quinta-feira, 28 de abril de 2011

Religiões Afro-Brasileiras: O Sacerdote, Mago e Médico – Parte II

O Espírito, como é imaterial, não tem limites, não esta atrelado ao tempo e ao espaço. Isso significa que não há, nos termos do universo que conhecemos, separação entre os espíritos. O que existe é, na Eternidade Relativa que chamamos de Reino Virginal, uma distinção virtual dos espíritos como pares vibratórios em Consciência-Una. Na Eternidade Absoluta o que existe é a Unidade de Consciência, não há qualquer forma de dualidade. Já no Universo Astral ao qual estamos afeitos, existe a aparência de pluralidade como função do ângulo de interpretação da realidade dos espíritos. Um exemplo poderá esclarecer essas afirmações: nós todos apreendemos o mundo em função das experiências que obtemos com nossos cinco sentidos; se imaginarmos, porém, um ser capaz de enxergar não cores e formas, mas partículas atômicas, seu universo será muito mais uniforme, como uma malha tridimensional com diferentes pontos de concentrações de partículas, tudo em movimento. Esse ser perceberá sem dificuldades a identidade que existe entre os seres e entre as coisas.

Voltando ao ser espiritual expresso no corpo físico por meio de três organismos progressivamente mais densos – mental, astral e etéreo-físico -, compreenderemos que quanto mais próximo da Essência (direção do organismo mental, do mundo espiritual) maior a sensação de unidade entre todas as coisas; de outra forma, quanto mais próximo da Substância (direção do organismo físico, do mundo material) maior a existência de pluralidades, de diversidades e mesmo de contradições e conflitos. Basta lembrarmos da célula-ovo ou zigoto formada a partir da união com o espermatozóide e do óvulo que, partindo de uma situação completamente indiferenciada mas totipotente, dividi-se e diferencia-se em tecidos, órgãos e sistemas que formam um organismo desenvolvido.

É preciso dizer que cada um de nós é um espírito cuja Essência é a Unidade-Universalidade. Contudo, podemos escolher o “mundo” em que queremos viver, bastando posicionar nossa consciência em qualquer ponto do caminho entre espírito e matéria. Para sermos sincero, devemos admitir que a maior parte da humanidade volta-se hoje mais para o lado material da existência, ficando assim presa às coisas densas e efêmeras, transitórias. São jogadas assim da alegria para a tristeza, da satisfação para a ansiedade ou depressão, da mesma forma que o vento sacode as folhas de um lugar a outro. A maior parte de nós gravita na periferia da Roda dos Elementos, do ciclo da vida, sem vistas para nossa verdadeira Essência, sem esperanças de melhora.

Dialeticamente, somos forçados a nos perguntar: se o Espírito (Essência) é que gerou a Matéria (Substância) e se manifestou na Matéria dando Existência a todas as coisas, por que perdemos a noção de quem nós realmente somos, da unidade-universalidade entre todas as coisas, e o espírito e pior, escolhemos ficar na periferia do sistema, sofrendo com a transitoriedade?

Para produzir em palavras algo que é espiritual, utilizaremos a Ciência do Concreto, o Mito. Lembremos a estória de Narciso: ele era tão belo que certa vez, ao olhar o reflexo de seu rosto na água encantou-se consigo mesmo e tentando unir-se ao seu reflexo acabou morrendo afogado. Da mesma forma, o espírito se refletiu na matéria; se encantando foi identificar-se com sua imagem e acreditar que a imagem era ele mesmo. Desde então, vive na ilusão, acreditando ser o que seus sentidos demonstram.

Nas linhas acima já se encontram informações suficientes para a compreensão de boa parte do processo que, segundo a Escola de Síntese, envolve o exercício do Sacerdócio, da Magia e da Medicina. A chave completa se revela durante a Iniciação que, mais uma vez afirmamos, requer o esforço e a dedicação durante várias existências no corpo físico e fora dele, e o imprescindível relacionamento Mestre-Discípulo. A transmissão iniciática nestas bases é reconhecida por todos os Iniciados desde o inicio dos tempos, tendo sido seguida por Moisés (iniciado por Jetro), por Pitágoras (pelos sábios egípcios, caldeus e babilônios) e mesmo pelo augusto Ishvara, o Cristo Jesus que se fez iniciar por João Batista. Não podemos, portanto, reconhecer a iniciação sem o preenchimento desses requisitos.

Posto isto, perscrutemos o ofício de cada uma das três atribuições dos sábios do passado, de antemão já afastando a premissa de que tais práticas sejam próprias de culturas primitivas. Ao contrário, acreditamos que sejam herança de culturas primevas, do povo da Raça de Cristal, muito mais evoluídos que nós, aqui submissos aos impulsos e aos desejos que eclipsaram nossas mentes, algo jamais acontecido entre as culturas Primevas. Continua na próxima publicação a última parte do texto.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 141

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Religiões Afro-brasileiras: O Sacerdote, Mago e Médico - Parte I

Resumo

Diz o adágio ocultista que, no passado, o Sacerdote, o Mago e o Médico eram o mesmo, ou melhor, que a mesma pessoa “acumulava” as três funções. A visão antropológica moderna vê essa assertiva como uma condição própria das culturas primitivas, onde as doenças eram tidas como fruto de intercessões malignas e, pela falta de ciência, se atribuíam poderes mágicos à fitoterapia, que era associada a encantos e feitiços para afastar as influências negativas do indivíduo acometido por moléstias. É familiar a todos a figura mítica do pajé ou xamã; em vários povos ele executa os serviços do contato com o Sagrado, com os espíritos da Natureza por meio da Magia e cuida das enfermidades que comprometem os integrantes da comunidade.

Veremos nas próximas linhas o que significa, em sua real essência, a afirmativa de que o Sacerdote, o Mago e o Médico são a mesma pessoa. Compreenderemos, pela visão da Tradição de Síntese, que as separações entre Filosofia, Ciência, Arte e Mística provém da fragmentação do conhecimento imposta pelas academias da Idade Média em diante, tendo seu apogeu com a consagração do paradigma cartesiano. Este, embora afirmando a existência do Sagrado, negava sua relação com a Ciência estabelecia uma separação nítida entre o Corpo, ou Matéria, e o Espírito, garantindo a supremacia política sobre os dois campos do conhecimento estabelecido, respectivamente, a Ciência florescente e a Igreja dogmaticamente estabelecida.

Palavras-chave: Mago, Médico, Religiões Afro-brasileiras, Sacerdote, Síntese

Abstract
The occult adage says that in the past, the Priest, the Mage and the Doctor were the same, or better, the same person "accumulated" three functions.
The modern anthropological view see this statement as a characteristic of primitive cultures, where the diseases were taken as the result of malignant and intersections, and by the lack of science , were attributed magical powers to phytotherapy, which was associated with charms and spells to ward off the negative influences of individuals affected by diseases. The mythical figure of the “pajé” or shaman is familiar to all; in various cultures he runs the services of the connection with the Sacred, with the spirits of nature through magic and takes care of diseases that compromise the members of the community.

We will see in the next lines which means, in its true essence, the assertion that the Priest, Mage, and Medic are the same person. We understand, by the Synthesis Tradition, separations between Philosophy, Science, Art and Mysticism comes from the fragmentation of knowledge imposed by the academies of the Middle Ages onward, taking its apogee with the consecration of the cartesian paradigm. This, while affirming the existence of the Sacred, denied his relationship with the established Science a clear separation between the body, or matter and spirit, ensuring the politic supremacy over the two established fields of knowledge, respectively, the flourishing Science and the dogmatic established Church.

Keywords: Magician, Physician, Afro-Brazilian Religions, Priest, Synthesis

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS: O SACERDOTE, MAGO E MÉDICO – PARTE I

Diz o adágio ocultista que, no passado, o Sacerdote, o Mago e o Médico eram o mesmo, ou melhor, que a mesma pessoa “acumulava” as três funções. A visão antropológica moderna vê essa assertiva como uma condição própria das culturas primitivas, onde as doenças eram tidas como fruto de intercessões malignas e, pela falta de ciência, se atribuíam poderes mágicos à fitoterapia, que era associada a encantos e feitiços para afastar as influências negativas do indivíduo acometido por moléstias. É familiar a todos a figura mítica do pajé ou xamã; em vários povos ele executa os serviços do contato com o Sagrado, com os espíritos da Natureza por meio da Magia e cuida das enfermidades que comprometem os integrantes da comunidade.

Veremos nas próximas linhas o que significa, em sua real essência, a afirmativa de que o Sacerdote, o Mago e o Médico são a mesma pessoa. Compreenderemos, pela visão da Tradição de Síntese, que as separações entre Filosofia, Ciência, Arte e Mística provém da fragmentação do conhecimento imposta pelas academias da Idade Média em diante, tendo seu apogeu com a consagração do paradigma cartesiano. Este, embora afirmando a existência do Sagrado, negava sua relação com a Ciência estabelecia uma separação nítida entre o Corpo, ou Matéria, e o Espírito, garantindo a supremacia política sobre os dois campos do conhecimento estabelecido, respectivamente, a Ciência florescente e a Igreja dogmaticamente estabelecida.

Faremos um pequeno parêntese para salientar que o estado de consciência espiritual ou de evolução em que nos encontramos predispõe a maioria dos encarnados ao cultivo de um certo grau de fantasia que sustenta a “realidade”. Sim, cada um de nós, na ansiedade de preencher o Vazio deixado pela falta de percepção da espiritualidade, completa o seu universo mental-espiritual com mitos e fantasias que, criados sobre as impressões turvas dos sentidos, tentam explicar as questões abstratas de formas bem concretas.

Se os mitos traduzem de alguma forma verdades mais sutis, é possível, sabendo-se decodificar suas palavras, compreender suas origens e recuperar o conhecimento verdadeiro. É claro que quanto mais longe da fonte original, mais distorcido é o mito e mais difícil fazer o caminho inverso. Também as realidades científicas atuais guardam algo de mitológico, no sentido de se basearem exclusivamente naquilo que podemos apreender pelos sentidos ou seus aparelhos e por considerarem o método científico estabelecido como definitivo e isento de limitações. Mas como procurar enquadrar o espírito, imaterial, atemporal e adimensional no campo das percepções dimensionais que servem de ambiente adequado para a Ciência? Não será essa também uma fantasia para acalmar a ansiedade frente o imponderável? Não deveríamos retomar a possibilidade de investigar de maneira séria as realidades metafísicas?

Compreendemos que no processo da cosmogênese o espírito se manifestou de forma concreta, passando por várias dimensões da existência com densidade progressivamente maior. Ao passar de uma dimensão mais sutil a outra mais densa, mantém-se o mesmo “esquema”; há sempre correspondências. Ainda que não consigamos perceber diretamente os estados de existência mais sutis que o nosso, podemos inferir que o plano denso em que vivemos seja um reflexo de planos mais sutis, lembrando que as dimensões mais densas são mais lentas, mais estáticas que as sutis. Partindo-se desse conhecimento, pelo método da analogia podemos conhecer e mesmo atuar sobre os planos invisíveis movimentando elementos físicos.

É claro que o método analógico pode ser útil para se especular sobre estados e dimensões que se encontram além do nosso alcance sensorial. Sobre esse princípio se apóia grande parte dos fundamentos da Magia Aplicada, uma das matérias estudadas na Teologia Umbandista.

Uma das chaves que podemos abrir neste pequeno colóquio espiritual com o leitor é a de que Espírito não possui matéria ou energia-massa, não sendo regido, por conseguinte, pelas Leis e Princípios que ordenam o Reino Natural ou Universo Astral. Todavia, é exatamente Ele o “sujeito”, sendo o Universo seu “predicado”. Em outras palavras, é o Espírito a razão de existência de todo o Universo, sem Ele não haveria qualquer forma de Existência, pois é d’Ele que se origina a Essência que dinamiza a Substância, realizando-se em Poder de Manifestação.

Sem sair do “lugar”, do seu “centro”, o Espírito faz “girar” em torno de si as realidades relativas denominadas pelo jogo (lila em sânscrito) dos quatro elementos: o Ar, Fogo, Água e Terra. As doenças que apresentamos no corpo físico são o resultado da saída da consciência de seu “centro” ou fulcro espiritual, tornando-se cativa da força centrífuga que arrasta os elementos na Roda dos Tattwas até o ponto de polarização em um ou dois elementos, cujas energias “coaguladas” se traduzem em distúrbios da economia orgânica. As doenças são, portanto, sinônimo de baixas vibrações no campo do Pensamento, do Sentimento e das Ações, as manifestações progressivamente mais densas do Espírito. Axé!

Continua na publicação seguinte.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 140

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Doenças do sistema imunológico na visão das Religiões Afro-brasileiras

Depois de vários textos sobre as doenças, em que enfocamos o mecanismo básico delas segundo os fundamentos da Medicina das Religiões Afro-Brasileiras ou Umbanda, demonstramos que os ascendentes espirituais (mapa kármico) determinam a fisio-morfologia do organismo astral proporcionando as particularidades do mapa genético (genoma), caracterizando a individualidade, por intermédio das características imunogenéticas.

Reiterando é muito importante a compreensão do conceito de que, por intermédio de um código oriundo dos centros de iluminação se consolida o mapa genético, as características imunogenéticas, particulares de cada indivíduo, sendo que na dependência de sua personalidade, expressará ou não determinadas enfermidades e, em apresentando-as, as mesmas poderão estar nas formas atenuada ou agravada (expressividade e penetrância gênicas).

É de vital importância o mecanismo psico-neuro-imunoendocrinológico, o qual poderá ser fator inibidor ou indutor de enfermidades, que tem ascendentes espirituais, manifestos nos centros de iluminação.

Penetrando nos fundamentos da autocura (1º aspecto) e cura (2º aspecto), estudemos à luz da Roda da Vida a manifestação do desequilíbrio dos “elementos”, a Patologia dos Elementos (na verdade a consciência) e subsidiado nela demonstraremos as bases da Terapia das Religiões Afro-Brasileiras.

Dissemos que a autocura seria o primeiro aspecto, deixando os aspectos de cura para o segundo; vejamos o que tentamos dizer.

Imaginemos uma fratura óssea simples, sem maiores complicações. Os cuidados médicos são pertinentes à redução da fratura (se necessário) e imobilização por meio do gesso, já tão conhecido por todos. Mas, para que a imobilização? Para permitir a regeneração óssea e a conseqüente consolidação da fratura (reconstrução óssea).

A regeneração, a consolidação da fratura óssea explica o processo de autocura, a capacidade que os ossos têm, não só eles, mas todo o organismo, de auto-regeneração, em obediência à homeostasia.

A condição sine qua non para que houvesse a regeneração foi a imobilização (a não interferência no processo); por isto dizemos aos nossos pacientes que vamos “gessar”, imobilizar suas almas, advindo a autocura.

Da mesma forma que gessamos o individuo que sofreu uma fratura óssea, e imaginando-a em membro inferior, às vezes somos obrigados a pedir ao paciente que use uma muleta ou bengala, que em nossa analogia são os medicamentos, sejam das Religiões Afro-Brasileiras, alopáticos, homeopáticos ou outros, segundo o grau consciencial do indivíduo, isto é, o quanto sua consciência está mais ou menos desfocada do centro da roda da vida.

Ao explicarmos o porquê de usarmos medicamentos ou remédios (várias formas de terapia não medicamentosas) entenderemos como funciona o sistema psico-neuroimuno-endocrinológico, que tem como ascendente o mapa kármico.

Os medicamentos sejam das Religiões Afro-Brasileiras, homeopáticos, alopáticos, não podem por si só curar as doenças, muito menos os doentes. O paciente estará curado somente quando houver autocura.

Mas o que fazem os medicamentos? São importantes no auxílio da erradicação da doença, pois auxiliam o Sistema Imunológico a combater o desequilíbrio, fazendo-o atuar sem embargos, propiciando a homeostasia (o retorno ao equilíbrio).

Para melhor entendermos a teoria, vejamos o esquema:



Para restaurar a homeostasia, o Sistema Imunológico deverá combater o grupo celular desencadeante. Todavia, torna-se débil em virtude de ter de vencer uma enorme barreira (células ou secreções).

A célula deflagradora produz células que a defendem do Sistema Imunológico (fagocitose) que produz o complexo ou da reação antígeno/anticorpo.

O processo é como se fosse uma camuflagem; a célula permanece camuflada. A “camuflagem” não permite que o Sistema Imunológico a reconheça como anômala em sua morfologia ou fisiologia. Se a reconhecer, não consegue vencer a “barreira” formada por “células defensoras” que exaurem o Sistema Imunológico, impedindo o retorno à homeostasia.

Os medicamentos auxiliam, pois eliminam, neutralizam as células anômalas ou mesmo secreções, permitindo que o Sistema Imunológico, por intermédio de seus componentes celulares e humorais (aqui também se pode explicar por meio dos elementos da Roda da Vida em dissonância; na verdade, a Consciência desarmonizou-se, destrambelhou-se), “ataquem” a “célula revel”, fazendo retornar a higidez, a homeostasia. O medicamento permitiu que o Sistema Imunológico pudesse atuar isto quando o processo funciona, pois na dependência da consciência, não se consegue o sucesso esperado.

O processo resumidamente descrito nem sempre tem o sucesso esperado, pois como afirmamos, dependerá muito da atitude Espirítica-psicológica do indivíduo, sendo que nem sempre o médico ou quem o represente consegue demover do paciente das suas idiossincrasias comportamentais. Neste caso, o paciente poderá ir a óbito ou ter um processo crônico de maior ou menor intensidade, atuando nesse caso, os ascendentes do mapa genético.

O sistema de defesa do organismo tornando-se hipoativo ou hiperativo pode, no primeiro caso, não conseguir debelar a enfermidade e, no segundo, deflagrar as enfermidades auto-imunes, ou seja, algo faz com que ele não reconheça a célula como normal ou própria do indivíduo. Não será que a doença auto-imune é profilática a uma mal maior? Ou é mesmo um descontrole com ascendente genético, do mapa kármico, do karma não atenuado?

No primeiro caso, quando o sistema imunológico é hiperativo, os danos da “célula revel” podem ser causados por ela diretamente ou por suas “secreções” (toxinas, antígenos vários, etc.). Pode-se também aventar a hipótese viral com alterações cromossômicas (DNA), portanto genéticas, mas isto o tempo vai nos dizer...

O processo aventado, da “célula revel” é importantíssimo nas causas das doenças que, na dependência da espiritualidade real do indivíduo, poderá ser ou não neutralizada rapidamente pelo sistema imunológico.

A neutralização do mecanismo da “célula revel” não se dará à força de retórica, mas pela efetiva capacidade do indivíduo conseguir a paz interior, a mente clara, lúcida, coragem e bom ânimo alimentados por uma alegria crescente, enfim, por uma verdadeira e não condicionada felicidade.

Alinhavando nossos conceitos, percebe-se que a cura é real quando houver autocura, e isto depende do individuo, como já dissemos; temos a saúde e a doença, depende do indivíduo, como já dissemos; temos a saúde e a doença, depende do que desejamos expressar, de acordo com nossa atitude, visão de mundo interno e mundo externo. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 139

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Religiões Afro-brasileiras – Abordagem das doenças humanas - Doenças provocadas pela atuação e atração espiríticas

Resumo

Nas Religiões Afro-brasileiras a Medicina Integrativa ou de Síntese preconiza que a personalidade é a expressão do “Eu Superior” – o Ser Espiritual. É manifestada por meio de três organismos dimensionais diferentes. Além das diferenças vibracionais e estruturais, há também as funcionais.

Após estas ligeiras incursões introdutórias na Psique Humana, vejamos como o indivíduo pode atrair sobre si mesmo a influência ou atuação de outra consciência, de outro indivíduo e isto produzir doenças várias, ser causa de enfermidades.

Pensamentos desequilibrados, sentimentos instáveis e ações desarmônicas são a base para o rebaixamento vibratório da freqüência aurânica, que por si só produz doenças, o que é ainda mais agravado pela atração e atuação de seres espirituais que vibram nas freqüências mais baixas da vida, que por sintonia se comprazem de estranha e insólita amizade morbosa.

Palavras-chave: Atuação espirítica, Doença, Inconsciente, Organismos, Religiões Afro-brasileiras.

Abstract

In Afro-Brazilian Religions, the Integrative Medicine or Synthesis , personality is the expression of the “Higher Self” – the Spiritual Being. It is manifested through three different dimensional bodies. In addition to the Vibrational and structural differences, there are also functional.

After these introductory introductions into the human psyche, let's see how the individual may draw upon himself the role or influence of another consciousness, another individual, and this produces many diseases, be the cause of illnesses.

Unbalanced thoughts, unstable feelings and inharmonious actions are the basis for lowering the vibrational frequency of the aura, which alone produces disease, which is further aggravated by the attraction and activity of spiritual beings that vibrate at lower frequencies of life, which tuning delights of strange and unusual friendship.

Keywords: Spiritistic performance, Illness, Unconscious, Bodies, Afro-Brazilians Religions.

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS – ABORDAGEM DAS DOENÇAS HUMANAS

DOENÇAS PROVOCADAS PELA ATUAÇÃO E ATRAÇÃO ESPIRÍTICAS

A etiologia das doenças provocadas pela atuação de seres espirituais será compreendida se explicarmos superficialmente o Inconsciente Coletivo e o Inconsciente Individual.

Nas Religiões Afro-brasileiras a Medicina Integrativa ou de Síntese preconiza que a personalidade é a expressão do “Eu Superior” – o Ser Espiritual. É manifestada por meio de três organismos dimensionais diferentes. Além das diferenças vibracionais e estruturais, há também as funcionais.

Esses três organismos manifestam na personalidade os seguintes processos:


A tripartição do Ser Espiritual na personalidade de forma inequívoca demonstra a quebra da unidade. A personalidade, de forma trina, é “fragmentada”. Em outros textos discutiremos que a triunidade da personalidade pode permitir polarizações, isto é, um dos organismos pode prevalecer sobre os dois.

Assim, há personalidades intelectivas (polarizadas no Organismo Mental), emotivas (polarizadas no Organismo Astral) e finalmente as instintivas (polarizadas no Organismo Etéreo-físico). O que realmente acontece, segundo o fundamento sacerdotal, é a carência do axé. É necessário dar de "comer" à cabeça (bori) e harmonizar o bara orun. Antes, porém, faz-se mister dar o ebó e os procedimentos subsequentes, após os vaticinios de Orunmila Ifá.

Razão, Sentimento e Instinto são a trindade da personalidade que, na dependência da polarização, pode ser a origem de várias doenças como veremos em futuros textos.

Como estávamos tentando explicar sobre o Inconsciente, a Ciência Acadêmica explicita que a esfera psíquica (psiquismo-psique) é tríplice: Inconsciente, pré-conciente e consciente. (vide publicação 07 de 01 de fevereiro de 2010).

O Inconsciente atua na conduta do indivíduo, mas escapa da Consciência, não podendo ser trazido por nenhum esforço de vontade ou memória; mas pode aflorar nos sonhos, na livre associação, nos atos falhos e nos transtornos oriundos das neuroses ou psicoses (atuação de eguns, quiumbas, ajés, arajés, que podem desencadear o processo).

O pré-consciente é o conjunto de fatores e processos latentes no indivíduo; influencia a conduta e pode facilmente aflorar ao Consciente. As tendências, os hábitos, lembranças e conhecimentos fazem parte do mesmo.

O Consciente é o conjunto de processos e fatores psíquicos do qual temos consciência e nos utilizamos em estado de vigília.

Na dependência do grau de maturidade espiritual, haverá indivíduos com maior ou menor grau de percepção de si mesmo e do mundo objetivo. Quanto maior o grau de percepção ou de consciência, maior o autoconhecimento, sendo verdadeira a recíproca.

Igualmente, amplia sua consciência o indivíduo que se aprofunda na raiz de si mesmo, isto é, penetra no seu inconsciente (indiferenciado). Quanto mais penetra no inconsciente, maior sua consciência. Sim, o que era oculto tornou-se revelado. Portanto, penetrar no inconsciente é tornar-se mais consciente por intermédio da decodificação e tradução do conteúdo do inconsciente.

Aquele que por meio do método próprio das religiões afro-brasileiras consegue penetrar no cerne do inconsciente, penetra no nível de consciência que denominamos Supra-Consciente.

Se apontarmos no “eixo do tempo” os níveis de consciência aludidos, teremos o inconsciente no “passado”, o consciente no “presente” e o supra-consciente no "futuro".



Desta forma “linear” não há contato entre os “três tempos”; há uma completa dissociação, não há interação, sendo assim para a maioria dos Seres Humanos.

Se o esquema linear transformar-se em circular ou em espiral, teremos o passado reunido ao futuro (o Inconsciente é a origem do Supra-Consciente, isto é, a Essência, o Espírito está na origem de tudo).

Passado e futuro são reunidos harmonicamente, significando que a consciência Espiritual é total, plena, atemporal e adimensional.

Extrapolando, o Inconsciente Coletivo não é diverso do Inconsciente Individual, pois tal qual o caráter genético obedeceu a um processo evolutivo, mas guardando as marcas de início e transmitindo-se a todos os descendentes dos “Pais Primevos”, o mesmo acontece com o Inconsciente Coletivo, que repete os fatores, atos e vivenciais desde o início da humanidade, fenômeno que Carl Gustav Jung denominou de arquétipo.

Há total correspondência entre Inconsciente Individual e Inconsciente Coletivo, sendo que o individual tem forte valência do coletivo, que se apresenta segundo o filtro próprio a cada indivíduo.

Após estas ligeiras incursões introdutórias na Psique Humana, vejamos como o indivíduo pode atrair sobre si mesmo a influência ou atuação de outra consciência, de outro indivíduo e isto produzir doenças várias, ser causa de enfermidades (osogbo arun).

Antes de prosseguir, reiteramos que ao se manifestar, as doenças não estão somente na esfera psíquica, mas também na esfera somática, enfim, no indivíduo como um todo.

Mas como um indivíduo pode influenciar outro indivíduo e acarretar-lhe doenças?

No mundo atual há várias formas nas mais diversas condições, mas para nossas discussões preliminares dividamos, para facilitar o entendimento, em duas condições:

Primeira condição:

O Ser Espiritual encarnado sofre a influência negativa de um Ser Espiritual desencarnado.

Segunda condição:

O Ser Espiritual encarnado sofre a influência negativa de outro Ser Espiritual encarnado.

Embora não tenhamos citado, é muito freqüente o indivíduo sofrer influências negativas oriundas de sua própria conduta mental, afetiva ou emocional e instintiva ou por seus próprios atos.

Como afirmamos, são várias as condições de atração e atuação que produzem doenças e é obvio não citaremos todas, pois seria impossível dissecar as infinitas possibilidades, todavia demonstraremos o mecanismo básico, pedra angular de todos os matizes.

Independente de a condição ser a primeira ou a segunda, tudo está na dependência do enfraquecimento da Aura Total (esgotamento ou carência de axé).

Aura Total é a emanação ou exteriorização energética dos três veículos da Consciência. Assim sendo, a Aura externa é relativa aos processos vitais do Organismo Físico. A Aura intermediaria é relativa ao Organismo Astral e, finalmente, a Aura Interna é relativa ao Organismo Mental.

A Aura Total, além de ser uma quantificadora do índice energético é fiel demonstrativo do estado de higidez ou doença de vários organismos; é também escudo (de defesa) contra influências externas.

O Organismo Físico, por meio da Aura Externa, reconhece seu Corpo Astral, não permitindo que outros “Corpos Astrais estranhos” dele se aproximem, a não ser quando o outro “Corpo Astral” é de um Ser Espiritual autorizado a compartilhar vivências e experiências (mediunidade).

Como exemplo citamos a canalização espiritual ou mediunidade, aceita por várias Escolas Filosóficas de Tradição do passado e do presente.

Também é exemplo a afinidade positiva entre dois seres que se amam e permutam vibrações dimensionais, as quais revitalizam positivamente todo o complexo mento-astro-físico, proporcionando-lhes equilíbrio, estabilidade e harmonia espiritual, mental, física e social.

Além desses aspectos positivos, em que também houve atração e atuação vibracional com plena aquiescência do “receptor vibratório” há as que se dão sem a devida aquiescência, ocorrendo de forma violenta, contundente, provocando traumas no psicossomatismo, o que em geral se consolida em doenças completamente desconhecidas pela Medicina Oficial ou Acadêmica.

Há verdadeiro vilipêndio, parasitismo, vampirismo das energias vitais, levando a vítima às mais variadas doenças, desde as simples distonias neurovegetativas a complexas síndromes auto-imunes, que são explicadas pela influência de outra aura que não a do próprio indivíduo e por permitir o trânsito de vivências passadas para o presente, numa espécie de erupção de forma abrupta do inconsciente para o consciente.

Muitas das neuroses, psicoses e outras intrincadas enfermidades mentais têm essa explicação.

Como estamos introduzindo, deixaremos para os próximos textos, o aprofundamento onde dissertaremos a gênese de várias enfermidades que atualmente são rotuladas de idiopáticas.

Encerrando, é de bom alvitre atentar ao fato de que citamos influências que ocasionam doenças, independente dos algozes serem seres espirituais astralizados ou encarnados.

O indivíduo que permite de forma inconsciente esta atuação com certeza é responsável, pois se estivesse atento à vida, vivendo-a plenamente de forma a não suscitar a presença de seres contrários, encarnados ou desencarnados, não estaria sujeito a tais infortúnios (carência de axé).

Pensamentos desequilibrados, sentimentos instáveis e ações desarmônicas são a base para o rebaixamento vibratório da freqüência aurânica, que por si só produz doenças, o que é ainda mais agravado pela atração e atuação de seres espirituais que vibram nas freqüências mais baixas da vida, que por sintonia se comprazem de estranha e insólita amizade morbosa. Esperamos que todos tenham tido uma boa leitura. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 138

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Religiões Afro-Brasileiras resgatando o Sagrado


Neste texto, com a aquiescência do Astral Superior vamos abordar alguns conceitos pertinentes ao processo evolutivo, educacional e cultural que norteará o terceiro milênio, e dentro dele, a Augusta Tradição de Síntese.

Há muito escrevemos que os “clarins de Ogum” estão soando anunciando uma nova era, descortinando um auspicioso momento planetário onde prevalecerá acima das diferenças e desigualdades mantenedoras dos conflitos internos e externos, as semelhanças indutoras e mantenedoras de Paz, Luz e Entendimento.

Os tempos são chegados! O futuro está presente, conclamando-nos a vivenciarmos um novo tempo, que fará do planeta Terra um lócus cósmico de paz e felicidades.

Para tal evento acontecer haveremos de banir para sempre a vaidade, o orgulho e o egoísmo geradores de três terríveis flagelos destruidores de todas as aspirações de igualdade e fraternidade entre os homens, que são: a ignorância (enganos), o ódio (aversão) e os apegos (avareza) vários (poder, tirania, inércia espiritual etc.).

É por isto que a pedido do “astral competente”, das Augustas e Excelsas Hostes do Bem e da Luz nos propusemos a empunhar nossa pena. Sim, dizem os Mestres Astralizados – Senhores da Sabedoria, que os maiores entraves ao progresso da Humanidade encontra-se na visão distorcida das Religiões responsável por tantas dissensões, com graves repercussões na sociedade planetária, cada vez mais fragmentada, separada, aumentando a miséria em todos os âmbitos.

Certo está que precisamos de re(união) com o Sagrado, sendo beneméritas todas as formas de Religião, mas às mesmas cabem a tarefa de unir os Homens, auxiliando-os na neutralização da miséria, das desigualdades sociais, étnicas, culturais, políticas e econômicas e jamais incentivar as iniquidades citadas.

Talvez alguns Irmãos Planetários digam não ser esta a função da Religião, pois ela deveria se interessar pela fé, esperança e consolação de seus prosélitos.

Às Religiões não competem somente os patrimônios da fé, esperança e consolação, mas principalmente de remir e re(unir) o Homem consigo mesmo e com o Sagrado, e Esse está em toda as coisas, inclusive, nas várias formas doutrinárias, em todas as Religiões. Portanto, não podemos dizer ser esta ou aquela Religião melhor que outra; quem tem uma, em geral, nega as demais; quando se é praticante de uma Religião, mesmo que de forma velada, discrimina-se as outras... O que há é Religião, (re)união com o Sagrado, e não Religiões. As Augustas Hierarquias Constituídas, os Espíritos Planetários – Os Orixás Ancestrais e todos seus enviados, (ancestrais ilustres) quando têm oportunidade, afirmam que a Umbanda tem necessidade de se expressar como Religião -uma visão direta e imediata do Sagrado. A Umbanda afirma que as Religiões, embora louváveis em seus princípios, são visões particularizadas do Sagrado, ressaltando e realçando as diferenças entre as Coisas Divinas, algo que deveriam refutar, pois como admitir serem as religiões promotoras de desavenças, cizânias que podem culminar em lutas fratricidas, na abominável e inconcebível guerra?[1]

Sim, este texto, respeitosamente, vem demonstrar a necessidade de vivenciar o Sagrado, que está acima de todas as Religiões, pois além de ser o ponto de convergência entre as mesmas, é a origem de todas elas que foi esquecida e adulterada.

Carecemos retornar ao Sagrado (Religião Primeva), que não desrespeita e muito menos nega os níveis de percepção da realidade, ao contrário, valoriza-os, adaptando-lhes vários cultos, que mais lhes falem à alma, porém subtraindo-lhes, de forma atraumática, a fé cega, a ortodoxia, o sectarismo e o misoneísmo mantenedores das dissociações entre os pilares da gnose humana, quais sejam: a Ciência, a Filosofia, a Arte e a Religião (Reunião com o Divino - onde todos os homens são iguais, pois são divinos).

Enquanto não tivermos a restauração do Sagrado, o pólo unificador, convergente e monista dos quatro pilares, (é supra-disciplinar, estando acima das mesmas, pois é a origem que foi cindida), teremos desigualdades, não teremos paz interna (no indivíduo) e nem paz externa (no mundo).

Caro Irmão Planetário, não queremos cansá-lo com nossa base discursiva, pois concordamos quando se afirma que o bom escritor é o que escreve pouco e diz muito ao leitor, sendo esta nossa humilde pretensão.

Antes de encerrarmos o texto, não podemos deixar de reiterar nosso respeito à cultura, à educação, à evolução e é óbvio que nisto incluímos e ressaltamos as Ciências Acadêmicas. Não podemos ferir seus cânones, pois nenhum espiritualista sério e comprometido com a Verdade escarnece ou desdenha de seus inquestionáveis benefícios prestados à Humanidade, mesmo sabendo-se que não basta instrução acadêmica para arvorar-se sábio. Todavia não negamos nela encontrarmos valiosa ferramenta para construir-se o Saber, tal qual fizeram os Mestre da Sabedoria de todos os tempos, que, como dissemos, prestaram inúmeros serviços em prol do progresso da Sociedade Planetária. A todos os cientistas e espiritualistas universalistas de antanho, de hoje e do futuro nosso fraternal e sincero agradecimento pelas luzes que nos enviaram, enviam e enviarão.

Encerrando e concluindo, queremos colocar que a Umbanda, muitas vezes tida como ortodoxa e sectária, como cultura de periferia (não considerado como cultura de centro), é o cadinho onde se forjam as almas a caminho da redenção[2]. Embora tão desassociada na aparência, será o pólo norteador para uma nova Sociedade que está florescendo, onde prevalecerá o Culto ao Sagrado, a Espiritualidade Cósmica, pois mesmo sendo os homens “diferentes” entre si, todos são transitórios, mortais. Em espírito todos são iguais, sendo imortais e eternos.

A Umbanda é um processo dinâmico, dialético, de mudanças constantes, de releituras não desdenhando do amadurecimento espiritual que a todos aguarda. Sua função é resgatar o Sagrado - Visão Direta e Imediata do Divino.

A Umbanda pretende trabalhar ativamente no resgate da cidadania espiritual do Homem, fazendo-o cônscio de que é Espírito, sendo iluminado e eterno, pois sua Essência é Divina.

Não obstante a Umbanda ser um adaptador consciencial importantíssimo e necessário, neste terceiro milênio, por intermédio dos Orixás – Os Supremos Luminares e Curadores do Mundo, restaurará a Teologia da Convergência, a qual reunirá o Saber Religioso com a Filosofia, Ciência e a Arte e com as crenças e rituais reunirá todas as Religiões – Sagrado. Desta proposição subentende-se que a Umbanda fará a reunião de todos os Homens, havendo apenas felicidade e igualdade sustentadas pelo Culto ao Sagrado - a visão direta e imediata do Divino. Axé!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 137


[1] Todos ainda tem vivo na memória o ocorrido nos E.U.A. o insólito e inconcebível ato terrorista, vergonhosa herança de tempos da barbárie que pensávamos tivessem se extinguido. Infelizmente este abominável ato pode trazer a funesta e inaceitável guerra fratricida. Aproveitamos o ensejo para reiterar que o fanatismo, a ortodoxia e o famigerado fundamentalismo tem levado a fragmentação das Religiões. Trouxeram uma onda crescente de descrença nos setores filosófico-religiosos, que ao invés de buscarem uma convivência pacífica, infelizmente, fomentam, por puro proselitismo étnico-político, a guerra.

Isto levou o escritor José Saramago, simpatizante da “religião marxista” e ateu declarado, a escrever o artigo, cujo título – “O Fator Deus”, datado do dia 19.09.2001 (Folha de São Paulo), que reproduzimos, nas linhas que se seguem.

... “E, contudo, Deus está inocente. Inocente como algo que não existe, que não existiu nem existirá nunca, inocente de haver criado um universo inteiro para colocar nele seres capazes de cometer os maiores crimes para logo virem justificar-se dizendo que são celebrações do seu poder e da sua glória, enquanto os mortos se vão acumulando, estes das torres gêmeas de Nova York, e todos os outros que, em nome de um Deus tornado assassino pela vontade e pela ação dos homens, cobriram e teimam em cobrir de terror e sangue as páginas da história. Os deuses, acho eu, só existem no cérebro humano, prosperam ou definham dentro do mesmo universo que os inventou, mas o “fator Deus”, esse, está presente na vida como se efetivamente fosse o dono e o senhor dela. Não é um deus, mas o “fator Deus” o que se exibe nas notas de dólar e se mostra nos cartazes que pedem para a América (a dos Estados Unidos, não a outra...) a bênção divina. E foi o “fator Deus” em que o deus islâmico se transformou, que atirou contra as torres do World Trade Center os aviões da revolta contra os desprezos e da vingança contra as humilhações. Dir-se-á que um deus andou a semear ventos e que outro deus responde agora com tempestades”...

Após a transcrição, reiteramos que as Religiões carecem de Convivência Pacífica, de Convergência que as remetam a doutrinarem a Paz Mundial. É o que temos preconizado. Precisamos definitivamente buscarmos alternativas na convivência pacífica para sanarmos as ignomínias políticas e econômicas que infelizmente refletem-se no indivíduo e na Sociedade Planetária. Todavia não desconhecemos que as reformas sociais e nas instituições, haverão de iniciar-se no íntimo das criaturas e não o contrário (Espiritualidade Universal).

[2] A Escola de Síntese, defendida pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, preconiza a universalidade manifesta na diversidade de todas as coisas que remetem a Paz Mundial e Convergência. Convergência entre todos os Setores Filosófico-religiosos, científicos e artísticos. Porém, necessitamos de convivência pacífica, onde todos se respeitem verdadeiramente, e não apenas se tolerem (por convenção), como infelizmente vimos observando nestes últimos tempos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

As Religiões Afro-brasileiras lamentam o etnocentrismo e demais enganos


RESUMO

O Saber Religioso faz a interface com o Saber Acadêmico (do livro que deve ser respeitado). A outra vertente é a das crenças, rituais ou experiência-vivenciada, fazendo a conexão com a religião. Este foi o primeiro tema que abordamos no vídeo disponibilizado no final deste sumário

O segundo foi à infeliz declaração de um pastor neopentecostal, que também é deputado federal (que deveria legislar pelo e com o povo) que afirmou que todos os problemas e embaraços da África são devidos à Maldição Divina, algo preconceituoso e descontextualizado da uma cultura de paz e cooperação entre os povos. Seu exemplo eugênico e etnocêntrico deve ser um sinal de alerta no ensino da Teologia e pregação religiosa.

O terceiro foi a ignóbil violência à sociedade brasileira, a mais de uma dezena de crianças que foram mortas por um infeliz franco atirador, ativista de seita fundamentalista e que fez grassar o terror, o bizarro e como corolário a morte homicida e suicida. Será esta a proposta das seitas? São necessárias as seitas? Quantos que dizem propagar uma religião e em verdade estão engendrando uma seita?

Palavras-chave: Africa, Etnocentrismo, Religiões Afro-brasileiras, Seitas, Teologia

ABSTRACT

Religious knowledge interfaces with academic knowledge (the book that should be respected). The other aspect is the beliefs, rituals, or experience-lived, making the connection with religion. This was the first topic we discussed in the video available in the end of this summary.

The second was the unfortunate statement from a pentecostal pastor, who is also a federal deputy (who should legislate for and with people) who said that all the problems and embarrassments of Africa are due to divine curse, something full of prejudice and decontextualized from a peace culture and cooperation among peoples. His ethnocentric and eugenic example should be a warning sign in the teaching of Theology and religious preaching.

The third was the ignoble violence to Brazilian society, more than a dozen children who were killed by an unhappy sniper, an activist of a fundamentalist sect that made
​​the terror rage, the bizarre and as a corollary, the homicidal death and suicidal. Is this the proposal of the sects? Sects are needed? How many who say they propagate a religion and, in the truth, are engendering a cult?

Keywords: Africa, Ethnocentrism, Afro-Brazilian Religions, Cults, Theology

AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS LAMENTAM O ETNOCENTRISMO E DEMAIS ENGANOS

As religiões Afro-Brasileiras tem se destacado na sociedade por sua forma de permitir a inclusão de todos, inclusive do indivíduo consigo mesmo.

Na área da Educação tem inovado com a fundação e consolidação da FTU, uma forma paradigmática de inclusão da oralidade (Tradição oral) tida pelo próprio MEC como um modelo a ser seguido, pois de forma inédita tem aproximado o Saber Acadêmico (racional) da experiência ou vivência templária religiosa.

São as vertentes da Teologia propugnada pela FTU. O Saber Religioso faz a interface com o Saber Acadêmico (do livro que deve ser respeitado). A outra vertente é a das crenças, rituais ou experiência-vivenciada, fazendo a conexão com a religião.

Este foi o primeiro tema que abordamos no vídeo disponibilizado no final deste sumário

O segundo foi à infeliz declaração de um pastor neopentecostal, que também é deputado federal (que deveria legislar pelo e com o povo) que afirmou que todos os problemas e embaraços da África são devidos à Maldição Divina, algo preconceituoso e descontextualizado da uma cultura de paz e cooperação entre os povos. Seu exemplo eugênico e etnocêntrico deve ser um sinal de alerta no ensino da Teologia e pregação religiosa.

O terceiro foi a ignóbil violência à sociedade brasileira, a mais de uma dezena de crianças que foram mortas por um infeliz franco atirador, ativista de seita fundamentalista e que fez grassar o terror, o bizarro e como corolário a morte homicida e suicida. Será esta a proposta das seitas? São necessárias as seitas? Quantos que dizem propagar uma religião e em verdade estão engendrando uma seita?

Na mesma esteira de indagações tentemos responder a alguns interlocutores que perguntaram se estávamos fazendo releituras sobre os Orixás, pois afirmáramos que a Tradição permitia mudanças ou releituras. Sim, releituras organizacionais, mas não estruturais. Para nós Orixá é estruturante. Temo-lo como anterior à formação do universo (Cosmogênese) o famoso t0 dos físicos, portanto, como Seres Divinos (Pais Divinos) responsáveis pela manutenção do Cosmos, e pelo destino dos Seres humanos como individuo e de toda a humanidade.

Estes são os temas discutidos no vídeo que segue esta publicação, o qual esperamos, contribuir para facilitar o entendimento do que expusemos, e também proporcionar clareza e lucidez em temas tão ácidos e agudos nesse tempo de pós-modernidade. Como religioso, e acima de tudo como ser humano, esperamos de forma ativa, a construção de novos tempos, onde prevaleçam além da razão e bom senso, a religião, a Teologia que consiga reunir e remir o homem com o Divino e consigo mesmo. Axé!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 136