segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Religiões Afro-brasileiras - Fundamento de Ori "nas Umbandas"

Nesta publicação ensaia-se a discussão do fundamento Ori-Bará como é entendido “nas Umbandas” mais próximas do: Catolicismo Popular e Kardecismo; Culto Africano e Iniciática. Como método de estudo escolheu-se para este ensaio os principais ou mais conhecidos ícones: Tancredo Pinto (Umbanda Omolocô – Matriz Africana); W.W.da Matta e Silva (Umbanda Iniciática – Matrizes Afro-indígena – Indo-européia) e Zélio Fernandino de Moraes (Umbanda Branca-Matriz Indo-européia).

O vídeo disponibilizado nesta publicação – “Religiões afro-brasileiras – Fundamento de Ori “nas Umbandas” discute e se aprofunda nas raízes citadas. A discussão pretende instigar a pesquisa e também apresentar a diversidade das religiões afro-brasileiras demonstrando que as mesmas se manifestam como um caminho, e não como uma “casa fechada” isto é, uma unidade aberta a releituras e ressignificações contínuas. Axé!





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 177

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Blog entrevista Pai Wellington Gomes (Caldas Novas - GO)

Qual o nome do senhor e a dijina de santo?

Wellington Gomes Pinto e minha dijina é Rumpi de Xangô.

O senhor é sacerdote há quantos anos?

Há dez anos.

O ilê do senhor fica em qual endereço?

Caldas Novas, Estado de Goiás.

Quais são as atividades desenvolvidas no templo?

Nós temos o desenvolvimento mediúnico, trabalhos aberto ao público nas segundas-feiras, rito de exu sempre as últimas sextas-feiras de todos os meses e toques para os Orixás.

Como estão configuradas as religiões Afro-brasileiras em Goiás? E na Região Centro-Oeste como um todo

Em Caldas Novas somos muito respeitados devido a honestidade e responsabilidade que temos com os nossos ritos e o social que o Terreiro realiza. Nosso terreiro sofreu ate hoje, nesses dez anos de trabalhos realizados algumas ofensas, nada que venha a atrapalhar os nossos rito e trabalho, como por exemplo, comentários de irmãos de outras religiões que dizem que nossa casa é casa do demônio, que no setor não abriria casa do demônio, etc. A religião na região centro-oeste em si é muito respeitada. Não tenho conhecimento de algum fato que veio a oprimir algum sacerdote ou trabalho realizado por ele.

As religiões afro-brasileiras sofrem processos de intolerância religiosa? Se sim, oriunda de que setores?

Sim. Essa intolerância parte dos irmãos protestantes e para grande espanto dos irmãos kardecistas. Porém os novos sacerdotes vêm mudando o rumo dessa historia, da historia da nossa tão querida Umbanda, por exemplo, trazendo novos ritos que não sujam tanto a imagem da nossa Umbanda, como os antigos sacerdotes o fizeram para mostrar o “poder” que tinham. O meu Terreiro tem só tem dez anos e essa transformação é estampada no público que nos segue, são jovens que vem em busca de desenvolver a sua mediunidade, porque demonstramos que a Umbanda é do povo, é livre, e não é macumba.

O senhor faz alguma atividade social? Se sim, qual?

Sim. Temos o projeto Cosme e Damião que engloba a confecção e distribuição de sopa, agasalhos, brinquedos, cestas básicas, e com futuros investimentos ofereceremos para as crianças do nosso setor aulas de maculelê, informática, artesanato, etc.

Como está sendo a parceria com a FTU para o senhor?

Ainda não possuímos parecerias com a FTU, infelizmente, mas pretendemos estreitar nossos laços. Estive na FTU e gostei muito do tratamento que nos foi dispendiado no evento do rito de Exu, voltaremos nesse ano a esse grande rito, e a nossa ligação e conhecimento da FTU e através do nosso amigo João Luiz, que não dispensa esforços para nos deixar atualizados de tudo o que acontece na FTU.

Como o senhor tem encarado o conceito de Escolas propugnado pelas linhas de pesquisa da FTU?

Vejo um grande crescimento intelectual, teológico e cultural para a nossa Umbanda. Nossos Sacerdotes têm que manter a essência de cada terreiro ser conforme a sua entidade espiritual conduz, mas nossos sacerdotes não podem deixar de evoluir culturalmente, todo conhecimento é valido, e tudo que é realizado para a propagação, desmistificação e crescimento da Umbanda é recebido por mim de bom agradado.

O senhor autoriza a disponibilização desta entrevista para a FTU nos seus meios digitais e impressos?

Tem minha total autorização.


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Publicação 176

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Religiões Afro-brasleiras - Teologia Ori/Bará


RESUMO

A Teologia das religiões afro-brasileiras tem como objeto de estudo o pensamento, a cosmovisão e os fenômenos sócio-culturais e espirituais das religiões de matriz afro-brasileiras ou simplesmente brasileiras.

As religiões afro-brasileiras têm como característica fundamental a Tradição Oral, ou seja, o conhecimento se encadeia na herança deixada e transmitida de geração a geração, constituindo os núcleos epistêmicos, social, ético e principalmente da fé e rituais que expressam os mitos e as crenças.

Nestas tradições religiosas o conceito fundamental é calcado na vivência coletiva e individual das divindades sobrenaturais – Orixás (no conceito Jejê-Nagô) tidos como Pais ou Genitores Divinos ou dos Ancestrais – Pais de Linhagens.

Palavras-chave: Bará, Cosmovisão, Ori, Religiões Afro-brasileiras, Teologia


ABSTRACT

African-Brazilian religions' theology have as objects of study the thought, the cosmoview and socio-cultural and spiritual phenomena of religions of african-brazilian matrix or simply Brazilian religions.

African-Brazilian religions have as a fundamental characteristic Oral Tradition, that is, knowledge is linked together in inheritance and passed from generation to generation,constituting the epistemic, social, ethical cores and above all the faith and rituals that express the myths and beliefs.

In these religious traditions, the fundamental concept is grounded in individual and collective experience of supernatural deities - Orishas (the concept Jeje-Nago) taken as a parent or Divine genitors or the Ancestors - Parents of lineages.

Keywords: Bara, Cosmoview, Ori, Afro-Brazilian Religions, Theology


RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS-TEOLOGIA-ORI/BARÁ

INTRODUÇÃO

A Teologia das religiões afro-brasileiras tem como objeto de estudo o pensamento, a cosmovisão e os fenômenos sócio-culturais e espirituais das religiões de matriz afro-brasileiras ou simplesmente brasileiras.

As religiões afro-brasileiras têm como característica fundamental a Tradição Oral, ou seja, o conhecimento se encadeia na herança deixada e transmitida de geração a geração, constituindo os núcleos epistêmicos, social, ético e principalmente da fé e rituais que expressam os mitos e as crenças.

Nestas tradições religiosas o conceito fundamental é calcado na vivência coletiva e individual das divindades sobrenaturais – Orixás (no conceito Jejê-Nagô) tidos como Pais ou Genitores Divinos ou dos Ancestrais – Pais de Linhagens.

Tanto uns como outros, assim como tudo que tem existência se manifestam em dois planos: o natural e o sobrenatural. O natural (Aiyê) é manifestação do sobrenatural (Orun). Portanto tudo tem duplicidade, e isto é fundamental no entendimento do pensamento dos afro-brasileiros.

Outro conceito basilar é o de Existência. A existência pode ser genérica (matéria indiferenciada) ou individualizada (matéria diferenciada). É digno de nota, que em outros textos disponibilizou-se o conceito de princípios genéricos manifestos por intermédio da simbologia das três cores: branco, vermelho e preto. Nisto se alicerça o conceito de Axé- Princípio Fundamental, dinâmico, que permite o realizar e ao mesmo tempo seu desenvolvimento.

Após as considerações supra, temos que aditar que o ser humano é constituído por elementos coletivos, representações deslocadas de entidades genitoras míticas ou divinas e ancestrais ou antepassados (de linhagem ou família) e por combinação de elementos que constituem sua especificidade, ou seja, sua unidade individual (ELBEIN)

Segundo conceitos já discutidos podemos associar a existência no aiyê (terra – mundo natural) a:

Ara – matéria – porção ou “corpo”

Bara – oba – ara – “rei do corpo” – A existência – vida – realização

Emi – respiração – ser vivo individualizado – o espírito

Ori – a cabeça (destino – consciência individualizada)

O conceito de Ori está associado a destino. Adquirir um Ori é possuir destino, consciência individualizada, sendo esta a condição necessária e suficiente para o “ser humano” completar seu ciclo existencial – ato primeiro: nascimento.

Quanto ao destino a “modelação” das cabeças associa-se a odu – signo que aponta, não de forma imutável, o destino do indivíduo. Ao contrário, o indivíduo é livre para se manifestar, mas as adversidades podem ser em decorrência de se afastar muito de seu odu-signo, algo que pode ser reescrito, retificado por intermédio de vários rituais de fundamento preceituados por Orunmilá-Ifá – o Orixá do destino.

O presente “discurso” da Tradição Oral do Ori/Bará – Corpo/Cabeça (como unidade indivisível) se propõe discutir relações espirituais (anímicas-ori) com o sistema nervoso, o encéfalo e nele o cérebro, pois além do mesmo estar na cabeça (encéfalo-dentro da cabeça) pode ser o ponto de equivalência do Ori Aiyê ou Ori Inu a contra parte do Ori Orun, representado pela cabaça ritualística ou louça denominada Ibá-ori.

SUMARIZANDO O SISTEMA NERVOSO CENTRAL

O protoplasma, o principio vital, pode ser caracterizado por três propriedades fundamentais: irritabilidade, condutibilidade e contratilidade.

À guisa de exemplo cita-se a ameba (protozoário-unicelular), como o modelo inicial e que explica as modificações no processo filogenético do sistema nervoso central.

A irritabilidade ou sensibilidade permite que a ameba detecte as modificações do meio externo. Quando reage a esse estímulo é que houve a condutibilidade. A resposta pode se manifestar por um encurtamento – contratilidade. Ela foi sensível e conduziu informações sobre o estímulo a outras partes da célula determinando retração de um lado e emissão de pseudópodes do outro.

No processo da evolução filogenética encontra-se basicamente na extremidade das células nervosas (neurônios) situadas na superfície desenvolveu-se uma formação especial denominada receptor (recepção). O receptor transforma vários tipos de estímulos físicos ou químicos em impulsos nervosos que podem, então, ser transmitidos ao efetuador, músculo ou glândula.

O que se deseja discutir de forma sumarizada é que o sistema nervoso central só surgiu após muitas experimentações ou desenvolvimento filogenético, sendo o sistema nervoso central do ser humano, a forma equilibrada e mais desenvolvida.

O que se supõe é que o sistema nervoso difuso (celenterados) foi evoluindo e nos platelmintos e anelídeos foi substituído por um sistema nervoso central (centralização do sistema nervoso).

Assim surgiram os neurônios sensitivos ou aferentes e os neurônios motores ou eferentes. São aferentes os neurônios, fibras que trazem impulsos a uma determinada área do sistema nervoso e eferentes os que levam impulsos desta área. Portanto, aferente é o que entra e eferente ao que saí de determinada área do sistema nervoso.

Depois deste sumário filogenético, onde se observou que o sistema nervoso central é recente no processo de evolução das espécies (o que será importante quando se discutir o “adquirir ori”)

No processo embriológico do sistema nervoso encontraremos três dilatações no tubo neural (que dá formação ao sistema nervoso no embrião): o prosencéfalo (telencéfalo e diencéfalo); mesencéfalo e rombencéfalo, (metencéfalo e mielencéfalo).

Com isto podemos afirmar, calcados na embriologia e anatomia que o sistema nervoso se divide em:


Obs: Clique na imagem para ampliá-la

PARTES COMPONENTES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL

Obs: Clique na imagem para ampliá-la

Fonte: MACHADO, Angelo B.M. Neuroanatomia Funcional. Livraria Ateneu S.A., 1974


Para a demonstração desejada espera-se que o sumário sobre o sistema nervoso, principalmente, o central , seja elucidativa e diretiva.

CONCEITO BÁSICO DO FUNDAMENTO ORI/BARÁ

No estudo ligeiro do Sistema Nervoso observou-se que a evolução foi do sistema nervoso difuso para o central, ou seja, no início da vida planetária não havia “cabeça” ou centro diretor representado pelo Sistema Nervoso Central basicamente: cérebro (telencéfalo e diencéfalo), tronco encefálico (mesencéfalo, ponte e bulbo) e cerebelo. A medula completa as estruturas. O encéfalo compreende todas as estruturas anatomo-fisiológicas citadas, exceto a medula espinhal.

Como se discutiu em outros textos sobre ori/bara, neste deseja-se demonstrar que a evolução biogenética permitiu que os “espíritos” pudessem adquirir um ori/bará, isto é, o corpo humano propicia forma de manifestar o ori (destino) e seu aperê (suporte).

Não se está afirmando que o cérebro é o Ori. Mesmo o ori ayê (cabeça física) não é o cérebro, mas aspectos tangíveis (conscientes) da mente. Claro está que não associamos o cérebro à mente. Quanto muito se afirma que o mesmo é manifestação, veículo da mente.

No que concerne ao Ori-Inu (dentro da cabeça) pode-se associar ao aspecto quintessenciado da glândula pineal ou epífase tida por muitos como a glândula da vida espiritual ou repositório vivo do Ori-Inu ou destino, que é motivo de culto, louvação e oferenda, algo que é consolidado na cabeça (crânio) do indivíduo e no Ibori (cabaça de Ori)

No término desta introdução cita-se um texto do livro – Os Nagô e a Morte – Juana Elbein dos Santos, 1ª edição, onde melhor se entenderá o conceito desenvolvido e como conclusão disponibiliza-se o vídeo “Religiões afro-brasileiras-Teologia- Fundamento Ori-Bará”.

“Eles jogaram Ifá para Ajalá (fazedor de todas as cabeças). Ajalá é aquele que Oludumare designou para modelar ori (no ode orun). É um Orixá antigo. Ele modela ori todos os dias e os põe no solo. Aquele que vai do Ikolé-Orun para o mundo é obrigatório que ele chegue até Ajalá para ter uma cabeça. Quando ele aí chega pode fazer sua escolha.

Os que trabalham com Ajalá são: Orixalá-Ejiogbe, OyeKu-meji, Iwori-meji, Odi meji, Irosun meji, Oworin meji, Obará meji, okanran meji, ogundá meji, Osa meji, Ika Meji, Oturopon meji, Otura meji, irete meji, oxé meji, ofun meji. Eepa à (nosso respeito a todos eles). Todos esses odu que com Axetua são dezessete, trabalham com Ajalá em modelar ori todos os dias.

A porção retirada na qual cada ori é modelado é o Egun Ipori (matéria ancestral). Cada um deverá venerar sua matéria ancestral para prosperar no mundo e para que ela venha a ser seu guardião.” ELBEIN, Juana. Os Nagô e a Morte. Ed. Vozes.1978.


CONCLUSÃO

A conclusão esta disponibilizada no vídeo “Religiões afro-brasileiras-Teologia- Fundamento Ori-Bará. Axé!




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Publicação 175

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Blog entrevista Mãe Maria do Socorro (Manaus - AM)

Qual o nome da senhora e a dijina de santo?

Eu me chamo Maria do Socorro, quando fiz o bori para meu orixá meu pai de santo me deu a dijina de Delfona de Yemanja.


A senhora é sacerdote há quantos anos?

26 anos

O ilê da senhora fica em qual endereço?

Fica localizado na rua Cinelândia nº 22 b. da paz Manaus- AM

Quais são as atividades desenvolvidas no templo?

Nós trabalhamos com toque de jurema aos sábados das 19:00 ás 23:00 horas, e as sextas-feiras das 21:00 ás 00:00 horas

As religiões afro-brasileiras sofrem processos de intolerância religiosa? Se sim, oriunda de que setores?

Sim, principalmente do setor evangélico.

Como está sendo a parceria com a FTU?

Esta sendo gratificante, principalmente porque estou tendo a oportunidade de ampliar meus conhecimentos, através dos textos a mim enviados

A senhora autoriza a disponibilização desta entrevista para a FTU nos seus meios digitais e impressos?

Sim, sem nenhum problema.



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Publicação 174

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Religiões Afro-brasileiras – Tradições das transformações

“A constante da Tradição é a contínua mudança, logo as Religiões afro-brasileiras são uma unidade aberta que permite várias leituras”. (F. Rivas Neto)

A Tradição das Religiões afro-brasileiras é constituída de núcleo (fundamentos básicos) e de periferia, condizente com as noções de tempo e espaço, com a contemporaneidade, mas sem enfrentamento com seus princípios de espiritualidade na comunidade, contrária aos ditames do consumismo do Sagrado.

Este é o tema discutido no vídeo “Religiões afro-brasileiras – uma visão plural do Sagrado”. Claro que não se pretendeu esgotar o assunto, mas ensejar pesquisas e estudos sobre as funções comunais da Teologia, do Sagrado, da Espiritualidade Universal. Axé!





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Publicação 173

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Blog entrevista Pai Jair Campos (Natal - RN)

Qual o nome do senhor e a Dijina de santo?

Jair Campos. Sou de Oxalá Alufam, mas feito para Ogum Wari (ligado a Oxum, Oxalá) na umbanda Ogum Beira Mar e Sete Ondas e Ogum Iara, meu Pai.

O senhor é sacerdote há quantos anos?

Sou Abikum, 15 anos com mãe Joana D’oxum como Pai pequeno. Tenho 10 anos como Pai de Santo.

O Ilê do senhor fica em qual endereço?

Novo Horizonte – Pajuçara II – Natal/RN.

Quais as atividades desenvolvidas do templo?

Temos as Giras de Orixás, Giras de Jurema, mesa de doutrinação (aberto ao Público, mas sendo exclusiva dos médiuns.

Como estão configuradas as religiões Afro-brasileiras em sua região?

Não estou criticando e muito menos falando de Babalorixás ou Balorixás mas deficiente no sentido de não haver união, integração entre todas as religiões afros, a umbanda é uma religião afro querendo ou não tem seus segmentos, seus ensinamentos e suas raízes, porque ser discriminada quando não há uma mistura. Pouco se vê Umbanda sem mistura, tem que haver mistura para se ter valor, claro que se vê aquela Umbanda antiga, de reza e de rezador mas somente nos interiores do Rio Grande do Norte na capital que ainda persiste com muito custo, é a minha, de minha mãe de santo, e mais duas.

E no Rio Grande do Norte como um todo?

Sim, muitas vezes de outras religiões, principalmente evangélica, forte na capital, mas hoje vemos algumas mudanças,professores pedindo trabalhos escolares e entrevista com sacerdote, e que é muito interessante os alunos procuram a Umbanda para entender melhor, alunos católicos, Evangélicos, testemunhas de Jeová e outras, eles acabam entendendo que Kardescismo é Kardescismo, Umbanda é Umbanda, Candomblé é Candomblé, as vezes o que falta é instrução e aprendizado, para eles tudo é igual, não estou dizendo que eles são leigos, não procuram livros, internet e aprender, se aperfeiçoar.

Como está sendo a parceria com a FTU para o senhor? O senhor autoriza a disponibilização desta entrevista para a FTU nos seus meios digitais e impressos?

Esta pergunta já me foi feita, até disseram o quê ou quanto estava ganhando da F.T.U.

Mas eu gosto de sinceridade e verdade, o que coloco aqui em cada pergunta pode ser divulgado, porque é a pura verdade, quando me veio o convite, para mim foi uma honra, uma benção porque, por estar recebendo os louros de uma grande luta que é levar a Umbanda como vista e honrada, claro que fiquei receoso e, além disto, estava debilitado da perna, mas me senti em casa com o respeito de todos da faculdade, a esposa de Pai, Rivas, seu discípulo João Luiz, o próprio Pai Rivas, me encantei com a faculdade, o memorial afro, o templo Iniciatico do Cruzeiro Divino e a sala dos sacerdotes aonde todos estavam unidos, Umbanda, Gege, Nagô, Keto, Angola, Juremeiros com a sinceridade e verdade assim que deveria ser principalmente, cada um que quer ser individual aleitando só os que são de suas raízes.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

As Religiões Afro-brasileiras: A Sabedoria construída na Tradição Oral

O que se sabe de “alguma coisa”, se só se sabe dessa “alguma coisa”? Praticamente nada, pois, como compará-la, estudá-la num círculo fechado de concepções restritas?

Nos textos precedentes discutiu-se de forma enfática e sublinhada que se vive num universo de verdades restritas imersas em incertezas irrestritas, ou seja, algumas verdades num mundo de incertezas.

O discurso apresentado, pode-se supor, está sendo levado à metafísica ou ontologia, pois como explicar verdades restritas mergulhadas em incertezas irrestritas? Não se está derivando para a metafísica, e como comprovação demonstra-se o infra.

O pensamento tomado como idéia, pode manifestar-se na palavra inarticulada (no interior de cada indivíduo) e na palavra articulada, ambas, porém, podem manifestar-se na grafia (escrita).

Partindo-se da premissa que a primeira manifestação ou roupagem do pensamento é a palavra, o vídeo apresentado nesta publicação discute as qualidades e vantagens da Tradição Oral, mormente nas Tradições das Religiões afro-brasileiras, que optaram pela Tradição Oral não por faltar competência, ciência ou habilidade para tal, mas reitera-se, por escolha de tal método.

Espera-se alcançar os objetivos gerais, quais sejam, discutir de forma ampla o tema, que claro, não se tentou torná-lo ortodoxo. Que a visualização do vídeo possa proporcionar um amplo e alto nível de discussão. Axé!



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Publicação 171

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Tradição Oral das Religiões Afro-brasileiras na Encantaria dos Mestres

A Teologia das religiões afro-brasileiras possui duas vertentes: o saber religioso se conectando com o saber acadêmico e científico. A outra vertente é a das crenças, ritos e fé que faz a interface com a Religião.

Nesta publicação disponibiliza-se o vídeo “Religiões afro-brasileiras - Encantaria de Mestre Canindé”, que apresenta a ritualística da Encantaria. Demonstra a importância da Tradição Oral, marcada pelo enredo (mito ritualizado) e pelas impostações das falas de vários Encantados acostados, durante o ciclo de significados e ressignificações ritual.

Pensando na Tradição Oral, principalmente manifestada na fé e em rituais, disponibiliza-se a mesa dos Encantados, o qual apresenta as várias fases, desenvolvidas em falas, cânticos, danças, fumigações com seus vários significados apresentados. Espera-se que a visualização do vídeo confirme e esclareça o texto introdutório. Salve, Salve! Axé!





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Publicação 170

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

FTU - Ensino Superior em Teologia das Religiões Afro-brasileiras

Resumo

Antes do início do Cosmo não havia nada. Como nada entendemos ausência de espaço/tempo. Como pôde o nada gerar o universo que conhecemos? O nada, ausência de energia/matéria poderia ser o imanifesto manifesto no universo?

Essas e outras perguntas instigantes podem, se respondidas, abrir novos horizontes para os estudos lógico-científicos, desvelando a multidimensionalidade da realidade. Várias realidades, sendo a imediatamente anterior imanifesta, manifestando-se na subsequente.

O universo, desde sua formação, demonstra que as certezas são restritas, enquanto as incertezas são irrestritas. Em suma, vive-se num mundo de poucas certezas, mergulhados em incertezas irrestritas.

Palavras-chave: Curso de Especialização, Ensino Superior, FTU, Religiões Afro-brasileiras, Teologia.

Abstract

Before the beginning there was nothing in the cosmos. As nothing we understand the absence of space / time. How could anything generate the known universe? Nothing,no matter / energy could be the unmanifest manifest in the universe?

These and other intriguing questions can be answered, opening new horizons for the logical-scientific studies, revealing the multidimensionalnature ofreality. Several realities, being the immediately preceding unmanifested, manifested in the subsequent.

The universe since its formation, demonstrates that the certainties are restricted, while the uncertainties are unrestricted. In short, lives in a world of few certainties, plunged into unrestricteduncertainty.

Keywords: Specialization, Education, FTU, Afro-Brazilian Religions,Theology.


FTU – ENSINO SUPERIOR EM TEOLOGIA DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

Antes do início do Cosmo não havia nada. Como nada entendemos ausência de espaço/tempo. Como pôde o nada gerar o universo que conhecemos? O nada, ausência de energia/matéria poderia ser o imanifesto manifesto no universo?

Essas e outras perguntas instigantes podem, se respondidas, abrir novos horizontes para os estudos lógico-científicos, desvelando a multidimensionalidade da realidade. Várias realidades, sendo a imediatamente anterior imanifesta, manifestando-se na subsequente.

O universo, desde sua formação, demonstra que as certezas são restritas, enquanto as incertezas são irrestritas. Em suma, vive-se num mundo de poucas certezas, mergulhados em incertezas irrestritas.

Depois desta resenha pode-se questionar: verdades? Quais verdades? Serão relativas ou absolutas? Pelo proposto supra, as verdades são mutáveis, pois o universo é mutável, marcado pelas incertezas (Heisenberg).

Alguns exemplos esclarecerão a assertiva acima.

Primeiro – Revolução Copernicana

Antes de Copérnico, pontificava a teoria de Ptolomeu que afirmava ser a Terra era o centro do Universo (Sistema Geocêntrico). Hoje é sabido que o centro do universo é o Sol (Sistema Heliocêntrico).

Segundo – Revolução Darwiniana

O cientista que criou a teoria da evolução das espécies e a seleção natural (aplicável na Biologia), afirmou ser o homem apenas um elo da longa cadeia evolutiva, e não um ser privilegiado por Deus ou outra força sobrenatural qualquer.

Terceiro - Revolução Freudiana

Sigmund Freud um dos ícones mais importantes da ciência por intermédio de seus estudos e pressupostos defendeu que a mente tem duas porções. A maior porção da consciência (90%) é inconsciente, e mais, deu origem à porção consciente da mente (10%). Com tais pressupostos, pesados vergalhões do preconceito se dobraram, pois Freud afirmou que o homem possui pouca consciência, num mar de inconsciência...

Após os três exemplos, se pode concluir que as verdades se sucederam e ainda ocorrem. Vivemos ou não num mundo de incertezas? A morte que é universal, portanto absoluta, é marcada pela incerteza, pois não se sabe quando ocorrerá.

A FTU-Faculdade de Teologia Umbandista credenciada e autorizada pelo MEC, em seu curso de bacharelado (4 anos) em Teologia, com ênfase nas Religiões afro-brasileiras, promove um ensino de excelência, mormente quando afirma em seus aspectos pedagógicos-curriculares que a complexidade do conhecimento desenvolvida pela instituição é o mais condizente com os avanços da educação contemporânea onde o conhecimento em rede ou teia (de interrelações ) promove de forma inequívoca a interdisciplinaridade e sua oitava superior a convergência entre ciência, arte, filosofia e religião.

O mote estrutural da FTU deve-se às religiões afro-brasileiras formarem uma unidade que se expressa na diversidade e pluralidade; o todo e suas partes possuem função e posição definidas no contexto de unidade aberta, em constantes releituras e ressignificações.

Na expectativa de se produzir o melhor para a sociedade e à comunidade das religiões afro-brasileiras, nesta publicação disponibiliza-se, com o desejo de aprofundar as discussões o vídeo – Ensino Superior em Teologia das Religiões afro-brasileiras e o fluxograma que se segue.

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Publicação 169