hoje permaneço como sacerdote do templo da OICD no Distrito Federal.
Muito mais poderia escrever, e para isso teria que dividir em capítulos minha trajetória, pois são infindáveis os momentos em que ao lado de meu Mestre pude aprender, por meio de suas ações e realizações.
         Hoje, aos 52 anos,  constato e repito o que disse no inicio, a relevância do reencontro com Mestre Arhapiagha, o quanto isso fez diferença em minha vida. Alguns a esta altura podem não compreender minhas palavras, especialmente os que não encontraram ainda um Mestre que os arrebate da mesmice, que os coloque no caminho e que acima de tudo os ensine, com seu exemplo, a serem livres e felizes.
Aos que me lêem e são filhos, jamais esqueçam daquele que um dia colocou sua mão em seu Ori. A escolha foi nossa e a misericórdia foi dele. Negar isso é negar a própria história e existência, é negar a si mesmo.
Agradeço a meu Mestre e amigo Yamunisiddha Arhapiagha, pela paciência, tolerância e pelos ensinamentos que me passou, passa e passará. Especialmente por ter me aceitado como seu discípulo. Se hoje consegui caminhar alguns passos em minha jornada e tenho este relato para compartilhar, devo a meu Mestre que me retirou da estagnação espiritual libertando-me das ilusões e dos apegos, me despertando de um sono profundo... 

 Sua Benção meu Pai! Vida Longa! Mais uma vez Obrigado!

         Brasília, 18 de junho de 2012

Aramaty  - Silvio L. R. Garcez
            Discípulo de Mestre Arhapiagha – Pai Rivas     

PS: Segue abaixo algumas fotos e um pequeno vídeo do templo da OICD-DF em Brasília que ilustram o trabalho que realizamos, fruto desta vivencia com Mestre Arhapiagha.  









Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 263

Um comentário:

  1. O (re)encontro com o Mestre é mesmo a maior bênção que alguém pode ter em vida, pois é a única forma real que as pessoas têm de entrarem em contato consigo mesmas.
    Cada discípulo tem uma forma pela qual chegou ao Templo e um processo de aproximação crescente com o Mestre. Cada um tem uma história... ouvir a de cada irmão é algo que fortalece a nossa identidade, que reforça os laços da comunidade espiritual a que pertencemos e que, sobretudo, confirma os passos que nós, irmãos, damos juntos, lado a lado, sob a orientação de um mesmo Pai e Mestre.
    Que ele possa nos abençoar sempre!
    Aranauam!

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