quinta-feira, 30 de junho de 2011

Manifesto dos filhos de santo de Pai Rivas – Sobre a Iniciação

Atendendo ao pedido de nossos filhos de santo, divulgamos o manifesto abaixo que foi construído por eles tendo como base o vídeo que disponibilizamos na última publicação. O mesmo pode ser acessado neste link: http://sacerdotemedico.blogspot.com/2011/06/pais-e-maes-de-santo-os-bastioes-da.html

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 160

Manifesto dos filhos de santo de Pai Rivas – Sobre a Iniciação

Ao nosso Mestre de Iniciação Arhapiagha – Pai Rivas,

Sua Benção, Pai Rivas (Axé Babá Mi)!

Todos nós que somos seus filhos espirituais, assistimos à recente publicação veiculada no Blog Espiritualidade e Ciência intitulada “Pais e Mães de Santo – Os Bastiões da Tradição Oral”. Esta publicação nos tocou fundo à alma e, neste sentido, pedimos agô ao senhor para externar coletivamente nossa opinião sobre os assuntos abordados. Se possível, pedimos a gentileza de dar publicidade no mesmo meio onde acessamos o conteúdo, ou seja, o Blog Espiritualidade e Ciência.

À Sociedade Civil como um todo,

Especialmente, aos irmãos das Religiões Afro-brasileiras,

Aprendemos com Pai Rivas que para acessar a Espiritualidade, vivenciando o Sagrado em sua plenitude nas Religiões Afro-brasileiras, é necessário construir uma profícua relação entre nós (filhos de santo) e nosso Pai de Santo (sacerdote). Pai Rivas não é apenas Iniciado do nosso avô espiritual, é também sucessor e detentor da Raiz da Escola de Síntese. Portanto, Pai Rivas para nós é a própria Tradição, é a porta e a chave para entrarmos em nós mesmos, afinal optamos livremente em segui-Lo.

A Iniciação nas Religiões Afro-brasileiras não existe sem pai espiritual e sem terreiro. Não basta falar, é preciso fazer, viver e ser. Aprendemos isto com o nosso pai de santo desde sempre. A Iniciação também não é algo esquizofrenógeno, não está limitado em pequenos setores da vida, pelo contrário, está em todos. De igual forma, as Religiões Afro-brasileiras atuam em todas as instâncias do espírito formando uma grande e verdadeira família espiritual.

Pai Rivas está preocupado com esta grande família planetária dos dois lados: o mundo dos vivos e dos mais vivos. Não privilegia o parentesco consanguíneo em relação ao terreiro ou vice-versa. Afinal, um sacerdote com mais de 400 filhos de santo que cuida realmente de todos respeitando o momento de cada um ensina pelo exemplo o que é valorizar e auxiliar indistintamente.

Não são apenas de palavras que a Iniciação vive, mas de trabalho e resultados que nos beneficiam em diversos níveis: individual, coletivo e espiritual. Nosso Pai de Santo possui as mãos cheias de frutos, todos conquistados com Espírito, Alma e Verdade. Conceitos chavões como caridade, no que pese respeitarmos quem os adota, não se aplicam a este estilo de vida. Ao estilo de vida do povo do santo.

Pensamos em felicidade hoje e sempre, a começar agora sem restrições consanguíneas ou sociais. Nosso discipulado é calcado na inclusão total a começar pela espiritual. Por isto que em nossa Escola vivenciamos as diversas linguagens das Religiões Afro-brasileiras tanto nos aspectos universais como regionais sem criar pseudo-relações elitistas. As julgamos falsas, porque para o Astral Superior não existem privilegiados.

Este respeito incondicional que Pai Rivas possui em relação ao nosso ângulo de interpretação e iniciação, retribuímos com trabalho e serviço à causa Dele que é a mesma das Religiões Afro-brasileiras. Assim está calcada a nossa visão ética.

Filhos de Santo de Pai Rivas

Ps: A lista dos signatários deste Manifesto está disponível na sede da instituição, localizada na Av. Santa Catarina, 400 – São Paulo – SP.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pais e Mães de Santo - Os Bastiões da Tradição Oral

Já falamos sobre Tradição Oral em várias oportunidades, mas nada melhor que um vídeo, como o que se segue, para expressar nossa visão sobre o tema. Entregamos este vídeo para todos os Sacerdotes das Religiões Afro-brasileiras como uma homenagem por seus esforços em manter a Iniciação Viva, independente dos percalços, verdadeiros bastiões da Tradição Oral! Axé!



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 159


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Toque da Jurema - A cura em várias dimensões

Resumo

O Toque de Jurema (Encantarias – Encantados) é um culto público com fins propiciatórios à (1) cura, (2) resolver problemas vários do cotidiano, (3) amor e, finalmente, (4) problemas espirituais vários.

O Culto à Jurema tem na adaptação do homem aos três ambientes: natural, social e sobrenatural a forma de encontrar a estabilidade, a harmonia e o equilíbrio.

A quebra desse equilíbrio (dos três ambientes) pode desencadear vários óbices, inclusive a deflagração de agressão mística – demandas, ataques mágicos ou berundangas - responsável por infortúnios espirituais tais como “vida amarrada” e perturbação espiritual na dimensão afetiva promovendo o insucesso no amor e as maiores dificuldades no aspecto econômico-financeiro. Finalmente, os problemas mais ou menos graves de saúde mental ou somática.

Palavras-chave: Cura, Fumaçadas, Marca, Mestres, Toque da Jurema.

Abstract

The Toque de Jurema (Enchanted) is a public cult with the purposes of (1) healing (2) solve various problems of everyday life, (3) love and, finally, (4)various spiritual problems.

The Jurema Cult is in man's adaptation to the three environments: natural, social and supernatural way to find stability, harmony and balance.

The breaking of this balance (of the three environments) can trigger various obstacles, including the outbreak of mystical aggression - demandas, or magical attacks or berundangas - responsible for mishaps such as spiritual "life tied" and the spiritual disorder in the affective dimension promoting failure in love and the greatest difficulties in the economic and financial. Finally, somatic problems more or less serious or mental health.

Keywords: Cure, Smoke, Mark, Masters, Toque de Jurema.


TOQUE DA JUREMA – A CURA EM VÁRIAS DIMENSÕES

O Toque de Jurema (Encantarias – Encantados) é um culto público com fins propiciatórios à (1) cura, (2) resolver problemas vários do cotidiano, (3) amor e, finalmente, (4) problemas espirituais vários.

O Culto à Jurema tem na adaptação do homem aos três ambientes: natural, social e sobrenatural a forma de encontrar a estabilidade, a harmonia e o equilíbrio.

A quebra desse equilíbrio (dos três ambientes) pode desencadear vários óbices, inclusive a deflagração de agressão mística – demandas, ataques mágicos ou berundangas - responsável por infortúnios espirituais tais como “vida amarrada” e perturbação espiritual na dimensão afetiva promovendo o insucesso no amor e as maiores dificuldades no aspecto econômico-financeiro. Finalmente, os problemas mais ou menos graves de saúde mental ou somática.

Todos esses infortúnios ou malefícios são combatidos pelos rituais ou Toques de Jurema, pois por intermédio de “ervas receitadas” em forma de chás, decocto, defumações e, principalmente, com o vinho de Jurema e as “fumaçadas” preparadas para combater todos os males (fumo misturado com ervas propicias a várias finalidades).

São esses remédios dispensados pelo Mestre acostado (entidade sobrenatural), ou mesmo pelo Mestre Juremeiro encarnado que em geral é erveiro, mateiro, rezadeiro, raizeiro, benzedeiro e “feiticeiro” que favorecem e restabelecem a harmonia, a estabilidade e o equilíbrio perdidos.

As fumaçadas são aspergidas, em formas de fumaças sopradas pela marca (pelo fornilho) nos consulentes pelo Mestre acostado algo que caracteriza os Mestres da Jurema, Mestre da Sabedoria e de fundamento nas raízes de seu Mestre iniciador desde quando foi “enjuremado”.

Os cultos não são apenas públicos, pois há os individuais, onde se atendem e se faz vários tipos de trabalhos, todavia, quando do Toque de Jurema, o mesmo se processa da seguinte maneira:

1. Os rituais ou mesas são mágico-sagrados sendo muito valorizados principalmente pelos benefícios que propiciam.

2. O uso do vinho de Jurema é o principal remédio para todos os males. Os ingredientes do vinho de Jurema é de conhecimento exclusivo dos iniciados, por isso faz-se silêncio sobre sua composição.

3. O tabaco é fundamental na eliminação de malefícios vários, podendo também trazer benefícios espirituais – “chamar o transe” – quando aspirado profundamente.

4. O grande número de remédios oriundos da flora e da fauna são o manancial onde os Juremeiros preparam seus “líquidos ou pós de poder”, suas garrafadas, lambedores (xaropes) e banhos para neutralizar malefícios vários e trazer benefícios.

Para tantos “benefícios” os Mestres, basicamente fazem uso de três objetos magísticos. A princesa – uma bacia de louça branca com fumo de corda e outros elementos que representam a fonte de todo poder do Mestre. A marca mestra (maracá) que se acredita ter o poder de abrigar vários espíritos das cidades e aldeias que rodeiam as cidades místicas ou reinos da Jurema. O terceiro poder é determinado pela fumaça da marca do Mestre acostado, que serve de remédio e propicia o transe de possessão.

O Toque de Jurema (Encantaria) é encontrado em várias religiões afro-brasileiras, principalmente na Umbanda, em algumas de suas vertentes; no Culto de Nação Africano (Jejê-Nago-Angola); No Tambor de Mina - há mais de 50 anos presente em várias regiões do país fundamentado no Culto Jejê (Voduns), principalmente nas divindades Poli Boji, Dambirá, Quevioçô, Sobô, Badé, em perfeita harmonia com Orixás Ketu, Mestres e outros Encantados; não se pode esquecer do Tambor da Mata ou Terecô - oriundo do Mearin e de Codó do Maranhão, que hoje se encontra difundido em alguns estados - onde se apresenta Barba Soeira (Santa Bárbara) e vários outros encantados, principalmente Mestre Légua, Rei da Turquia, Rei D. Sebastião e muitos outros.

Prosseguindo, o Toque de Jurema, ao contrário do que muitos pensam, é complexo nos fundamentos e na ritualística. Há um enredo que vem puxando uma teia de ancestralidade indígena e européia tendo como pedra angular o poder mágico curativo da Erva Jurema e do Vinho preparado com ela.

“Curam” vários males, principalmente pelos conhecimentos e poderes dos Mestres encarnados que são acostados por Mestres de outro mundo, “Juremeiros desencarnados” (será apenas isso?). As curas proporcionadas pelo poder do vinho de Jurema potencializadas pelos fundamentos dos Mestres e seus avatares atingem o psicossomatismo (mente e corpo) do consulente, o social – problemas afetivos-sexuais e financeiros vários; os espirituais – “vida amarrada”, feitiçaria, bruxaria e outras influências negativas.

Antes do encerramento deste sumário sobre a Jurema e seus rituais de fundamento e as diversas encantarias há de se ressaltar que cânticos (louvarias ou cantorias) e danças sob a influência das fumaçadas e a degustação do vinho de Jurema caracterizam esse culto e seus adeptos.

O Toque de Jurema no que concerne ao aparente caos - pois transgride na alegria e na paz a cultura vigente - e do lúdico, faz parte da cura proporcionada pelo poder dos Mestres que conhecem a psicologia e o imaginário das humanas criaturas.

Com certeza, o Toque de Jurema e outras religiões afro-brasileiras são formas de resistência às proscrições, às desigualdades que infelizmente campeiam na sociedade, protagonista de descriminações várias, preconceitos, que impedem as necessárias mudanças e mobilidades sociais.

Além da resistência, Mestres do outro mundo e deste mundo se unem não somente para proporcionar curas em várias dimensões do ser humano e de sua sociedade, mas labutam pela transformação sócio-espiritual que vem ocorrendo na sociedade brasileira que elevará a uma forma justa de religiosidade nossa gente.

Salve a Jurema Sagrada!

Salve, Salve, os Mestres!

Salve, Salve, os Príncipes, as Princesas e todos os demais Encantados!

Nesta publicação, na expectativa de promover e fomentar a discussão de tão instigante tema, disponibiliza-se o vídeo – Culto de Jurema mudando a sociedade. No vídeo poderá se observar as varias acepções rituais do Toque de Jurema: “medicinal-curativa”, mágico-religiosa, a integração e interação de vários grupos étnicos, prova inexorável da universalidade da inclusão espiritual e social por ela preconizadas. Axé!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 158

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Religiões Afro-brasileiras: Salve, Salve a Jurema!

CULTO AOS ENCANTADOS

Num ambiente descontraído, de muita energia positiva e felicidades foi celebrado mais um toque de Jurema-Encantaria de Mestre Canindé, no Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras.

Vários Mestres acostados, como é da Tradição da Encantaria, juntamente com os "príncipes" e "princesas" (índios, curadores e feiticeiros) acompanhados de outras “famílias” da Jurema e de vários cultos das religiões afro-brasileiras, estenderam suas "curas" a todos os presentes.

A celebração pública foi prestigiada por um número grande de sacerdotes de vários rincões do Estado de São Paulo, de diversas religiões afro-brasileiras. Muitos admiradores das “Mesas” de Mestre Canindé e do povo da Turquia lá compareceram e foram beneficiados com o Toque e com as prosas e consultas de Mestre Canindé, Rei da Turquia acostados em Mestre Arhapiagha.

Mestre Arhapiagha conheceu a Jurema e Tambor de Mina por intermédio de Pai Ernesto de Xangô, Babalorixá do Candomblé (Jeje-Nagô), na década de 50 até os primeiros anos da década de 60 (1955 a 1962) que também era profundo conhecedor e iniciado nos cultos citados.

Os encantados de diversas procedências, liderados por Mestre Canindé e Turuatan estenderam seus remédios mais importantes e que propiciaram curas em todos os níveis: o vinho da Jurema.

A preparação, os ingredientes são os segredos dos Mestres da Mesa, o mesmo acontecendo com o preparo das fumaçadas (mistura de fumo com ervas mágicas) usados na marca mestra ou marca.

Agradecido a todos os curandeiros, juremeiros, erveiros, raizeiros, mateiros, benzedeiros, rezadeiros, a todos “feiticeiros” deste e do outro mundo, a presente publicação disponibiliza em forma de homenagem álbum de fotos que retrata a celebração.

Salve, Salve a Jurema!

Salve, Salve os Mestres e Mestras,

todos os Príncipes, Princesas e Gentis.

Salve, Salve todos os reinados,

Salve a Mesa, as cidades da Jurema!

Salve a Mesa de Mestre Canindé e demais Mestres. Axé!


P.S.

O estilo literário dos últimos textos postados foi mudado. Permutou-se a primeira pessoa do plural, pela 3ª pessoa do singular (mais raramente a 3ª pessoa do plural).

Agradecemos a presença de todos os pais espirituais que abrilhantaram o Toque da Jurema e trouxeram o seu axé.

As fotos, artisticamente registradas, foram cedidas pelo filho de Santo Antonio Luz a quem agradecemos sinceramente.


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 157

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Orixá é dono da cabeça - Senhor do inconsciente


RESUMO


A maior parte da mente é inconsciente. Por intermédio de seu conteúdo influencia a porção consciente; o inconsciente é o ponto chave da atuação do Orixá, influenciando diretamente a consciência do indivíduo, fazendo com que se afirme que o “filho de santo” adquire o comportamento, (arquétipo) de seu Orixá, o que proporciona uma maior capacidade de identificação individual e social com o grupo afim.


Os estudos realizados na FTU e os textos postados no Blog Espiritualidade e Ciência (F. Rivas Neto) tem ampliado e dado margem ao salutar diálogo. Ousou afirmar que o Orixá influencia o indivíduo por intermédio da porção inconsciente, ou seja, o Orixá atua no inconsciente profundo proporcionando o transito para o consciente. O conteúdo por intermédio de rituais de fundamento e atualização do axé é levado ao consciente favorecendo a identidade, fortalecendo a personalidade do indivíduo, e, principalmente, a conexão com seu genitor divino – o Orixá, por intermédio do Ori preparado para tal (Ori Inu).


Palavras-chave: Consciente, FTU, Inconsciente, Ori, Orixá.


ABSTRACT


Most of the mind is unconscious. Through its content influences the conscious portion, the unconscious is the key to the action of the Orisha, directly influencing the individual's consciousness, so that it is stated that the "son of the saint" takes on the behavior,(archetype) of your Orisha , which provides a greater ability to identify individual and social order with the group.


Studies in the FTU and the texts posted on Science and Spirituality Blog (F. Neto Rivas) has expanded and given rise to healthy dialogue. Dared to assert that the Orisha influences the individual through the unconscious portion, ie, the Orisha acts in the deep unconscious providing transit to the conscious. The content through foundation rituals and update of the axé is brought to consciousness favoring identity, strengthen the individual's personality, and especially the connection with your divine parent - the Orisha, through Ori prepared for this (Ori Inu).


Keywords: Conscious, FTU, Unconscious, Ori, Orisha.





ORIXÁ É DONO DA CABEÇA - SENHOR DO INCONSCIENTE


O Homem - Homo sapiens sapiens - é melhor caracterizado, diferenciado de outros seres vivos, pois tem consciência, isto é, ele é capaz de fazer sua inteligência debruçar sobre si mesma para tomar posse de seu próprio saber.


Isso faz do Homem um sistema aberto, relacionado consigo e com o mundo; volta-se para dentro de si, interiorizando ou exteriorizando-se buscando entender o universo.


O Homem centrado em si mesmo (sujeito), em seus aspectos interiores, faz reflexão. Isto permite acessar o seu interior, manifesto por intermédio do falar, criar, afirmar, propor e inovar.


Por sua vez, a concentração da consciência nos objetos exteriores (do outro) exige atenção. É o que se pode chamar de alteridade a qual exige escutar, absorver, reformular, rever e renovar.


O despertar da consciência critica depende do harmonioso crescimento dessas duas dimensões da consciência: a reflexão sobre si e a atenção sobre o mundo. Se apenas uma delas progride, há uma deformação, um abalo no desenvolvimento da consciência critica.


O crescimento só da consciência de si leva o individuo ao isolamento, ao fechamento interior, ao labirinto narcisista.


No outro extremo temos apenas o crescimento da consciência do outro (alteridade). Essa unilateralidade conduz a perda da identidade pessoal, a exaltação dos objetos externos, ao alheamento.


Tomando esses conceitos como válidos não se pode ignorar a parte consciente da mente, sendo ela, a menor, pois quase a totalidade é inconsciente.


A maior parte da mente é inconsciente. Por intermédio de seu conteúdo influencia a porção consciente; o inconsciente é o ponto chave da atuação do Orixá, influenciando diretamente a consciência do indivíduo, fazendo com que se afirme que o “filho de santo” adquire o comportamento, (arquétipo) de seu Orixá, o que proporciona uma maior capacidade de identificação individual e social com o grupo afim.


Os estudos realizados na FTU e os textos postados no Blog Espiritualidade e Ciência (F. Rivas Neto) tem ampliado e dado margem ao salutar diálogo. Ousou afirmar que o Orixá influencia o indivíduo por intermédio da porção inconsciente, ou seja, o Orixá atua no inconsciente profundo proporcionando o transito para o consciente. O conteúdo por intermédio de rituais de fundamento e atualização do axé é levado ao consciente favorecendo a identidade, fortalecendo a personalidade do indivíduo, e, principalmente, a conexão com seu genitor divino – o Orixá, por intermédio do Ori preparado para tal (Ori Inu).


O texto busca dar início ao estudo que afirma que o Orixá se antropomorfiza para ser inteligível ao Homem e não o contrário. Além disto, não se pode ignorar que se está diante de duas linguagens diferentes (inconsciente e consciente) que precisam ser decodificadas e traduzidas.


Para melhor compreensão do instigante tema postou-se o vídeo disponibilizado nesta publicação que inicia a discussão, o dialogo como forma de ampliar e acertar a rota de avançado estudo. Nas próximas publicações se pretende ampliar o tema e com ele mais discussões. Axé!







Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá


Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico


Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”


Publicação 156

quinta-feira, 16 de junho de 2011

HOMENAGEM AO PAI JOSÉ FLAVIO - UM GRANDE BALUARTE DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS


Sensibilizados postamos vídeo da entrevista do irmão e amigo Professor José Flavio Pessoa de Barros, Babalorixá do Culto de Nação Africana (Ketu) concedida a FTU, em 13 de maio.

Foi sua última entrevista após ritual em que ele compareceu na sua totalidade demonstrando seu respeito e amizade para comigo e com a FTU, do qual era um entusiasta contumaz.

Ao amigo e Babalorixá, Babatolá na vibração de paz, luz e reconhecimento pelo trabalho em prol das religiões afro-brasileiras e a FTU. Axé!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

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Publicação 155

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Aspectos teológicos do fundamento Axé-Ori-Bara

RESUMO

As Religiões Afro-brasileiras são “formuladas” por intermédio da Tradição Oral, não por incapacidade ou falta de tecnologia, mas por entender que o conceito doutrinário, sua raiz se forma na mente em primeira instância, depois se consolida em linguagem escrita, obrigatoriamente transitando antes pela oralidade (... e no início era o Verbo, a oralidade).

Ao optar pela oralidade as Religiões Afro-brasileiras sinalizam que seus fundamentos são abertos, condizentes com os avanços espirituais do próprio ser humano.

A Tradição, sua constante é a contínua mudança, se não em seus aspectos estruturais, de cunho espiritual, todavia todo o mais é adaptável; permite releituras e ressignificados.

Palavras-chave: Axé-Ori-Bara, Faculdade de Teologia Umbandista, fundamentos, Teologia, Tradição Oral

ABSTRACT

The Afro-Brazilian Religions are "made​​" through the oral tradition, not by inability or lack of technology, but considering that the doctrinal concept, its root comes to mind in the first instance, then consolidated in written language, necessarily passing before the oral (... and the beginning was the Word, orality).

By opting for speaking the Afro-Brazilian Religions signal that its foundations are open, consistent with the spiritual progress of the human being.

Tradition, your constant is continual change, if not in their structural aspects of spiritual, yet the whole is more adaptable; allows new readings and reevaluated.

Keywords: Axe-Ori-Bara, Faculdade de Teologia Umbandista, foundations, Theology, Oral Tradition


ASPECTOS TEOLÓGICOS DO FUNDAMENTO AXÉ-ORI-BARA

As Religiões Afro-brasileiras são “formuladas” por intermédio da Tradição Oral, não por incapacidade ou falta de tecnologia, mas por entender que o conceito doutrinário, sua raiz se forma na mente em primeira instância, depois se consolida em linguagem escrita, obrigatoriamente transitando antes pela oralidade (... e no início era o Verbo, a oralidade).

Ao optar pela oralidade as Religiões Afro-brasileiras sinalizam que seus fundamentos são abertos, condizentes com os avanços espirituais do próprio ser humano.

A Tradição, sua constante é a contínua mudança, se não em seus aspectos estruturais, de cunho espiritual, todavia todo o mais é adaptável; permite releituras e ressignificados.

Essa Tradição Oral foi, e é motivo de inúmeras discussões acadêmicas e institucionais, pois o modelo acadêmico, pré Faculdade de Teologia Umbandista, estava todo embasado na Tradição Escrita, inclusive as demais Faculdades de Teologia, em sua maioria cristãs, e dentro delas com maior contingente, a católica.

A academia, o senso crítico tem procurado entender e tem dado sinais importantes sobre a Tradição Oral na academia, valorizando-a, tendo-a como um modelo ou método diferente da Tradição Escrita, mas não de menos importância.

Com esse escopo a FTU preconiza que a Teologia possui dois segmentos ou braços, que podem se conectar tanto com o conhecimento científico como com as crenças e rituais das religiões.

A Teologia preconizada pela FTU é a própria interface entre o saber religioso e o científico e aspecto religioso com as crenças e rituais diversos.

Introduzido tais aspectos, melhor se entenderá o vídeo disponibilizado nesta publicação, que busca demonstrar como temos colocado na prática aspectos teológicos inéditos dos fundamentos Axé/Ori/Bara.

Depois de muitos anos de práticas e conhecimentos iniciáticos vivenciados no Templo, no tálamo do “fundamento”, chegamos à conclusão que a “Teologia” do Axé, do Ori, do Bara está presente em todas as Religiões Afro-brasileiras, variando sua aplicabilidade segundo a Religião Afro-brasileira estudada ou vivenciada, mas em todas, sem exceção, encontram-se, mesmo que de forma subliminar os fundamentos citados.

Não se quis universalizar ou homogeneizar o que seria inadmissível, todavia demonstrar a importância desses fundamentos na Iniciação das Religiões Afro-brasileiras, e de sua transmissão.

No vídeo disponibilizado se demonstrará o que se sumarizou no texto, reiterando a importância estruturante destes conceitos. Axé!

Adendo:

Ori – No aspecto positivo relaciona-se à cabeça; no aspecto relativo relaciona-se à consciência, inteligência e percepção; no aspecto superlativo relaciona-se com a substância mítica dos Genitores Divinos que deram formação ao Ori que individualiza a pessoa (Ipori).

Bara – No aspecto positivo relaciona-se ao corpo; no aspecto relativo relaciona-se ao processo vital; no aspecto superlativo relaciona-se com o destino individual de acordo com o regente do individuo.




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

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Publicação 154

quinta-feira, 9 de junho de 2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Ritos Secretos da Iniciação nas Religiões Afro-brasileiras

Resumo

A Iniciação, nas várias Religiões Afro-Brasileiras, tem em comum apresentar ao neófito os “fundamentos” ou ensinamentos basilares, esotéricos que são vivenciados por intermédio de vários ritos de fundamento.

Dentre os rituais secretos ou seletos, afetos à Iniciação, estão o rito do Ori (bori) e o rito do Bará (destino, energias vitais).

O conceito de Ori é importantíssimo, mormente por relacionar-se com a consciência, inteligência, processos cognitivos e, principalmente espirituais (energias sutilíssimas e sutis) que só sacerdotes consumados sabem como fazer as devidas “amarrações” com as vibrações positivas do universo, com os Senhores Estruturantes do Universo – os Orixás e seus Ancestrais Ilustres.

O Bará, em sua delicada tessitura ritualística, é de transcendência similar ao Ori; associa-se ao elo de comunicação, a fala, a reprodução, ao sexo e equilíbrio fisiológico e energético do corpo físico visível e invisível, portanto associado a Exu (equilíbrio biopsicossocial).

Palavras-chave: Ritos Secretos, Iniciação, Ori, Bará, Religiões Afro-brasileiras.

Abstract

Initiation in the various Afro-Brazilian religions, have in common to present neophyte the "fundamentals" or basic teachings, esoteric that are experienced through various rites of foundation.

Among the secret rituals related to initiation, are the rite of the Ori (bori) and the rite of Bara (destination, vital energy).

The concept of Ori is very important, especially in relating with the consciousness, intelligence, and cognitive processes, especially spiritual (subtle and very subtle energies) that only the priests know how to consummate the necessary "bindings" with the positive vibes of the universe with the Structuring Masters of the universe - the Orishas and their Distinguished Ancestries.

The Bara, in its delicate ritualistic texture id of a similar transcendence to the Ori, associated with the communication link, the speech, play, sex and physiological balance of the physical body and energy visible and invisible, therefore associated with Eshu (equilibrium biopsychosocial).

Keywords: Secret Rites, Initiation, Ori, Bara, Afro-Brazilian Religions


RITOS SECRETOS DA INICIAÇÃO NAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

A Iniciação, nas várias Religiões Afro-Brasileiras, tem em comum apresentar ao neófito os “fundamentos” ou ensinamentos basilares, esotéricos que são vivenciados por intermédio de vários ritos de fundamento.

Dentre os rituais secretos ou seletos, afetos à Iniciação, estão o rito do Ori (bori) e o rito do Bará (destino, energias vitais).

O conceito de Ori é importantíssimo, mormente por relacionar-se com a consciência, inteligência, processos cognitivos e, principalmente espirituais (energias sutilíssimas e sutis) que só sacerdotes consumados sabem como fazer as devidas “amarrações” com as vibrações positivas do universo, com os Senhores Estruturantes do Universo – os Orixás e seus Ancestrais Ilustres.

O Bará, em sua delicada tessitura ritualística, é de transcendência similar ao Ori; associa-se ao elo de comunicação, a fala, a reprodução, ao sexo e equilíbrio fisiológico e energético do corpo físico visível e invisível, portanto associado a Exu (equilíbrio biopsicossocial).

É desta interface Ori-Bará, do Bará como manifestação ou emanação do Ori que versará o vídeo apresentado nesta publicação.

Apesar do pioneirismo em demonstrar a Iniciação alicerçada nos ritos de fundamento Ori/Bará, como sempre, não se pretendeu esgotar o assunto, aliás, só foi introduzido.

Necessário dizer-se que o conceito é apresentado de forma generalista, e cada Religião Afro-Brasileira tem seus aspectos particulares, transmitidos e ritualizados segundo suas vivências e práticas tradicionais.

Apesar das diferenças ritualísticas e doutrinárias, todas têm em comum profundo zelo, respeito e fundamento sustentado pelos ritos secretos da Iniciação(reatualização do Axé), que são realizados e consolidados no tálamo do Templo, roncó ou camarinha, muito distante do olhar forâneo ou laico. Axé!



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 152