quinta-feira, 5 de abril de 2012

A RELIGIÃO NA PERSPECTIVA DE FREUD



Para o grande cientista e médico vienense Freud – o Pai da psicanálise - “as ideias religiosas são ilusões, realizações dos mais antigos, fortes e prementes desejos da humanidade” (The future of an Illusion).
Na verdade ele ia mais longe, pois interpretava a crença em Deus como uma reação do reconhecimento do desamparo humano.
Essa reação por sua vez, deveu-se a aterrorizante impressão de desamparo na infância que despertou a necessidade de proteção – de proteção pelo amor – que foi fornecida pelo pai, e o reconhecimento de que esse desamparo dura por toda a vida tornou necessário ligar-se a existência de um pai, desta vez, porém, de um pai mais poderoso – Deus.
Para alguns sacerdotes, e me incluo entre eles, e muitos teólogos afirmam que a atitude de Freud para com a religião era com a forma religiosa e nunca com a essência e o valor inestimável da religião no psiquismo e no comportamento do ser humano.
Importante salientar, inclusive, que desde a época de Freud, a psicanálise tornou-se cada vez mais voltada para a mãe e os novos teólogos ocuparam-se em eliminar (tentaram) a ideia de um Deus “lá em cima”, por conseguinte, é difícil avaliar a pertinência dos trabalhos de Freud quanto ao cenário religioso contemporâneo.
No que se refere às práticas religiosas - ações obsessivas para ele – escreveu que “em vista dessas semelhanças e analogias, poderíamos aventurar-nos a encarar a neurose obsessiva como o correspondente patológico da formação de uma religião, descrever essa neurose como uma religiosidade individual e a religião como uma neurose obsessiva universal”.
Freud não só alardeou o ateísmo como fê-lo grassar como uma patologia, a neurose obsessiva universal. Guardando as devidas proporções ele repetiu os romanos em relação aos cristãos. Os primeiros cristãos foram chamados de ateus porque negavam a existência das divindades romanas. Enfim o ateísmo para ambos, romanos e Freud, foi utilizado como sendo uma ofensa às posições “religiosas e científicas” de seus opositores.
Ao citar Freud, o fiz pelo seu prestigio e inegável contribuição à Ciência da Mente, todavia não concordo com suas premissas sobre a religião e muito menos, embora respeite, e a de tantos outros críticos que surgiram no decorrer da história.
A difusão da descrença em Deus ou nas religiões se demora no ocidente, de há muito, por dentro da história. Não se pode negar o ranço ao teísmo de um Holbach e Diderot. Outros como Voltarie, o existencialista Jean Paul Sartre, Upton Sinclair entre outros em várias épocas.  Que dizer de Nietzsche, Feuerbach, Schopenhauer, Marx, Russel e o próprio Freud sobre o qual vimos a descrença que possuía em relação a religião, tomando como neurose a religiosidade individual. A neurose obsessiva universal associava à religião.
Quais os motivos de tantos filósofos, cientistas e intelectuais consagrados aderirem ao ateísmo?
Muitos seriam os motivos, mas os mais significativos seriam os da religião impedir o avanço das ciências. Alguns citam que é inaceitável o design inteligente. Outros mais afirmam que atributos como Onisciência, Onipotência, são incompreensíveis à mente humana (confesso, que para mim também, reles mortal).
Há ateus passivos e ateus ativos e ambos descreem dos atributos tidos como divinos, pois o homem não tem condições de emitir juízo de algo que não conhece e é completamente despreparado para fazê-lo, como por exemplo, mais uma vez a Onisciência, Onipotência e Onipresença. Há quem diga que o conceito de Deus é inconsistente, pois como um Deus Onisciente pode ser ao mesmo tempo Todo Bondade, da mesma forma Ele não possui corpo, portanto não é Onisciente.
 E o problema do mal? Por que há o mal sendo Deus Onisciente, Onipotente? Segundo os ateus isso é prova inconteste da inexistência de Deus. Os argumentos são sinceros e merecem respeito, mas com os quais discordo. Discordo, pois a visão que tenho de Deus não coincide com a decantada por eles e por tantos outros que sem se importar com a descrença que geram estão a vociferar “fatores Deus”, mundo a fora.
Encerrando nos próximos textos (não obrigatoriamente a próxima postagem) explicitaremos como as várias religiões afro-brasileiras entendem, louvam e fazem grassar Olodumare (Ketu), Zamby ou Zamby Apongo (Angola), Tupan (matriz indígena). Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 241

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