terça-feira, 31 de maio de 2011

Nada de morte, só vida!

Conta o mito, que quando Orunmilá estava fugindo desesperado da morte encontrou Ewá na beira do rio. Orunmilá comentou com Ewá sobre o ocorrido e ela disse que o ajudaria. Pediu para que ficasse calmo e que a morte não iria lhe “ver”. De fato, Ewá O escondeu sob a bacia na qual “lavava roupas”. Logo após, voltou ao ofício cantando e dançando. A morte passou por Ewá com o séquito de vibrações malévolas e perguntou para ela sobre Orunmilá. Ewá, por sua vez, respondeu que Orunmilá já tinha passado muito longe, passou pela mata, depois pelo rio e certamente já estava muito longe. Diante do relatado, contrariada, a morte desistiu e foi embora. “Ewá havia livrado Orunmilá da morte”

Quantas vezes, após reiterados problemas gravíssimos de saúde, o professor e sacerdote José Flávio Pessoa de Barros, “livrou-se da morte”, não somente escondido por Ewá, mas por todos os Orixás.

Babat’olá (Sacerdote que tem muita honra) mais do que ninguém escreveu em “prosa e versos” os feitos dos Orixás, de seus poderes, do axé vivenciado e compartilhado com todos.

Ontem Olorun o chamou! O irmão, amigo e grande companheiro já não é mais arayê – é um Araorun – torna-se um ancestral ilustre, reconhecido pelos seus ensinamentos na academia e no terreiro, no chão de sua roça.

Nos espaços sobrenaturais do Orum José Flávio Pessoa de Barros é ungido por seu Olori. Mais uma luz brilha no mistério da vida e da morte. Elas são idênticas.

Nosso preito de amizade, carinho e respeito ao professor, sacerdote e, acima de tudo, amigo José Flávio Pessoa de Barros (Babatundé). Sua passagem em nosso plano ficará indelevelmente marcada pela luz de sua inteligência e profunda devoção ao Axé do Orixá. Axé!

“Se não fizermos como a galinha d’ angola, não poderemos ter a vida” (provérbio yorubá constante no livro galinha d’ angola do prof. José Flávio Pessoa de Barros).

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 151

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A existência na visão das Religiões Afro-brasileiras

AXÉ – PRINCÍPIO PROPULSOR E MANTENEDOR DE EQUILIBRIO

RESUMO

O conceito simplificado colocado à discussão é corrente na maioria das religiões afro-brasileiras, principalmente na Umbanda Traçada, Candomblé de Caboclo, e outros cultos deles derivados.

Acredita-se que a Essência só se manifesta, tem existência efetiva, quando em contato com a Substância. Portanto, a Substância (matéria/energia) permite a Existência da Essência (Espírito).

Prosseguindo o conceito, afirma-se que o corpo (Substância) só é vivo quando respira, tem vida, ou seja, o corpo (Ará) manifesta a alma, o sopro vital (Emi). Disto conclui-se que corpo e alma são princípios de realidades diferentes. Sim, a alma (Emi) se faz presente no mundo físico (aye), sendo sua origem, todavia, no orun (mundo sobrenatural).

Palavras-chave: Axé, Ayê, Existência, Orun, Religiões Afro-brasileiras

ABSTRACT

The simplified concept put to discussion is underway in most african-brazilian religions, especially in Umbanda Traçada, Candomblé de Caboclo, other cults and their derivatives.

It is believed that the essence manifests itself, has real existence, when in contact with the substance. Therefore, the substance (matter / energy) allows the existence of the Essence (Spirit).

Pursuing the concept, states that the body (substance) is only alive when he breathes, has a life, or the body (Ará) expresses the soul, the vital breath (Emi). It is concludedthat body and soul are principles of different realities. Yes, the soul (Emi) is present in the physical world (aye), with their origin, however, in orun (supernatural world).

Keywords: Axe, Aye, Existence, Orun, Afro-Brazilian Religions



A EXISTÊNCIA NA VISÃO DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

AXÉ – PRINCÍPIO PROPULSOR E MANTENEDOR DE EQUILIBRIO

O conceito simplificado colocado à discussão é corrente na maioria das religiões afro-brasileiras, principalmente na Umbanda Traçada, Candomblé de Caboclo, e outros cultos deles derivados.

Acredita-se que a Essência só se manifesta, tem existência efetiva, quando em contato com a Substância. Portanto, a Substância (matéria/energia) permite a Existência da Essência (Espírito).

Prosseguindo o conceito, afirma-se que o corpo (Substância) só é vivo quando respira, tem vida, ou seja, o corpo (Ará) manifesta a alma, o sopro vital (Emi). Disto conclui-se que corpo e alma são princípios de realidades diferentes. Sim, a alma (Emi) se faz presente no mundo físico (aye), sendo sua origem, todavia, no orun (mundo sobrenatural).

Determinou-se, pois, que há duas realidades paralelas ou complementares, sendo que a do mundo físico (aye) é a manifestação, é o duplo, de outra parte que se encontra no orun (mundo sobrenatural).

Seguindo, o processo de entendimento da existência humana e suas conexões com o mundo sobrenatural, na visão teológica das religiões afro-brasileiras, avança-se no princípio denominado Ori, que tem significado de “cabeça”.

O Ori, por mais que seja simplificado, será sempre um conceito complexo, pois é atinente à consciência, inteligência, aos processos cognitivos e sensoriais (órgãos do sentido) do indivíduo. Segundo a Teologia é constituído de porções definidas de conteúdos espirituais próprios da Substância Ancestral, uma fração dela, mas que é parte do inconsciente coletivo e individual, que se traduz por categoria da natureza, simbolizada nos elementos: ar (eólico), fogo (ígneo), água (hídrico) e terra (telúrico).

Continuando, temos o Bará (Obará), o rei ou o senhor do corpo, pois por intermédio dele sabe-se que se está vivo, sendo que ele retira uma parte da substância ancestral (as frações que constituem o indivíduo), permitiu e responsabilizou-se pelo equilíbrio fisiológico, pela reprodução, boca, estômago, sexo, comunicação e fala (Exu).

A existência do indivíduo (Ará, Emi, Bará), só será completa, bem sucedida propiciando o bom destino (onan rerê) por intermédio da conexão com o Orixá – o “Senhor da Cabeça”, “Senhor da Luz Espiritual” ou o “Deus da Criação- Meu Pai Criador” (Eleda mi), é assim que deve ser entendido.

Após descrição sumarizada de como se manifesta e é composto o indivíduo (complexo biopsicosocial) em seus dois planos de existência, natural e sobrenatural ou aye e orun é necessário compreender-se o elo magístico entre as duas dimensões, e mais, como tal elemento proporciona saúde, prosperidade, amor e espiritualidade. O elo magístico é o A muito citado em prosa e verso, mas pouco percebido e vivenciado na prática, no dia-a-dia.

Para vivê-lo na prática ritualística, no cotidiano faz-se necessário conhecê-lo de modo total e não fragmentário, pois não representa o conceito real de Axé, que precisa ser absorvido, armazenado, condensado e multiplicado, processo esse que quando bem direcionado traduz-se em equilíbrio do indivíduo. Há um equilíbrio entre corpo, espírito e relacionamento social.

O A foi discutido intensamente neste blog, todavia, nunca o será à exaustão, pois é complexo seu conceito teórico, na maioria das vezes mal interpretado, e muito pior ainda a sua transmissão; óbvio que com estes escolhos muito difícil de se viver (práxis) de forma harmonizada, estabilizada e equilibrada, tudo decorrência do desconhecimento do fundamento prático do Axé.

É importante se saliente que a noção de equilíbrio entre o corpo (A), o “espírito” (Emi) e a vida social esta atrelado ao principio que denomina-se A- força magística, vital, essencial que é transmissível por quem saiba fazê-lo. Todo o ser, toda coisa viva, objetos simbólicos podem veicular Axé, todavia, a fonte primeva é o Orixá.

Do apresentado pode se inferir que Axé é manifestado na energia em suas várias expressões (matéria), portanto pode-se dizer que as forças da natureza são “Axé”. Essas forças vivas da natureza são conhecidas como: ar (eólico), fogo (ígneo), água (hídrico) e terra (telúrico).

As forças sutis da natureza na verdade são manifestações do Poder Volitivo do Orixá, que com seu “Axé” se tornou o Ser Estruturante do Universo (origem do espaço/ tempo), deu formação ao Cosmo e a vida como conhecemos no planeta.

Sem adentrar nos pormenores dos aspectos cosmogenéticos, planetogenéticos, biogenéticos, filogenéticos e ontogenéticos que legitimam o Orixá e seus poderes volitivos, diz-se que o Axé é a concretização do Poder Espiritual do Orixá no cosmo, primeiro na matéria escura e dessa à formação do cosmo, (desde o espaço/tempo primordiais ou essenciais) e depois a Existência nas várias dimensões (aye e orun).

Com isso entendido, ou como ponto de partida para perceber-se o Axé manifesto nos elementos, deve-se ter em mente a necessidade dos mesmos estarem equilibrados, caso contrário o indivíduo não cumprirá a contento seu destino, não estando em equilíbrio com seu Orixá.

Quando se disse dos elementos, os mesmos em primeira instância devem ser inteligidos como Princípios Espirituais e não somente no sentido literal, o que vem atravancando o progresso dos adeptos das Religiões do Axé, mas muito principalmente, os que não são adeptos, em decorrência de falta de informação precisa sentenciarem ser totêmico, anímico ou outros pejorativos o conceito de Axé.

Encerrando, pois se pretende continuar aprofundando no conceito de Axé e tudo o que dele decorre tal como Ori, Olori, Elemi, Eleda, Arquétipo do Orixá e comportamento do “filho de santo”, exemplifiquemos o ser humano (sujeito) e como atuam nele e com ele os elementos, as forças da natureza.

O homem (Homo sapiens sapiens) tem necessidade premente de respirar, caso contrário tornará sua sobrevivência planetária inviável. Aí se encontra o primeiro elemento, o ar (princípio eólico do Axé).

Necessário se faz por intermédio do ar, principalmente do oxigênio (O) que o organismo tenha seu metabolismo intermediário, transformando alimentos em energia, o que produz temperatura, calor (princípio ígneo do Axé).

Outra substância essencial à vida é água; também os líquidos orgânicos que contém água, o sangue (plasma), liquor, bile, linfa, sêmen e outras secreções (princípio hídrico do Axé).

Depois das três citações restam os órgãos (que podem ser maciços ou vísceras), mas principalmente o sistema locomotor, que permite o homem andar de pé (posição ortostática) e se sustentar, pois possui ossos e músculos (principio telúrico do Axé).

Concluindo, parcialmente, pois se pretende continuar a discussão, diremos que a doença física, ausência de finanças ajustadas, relações sociais-afetivas conturbadas e distúrbios mento-espirituais são decorrência da carência de Axé. Reatualizando e renovando-se o Axé (elementos minerais, vegetais, animais e simbólicos) por intermédio de vários rituais de fundamentos (banhos de descarrego, purificações, amacis, abôs, ritos de Ossain (Asa Ossaim), ebós, boris, sacudimentos, chás, decoctos, cataplasma e outros tantos procedimentos sacerdotais) o indivíduo pode retornar e retomar o equilíbrio, pois equilibra seu corpo, seu Ori e o A que permite a conexão com seu Olori ou Eledá. Axé!


P.S. Continuaremos nas próximas publicações.

Obs: Clique no diagrama para ampliá-lo

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 150

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Candomblé de Caboclo aproximando as Religiões Afro-brasileiras


DIALOGANDO COM O ORIXÁ


Depois de postado texto e vídeo sobre o fundamento dos “Encantados” em suas várias manifestações, faz-se necessário algumas considerações.

As religiões afro-brasileiras se manifestam de formas diferentes nas diversas regiões brasileiras; todas com fator comum, Tradição oral.

A Tradição Oral nas religiões afro-brasileiras, não é falta de tecnologia, habilidade ou competência, mas o método escolhido.

Não se pode estigmatizar determinada religião por ela ser de Tradição Oral, ao contrário, favorecê-la, pois está sempre se ressignificando, propiciando novas leituras que impedem o inconcebível fundamentalismo e a codificação ou engessamento doutrinário-ritualístico.

Por estas simples considerações, não se deve, não é de bom tom espiritual criticar essa ou aquela religião, principalmente nas religiões afro-brasileiras a manifestação dos Encantados que se apresentam no Culto a Jurema, Terecô, Tambor de Mina, Xambá, Umbanda Traçada, entre outros.

Infelizmente, ainda há muita crítica descabida, preconceito ou desconhecimento. Aos que assim se posicionam devem ser remetidos ao aforismo grego que afirmava: “Narciso acha feio tudo que não é espelho”.

Aproveitando o ensejo para disseminar a idéia de religião afro-brasileira, isto é, onde pontificam Orixá, Vodum, Inkice, Caboclo, “Gentis” (nobres europeus “aclimatados” no solo e astral brasileiros e tantas outras divindades sobrenaturais.

Aproximação, respeito à alteridade e diálogo é necessário nas religiões afro-brasileiras, mas só pode fazê-lo aquele que viveu, vive, e é iniciado nos fundamentos das religiões afro-brasileiras, e isso é conseguido no processo iniciático somente nos templos, no relacionamento pai de santo – filho de santo.

Algumas religiões afro-brasileiras têm como mote principal, mesmo que de forma subliminar, aproximar o fundamento do Orixá com o do Ancestral Ilustre, tal como acontece na Umbanda com influências afro-amerindias e com o Candomblé de Caboclo onde se cultua o Orixá e Ancestrais Ilustres representados pelo Caboclo ou Encantados vários.

Esse último culto citado – o “Candomblé de Caboclo” é uma forma inteligente e criativa das religiões afro-brasileiras em aproximar dialogicamente, sem traumas, o Culto ao Orixá com o Culto do Ancestral Ilustre (Caboclo – Orixá do Brasil).

O culto ao Orixá por intermédio do “temperamento” do “deus” busca uma explicação ritual e fortalece a identidade do indivíduo, propiciando uma personalidade ajustada ao social, natural e sobrenatural.

Muitos questionam o arquétipo dos Orixás, pois os mesmos são antropomorfos. Sim, os Orixás se fizeram homens e tornaram-se próximos de seus “filhos de santo”, para que esses últimos gradativamente, segundo seus graus de iniciação, vão melhor entendendo o fundamento do Orixá, sua valência de ancestralidade e, principalmente, quem são os Orixás na essência do processo, seja no axé ou no aspecto do transe de possessão, fenômeno terapêutico, remédio que permite amplificar a consciência, por intermédio do transe e o decorrente trânsito de material ou conteúdo do inconsciente coletivo para o inconsciente do “cavalo de santo”, e deste para seu consciente, aumentando seu grau de percepção do mundo visível (ambiente natural e social) e do mundo invisível (ambiente sobrenatural: espiritual – mental – imaginário).

No término deste texto será postado mini álbum de fotos em que se observa o autor, “virado no Orixá” (OgIyan), na “camarinha ou roncó”, local sagrado onde está sendo retirado o axó, no caso, somente, os ojás (cruzados) e o atacã próprios do Orixá que havia retornado do peji (ojubó) onde havia distribuído axé e bênçãos a todos os presentes por intermédio de seu ilá, danças, cânticos e gestos sagrados.

Este texto encerra o ciclo de apresentações de alguns rituais das várias religiões afro-brasileiras praticadas pelo autor que foi iniciado em várias delas. A todo povo do santo, de todas as tradições axé!

P.S. O mini álbum disponibilizado demonstra algumas imagens do autor “virado no OgIyan” (saindo do transe). Ainda na camarinha, nas duas ultimas fotos observamos o autor em estado de erê. Estas fotos fizeram parte de um toque de Orixá - roda de Oxalá.

Pai Rivas virado no Ogiyan


Tata Macaia, filho de Pai Rivas dançando no Ogiyan

Ogiyan dançando com o oninodo (mão de pilão)

Tata Macaia, filho de Pai Rivas, auxiliando Ogiyan

No término do transe Ogyian entregando o oninodo

Os passos finais da dança de Ogiyan


Ato devocional de Tata Macaia a Ogiyan

Pai Rivas saindo do transe

Pai Rivas em estado de erê assistido por seu filho de santo, Tata Macaia

Pai Rivas em estado de erê assistido por seu filho de santo, Tata Macaia
Estado de alegria (Ayó) manifesto na fisionomia de Tata Macaia conversando com Pai Rivas em estado de erê (transe atenuado)

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 149

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Culto aos Encantados nas Religiões Afro-brasileiras


RESUMO

As religiões afro-brasileiras ou afro-americanas (universais?!!) são marcadas pela Tradição Oral e por riquíssima semiologia, que denota a preocupação com a melhor adaptação possível do homem ao ambiente sobrenatural.

Devida a essa preocupação é que surgiram e se ressignificam continuamente as várias religiões afro-brasileiras, fortalecendo a identidade do grupo e, principalmente, do indivíduo que começa a ter um estilo de vida livre de preconceitos e pressupostos e proporciona autoconfiança (na medida certa) que enobrece e fortalece a personalidade.

Foi com esse escopo que realizamos mais um “Toque da Jurema”, “de Encantados”, tal como são denominados os espíritos que representam os Orixás no Candomblé de Caboclo, e nos apressamos em disponibilizar o vídeo do ritual aos amigos de nosso blog, que são, no mínimo, simpatizantes das religiões afro-brasileiras.

ABSTRACT

The african-brazilian religions or african-american (universal?!) are marked by a rich oral tradition and semiology, which shows the concern for the best possible adaptation of man to supernatural environment.

Due to this concern, appeared and are continually reframe the various african-brazilian religions, strengthening group identity and, especially, the individual who begins to have a lifestyle free of prejudices and assumptions and provides self-confidence (at the right measure) that ennobles and strengthens the personality.

It was with this scope that we did another "Touch of Jurema", "from the Enchanted”, " as are called the spirits that represent the Orishas in Candomble de Caboclo, and we rushed to provide the video of the ritual to our friends from the blog, which are at least sympathetic to african-brazilian religions



CULTO AOS ENCANTADOS NAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

As religiões afro-brasileiras ou afro-americanas (universais?!!) são marcadas pela Tradição Oral e por riquíssima semiologia, que denota a preocupação com a melhor adaptação possível do homem ao ambiente sobrenatural.

Devida a essa preocupação é que surgiram e se ressignificam continuamente as várias religiões afro-brasileiras, fortalecendo a identidade do grupo e, principalmente, do indivíduo que começa a ter um estilo de vida livre de preconceitos e pressupostos e proporciona autoconfiança (na medida certa) que enobrece e fortalece a personalidade.

Foi com esse escopo que realizamos mais um “Toque da Jurema”, “de Encantados”, tal como são denominados os espíritos que representam os Orixás no Candomblé de Caboclo, e nos apressamos em disponibilizar o vídeo do ritual aos amigos de nosso blog, que são, no mínimo, simpatizantes das religiões afro-brasileiras.

Apesar de todo empenho de “várias nações do Santo”, os Encantados e suas encantarias são deveras preconceituados pela nossa sociedade e mesmo por muitos adeptos de Umbanda com vínculos com as “elites dominantes”.

A eles queremos ressaltar o que afirmava o filósofo e alemão Nietzsche em sua Genealogia do Moral, isto é, o estudo da origem e da história dos valores morais.

A conclusão de Nietzsche foi de que não existem as noções absolutas de bem e de mal (maniqueísmo). Os homens são os que criam os valores morais, sobretudo determinados grupos em várias religiões.

Para o filósofo, grande parte das pessoas adotam uma “moral de rebanho”, baseada na submissão irrefletida aos valores dominantes de uma sociedade preconceituosa e burguesa (Cotrin).

Depois destas considerações sem mais delongas, remetemos os leitores-amigos ao vídeo disponibilizado que retrata o poder e a magia de quebra de paradigmas e preconceitos vários por intermédio dos Encantados. Axé!

PS. Nossos agradecimentos a todos os Pais e Mães Espirituais que nos honraram com sua valorosa presença, e pelo axé que gentilmente nos entregaram. Axé!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 148

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O Poder das Ervas nas Religiões Afro-Brasileiras


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

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Publicação 147

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Introdução ao conceito de Axé


Resumo

A noção da ideia de saúde física, mental e social é devida ao equilíbrio do Axé. O Axé é remédio para o corpo e para a alma, portanto, profilaxia e medicamento ao mesmo tempo.

O Axé é a força magística sagrada, veiculada nas forças vivas da natureza. É o poder volitivo (vontade) do Orixá manifesto na energia nos reinos: mineral, vegetal, animal; em locais e nos vários elementos simbólicos.

É um poder, um princípio que permite realizar, fazer crescer e desenvolver todos os seres e coisas. Como força é neutro, invisível, transmissível, extinguível (necessita ser reatualizado), mas é sensível.

Abstract

The notion of the idea of physical, mental and social equilibrium of Axe. Axe is medicine for body and soul, therefore, prophylaxis and medicine at the same time.

Axe is the sacred magician force that exists on the forces of nature. It is the power of volition (will) of the Orisha manifest the kingdoms energy : mineral, vegetal, animal, and in various locations in symbolic elements.

It is a power, a principle that allows you to perform, grow and develop all beings and things. Since the force is neutral, invisible, transmittable, extinguishable (needs to be refilled), but is sensitive.


Introdução ao conceito de Axé

A noção da idéia de saúde física, mental e social é devida ao equilíbrio do Axé. O Axé é remédio para o corpo e para a alma, portanto, profilaxia e medicamento ao mesmo tempo.

O Axé é a força magística sagrada, veiculada nas forças vivas da natureza. É o poder volitivo (vontade) do Orixá manifesto na energia nos reinos: mineral, vegetal, animal; em locais e nos vários elementos simbólicos.

É um poder, um princípio que permite realizar, fazer crescer e desenvolver todos os seres e coisas. Como força é neutro, invisível, transmissível, extinguível (necessita ser reatualizado), mas é sensível.

O poder de realizar, de concretizar, de comunicar, transportar, ou ser o próprio Axé é inerente a entidade sobrenatural que no panteão das religiões afro-brasileiras é denominada Exu.

Como afirmamos o Axé é o responsável pelo equilíbrio, estabilidade e harmonia do ser humano. Proporciona:

1. Saúde física e psíquica

2. Prosperidade – neutraliza a miséria

3. Equilíbrio afetivo-emocional ou estabilidade afetiva-sexual e paz interior

4. Espiritual – sintonia com o Ori e deste com o Olori (Orixá dono da cabeça)

Situação oposta, a da maioria das pessoas, é a carência ou mesmo incapacidade de absorver, armazenar e desenvolver o Axé.

Isso ocasiona:

1. Doença, morte prematura (ambiente natural).

2. Dificuldades afetivo-emocionais (ambiente social).

3. Econômico-financeiras (ambiente social).

4. Problemas espirituais (Ori/Bara); a “fraqueza espiritual” ou carência de axé pode ocasionar os tão propalados “encostos”, “quebrantos”, osobô, sapirangas, berundangas, demandas e tantos outros choques e entrechoques de ordem sobrenatural, ocasionados por eguns, ajaguns, quiumbas, ajés, arajés e por agressão mística.

Nas religiões afro-brasileiras, a Iniciação começa no conhecimento, na conscientização da necessidade de saber absorver, armazenar e desenvolver ou multiplicar o Axé. Sem o Axé não há vida longa, saúde, sucesso profissional, amor e cobertura espiritual, e muito menos a Iniciação.

Na vida cotidiana das humanas criaturas, independentes de serem adeptas das religiões afro-brasileiras, muitas vezes o desânimo, o desinteresse pela vida, certas doenças ou fracassos amorosos e financeiros são decorrência da carência de Axé, manifesta em desequilíbrio mento-espiritual, desestabilidade afetiva-emocional e desarmonia social (doenças e fracassos financeiros ou/e profissionais).

Nas próximas postagens aprofundaremos a discussão da necessidade de harmonizar o Axé individual e coletivo, os quais permitem o bem-estar e plena adaptação do indivíduo aos ambientes social, natural e sobrenatural.

No final do texto queremos nos congratular com todos os sacerdotes e sacerdotisas das religiões afro-brasileiras que tem feito grassar a linguagem do Axé, principalmente por intermédio da prática ritualística do fundamento, a única que permite realizar o desenvolvimento espiritual, social, material e pessoal do indivíduo. A eles e a todos os juremeiros, erveiros, rezadeiros, benzedeiros, mateiros, feiticeiros e curandeiros da comunidade de Santo, Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 146

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os Vaticinios de Orunmilá Ifá

A Tradição Oral preconizada pelas Religiões Afro-brasileiras ou Afro-Americanas não é demonstração de incompetência ou falta de tecnologia, é simplesmente, o método escolhido.

O método escolhido promove constantes ressignificações, releituras e mudanças condizentes com o desenvolvimento do pensamento humano.

O método imuniza contra o dogmatismo, fundamentalismo e códigos homogeneizantes que tantos entraves e malefícios tem ocasionado à sociedade como um todo.

Há fundamentos da Tradição que são mantidos, pois são estruturantes, sem se constituir em dogma que inviabilizaria toda e qualquer mudança ou releituras necessárias.

Apesar de parecer apologético o discurso à Tradição Oral, não nos posiciona contra a Tradição Escrita, embora achemos fundamental a revisão constante e recíproca entre ambas tradições. Ambas se complementam; portanto não podemos de forma preconceituosa e egoísta sentenciar que a Tradição Escrita é soberana.

Depois destas necessárias considerações disponibilizamos o vídeo Orunmilá Ifá, o Deus do destino que desenvolverá o que expusemos por intermédio do Princípio Orunmilá Ifá. Esperamos que os bons augúrios de Orunmilá Ifá possam trazer vida longa, saúde, prosperidade, abertura consciencial e, principalmente, Espiritualidade e muita felicidade a todos. Axé!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 145

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Religiões Afro-Brasileiras: O Sacerdote, Mago e Médico – Parte III


Depois de outras publicações necessárias, disponibilizamos a última parte do texto Sacerdote, Mago e Médico.

Recomecemos com o ofício das atribuições do médico, a mais simples de todas. Sim, acreditamos que seja a mais simples porque lida com o corpo físico, algo bem denso e concreto, a despeito de sua maravilhosa constituição e da delicadeza do sistema genético, cujo mapa de íntrons e éxons regula a transcrição de proteínas e a diferenciação das células dando formação aos tecidos, órgãos e sistemas que compõem nosso aparato orgânico.

Para nós o corpo físico é a última e mais densa manifestação do Espírito no plano em que vivemos, sendo conseqüência das instâncias superiores. Com todo o respeito que temos à Medicina e pela dedicação profissional que a ela oferecemos, ainda a vemos como uma profissão, pelo menos da maneira como é exercida pela maioria, bastante humana e até humanitária, o que já lhe confere grande dignidade. Também achamos imprescindível a formação acadêmica tradicional, sendo o exercício dessa arte sem esse requisito qualificada como curandeirismo ou charlatanismo, especialmente daqueles que se querem dizer magos, demiurgos e profetas, pois a Ética dessas funções não permitiria afrontar os cânones da sociedade organizada.

Haveremos ainda de compreender o corpo físico como uma unidade psico-emocional e física, uma tradução do Ser na forma. Aí então seremos capazes de perceber melhor os desarranjos orgânicos em suas causas e conseqüências, compreendendo a integração entre pensamentos, sentimentos e ações.

A Magia, por sua vez, tem três campos de atuação, todos concernentes à realidade da natureza hiperfísica ou invisível. Partindo do campo mais denso ao mais sutil teremos, respectivamente, a magia natural, a psicurgia e a teurgia. Seguem aproximadamente a visão hermética que aborda a realidade como o Universo ou Natureza, o Homem e o Sagrado.

A Magia propriamente dita atua por meio dos elementares e das forças da natureza, bem como da influência dos ciclos e ritmos impressos sobre a Natureza pelos Orixás. Sua ação fundamenta-se na atuação sobre as quatro forças básicas: o Ar, o Fogo, a Água e a Terra. Fazendo-se movimentar a roda dos elementos do mais sutil ao mais denso (Ar-> Fogo-> Água-> Terra) teremos o ciclo de agregação, que pode ser utilizado para imantação e fixação de energias positivas. Fazendo-se movimentar a roda dos elementos do mais denso ao mais sutil (Terra-> Água-> Fogo-> Ar) teremos o ciclo de desagregação, que pode ser utilizado para repulsão e neutralização de cargas negativas. Sua atuação é baseada em correspondências no método analógico, por isso utiliza substratos densos – materiais naturais constituídos de elementos radicais em quantidades e qualidades corretas – para provocar um abalo na dimensão astral e etérea. Para o funcionamento adequado da operação magística são necessários, além dos elementos, a movimentação da vontade do Magista e, preferencialmente, o uso de clichês astrais, signos hieroglíficos conhecidos na Umbanda como Lei de Pemba, capazes de atrair egrégoras, criar formas-pensamento, invocar ou evocar espíritos elementares para atuar na operação efetuada.

A Psicurgia trata da atuação sobre os Seres Humanos em seus centros anímicos por processos que movimentam arquétipos do Inconsciente Individual ou Coletivo, bem como da atração de Seres Espirituais superiores para intercederem por meio de seus poderes sobre os necessitados. Mantras, cânticos sagrados, mudras, danças e outros instrumentos são utilizados para penetrar no campo do inconsciente movimentando seu conteúdo. As ações da Psicurgia são mais profundas, mais difíceis e mais duradouras que as ações da Magia Natural. A utilização do Verbo Sagrado, seja por meio de mantras ou de uma conversa coloquial, permite ao Psicurgo penetrar no íntimo da pessoa, encontrando as origens kármicas de seus sofrimentos e atuando nesse nível. Se entendermos a manifestação do Universo como sendo realizada por meio de Princípios que regem Leis, que por sua vez regulam os Fenômenos, diremos que a Magia atua nos fenômenos, a Psicurgia nas Leis e a Teurgia nos Princípios.

Por fim, a Teurgia atua diretamente nos princípios que regem as Leis que organizam a Natureza, são os Arcanos da Tradição postos em movimentos por quem saiba e tenha ordens e direitos para tanto. Nesta face da Magia, a interação entre o Mago e aquele que recebe sua ação é profunda, de tal forma que não basta um Mago capaz de atuar no campo da Teurgia, mas também o receptor deve estar apto a participar de tal evento. As ações da Teurgia, via de regra, estão restritas ao âmbito iniciático, onde os Tantras ou ritos são capazes de transmitir vivências espirituais, acelerando o processo de liberação dos discípulos de um Mago Tântrico (é sempre bom deixar claro que falamos aqui dos tantras superiores, sem qualquer relação com o que se vulgarizou como magia tântrica sexual).

Tendo visto algo sobre a função de Médico e Mago, vejamos a de Sacerdote, a mais alta delas. O Sacerdote é aquele que aponta o caminho de retorno à Unidade, ao Sagrado. O que restabelece o fluxo bidirecional entre Espírito e Corpo, neutralizando as causas das dores e sofrimentos para si e para seus irmãos planetários. Sua visão é fundamentalmente universalista e ele faz a ponte (ponti-fex) entre o Sujeito e Objeto, entre a Unidade e a Pluralidade, entre o Sutilíssimo e o Denso.

É claro que situamos nossas descrições nas imagens ideais de cada uma das funções citadas. Falamos do Sacerdote superior, de elevados predicados espirituais, mas há sacerdotes de todos os níveis, cada um tentando cumprir seu objetivo utilizando a Sabedoria que adquiriu ao longo de várias existências. De toda maneira, é certo que o Sacerdote só pode dar aquilo que ele mesmo já conquistou. Não se pode esperar que alguém instável emocionalmente, preso a vícios e sensações, de percepção estreita no mundo possa conduzir alguém aos degraus superiores da iniciação. Ainda assim, há pessoas que servem de sacerdote a outras sem terem alcançado essas virtudes espirituais, mas tudo obedece às leis das afinidades, satisfazendo as necessidades kármicas de cada coletividade.

Resta-nos então perguntar: por que na Antiguidade se dizia que o Sacerdote, o Mago e o Médico eram a mesma pessoa? Será que era porque acumulava as três “funções” ou porque não existia ciência? O Médico, o Mago e o Sacerdote eram a mesma pessoa, e isso deveria se aplicar hoje também, porque não existia e não existe separação, de fato, entre a Natureza Visível, a Natureza Invisível e o Sagrado. A separação, fomos nós que a fizemos, já que um é manifestação do outro e tudo é, em última instância, a mesma Unidade ou Sagrado, observado de diferentes ângulos. Esta é a proposição da Tradição de Síntese, que restabelece a não-dualidade, a visão integral da Realidade.

Temos atualmente a possibilidade de romper as barreiras que separam o espírito da matéria. Veremos em breve a Ciência aliada à Religião, assim como a Filosofia e a Arte integrando o conhecimento do Universo, sem fragmentações, sem parcialidades. Cada vez mais as pessoas reconhecem que a realização encontra-se em reunir o concreto e o abstrato sem solução de continuidade, pois ambos encontram-se em nós, como nos encontramos neles.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 144

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Religiões Afro-Brasileiras - reatualização iniciática


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 143

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Religiões Afro-brasileiras e Tradição Oral



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 142