segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Religiões Afro-brasileiras: retrospectiva de nossa Casa de Fundamentos e da FTU


Estamos chegando ao final de 2012 e gostaríamos nesta publicação de fazer uma breve retrospectiva com os fatos mais marcantes e significativos para nossa comunidade de santo.
Nosso ano ritualístico foi iniciado em fevereiro com o Toque para Caboclo, ritual de convivência e compartilhamento de forças entre vários terreiros. Há vários anos nossa Casa de Fundamentos tem realizado tais rituais como forma de aproximar os vários pais e mães de santo fazendo com isso um resgate o corpus de fundamento do sacerdócio.
Outra iniciativa atrelada à questão anterior foi a manutenção e crescimento do Fórum Internacional Permanente de pais e mães de santo, alimentado via mídia social (blog) pela Faculdade de Teologia Umbandista. Durante 2012 recebemos mais de 400 contribuições, sejam em textos ou vídeos, sobre as experiências particulares de cada uma das lideranças e suas interpretações sobre a diversidade religiosa.
No final de maio, início de junho alguns professores da FTU foram para o XII Simpósio Nacional da Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR) e apresentaram em vários grupos de trabalho os resultados de suas pesquisas com as religiões afro-brasileiras. Recentemente os anais do evento foram divulgados e os trabalhos apresentados constaram no material e foi amplamente divulgado nas redes sociais. Seguindo a perspectiva acadêmica, em julho algumas teólogas formadas pela FTU apresentaram seus trabalhos no XXV Congresso Internacional de Teologia e Ciências da Religião da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER) e travaram debates e discussões entre as várias teologias presentes, a católica, protestante e luterana, por exemplo. Foi um passo muito importante para valorizar a teologia com ênfase nas religiões afro-brasileiras mostrando que a mesma tem tanto valor como as demais e merece ser discutida e aprofundada nesses eventos.
Um fato marcante foi o evento Espiritualidade, Saúde e Ciência realizado pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Neste dia várias lideranças religiosas foram convidadas a falar sobre a noção de saúde, doença e sua vinculação com a espiritualidade. Para falar sobre as religiões afro-brasileiras, a USP nos convidou. Temos certeza que muitos pais e mães de santo poderiam ter representado as religiões afro-brasileiras. O convite muito nos honrou, não apenas pela discussão com vários cientistas e religiosos mas sobretudo pela amizade firmada com eles.
Outros resultados acadêmicos foram conquistados também por meio de publicações de artigos científicos em periódicos de grande porte. Um deles foi internacional sobre as ervas nas religiões afro-brasileiras. Outro versou sobre a teologia de tradição oral, outro sobre os dados do censo 2010 e as religiões afro-brasileiras, especialmente com a umbanda. Foram publicações que repercutem em mídias sociais, em mailings de universidades e entre a comunidade de santo. Temos certeza que elas ajudam a fortificar o campo de estudos sobre as religiões afro-brasileiras.
É importante ressaltar que os brilhantes resultados obtidos pelos sacerdotes, professores e teólogas com ênfase nas religiões afro-brasileiras foram efetivados porque tal perspectiva acadêmica nasceu no interior do terreiro, com as experiências rituais e de fundamento adquiridas ao longo de vários anos por nossa Casa de Fundamentos. Sendo assim, aliando a prática ritual e a acadêmica, fomos mesclando os eventos acadêmicos aos vários toques realizados por nós e por vários outros terreiros de outras regiões do país. No final do ano, principalmente, os vários toques tiveram o objetivo maior de louvar os exus, divindades do panteão afro-brasileiro que se importam em fazer com que as pessoas façam se destino, corram atrás da vida e tenham boas realizações espirituais e materiais. Exus são os senhores dos vários caminhos, possuem uma profunda relação com Orumilá Ifá e, portanto, tem o poder de facilitar realizações.
No final de outubro tivemos nosso toque para exu, ligação de Exu, Orumilá Ifá e o Orixá da mediação Ossaim (divindade da medicina e da magia). Esse ritual foi coroado pela presença dos exus e dos vários pais e mães de santo do Brasil e, inclusive da Europa, com a presença de Pai Cláudio (Portugal).
No final de novembro tivemos o V Congresso Brasileiro de Umbanda do século XXI e II Congresso Internacional das Religiões Afro-americanas, ocorrido na FTU. O evento contou, como de praxe, com nomes renomados do universo acadêmico e várias lideranças afro-brasileiras. Um fato marcante foi a presença do Pai Cleone Guedes, um juremeiro de Natal (RN), que veio para uma mesa de debate com o antropólogo Luiz Assunção. Após os três dias de convivência com os congressistas, com a faculdade, e depois de muito observar nossa fala e nossa presença, Pai Cleone nos honrou dizendo que gostaria de poder vir morar em São Paulo para aprender conosco sobre as coisas do santo, pois reconheceu que nossa Casa tinha profundos conhecimentos das coisas do axé. Essa frase só poderia vir de uma pessoa amiga, receptiva e extremamente humilde, já que Pai Cleone é um dos mestres juremeiros mais reconhecidos na cidade de Natal. Agradecemos seus dizeres e esperamos poder trocar mais palavras amigas e experiências com Pai Cleone e sua família de santo.
Outro fato marcante no II Congresso Internacional das Religiões Afro-americanas foi o lançamento do livro Da minha folha: múltiplos olhares sobre as religiões afro-brasileiras, organizado pelo Prof Dr. Luiz Assunção e editado pela Arché Editora em parceria com a FTU. Ficamos muito honrado pelo antropólogo Prof. Dr. Vagner Gonçalves ter feito a contra capa do livro e do filósofo Prof. Dr. Cassiano Terra ter feito a orelha do mesmo. Foram contribuições que só somaram a qualidade dos textos da obra. O livro conta com vários artigos acadêmicos, de antropólogos, sociólogos, teólogos de várias partes do país. Nós também contribuímos com o livro apresentando um capítulo sobre a noção de saúde e doença nas religiões afro-brasileiras, texto fundamentado na nossa experiência sacerdotal e profissional médica.
Findamos o ano com vários toques de exus, os quais foram realizados em São Paulo, Itanhaém, Curitiba com a intenção de louvar essas divindades com a finalidade de alimentar, renovar e distribuir o axé, fazendo com que estejamos em dia com nossas obrigações rituais e sociais e, finalmente, isso se reverta em saúde em vários âmbitos.
Concluímos a última publicação do ano desejando que todos os amigos do blog, pais e mães de santo, comunidade do santo, comunidade acadêmica, possam deixar o ano de 2012 e entrar, serenamente, no ano de 2013. Todo novo ciclo deve ser louvado para que ele esteja coberto de vibrações e axé de nossas divindades. E que isso nos traga saúde, paz, alegria, compromisso, responsabilidade, força, determinação e vontade para mudarmos para melhor nosso destino individual e de nossa coletividade como um todo. Creiam-me. Esse é o nosso mais íntimo desejo.
Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 318

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Religiões Afro-brasileiras: festa, solidariedade e responsabilidade


O fim do ano é sempre uma época para reflexão, pelo menos é o discurso corrente em nossa sociedade. Momentos em que as famílias se encontram, os amigos se falam, mesmo a distância, enfim, as redes de relacionamento são, de alguma maneira mais ativadas e acirradas. Um dos alicerces da religião sempre foi fazer com que as pessoas refletissem sobre sua existência, sobre seu local e motivo no mundo, sobre suas ações, reações, enfim, entender os porquês maiores da humanidade. Ao que parece, o fim do ano é uma época que as pessoas se predispõem mais a essas reflexões. Ora porque não tem o tempo necessário durante o ano para esses pensamentos, ora porque as mensagens subliminares da mídia incitam as pessoas a agirem de uma maneira pacífica, amorosa, companheira, fraterna e solidária. Achamos que essa conduta deveria ser diária mas...
Como sacerdote e como membro da sociedade civil nos colocamos favoráveis às celebrações e aos encontros, mas questionamos se tais atos não fazem parte de uma estrutura maior pensada e articulada ideologicamente pelos grupos dominantes (políticos e religiosos) para a manutenção de um status quo, fazendo girar aceleradamente a roda da economia (favorecendo sobretudo os mais ricos) e alguns grupos religiosos que aproveitam o momento para reverberar suas mensagens e atrair ainda mais fiéis.
Sabemos que estamos todos inseridos na sociedade e acabamos passando pelos mesmos rituais de passagem que ela, mas não somos coniventes com o processo meramente consumista que essas datas reproduzem. Nem todas as Escolas das Religiões Afro-brasileiras são cristãs, mas temos certeza que todas as Escolas respeitam essa data em seu sentido mais profundo, no caso do Natal, pelo fato dele representar o renascimento (mesmo que os próprios cristãos se esqueçam desse significado). Nas religiões afro-brasileiras, seus adeptos são senhores do seu destino, pois este não é fixo, imutável, ao contrário, ele é passível de mudança a todo instante, desde que exista predisposição do indivíduo para tal e que ele esteja em dia com suas obrigações rituais e sociais. Ou seja, não são nessas datas que o indivíduo se modificará repentinamente, mas a transformação faz parte de um processo maior que chamamos Iniciação.
O que queremos registrar é que as religiões afro-brasileiras são religiões festivas sim, mas estas estão a serviço de um propósito maior e de uma cosmovisão religiosa que se afirma com responsabilidade, pela interrelação entre adeptos – pai/mãe de santo – comunidade de santo – Orixás. Todas as festas afro-brasileiras, na verdade, celebram o axé compartilhado e a união com as divindades, é o mito da ancestralidade reatualizado sempre. No caso das festas de fim de ano, lamentamos pelos efeitos condicionados, convencionais e comerciais que preponderam sobre todas as outras instâncias, inclusive a afetiva, entre amigos e familiares. Mas não somos contrários à reunião entre colegas, amigos e parentes, ainda que vejamos a família não apenas pelo seu vínculo consanguíneo, mas sobretudo pelas afinidades espirituais, religiosas, culturais, além de crermos na família maior, a família planetária.  
Esperamos assim ter deixado claro a posição das religiões afro-brasileiras no que se refere às datas de final de ano. Com muito respeito pela prática religiosa cristã mas com desgosto em ver a sociedade manipulada pelos fins comerciais, os quais geram atos esporádicos de afeto e solidariedade e não educam a sociedade para um agir coletivo estrutural e constante.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
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Publicação 317

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Religiões Afro-brasileiras reatualizando o destino


Temos reforçado em nossas últimas publicações o compromisso das religiões afro-brasileiras com a comunidade do santo e com a sociedade civil. Tal compromisso é alicerçado nas várias ações espalhadas pelos estados brasileiros e coordenadas pelos pais e mães de santo de todo o Brasil.
Nossa casa de fundamentos também está fortemente engajada neste processo e funda seu compromisso a partir de duas principais vertentes. A primeira, a Faculdade de Teologia Umbandista, instituição de ensino superior que procura resgatar o senso de pertença, identidade e, acima de tudo, dar visibilidade e promover a isonomia das religiões afro-brasileiras perante outras religiões e teologias. Em outras publicações discutimos a questão do poder sob vários aspectos. Nosso empenho segue no sentido de diminuir as desigualdades impostas em nossa sociedade, já que a religião não assume um caráter escapista da realidade, ao contrário, está a todo momento interfaceando com várias esferas da vida social. Portanto, com a criação da FTU, pretendemos diminuir as desigualdades que em âmbito político, geram fortes e fracos; em âmbito econômico, ricos e pobres e, finalmente, em âmbito ideológico, sábios e ignorantes.
A segunda vertente, é a realização de vários toques de fundamentos, nos quais cumprimos a tarefa espiritual de nossa raiz e valorizamos o corpus de fundamento dos sacerdotes e sacerdotisas afro-brasileiras. Acreditamos que aliar as duas práticas não é uma tarefa fácil, mas em nome da dignidade religiosa afro-brasileira levamos avante tal compromisso.
No último dia 20 de dezembro realizamos mais um desses toques. A função deste, particularmente, era de sacralizar e construir o ori coletivo. Isso foi feito a partir da reatualização dos mitos. Estes, como uma ciência concreta, possuem a função de recontar a história da nossa ancestralidade. Todos os rituais, portanto, presentificam a história de nossa ancestralidade.
Outra função essencial vinculada a este toque foi a de restabelecer o equilíbrio biopsicossocial. Tal homeostasia é quebrada toda vez que corpo e pessoa se tornam instâncias fragmentadas. Corpo é a parte física, já a pessoa está envolta em vibrações mais sutis. A construção do ori coletivo e o consequente compartilhamento de axé possibilita um ajuste com o destino coletivo e individual propiciando saúde, que para nós, significa o bem estar biopsicossocial. Durante a construção do ritual utilizamos vários elementos minerais, vegetais e animais, todos eles portadores e veiculadores de axé e, consequentemente, potencializadores de saúde.
O toque foi realizado sob os auspícios de Baba Ori - Oxalá e Ya Ori - Yemanjá, Orixás que relacionam-se à cabeça e, portando, vinculam-se à criação e ao destino. Temos certeza que todos os toques das religiões afro-brasileiras visam proporcionar um contato com a ancestralidade. Este foi o nosso, fechando o ano dos trabalhos ritualísticos de nossa casa de fundamentos. Abaixo disponibilizamos fotos do toque que reproduzem minimamente o que foi vivenciado in loco.
Esperamos que todos vocês, leitores do blog, adeptos, simpatizantes, acadêmicos ou pais e mães de santo possam ter um feliz renascimento e um bom destino, de saúde, alegria e muito axé.






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Publicação 316

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Propostas da FTU: permeando o terreiro e a academia


Em nossa última publicação disponibilizamos fotos do último toque do ano destinado à louvação de Exu-Ossaim-Ifá. Explicamos a importância e o significado desta louvação não apenas para nossa família de santo mas para a grande teia que é tecida entre os vários terreiros afro-brasileiros. Exu é o senhor dos caminhos, elo de comunicação entre a humanidade e os Orixás. Exu é o senhor dos limites e nos mostra que podemos conquistar aquilo que desejamos, desde que com muito esforço e determinação.
Amparados sempre no pensamento-ação de Exu, o qual está sempre em movimento, fundamos em 2004 a primeira Faculdade de Teologia Umbandista, mesmo ano que o Ministério da Educação assinou seu credenciamento. Foi uma grande vitória para as religiões afro-brasileiras, porque, ainda que com o nome da instituição carregue mais a vertente umbandista, não é apenas ela privilegiada nos estudos da faculdade. Ao contrário, o bacharel em Teologia formado pela FTU diploma-se com ênfase nas religiões afro-brasileiras. Durante os quatro anos do curso os alunos tem a possibilidade de se aprofundar na multiplicidade de escolas afro-brasileiras, inclusive, várias delas são representadas por pais e mães de santo que, gentilmente e por acreditar no propósito da faculdade, conversam com os alunos sobre suas tradições.
Alguns poderiam nos perguntar porque fundamos uma instituição com esse caráter. Respondemos a estes colegas que algumas razões nos nortearam. A primeira delas é porque a faculdade possibilita recuperar o sistema de pertença e identidade das religiões afro-brasileiras e de seus adeptos. Isso aproxima o povo de santo, um caráter de fortalecimento interno das religiões afro-brasileiras. A segunda, é porque cremos que a educação é um caminho auxiliador para diminuir com a marginalização destas religiões, consideradas “menores”, “infantis”, “mágicas”, “maléficas”, “folclore”, etc. Trata-se de um caráter que fortalece as religiões afro-brasileiras, não mais para seu povo de santo, mas para a sociedade civil como um todo, garantindo a isonomia destas perante outras.
Assim, pensando no povo de santo e em como a sociedade civil poderia melhorar seu olhar e respeito perante as religiões afro-brasileiras que fundamos a FTU. Por intermédio da Teologia, é possível pensar em religião, cultura, política, economia. É uma proposta que prioriza os direitos humanos e espirituais.
Após dez anos de funcionamento da instituição, começamos a repensar sua importância  e consideramos que é algo que deve ultrapassar as barreiras regionais e se expandir para outros estados brasileiros, para a comunidade de santo de todo o Brasil. Em pouquíssimo tempo a FTU conseguiu muitas vitórias. Constituída por um corpo docente capacitado, juntamente com a produção de seus alunos, a faculdade foi representada em vários eventos acadêmicos nacionais e internacionais. Conseguiu uma visibilidade e respeito antes inimaginados, graças à competência dos trabalhos e da maneira natural e salutar com que os teólogos com ênfase nas religiões afro-brasileiras tratam seus pares.
A partir da vitoriosa experiência da FTU-SP pensamos em expandi-la para outros estados, os quais já possuem até representantes interessados em dar continuidade. Ressaltamos, porém, que a FTU nasceu da experiência religiosa de terreiro. E não queremos de maneira alguma deslocá-la disso. Ao contrário, seu êxito maior e único é por aproximar tão sabiamente os saberes religiosos (popular tradicional dos terreiros) ao saberes acadêmicos. Sendo assim, em todos os estados que se interessarem pela manutenção de uma sede da FTU, deveremos contar com um colegiado de sacerdotes e sacerdotisas que possam também prover os alunos e o povo de santo de vivências religiosas.
Os vários toques que temos feitos e divulgados via blog fazem parte dessa proposta maior, de entrelaçar a experiência religiosa dos vários terreiros, fortificar a teia afro-brasileira e levar avante o esforço de resgatar o senso de pertença e identidade do povo de santo, para então, em um segundo momento, que a sociedade civil passe a respeitar essas tradições entendendo-nas, não mais como “inferiores”, mas como sistemas complexos de significação religiosa, assim como todos os outros segmentos possuem.
Foi o que aconteceu no último sábado, um toque destinado a cumprir com essas propostas. E foi muito vitorioso! Um paó profundo para minha filha Mãe Fabi de Yemanjá (Itanhaém-SP) e todas as lideranças religiosas que estiveram presentes compartilhando de seu axé.
Abaixo disponibilizamos vídeo do toque realizado em Itanhaém.
Axé!



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Publicação 315

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Religiões afro-brasileiras em um novo e auspicioso tempo


Durante o ano de 2012 realizamos vários toques em diferentes cidades pelo Brasil. O penúltimo deles foi realizado dia 08 de dezembro em Curitiba (Paraná) e o último, ontem dia 15 de dezembro em Itanhaém (São Paulo).
Todos os toques realizados fazem a interrelação entre Exu, Ossaim e Orumilá Ifá. Exu pois, do panteão de todos os Orixás ele é o decano, é o elo de comunicação do sistema. Ossaim por ser, igualmente, mediador do sistema com suas ervas medicinais e rituais. Finalmente, Orumilá Ifá, pois ele é o senhor do destino. A ideia é, portanto, apresentar e fazer com que toda a comunidade do santo saiba e vivencie que tudo é possível e consiga realizar um bom destino. Exu diz que tudo é possível, inclusive acabar com as desigualdades espiritual, cultural e social.
Findar com essas várias desigualdades faz parte do propósito das religiões afro-brasileiras, religiões que historicamente foram preconceituadas e marginalizadas mas que respondem a isso com propostas sérias para sua comunidade e para a sociedade civil como um todo. Tais propostas resgatam a identidade, memória, pertença e valia das contribuições afro-brasileiras espiritual e culturalmente para o povo brasileiro.
Em nosso caso, como sacerdote, nossa proposta faz uso de duas vertentes. A primeira, ao fundarmos a Faculdade de Teologia Umbandista (FTU), escolhemos tornar visível e isonômica as religiões afro-brasileiras por intermédio da educação. A segunda, ao valorizarmos o fundamento do sacerdócio (os iniciados se fazem nos templos), tivemos como intenção dar maior visibilidade aos afro-brasileiros, os quais sempre foram preconceituados e, hoje, podem ter a sua voz manifesta por dentro da sociedade.
Em continuidade dessa proposta, para o ano de 2013 já há um calendário para esses toques, os quais serão realizados por outros sacerdotes e sacerdotisas que possuem seus terreiros em outras cidades. Tal mobilização para a concretização desses toques surgiu a partir do Fórum Internacional Permanente de sacerdotes e sacerdotisas mantido via blog pela FTU (http://religiaoediversidade.blogspot.com.br/ ), iniciativa que privilegia todas as formas de se pensar e praticar as religiões afro-brasileiras e afro-americanas.
Abaixo, disponibilizamos álbum de fotos do Toque Exu Guardião do Destino e da Magia realizado no Templo de nossa filha espiritual, Mãe Fabi de Yemanjá, e as várias lideranças (pais e mães de terreiros) da região.
Aproveitamos para parabenizar Mãe Fabi de Yemanjá, seu esposo Kiko e seus filhos espirituais pelo empenho e dedicação na preparação do toque. Parabenizo também meus filhos espirituais por auxiliarem na preparação e participarem ativamente deste toque.
Axé!




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Publicação 314

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Congresso: Entrevista com o profa. Dsc Irene Dias

Seguindo com as boas vibrações que o V Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI / II Congresso Internacional das Religiões Afro-americanas deixou em todos nós,vamos apresentar mais uma entrevista que o nosso filho espiritual João Luiz Carneiro (Yabauara) realizou com a profa. Dsc. Irene Dias.
A professora Irene Dias Possui graduação (1986), mestrado (1988) e doutorado em Teologia pela Pontifícia Facoltá Teológica dell Itália Meridionale; e graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (1999); especialização Lato Sensu em Educação Ambiental (2009) e Educação a Distância(2010) pelo SENAC. É professora titular da Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Desenvolve pesquisas sobre multiculturalismo, etnicidade, religião e violência. Possui artigos e livros sobre os temas de suas pesquisas.
Axé! 






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Publicação 313

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Congresso: Entrevista com o prof. Olympo Morales Benitéz

Seguindo com as boas vibrações que o V Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI / II Congresso Internacional das Religiões Afro-americanas deixou em todos nós,vamos apresentar mais uma entrevista que o nosso filho espiritual João Luiz Carneiro (Yabauara) realizou com prof. Dsc. Olympo Morales Benitéz.

O professor doutor Olympo é da Universidade da Colômbia e membro do Centro de Libertad y Pensamiento Otto Morales Benitéz, instituição colombiana da defesa da liberdade do pensamento.

Axé!





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Publicação 311

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

V Congresso Brasileiro de Umbanda do século XXI/ II Congresso Internacional das Religiões Afro-americanas: Memória, cultura e identidade


Nos últimos dias 23, 24 e 25 de novembro a Faculdade de Teologia Umbandista – FTU - sediou o V Congresso Brasileiro de Umbanda do século XXI e o II Congresso Internacional das Religiões Afro-americanas. Como de praxe a instituição teve o intuito de aproximar os saberes acadêmicos e religiosos, convidando professores pesquisadores e pais e mães espirituais a dialogarem durante os dias do evento e, claro, construir uma amizade a partir deles.
Este ano o tema foi “Memória, Cultura e Identidade” reunindo palestras provenientes de múltiplos olhares, o teológico, o antropológico, o sociológico, o psicológico entre outros. Durante três dias os palestrantes e congressistas assistiram a um encontro amistoso que visava, sobretudo, construir juntos saberes e amizades alicerçadas no objetivo maior de valorizar as religiões afro-brasileiras. Estas, durante muito tempo foram consideradas religiões menores, inferiores, cultura de periferia associadas à feitiçaria, magia, discurso que acobertava (e muitas vezes não se preocupava em esconder) o preconceito e a racialização da sociedade brasileira.
Nas últimas décadas, amparadas pelo discurso do multiculturalismo e da tentativa de reforçar a identidade nacional brasileira, as religiões afro-brasileiras passaram a ocupar um espaço grande, na música, nas artes, enfim, no cenário cultural como um todo. Muitas dessas análises, porém, ainda mantém subliminarmente um discurso refratário, tentando classificar tais religiões como folclore.
Longe de estar inserido neste último grupo, a intenção ao criarmos a Faculdade de Teologia Umbandista foi para definitivamente entregar aos grupos afro-brasileiros (majoritariamente pobres, até então) seu espaço na sociedade civil como um todo, resgatando suas contribuições culturais, étnicas, simbólicas e religiosas. Escolhemos para isso o caminho educacional, entendendo ser este um caminho honroso, o qual foi durante muito tempo, renegado a estes grupos. Conseguimos dar visibilidade e credibilidade às religiões afro-brasileiras em duas vertentes: a criação da FTU (aproximando o saber popular-tradicional da teologia) e a outra, valorizando o fundamento (corpus de tradição do sacerdote – religião vivenciada e experienciada de mãe/pai-de-santo para discípulo/filho-de-santo).
Todo este processo possibilita a mobilidade social – vertical e horizontal – individual e coletiva. Vertical, pois dá acesso educacional aos afro-brasileiros em condições de igualdade com todos os outros grupos, e horizontal por reforçar os laços identitários enquanto grupo maior, independente da ampla diversidade existente no interior deste campo religioso.
Além das palestras principais, o congresso abriu espaço para três grupos de trabalhos (GTs): 1. Teologia, 2. Memória, cultura e identidade, 3. Meio ambiente e espiritualidade. Tais grupos visaram favorecer as comunicações orais de pesquisadores de vários estados, os quais tem priorizado os estudos afro-brasileiras em seus cursos de pós-graduação. Outra surpresa dos GTs foi a presença de pais e mães-de-santo, ora apresentando suas comunicações orais, ora coordenando um dos grupos, o que reforça a vontade dessas lideranças em trazer seus conhecimentos religiosos e dialogarem sobre eles, pela lente acadêmica.
Como todo final de congresso, os agradecimentos se fazem necessários. Aos organizadores, em sua grande maioria, filhos espirituais de nossa Casa de Fundamentos que doaram seu tempo e esforço por este evento. Aos professores palestrantes (brasileiros e internacionais) que contribuíram com suas pesquisas para o enriquecimento do debate. Aos congressistas, que mais um ano fizeram do evento um momento de discussão e construção de saberes. Finalmente, não por menor importância, ao contrário, por ser o grande leit motiv de nosso ideal: agradecemos as várias tradições afro-brasileiras e suas divindades (caboclos, encantados, Orixás, Inkices e Voduns).
 Abaixo disponibilizamos algumas fotos do evento, pequena parcela registrada de excelentes momentos!
Axé!



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Publicação 310


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Cantos e encantos no toque da Encantaria

Na publicação de hoje vamos mostrar um pequeno vídeo que registra o Toque da Encantaria conduzido por nós no templo de nossa filha espiritual, Mãe Fabi.
Na próxima publicação voltaremos a registrar outras nuances do V Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI / II Congresso Internacional das Religiões Afro-brasileiras realizado nas dependências da FTU. Axé!




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Publicação 309

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Congresso: Entrevista com o Mestre Juremeiro Cleone Guedes e prof. Luiz Assunção

Passaram poucas horas do encerramento da quinta edição do Congresso Brasileiro de Umbanda do Século XXI que também comportou o II Congresso Internacional das Religiões Afro-americanas. Na publicação de hoje, vamos compartilhar algumas importantes impressões deste evento por meio de vídeo. Trata-se da entrevista que nosso filho espiritual João Luiz Carneiro (Yabauara) fez com o Mestre Juremeiro Cleone e prof. Luiz Assunção.

O Mestre Juremeiro Cleone é filho espiritual e carnal do Mestre Geraldo Guedes, sendo ambos uma das principais referências em Jurema no Nordeste brasileiro. Além disso, Mestre Cleone fora iniciado também na Jurema pelo renomado Babá Carol, outra grande referência na região. Passou pelo Candomblé Ketu e hoje conduz a casa de Mestre Geraldo.

O Prof. Luiz Assunção é Doutor em Ciências Sociais pela PUC e tornou-se uma importante referência acadêmica sobre Jurema ou Umbanda Nordestina, como afirma em sua tese de doutorado.

Abaixo, o vídeo. Axé!




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Publicação 308

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

O Corpo no transe religioso afro-brasileiro

O corpo é sempre discutido em nossas publicações já que ele tem função relevante dentro dos rituais afro-brasileiros e também na vida dos adeptos. A forma de lidar com o corpo, como algo sagrado (e não externo e pecaminoso) é marca da cosmovisão afro-brasileira, em suas múltiplas manifestações. Não há religião afro-brasileira que não tenha o corpo como um instrumento sagrado, como um veículo das divindades e ancestrais e como um dinamizador, receptor e veiculador de axé.
Nesta publicação aproveitamos para trazer à tona um texto apresentado no XIII Simpósio Nacional da Associação Brasileira das Religiões, em junho deste ano, na cidade de São Luis do Maranhão (Universidade Federal do Maranhão). Na ocasião, vários olhares se encontraram, especialmente o teológico, antropológico e sociológico, a fim de que os pesquisadores discutissem o campo religioso brasileiro de forma saudável e dialógica. Duas teólogas formadas pela Faculdade de Teologia Umbandista estiveram presentes, apresentando sobre o papel do corpo nos transes religiosos afro-brasileiros. O trabalho foi muito discutido o que denota que as discussões sobre o corpo e sobre o transe devem ser sempre e mais exploradas. E é este texto que aproveitamos para mostrar aos leitores do nosso blog. Boa leitura! Axé!

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Publicação 307

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Toque dos Encantados - Encantaria de Mestre Canindé


O corpus dos saberes e práticas das Encantarias faz a ponte entre as várias religiões afro-brasileiras. Sua composição ritual leva em consideração as primeiras matrizes formadoras do povo brasileiro, a indígena, a indo-europeia, não excluindo a africana. As Encantarias são ritualizadas em várias partes do país e estão assentadas nas sagas dos Mestres, nos poderes veiculados pelo vinho da Jurema e a sacralização dessa árvore e pela força da comunidade religiosa (que não é fechada, mas aberta).
Esta publicação destina-se a apresentar fotos de um Toque dos Encantados realizado no último dia 15 de novembro na Casa Espiritual de Mãe Fabí (minha filha de santo) em Itanhaém (a Terra que canta e encanta). Estiveram presentes filhos de santo de São Paulo, de Itanhaém, além de outras lideranças religiosas que vieram comungar conosco dos poderes dos encantados.
Axé!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 306


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Faculdade de Teologia sedia evento: V Congresso Brasileiro de Umbanda e II Congresso Internacional das Religiões Afro-brasileiras!


Na próxima semana a Faculdade de Teologia Umbandista sediará pela quinta vez consecutiva o V Congresso Brasileiro de Umbanda e o II Congresso Internacional das Religiões Afro-brasileiras/americanas. O evento será nos dias 23, 24 e 25 de novembro.
O Congresso faz parte da proposta da instituição em fomentar a aproximação entre o saber acadêmico e o saber religioso, entendendo ambos como formas legítimas e verdadeiras do conhecimento. Por ser um encontro acadêmico estiveram e estarão presentes pesquisadores de várias áreas, como teologia, antropologia, sociologia, educação entre outras. Mas a inovação do evento é contar com sacerdotes e sacerdotisas das religiões afro-brasileiras, os quais se dispõem anualmente em dialogar e trazer a força de suas tradições religiosas para que todos possam conhecê-las, de uma maneira mais próxima.
Este ano estará presente um sacerdote juremeiro (Mestre) residente em Natal que trará experiências da religiosidade da Jurema Nordestina. Esta vertente religiosa, tão rica e já conhecida nas regiões norte e nordeste, possui também adeptos em outras regiões do país, como o estado de São Paulo, por exemplo. Essa é apenas uma das marcas do campo religioso afro-brasileiro, a constante interpenetração de suas vivências. Se há traços marcantes em cada Escola Afro-brasileira, não podemos negar que elas dialogam em vários pontos, na crença nas potestades (orixás, voduns, inkices), nos ancestrais (caboclos, pretos-velhos, encantados, mestres, exus, baianos, boaideiros, etc), o transe, a relação com as ervas medicinais e rituais, a comunidade de santo, entre tantas outras que poderiam ser listadas. Essas são algumas das questões a serem debatidas no Congresso deste ano, uma vez que elas envolvem Cultura, Memória e Identidade das Religiões Afro-brasileiras.
Outro ponto importante são os grupos de trabalhos abertos para a comunidade acadêmica, professores e alunos, pesquisadores em geral que tem a oportunidade de expor suas pesquisas. O congresso terá 3 GTs: 1. Teologia, coordenado pela Profa Dra. Irene Dias; 2. Memória, Cultura e Identidade, coordenado pelo Prof. Dr. Luiz Assunção e 3. Meio ambiente e Espiritualidade, coordenado pelo Prof. Dr. Yuri Tavares.
Haverá também um coquetel e uma sessão de lançamento de livros da Editora Arché. Um dos livros mais esperados chama-se Da Minha Folha: múltiplos olhares sobre as religiões afro-brasileiras, organizado pelo Prof. Dr. Luiz Assunção. O livro conta com vários trabalhos de pesquisadores. Minha contribuição ao livro leva o título de Abordagem de saúde, doença e cura nas Religiões Afro-brasileiras. No capítulo, apresento uma das visões sobre doença, saúde e cura, sabendo que há várias Escolas e, claro, vários conceitos e tratamentos. Com certeza será uma obra que marcará este campo de estudos pelas várias abordagens contidas em seu interior!
Disponibilizamos abaixo o link do evento para que vocês possam observar a programação completa com os nomes de todos os palestrantes, as palestras, os locais para hospedagem em São Paulo e valor das inscrições.
Ainda há vagas para o evento e vocês, leitores, também podem fazer parte dessa história, construindo saberes convergentes e levando adiante a força da cultura e religiosidades afro-brasileiras.
http://www.ftu.edu.br/congressos/convidados.html#
Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 305