quinta-feira, 31 de março de 2011

A Magia ou Artes Mágicas


Neste texto escrevemos de forma breve sobre a Magia ou Artes Magísticas. No texto incursionaremos na visão oriunda da fusão mágico-religiosa.

Mais uma vez queremos reiterar que, quando dizemos magia, estamos nos referindo à movimentação de certas forças. Portanto, esperamos retirar definitivamente os conceitos preconceituosos que muitos têm sobre a magia.

Antes de adentrarmos no âmago da magia, devemos afirmar que magia não é coisa que todos fazem. Magia não é mágica, ilusionismo... Também, magia não é trabalho negativo, pois já ouvimos dezenas, centenas de pessoas dizer que vão desfazer magia, sendo esta sinônimo de algo negativo, trabalho feito, feitiço, bruxaria, macumbaria, etc. Qualquer trabalho negativo tacham de magia, confundindo-a com a magia negra, que á a aplicação da magia para fins negativos. Agora comecemos a esclarecer o assunto segundo nossa visão, senão vejamos:

MAGIA NEGRA OU BAIXA MAGIA – é a aplicação da magia para fins negativos, deletérios ou em prejuízo de alguém. Em nada tem a ver com a Raça Negra, pois também já ouvimos falar em magia negra como sinônimo de magia africana, algo totalmente errôneo. A magia negra não se iniciou na África, mas interpenetrou todos os povos em todas as épocas.

MAGIA BRANCA OU ALTA MAGIA - é a aplicação da magia para fins positivos, benéficos ou que visam o bem estar de alguém. Também aqui, esclarecemos que nada tem a ver com a Raça Branca. A magia branca é a aplicação superior da magia.

Na verdade a magia foi e é a mãe de todas as ciências, sendo, pois, a movimentação e transformação da matéria. É a Sabedoria Integral, a Arte Sagrada, a Arte do Mago.O médium magista ou o mago (grau superior de médium magista) sabe como aplicar sua vontade sobre as várias potências, fazendo as mesmas atuarem sobre as transformações da energia de plano a plano (físico, astral e mental), visando, é claro, atingir um objetivo. Assim, a magia é uma condensadora de energias várias que, ao detonar (mudança de plano) libera-as na realização do objetivo pretendido.

Esse conhecimento surgiu no seio de todas as etnias, sendo por meio dele – da magia, das transformações da matéria – que muitos empreendimentos arquitetônicos suntuosos foram erigidos.

Sem nos determos em minúcias, muito menos as históricas, na cronologia da magia, vejamos como a mesma se apresenta dentro da Umbanda ou Religiões Afro-Brasileiras da atualidade. Segundo o pensamento interno, hermético de nossa doutrina, vejamos quais são as leis que regem a magia, deixando para textos futuros a descrição de alguns rituais mágicos que tantos benefícios trazem aos muitos filhos de fé que peregrinam por essas milhares de “choupanas”, “terreiros”, “cabanas”, etc.

Podemos dividir didaticamente a magia em:

Magia Cerimonial – São os vários ritos ou cerimônias pertencentes às operações que se fazem, tais como invocações, evocações, conjuros e outros apelos às várias potências colocadas em ação segundo os objetivos vários.

Magia Kabalística – São as práticas mágicas executadas segundo os diversos fundamentos, por meio do conhecimento da verdadeira Tradição, que mais tarde foi velada e deturpada. A Escrita dos Orixás ou Lei de Pemba faz parte desta Magia Kabalística.

Magia Talismânica – São os rituais que se fazem ao preparar determinados elementos, em constituição especial e geometria especial, ligados a certos sinais kabalísticos devidamente preparados e imantados para diversos fins.

A seguir, estudemos resumidamente as leis da magia.

a. Toda magia inicia-se pelo campo mental. Sem ideação não haverá a corrente de pensamentos, a qual atrairá esta ou aquela força e mesmo certas Entidades Astralizadas.

b. A seguir, haveremos de ter uma forte corrente de vontade, desejo, o qual atua de forma decisiva no sucesso da execução e resultados provenientes da magia. É dominando ou fortalecendo a vontade que o “magista” ou o “mago” tornam-se habilitados e gabaritados a dominar os “elementos vibratórios” ou mesmo atuar por meio da vontade em várias Entidades Astralizadas.

c. Nenhum ritual magístico alcançará seus objetivos se não for projetado sobre determinados elementos físicos, densos e etéricos, os quais servirão de canais da magia – elementos espelhos, que projetarão o ato petitório segundo a corrente de pensamentos e desejos que, segundo a destreza do mago ou magista, alcançará ou não, o objeto visado (por meio das oferendas). Simplificando e esquematizando teremos:


Obs: Clique no esquema para ampliá-lo

Como os irmãos de fé devem ter percebido a ciência ou arte magística, para ser movimentada aqui no planeta, no plano físico denso, requer o concurso do médium-magista ou do mago, que são os únicos habilitados a movimentar a magia etéreo-física. Fixando o conceito, então, magia é o ato de acionar, por meio da vontade, um ritual em que se concentrem idéias e desejos sobre elementos materiais a fim de alcançar um objetivo visado. É a vontade ou desejo, idéias e projeções delas sobre elementos vários de que se serve o mago para movimentar as Forças Sutis da Natureza, bem como atrair esta ou aquela Entidade, no intuito de obter-lhe o beneplácito ou ação desejada. Continua na próxima publicação. Axé!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 133

segunda-feira, 28 de março de 2011

Faculdade de Teologia Umbandista é a própria interface entre as Religiões Afro-brasileiras

RESUMO

A Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino é uma Casa de Iniciação Umbandista (Templo), sem fins lucrativos. Tem como mote principal fazer grassar que a Umbanda é uma idéia (unidade) manifesta em várias linguagens ou Escolas (diversidade – universalidade). Que a constante da Tradição das Religiões Afro-Brasileiras é a contínua mudança, logo uma unidade aberta a contínuas (re)elaborações ou (re)leituras.

É por isso que estamos aproximando as “várias Escolas Umbandistas ou das Religiões Afro-Brasileiras”, principalmente em nosso Templo, onde ritualizamos na teoria e na prática as várias Escolas, pois como vimos fomos iniciados em muitas delas, nos credenciando na Tradição do Orixá e, legitimamente, realizamos e vivemos seus ritos e fundamentos. Fazemos isso com a finalidade de interfacear na paz e na luz o diálogo com todas as Escolas de Umbanda, sem criar novas Entidades Espirituais ou Ancestrais Divinos, enfim, sem ferir os fundamentos ou cânones teológicos das Religiões Afro-Brasileiras.

Palavras-Chave: Faculdade de Teologia Umbandista, Interface, Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, Religiões Afro-brasileiras, Teologia


ABSTRACT

The Divine Cross Order is a non-profit umbanda initiation House (Temple). Its main motto is to teach that Umbanda is an idea (unit) manifested in several languages ​​or schools (diversity - universality). That the constant Tradition of Afro-Brazilian Religion is constantly changing, just one unit open to continual (re) elaborations or (re) readings.

That is why we are approaching the "Several umbandist schools or Afro-Brazilian Religions, " especially in our Temple, where we ritualized in theory and in practice the various schools, because we started in many of them, qualified in the Orisha Tradition and legitimately perform and live their rites and grounds. We do this with the purpose of interfacing on light and peace and dialogue with all the schools of Umbanda, without creating new entities or Spiritual Divine Ancestors, finally, without damaging the grounds or theological canons of Afro-Brazilian Religion.

Keywords: Umbanda Theology Faculty, Interface, Divine Cross Order, Afro-Brazilian Religions, Theology


FACULDADE DE TEOLOGIA UMBANDISTA É A PRÓPRIA INTERFACE ENTRE AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS

A Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino é uma Casa de Iniciação Umbandista (Templo), sem fins lucrativos. Tem como mote principal fazer grassar que a Umbanda é uma idéia (unidade) manifesta em várias linguagens ou Escolas (diversidade – universalidade). Que a constante da Tradição das Religiões Afro-Brasileiras é a contínua mudança, logo uma unidade aberta a contínuas (re)elaborações ou (re)leituras.

Fundada em 1970, teve como primeira denominação - Seara de Umbanda do Caboclo Arruda e Urubatão da Guia, templo de Umbanda popular, segundo conceitos expendidos por vários escritores da época. Para eles, a Umbanda dividia-se em popular e esotérica ou iniciática, sendo que esta última possuía uma Iniciação.

A partir de 1956, o insigne Mestre W.W. da Matta e Silva (Mestre Yapacany) “fundou”, formou e consolidou a Umbanda Esotérica ou Iniciática, tendo seguidores por todo o Brasil e no exterior. Suas obras até hoje são discutidas e reinterpretadas.

Depois destas alusões que fizemos, queremos fixar no papel, que iniciamos nossa jornada espiritual no Candomblé – Jeje-Nagô, na infância e lá permanecemos até os 12 anos de idade. No Candomblé do Pai Ernesto de Xangô Airá, que havia se iniciado na Tradição do Orixá com o Babalawô Martiniano do Bonfim, conheci o “Candomblé de Caboclo”, de uma de suas filhas de santo a “Dofina d’Oxum”, que no Candomblé do Pai Ernesto – Obalokandê (Obá Omolakan Adê Oju Obá) era Yabassê (cozinheira das comidas votivas- do Santo).

Com o Baba Obalokandê participei do Culto de Nação, do Cadomblé de Caboclo, e também da Encantaria (Jurema), onde conheci Mestre Serapião, Mestre Marujo dos Sete Mares, e outros Mestres do Catimbó, que acostavam em seus malungos.

Somente em 1962 conheci a Umbanda popular (como se dizia na época) por intermédio de Pai Carlos de Xangô, médium de Pai Julião. Foi nessa tenda – Tenda de Umbanda Xangô Kaô, que pela primeira vez fui mediunizado (transe mediúnico) pela entidade chamada Doum (um erê). No mesmo dia baixou, depois de Doum, o Caboclo Angarê de Ogun, que anunciou vir preparar o trabalho do Caboclo Urubatão da Guia. Para finalizar sobre o terreiro de Pai Carlos, ele "batia" uma Umbanda Mista, com fortes influências do Candomblé de Caboclo ou Umbanda Traçada.

Não posso deixar de citar, a bem da verdade, dois baluartes de Umbanda com quem tive a honra ou primazia de ser iniciado, depois de sete anos de fundamentos e práticas de terreiro: Caboclo Pedra Branca (Xangô), cujo médium era Sr. Antonio Romero (Pai Toninho) e Caboclo Guarantan (Oxossi), entidade do Sr. Roberto Getúlio de Barros, que recentemente completou 80 anos.

Bem, após este pequeno resumo de como chegamos à Umbanda, melhor se entenderá o porquê de fundarmos a Escola de Síntese que legitima e consolida a diversidade, difundida desde a fundação da FTU e que é ensinada em seus bancos acadêmicos, nas disciplinas de Teologia Sistemática, Teologia Prática e, principalmente, de Teologia Umbandista ou Teologia das Religiões Afro-Brasileiras.

Sumarizando o que expusemos, viemos do Candomblé, Jejê-Nago tradicional, lá conhecemos o Candomblé de Caboclo, as Encantarias várias, até que em 1962, conhecemos a Umbanda em suas várias manifestações (Escolas).

Avançando no tempo, em 1971, (re)conhecemos nosso Mestre de várias vidas, Pai Matta (W.W. da Matta e Silva) com o qual tivemos uma convivência iniciática de dezoito anos. Em 1978, após sete anos de Iniciação, no augusto Templo de Itacurussá, fomos iniciados como Mestre de Iniciação de 7º grau. Em 1985, recebemos a complementação iniciática, quando fui elevado a Mestre de Iniciação de 7º Grau no 3º Ciclo, o grau máximo dentro da Raiz de Pai Guiné.

Robusteçamos a História. Em novembro de 1987 estivemos em Itacurussá, pois nosso Astral já vinha nos alertando que a pesada e nobre tarefa do Velho Mestre (Pai Matta e Silva) estava chegando ao fim... Surpreendeu-nos, quando lá chegamos, que ele nos chamou e, a sós e em tom grave, disse-nos:

- Rivas, minha tarefa está chegando ao fim, o Pai Guiné já me avisou... Pediu-me que eu vá a São Paulo e lá, no seu terreiro, ele baixará para promover a transmissão do comando vibratório de nossa Raiz.

Estava completo o ciclo. Mantivemos por sete anos consecutivos os fundamentos a nós transmitidos por Mestre Yapacany (Pai Matta) e confirmados por Mestre Yoshanan (Pai Guiné) em perfeita incorporação no Pai Matta.

No final do ano de 1996, após sete anos do desencarne de Pai Matta, convidei meus irmãos iniciados na Raiz de Pai Guiné a participarem do encontro que denominei “Reunião dos Mestres de Itacurussá”. No dia aprazado comunicamos a eles que a partir daquela data, segundo nos comprometemos com Pai Guiné, iríamos dar prosseguimento à Raiz, por intermédio da Escola de Síntese que revigoraria e refundiria a doutrina e prática da então Raiz de Pai Guiné, e assim fizemos.

Fizemos e fazemos, ou seja, aproximamos a Umbanda iniciática da Umbanda popular e vice-versa, pois na época havia um estremecimento entre os seguidores dos dois lados. A tarefa não foi e não é fácil, mas graças aos Orixás, estamos promovendo na paz e na luz novos rumos para todas as Escolas de Umbanda, para a Umbanda de todos nós.

Reiteramos que a Umbanda é uma idéia que se manifesta em várias linguagens. Que a Tradição Umbandista está alicerçada na contínua mudança, pois a Umbanda é uma unidade aberta que permite releituras várias. É o que fazemos! Uma forma de combater o dogmatismo (endógeno), o fundamentalismo e o engodo de querer (como muitos querem) homogeneizar a Umbanda, ora com os fundamentos da Umbanda esotérica, ora com os fundamentos da Umbanda popular, o que é óbvio, mais uma vez, nos posicionamos contrários. Aliás, sempre nos posicionaremos de forma antagônica à violência da codificação ou homogeneização de Umbanda.

Ficamos perplexos, mais ontem que hoje, quando muitos não perceberam e continuam não percebendo que não invertemos ou adulteramos os fundamentos de nossa Raiz. A esses pedimos a gentileza de lerem atentamente as obras de Pai Matta, em especial “Doutrina Secreta de Umbanda” no trecho em que Pai Matta cita além de Pai Guiné o Caboclo “Velho Payé”. Verão que essas entidades espirituais afirmaram que a Tradição é dinâmica, sendo pois plausível de revisões e acréscimos constantes. Com isso ratificamos que a Escola da Umbanda Esotérica não é melhor do que outras Escolas, como muitos têm afirmado, algo em total desalinho com o momento atual, onde o conceito de Escola propugna que todas as práticas de Umbanda tem a mesma importância.

É por isso que estamos aproximando as “várias Escolas Umbandistas ou das Religiões Afro-Brasileiras”, principalmente em nosso Templo, onde ritualizamos na teoria e na prática os fundamentos das várias Escolas, pois fomos iniciados em muitas delas, nos credenciando na Tradição do Orixá e, legitimamente, realizamos e vivemos seus ritos e fundamentos. Fazemos isso com a finalidade de interfacear na paz e na luz o diálogo com todas as Escolas de Umbanda, sem criar novas Entidades Espirituais ou Ancestrais Divinos, enfim, sem ferir os fundamentos ou cânones teológicos das Religiões Afro-Brasileiras.

Esta foi a condição fundamental, sine qua non, que legitimou, a fundação da FTU, pois os futuros teólogos poderiam ter um conhecimento globalizado da Tradição do Orixá manifesto em todas as Escolas das Religiões Afro-Brasileiras na teoria e na prática.

No que concerne à Academia (vide texto anterior) procuramos dar aos futuros teólogos:

(1) Ensino de excelência, de máxima qualidade, com professores gabaritados e titulados nas diversas disciplinas (sociologia, filosofia, hermenêutica, ontologia, lógica, antropologia religiosa, psicologia, biologia humana, filosofia do direito, estudo das religiões orientais e ocidentais, entre outras).

(2) Pesquisa de ponta – desde o início do curso o futuro teólogo toma contato com as linhas de pesquisa que nortearão sua vida, seja acadêmica (especialização, mestrado e doutorado) ou religiosa.

(3) Aproximar o Saber Acadêmico com o Saber Popular Tradicional passando pelo Saber Religioso – é o Ensino Superior transcendendo as paredes acadêmicas pervadindo, chegando a toda a sociedade.

Encerrando, pode-se notar o ganho que todos tiveram e têm, pois na FTU o estudo sistemático das Religiões Afro-Brasileiras são ministradas na teoria e na prática com total isenção, pois a maioria (ou quase todas) são discutidas e vivenciadas nos bancos acadêmicos da FTU ou nos Templos ou laboratórios (segundo o MEC):

(a) Templo das Religiões Afro-Brasileiras na Av. Santa Catarina, 414.

(b) Templo das Tradições Afro-Ameríndias na Rua Chebl Massud, 157.

(c) Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-Brasileiras - cultos: Tradição do Orixá, Candomblé de Caboclo, Umbanda Traçada, Umbanda Mista, Umbanda Cristã, Umbanda Oriental, Umbanda Esotérica, Umbanda Omolocô, Tradição Exu/Elegbará/Bombonjila, Kimbanda, Jurema, Pajelança, Tradição Orunmilá/Ossaim/Exu, entre outras.

(d) Vários templos em suas diversas expressões em todas as regiões brasileiras. O diálogo intrarreligioso, da convivência pacífica com vários sacerdotes de várias escolas

No término, esperamos contar com a boa vontade de todo o Povo do Santo, seja da Umbanda ou Religiões Afro-Brasileiras, o qual convidamos para participar ativamente do processo espiritual, cultural, social desenvolvidos na FTU, que tem proporcionado maior visibilidade (positiva) de nossa gente, promovendo maior mobilidade e inclusão, neutralizando na paz, na lógica e no bom senso os preconceitos que infelizmente ainda assolam nossa sociedade, mas que dia após dia estão se rarefazendo.

A FTU trabalha de forma incansável e obstinada, com a participação ativa de toda a comunidade das Religiões Afro-Brasileiras e da sociedade como um todo, para que no menor espaço de tempo possível não tenhamos mais nenhum preconceito ou desigualdade. Axé!

PS: Para quem quiser saber mais sobre a nossa Iniciação, sugerimos a leitura do livro: “Sacerdote Mago e Médico” de nossa autoria. Nesta obra é demonstrada toda a nossa trajetória iniciática nas Religiões Afro-Brasileiras.




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 132

quinta-feira, 24 de março de 2011

No Ojubó do Orixá


O “Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-Brasileiras” é o local privilegiado para demonstrar o encontro de várias culturas religiosas, manifestas em outros tantos ritos de fundamento.

É a Tradição do Orixá, influenciado pelo Caboclo, Mestres Encantados e de outras entidades sobrenaturais do panteão afro-brasileiro. São cultuados com a devoção, rigor no fundamento e competência, por muitos de nossos filhos espirituais.

No vídeo disponibilizado veremos como alguns filhos de terreiro, por intermédio de dedicação, competência e absorção do conhecimento, e principalmente, a vivência de “nosso axé”, ritualizam e louvam o Orixá, no ojubó (local de adoração e louvação).

Aproveitou-se do feliz ensejo para realizar um Xirê adaptado. Sim, alguns Orixás ou Eboras (aborós) são invocados e se apresentam por intermédio do 3º elemento, o som dos ilus e de suas cantigas (korin) ou orikis.

Esperamos estar contribuindo com as Tradições Afro-Brasileiras, fazendo grassar seus fundamentos, levando a todos o axé/iwá/abá de todos os Orixás. Ibaxé!

P.S. O vídeo que segue o texto tem o mesmo nome – “No ojubó do Orixá”.





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Publicação 131

segunda-feira, 21 de março de 2011

Umbanda - A Senhora das Mil Faces

RESUMO

O título da presente publicação coincide com o nome de nossa obra literária Umbanda – a Senhora das Mil Faces (no prelo) retrata bem os objetivos aparentes e subjacentes do Governo Espiritual do Planeta Terra. Sim, cada individualidade ao encontrar-se com a “Umbanda” tem-na como espelho, vendo-a como a si mesmo. É por isto que cada indivíduo vê a Umbanda segundo sua ótica, sob seu grau de amadurecimento das coisas espirituais.

Muitos irmãos planetários de outros setores, e mesmo os de Umbanda, demoram a perceber que Ela, pacientemente, atende a todos, não se importando que a percebam da maneira que alcançam.É realmente um espelho, pois reflete exatamente a imagem de quem dela se aproxima, sendo justo denominá-La “Senhora das Mil Faces”.Apesar de manifestar-se com “mil faces”, cultuada e interpretada segundo o nível de consciência ou percepção da realidade de quantos a vêem, Ela é una em sua essência.

Palavras-chave: Espiritualidade Universalista, Sagrado, Senhora das Mil Faces, Sociedade, Umbanda.

ABSTRACT

The title of this publication coincides with the name of our book Umbanda - Lady of a Thousand Faces (forthcoming) shows the evident objectives and the apparentand underlying of the Spiritual Government of Planet Earth. Yes, every individuality to meet the "Umbanda " has it as a mirror, seeing it as himself. That’s why each individual sees Umbanda under his optic, in their degree of maturity of spiritual things.

Many planetary brothers from other sectors, and even from Umbanda, are slow to realize that she patiently answers to all, not caring about the way they reach to her. It is really a mirror, because it reflects the exact image of who it approaches, being fair to call it "Lady of a Thousand Faces”. Although manifest itself with a "thousand faces", worshiped and interpreted according to the level of consciousness or awareness of the reality of how they see it, she is one in essence.

Keywords: Universalist Spirituality, Sacred, Lady of a Thousand Faces, Society, Umbanda.

UMBANDA – A SENHORA DAS MIL FACES

O título da presente publicação coincide com o nome de nossa obra literária Umbanda – a Senhora das Mil Faces (no prelo) retrata bem os objetivos aparentes e subjacentes do Governo Espiritual do Planeta Terra.

Sim, cada individualidade ao encontrar-se com a “Umbanda” tem-na como espelho, vendo-a como a si mesmo.

É por isto que cada indivíduo vê a Umbanda segundo sua ótica, sob seu grau de amadurecimento das coisas espirituais.

Muitos irmãos planetários de outros setores, e mesmo os de Umbanda, demoram a perceber que Ela, pacientemente, atende a todos, não se importando que a percebam da maneira que alcançam.

É realmente um espelho, pois reflete exatamente a imagem de quem dela se aproxima, sendo justo denominá-La “Senhora das Mil Faces”.

Apesar de manifestar-se com “mil faces”, cultuada e interpretada segundo o nível de consciência ou percepção da realidade de quantos a vêem, Ela é una em sua essência.

É a Unidade travestida de mil formas diferentes para fazer-se compreendida por todos. Utiliza-se de muitos artifícios que na aparência podem parecer errôneos ou paradoxais, porém, velam a unidade da essência, manifestada no mundo fenomênico de tantas maneiras quantas forem as formas de percebê-La (diversidade).

Vive o homem terráqueo ancorado ao mundo das formas, da substância, decorrência direta de seu nível de evolução espiritual planetário, essencialmente materialista, razão de tantas angústias, dores e sofrimentos da humanidade.

Não se conquista a unidade enquanto houver desigualdade e inconsciência da interdependência entre tudo e todos.

A Sociedade Planetária, embora tenha alcançado avanços consideráveis em vários setores da gnose humana, está distanciada dos comezinhos princípios de Espiritualidade Universalista (Sagrado), atrelada que se encontra ao exclusivismo, à utopia de soberania e superioridade transitórias, valores exclusivamente materiais.

Povos e governos se aglutinam no sentido de resolver problemas cruciais da humanidade, mas sempre de forma tangencial, superficial, nunca cogitando o cerne, o fundamental. Precisamos não de soluções parciais, mas de planejar e executar medidas que visem o bem-estar espiritual e ético do Homem, superando definitivamente os engodos da avareza, da aversão e da ignorância, razão de toda violência, consumada em guerra e destruição.

Enquanto isto, as desigualdades pululam, como se fosse o máximo de liberdade. Mas, liberdade para quem? De que, ou de quem se liberta?

Infelizmente, as pessoas enredam-se no cipoal de incertezas e confusões, que fatalmente, pela ausência de espiritualidade universalista (sagrado) como prioridade existencial, leva-nas a avareza, ao ódio e erro ou apego, desamor e ignorância, triunidade da discórdia, que infelizmente, a História, a Sociologia, a Antropologia, a Economia, a Ciência, a Política e o Direito não conseguem resolver, pois se afastaram do Sagrado, da Religião, da “Religio-Vera ou Religião Indiferenciada”, vendo-a como mero convencionalismo, e jamais como forma de sabedoria, ética e bem-viver

As Religiões, por sua vez, afastaram-se tanto de seus reais objetivos (levando ao descrédito as instituições filosoficorreligosas), que a sociedade não a tem como um meio efetivo de equacionar os seus graves problemas, mas tem-na como “adereço social”, ou quando muito, para cumprir formalidades da convenção social (!!!)

É de se lamentar que o Sagrado, o Divino tenham sido adulterados. Desta inversão surgiram centenas de religiões, seitas, sub-seitas, embora respeitáveis e santas em suas propostas, são visões particularizadas e fragmentadas do Sagrado, razão de tantas discórdias entre as mesmas, levando aos mais sensatos serem céticos, não dando a devida importância às coisas sagradas.

Não seria esta uma causa importante da dissociação da sociedade formando uma estratificação social desencadeando invisibilidade, imobilidade, status, controle e incapacidade de mudança social? Na divisão do mundo em ricos e miseráveis? No desastroso divórcio entre a Religião e Ciência?

Isso é decorrência de perda da Unidade do Sagrado, onde o indivíduo espiritualizado além de ser discriminado é também severamente criticado, sendo tachado de pobre ingênuo, fanático e outros pejorativos.

Todos precisam repensar nos valores que desejam para suas vidas. Necessitam, e muito, do Sagrado, pois por mais que neguem, são Sagrados.

Estaremos passando por períodos de grandes transformações mundiais, inclusive no solo e astral brasileiros, havendo profundas mudanças sócio-políticas e econômicas consideráveis, havendo uma visão ampliada e realista do Sagrado, da Unidade de todas as coisas.

O Brasil, o planeta como um todo, haverá de retornar aos tempos de “civilizações sagradas esquecidas”, onde o Sagrado era a base de todas as realizações, não havendo anátemas, apegos, ódio, ignorância e guerra fratricida, mas um processo de cooperativismo natural, “auto-sustentado” pelo trinômio – Sabedoria – Atividade - Amor Divinos. Este será o Mundo Divino no Homem, que aceitará e viverá sua “Divindade” em consonância com seus Irmãos Planetários, com seus Ancestrais Ilustres, com os Genitores Divinos ou Orishas, com a Consciência-Una.

Este é o escopo da Umbanda*, mesmo que muitos dele duvidem.

Que a Unidade do Espírito seja vencedora!

Somos Imortais, pois somos Espíritos Eternos... nossa essência é Divina, portanto Sagrada.

Que os Augustos Orixás Cósmicos permitam que no menor espaço de tempo possível possamos sentir e viver esses auspiciosos tempos que com certeza chegarão, estão chegando... Trabalhemos sem esmorecimento, respeitando a todos, pois cada grupo cumpre sua parte, e nisto também a Umbanda – A Senhora das Mil Faces.

Bênçãos de Paz e Luz renovadas a todos nós! Axé

* A Umbanda preconiza e sustém, em seus aspectos internos (cósmicos) e externos (regionais) que o Sagrado é a Espiritualidade Universal, inerente a todo ser humano, vivente em seu interior, independente de ser religioso. Pode estar ou não, como vimos na religião, na filosofia, na arte e ciência.

Reafirmamos pelo aludido que não basta ser religioso ou ter religiosidade, é necessário a espiritualidade que não é sectária, dogmática ou misoneísta.

Portanto, ser religioso, não significa, obrigatoriamente, ser espiritualizado (vive a espiritualidade Universal) e vice e versa.

O sagrado é a espiritualidade Cósmica que embora respeite e reconhece, transcende as religiões, as filosofias, as ciências e as artes, sendo pois, ponto de convergência e origem das mesmas.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 130

quinta-feira, 17 de março de 2011

No Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-brasileiras - O Axé é Vivo!


Como diz o adágio: Santo bem alimentado é Santo forte, jamais desamparando seus filhos. Claro está que fazemos referência à comida votiva ou oferendas rituais às entidades sobrenaturais, próprias dos cultos das Religiões Afro-Brasileiras.

No templo que dirigimos (Templo das Religiões Afro-Brasileiras) o ossé (oferendas semanais – restituição do axé) é realizado por nossos “filhos de santo” mais experientes neste mister.

No ossé semanal (pois há também o anual) nossos “filhos de santo”, Tatá Macaia e a Ya-ara-na-osi ou simplesmente Yaranacy, que é a Yabassé principal, coordenam o processo.

Convidamos a todos a assistir o vídeo – Oro Orixá, no Centro de Cultura das Tradições Afro-Brasileiras, pois temos certeza agradará a todos, sejam iniciantes ou mais adiantados por dentro da Tradição do Orixá. Axé!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

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Publicação 129

segunda-feira, 14 de março de 2011

Na Umbanda "opinião" é preciso, erro científico não!


Há muito temos defendido e sustentado que a Umbanda é uma “idéia” (unidade) que se manifesta em várias linguagens (Escolas). Todas legítimas segundo seus ângulos de interpretação, justo pois, serem denominadas Umbandistas.

Pelo aludido, sem esforço, chega-se à conclusão que cada Escola possui opiniões ou juízos de valor próprios. Isto se justifica, pois na dependência da Escola ou segmento tem-se uma visão de Umbanda que permite várias formas de interpretação de sua doutrina.

Não há nexo, pois, uma Escola criticar outra, e pior, levar uma co-irmã as raias do tribunal. Como todos são sabedores, pelos “motivos” aludidos, fomos interpelados judicialmente por defendermos nossa doutrina; será mesmo?

Peço aos leitores a gentileza de lerem com a atenção devida, a conclusão do Meritíssimo Juiz de Direito sobre a ação jurídica citada.

Ao grupo querelante, pedimos que leia, mais uma vez, a “sentença”, o “veredicto”. Citaremos somente as duas proposições principais e decisivas:

Primeira: ...“Exercer seu direito de manifestação do pensamento sobre um assunto religioso; e, em tal matéria não existe uma verdade absoluta, que torne seus aspectos inquestionáveis e sem possibilidade de discussão nem debate doutrinário”.

Segunda: ...”Realmente aspectos de uma religião não são verdades absolutas à semelhança do que ocorre com enunciados científicos. Um teorema matemático ou uma lei da física podem ser demonstrados e ser caracterizados como verdades absolutas”.

Após estas duas proposições que achamos fundamentais, vejamos a conclusão:

... “Isso é suficiente para se concluir pela rejeição de todos os pedidos descritos na inicial. Por tais razões, suficiente, o pedido deve ser rejeitado. Julgo IMPROCEDENTE a ação.”

Todos devem perceber o porquê do referido grupo querer rivalizar com nossas obras, dizendo que tem “erro de opinião”. Ora, a opinião está a mim assegurada, como a qualquer outro cidadão (vide o veredicto).

Não podemos dizer o mesmo de erros científicos (vide veredicto) o que todos sabem de sobejo não existir em nossas obras. Entenderam? É isso mesmo!

Com a finalidade de esclarecermos ainda mais, disponibilizamos o vídeo que se segue. Grato pela tolerância. Axé!

Ps: Na religião não há verdades absolutas, ao contrário, há diversas interpretações. Com posicionamentos distintos; as Humanidades não são Ciências Exatas. E todos eles devem ser respeitados. O posicionamento individual de cada um a esse respeito deve ser preservado.




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 128


quinta-feira, 10 de março de 2011

Aspectos Teológicos e Religiosos do Candomblé de Caboclo


A Teologia ou Conhecimento Religioso é distinto das “Crenças Religiosas”. O Conhecimento Religioso ou Teologia é o instrumento, o processo privilegiado de interface no dialogo entre Ciência e Religião.

A Religião ou Crenças Religiosas tem sua doutrina que propugna, principalmente, a fé. Além da fé relaciona-se com processos e ferramentas norteadores de vida para seus adeptos. A prática ou ritos é outro braço da religião que reitera, baliza a crença, a ética e os conceitos cósmicos ou de “visão de mundo”.

Apesar dos óbices por nós apontados e discutidos no texto anterior, queremos reiterar que a Teologia e não a Religião deve promover o diálogo com a Ciência, com o Conhecimento Científico propugnando uma interação, não de concordismo, mas de diálogo, pois tanto Religião como Ciência associadas têm muito a oferecer à sociedade.

Como a Teologia faz a interface e cria pontes, percorrendo-as, nela encontramos o local de excelência para intermediar, e, definitivamente, erradicar o conflito entre dois modos de ver o mundo: o da Religião e o da Ciência.

Concluindo sobre a Teologia, ela decodifica as crenças ou Religiões para o Conhecimento Científico. De forma idêntica traduz as contribuições da Ciência para a Religião e para a sociedade.

Por dentro das Religiões Afro-Brasileiras há um denominador comum que é a Tradição oral; o mesmo acontece com a música e canto, transe de possessão ou mediúnico, dança, louvação aos Ancestrais Divinos (Orixás, Inquices e Vodun), louvação aos Ancestrais Ilustres (Guias Espirituais: Caboclo, Mestre, Preto Velho, Exu e muitos outros), comidas votivas, bebidas ritualísticas e outros.

No universo das religiões afro-brasileiras, a guisa de exemplo, selecionemos o Candomblé de Caboclo; penetremos em sua alma, crenças, fé e ritos sagrados.

O Candomblé de Caboclo é oriundo do Candomblé ou Culto de Nação Africano seja ele Ketu ou Banto. Surgiu, pois os adeptos do Candomblé necessitavam de uma assistência e acompanhamento mais próximo e direto. Havia problemas do cotidiano que requeriam consultas para saber qual o melhor caminho a seguir. Eram problemas afetivos-emocionais, de saúde, financeiros e espirituais vários.

Como sabemos de outras incursões, o Candomblé tem por finalidade primeira o culto aos Orixás e a manutenção de sua força mágico-sagrada – o Axé.

Assim muitos pais e mães de santo, pelos motivos aludidos, fundaram os primeiros terreiros desse novo conceito doutrinário-ritualístico, onde as crenças africanas se uniram às da pajelança (crenças e rituais de indígenas brasileiros).

A diferença fundamental do Candomblé de Caboclo é que os Orixás não baixam diretamente entre os filhos de fé (consulentes, simpatizantes). Eles são representados, e isto é fundamental, pelos Caboclos (indígenas brasileiros evoluídos).

Aludindo ao Caboclo (“Orixá do Brasil”) sua performance é praticamente a mesma desenvolvida em outras religiões afro-brasileiras. Falam, dão consultas, fumam (tabaco como remédio xamânico), receitam ervas para várias finalidades e, também, orientam sobre problemas do cotidiano e do espiritual.

As vestimentas, em geral, são as do Candomblé africano, acrescidas de cocares e outros adereços indígenas em comunhão com determinados instrumentos utilizados no Candomblé, por exemplo, o ofá (arco e flecha), preacá e outros.

A orquestra ritualística é a mesma da Umbanda, sendo que os ilús ou tambores rituais são percutidos com as mãos e, mais raramente, com os oguidavis. Os ilequês ou colares de contas são os mesmos do Candomblé e Umbanda, acrescidos de contas ou fio de sementes várias (jarina, sucupira, açaí, pau Brasil, lágrimas ou rosário, capacete de Ogun, entre outros).

O ritual tem início com o Xirê, sendo que as Yaôs e sambas cantam e dançam em roda. Há uma presença marcante do elemento masculino, como sacerdote (padrinho) diferentemente do que há no Candomblé africano cujo domínio de gênero é feminino.

Uma diferença fundamental no Candomblé de Caboclo em relação ao Culto de Nação é que nos seus cultos há a presença da Gira de Exu (interdito no Culto de Nação Africano).

Há também algo que não havia no Culto de Nação Africano, uma inovação, a adoção da “Linha das Almas”, onde se manifestam os “espíritos evoluídos de antigos escravos - os Preto-Velhos”.

No aspecto teológico faremos uma ressalva para reflexão. No caso da Linha das Almas, por que os espíritos de africanos são obrigatoriamente velhos? Não havia escravo evoluído que fosse jovem?

Nos cultos africanos do passado pontificavam quatro sacerdotes de importância ponderadas como: Babalawô (Sacerdote da Sabedoria, do Conhecimento do destino dos seres e do universo); Babalossaim (Sacerdote versado no mistério e fundamento das ervas medicinais e rituais); Babaojé (Sacerdote que proporcionava a ponte entre os vivos e os mortos, o Conselho direto dos Ancestrais – Babá Egun) e o Babalorixá (Sacerdote versado nos mistérios dos Orixás e suas manifestações nos homens).

Depois desta alusão, ousamos afirmar que a Linha das Almas (Eguns), interdita no Culto do Orixá, não é no Candomblé de Caboclo e mesmo na Umbanda. Foi uma maneira inteligente e espiritualizante de integrar o culto aos mortos – em especial dos Babá Egun (cabeça de uma linhagem de Ancestrais), que são negros e velhos, portanto Pretos Velhos. Conciliação adequada e não hierarquizada, pois na Umbanda e no Candomblé de Caboclo apesar da supremacia do Caboclo, os Pretos Velhos tem igual importância, sendo muito queridos e requisitados nos conselhos e mandingas várias.

Portanto, de forma breve, tivemos uma descrição do Candomblé de Caboclo, também denominado de Umbanda Traçada, culto diferente do Candomblé ou Culto de Nação Africano, pois já houve a fusão de várias influências (Pajelança, Espiritismo e Catolicismo), mas que por ser brasileiro, pode ter determinado a formação de Umbanda ou ter sido influenciado por Ela –uma Religião brasileira – de matriz brasileira.

Depois destas ligeiras incursões no Candomblé de Caboclo – uma das Escolas das Religiões Afro-Brasileiras, melhor se entenderá a diferença importante que fizemos entre Teologia e Religião, destacando-se que Teologia é Conhecimento Religioso podendo interfacear com o Conhecimento Científico, ao contrário da Religião que é crença, fé e práticas, naquilo que denominamos Crenças Religiosas.

A Teologia não é melhor que a Religião e vice-versa, entretanto à Teologia compete instrumentalizar e viabilizar o diálogo, há muito interrompido, entre religião e ciência, pois reiteramos a Teologia tem condições privilegiadas e imparciais de promover o diálogo entre Religião e Ciência.

Para tanto, como dialoga com a academia tenta traduzir as Crenças Religiosas para as Ciências. Igualmente, decodifica as teorias científicas para a Religião, promovendo o diálogo e revisão recíproca entre ambas.

A Faculdade de Teologia Umbandista – FTU – tem um papel importantíssimo na reunião dos saberes, do diálogo à exaustão com o saber popular tradicional (com as Crenças Religiosas) e com o saber acadêmico (filosofia, ciências naturais).

A FTU torna-se o local de excelência ou referência no momento que disponibiliza à sociedade a ponte e a transposição da mesma, criar novos mecanismos que permitam a interface do diálogo bidirecional entre a Religião e a Ciência, pois, como já aludimos, ela se encontra na academia e tem também uma visão cristalina da religião, principalmente, com ênfase nas Religiões Afro-Brasileiras.

Continua sua faina empreendedora do diálogo em vários níveis, pois as Religiões Afro-Brasileiras carreiam a Tradição de praticamente todos os povos, culturas e etnias, que proporcionam a aproximação e a interação de saberes, das diferenças, da alteridade, realçando as semelhanças.

As características da FTU citadas permitem formatação e estratégia privilegiadas e, principalmente, isentas e desapaixonadas no diálogo ou interface entre Religião e Ciência, onde todos recebem acréscimos inestimáveis, especialmente, a sociedade como um todo.

É o que a FTU busca e espera proporcionar a todos, sejam religiosos, cientistas, filósofos, artistas, ao cidadão livre pensador enfim, a sociedade planetária. Estamos no início do processo que sabemos ser longo, mas para breve esperamos que todos se privilegiem com as ações teológicas, sociais, culturais, políticas e econômicas promovidas pela FTU, que temos absoluta certeza será paradigmática, balizando e pontuando positivamente a função da Teologia das Religiões Afro-Brasileiras nos diálogos que neutralizem conflitos sejam eles: dos saberes, dos povos, das classes sociais, das etnias, prevalecendo, como é de se esperar, a inclusão e igualdade totais. Axé!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 127

segunda-feira, 7 de março de 2011

FTU - Primeira Instituição de Ensino Superior em Teologia Afro-brasileira

RESUMO

Há alguns anos os cursos de Teologia Livre que se enquadravam nos padrões do Ministério da Educação (MEC) foram autorizados e credenciados, portanto legalizados e legitimados a promoverem o ensino superior da Teologia. É importante que se saliente que antes de credenciamento e autorização pelo MEC todas as Teologias eram livres.

Na atualidade há mais de uma centena de Faculdades de Teologia, com status de curso superior, portanto, com ensino de qualidade e conteúdos universitários. Não se pode ensinar Teologia só pelo que se sabe da Religião, que embora tenha nobilitante atividade, se dirige à crença, à fé e não ao estudo do fenômeno, seja ele sócio-cultural, antropológico ou de outras áreas do saber acadêmico, ou seja, do senso crítico.

Senso crítico na religião é Teologia; por sua vez as crenças religiosas confessionais e às vezes passionais (não isentas) são relativas à religião, que respeitamos e achamos indispensáveis na vida do cidadão planetário interessado na manutenção homeostática do planeta e de sua sociedade.

Palavras-chave: FTU, Instituição de Ensino Superior, interface, Teologia Afro-brasileira, Teologia da Convergência.

ABSTRACT

For some years now, the Free theology courses that met the standards of the Ministry of education were authorized and accredited, then legalized and legitimized to promote higher education in theology. It is important to emphasize that prior to accreditation and approval by ministtry all theologies were free.

Currently there are over a hundred schools of theology, with the status of higher education, therefore, quality education and academic content. You can not teach theology only by what is known of Religion, that although ennobling activity, is related to belief, faith and not to study the phenomenon, be it socio-cultural, anthropological or other areas of academic knowledge, ie , the critical sense.

Critical thinking in religion is theology; confessional and religious beliefs, sometimes passionate (personal), are related to religion, that we respect and we believe essential in the life of global citizens interested in maintaining homeostasis of the planet and its society.

Keywords: FTU, higher education institution, interface, Afro-Brazilian Theology, Convergence Theology.

FTU – PRIMEIRA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR EM TEOLOGIA AFRO-BRASILEIRA

Há alguns anos os cursos de Teologia Livre que se enquadravam nos padrões do Ministério da Educação (MEC) foram autorizados e credenciados, portanto legalizados e legitimados a promoverem o ensino superior da Teologia. É importante que se saliente que antes de credenciamento e autorização pelo MEC todas as Teologias eram livres.

Na atualidade há mais de uma centena de Faculdades de Teologia, com status de curso superior, portanto, com ensino de qualidade e conteúdos universitários. Não se pode ensinar Teologia só pelo que se sabe da Religião, que embora tenha nobilitante atividade, se dirige à crença, à fé e não ao estudo do fenômeno, seja ele sócio-cultural, antropológico ou de outras áreas do saber acadêmico, ou seja, do senso crítico. Senso crítico na religião é Teologia; por sua vez as crenças religiosas confessionais e às vezes passionais (não isentas) são relativas à religião, que respeitamos e achamos indispensáveis na vida do cidadão planetário interessado na manutenção homeostática do planeta e de sua sociedade.

Pelos simples motivos de nossa alusão e não precisa mais do que isso, pois o conceito é muito simples, chegamos à conclusão que Teologia não é religião, nem ciência, mas sim a própria interface entre ambas. Sim, a Teologia em suas duas vertentes permite aproximá-las, e mais, o diálogo prolífico entre elas. Após esta ligeira explicação pode-se questionar como se dá o fenômeno.

Diremos que o processo é muito simples, principalmente na FTU-Faculdade de Teologia Umbandista – Teologia com ênfase em Religiões afro-brasileiras, a primeira instituição de ensino superior autorizada e credenciada pelo MEC. O processo deve-se ao fato de a Teologia ter uma vertente na academia, no denominado saber religioso; a outra vertente na religião, nas crenças religiosas.

Com posição privilegiada, pois se encontra na ciência e na religião, a Teologia promove, e isto é deveras importante, a decodificação e a tradução da ciência para a religião e vice-versa. Com isso torna-se o instrumento, o processo e ferramenta que promove a interface entre ambas, ou seja, o diálogo, a reconciliação entre elas.

Defendemos, segundo nossos pressupostos, que a Teologia é a própria interface, a ponte construída, permitindo o trânsito bidirecional. Esta é a intenção da FTU, de sua Teologia, promover o diálogo que dirima definitivamente o conflito entre ambas, na certeza dessa conciliação histórica e redentora, resultando em ganhos inestimáveis para a sociedade planetária nos níveis sociais, culturais, políticos, econômicos e, principalmente, espirituais, que mudarão os paradigmas que atravancam o surgimento de novos padrões civilizatórios, reunindo o homem e proporcionando a paz individual que se concretizará na tão almejada Paz Mundial.

Nas linhas anteriores apontamos que credenciadas pelo MEC temos mais de uma centena de Faculdades de Teologia, sendo a FTU a única com ênfase em religiões afro-brasileiras, que representa um avanço inquestionável para a consolidação da democracia e pelos aspectos isonômicos. Credenciar e reconhecer a FTU é uma sinalização efetiva na erradicação de preconceitos de séculos, como também permite a inclusão total, paradigma das Tradições afro-brasileiras. Alvissareiros são os tempos presentes que descortinam auspicioso destino a todos os brasileiros, a todos cidadãos planetários.

Bem, após nossas considerações sobre a FTU e sua Teologia da Convergência (Religião e Ciência), não podemos olvidar as Teologias múltiplas, mas não há de se negar as Teologias: Sistemática, da Libertação, da Prosperidade e da Convergência, esta última preconizada pela FTU.

Sabendo-se dos reais motivos da Teologia propugnada pela FTU, precisamos demonstrar alguns temas nevrálgicos, de muito conflito entre ciência e religião que é a criação do universo e do homem, visto que a ciência tem uma visão diversa da grande maioria das crenças religiosas.

Afinal, quem está com a razão, a ciência ou a religião? As duas, segundo seus pressupostos estão cobertas de razão e certezas.

Poderíamos questionar que muitas religiões são criacionistas, fixistas, misóginas, homofóbicas, portanto em total desalinho com os tempos pós-modernos. Achamos justo que cada religião defenda seus conceitos, que por nós são respeitadíssimos. Por nossa vez, iremos demonstrar, na medida do possível, que não há conflito entre as crenças das religiões afro-brasileiras e as ciências várias, mas para isto ser plausível é necessário decodificarmos e traduzirmos nossa linguagem (semiótica), epistemologia (conhecimento) e aspectos inerentes ao Ser (ontologia) para a linguagem das ciências. Felizmente temos como decodificar e traduzir sem danos ou embargos para ambas.

No final desta publicação, queremos nos congratular com os festejos de “Momo” e seus processos sinalizadores para momentos desestressantes, mas com responsabilidade. Alegria é um excelente medicamento. Dissemos medicamento, o importante é a dose certa. O excesso pode intoxicar e matar. Tomemos a dose que nos proporcione vida, saúde e paz para nós e para todos. Bom carnaval, com muito axé!

Obs.: Nas próximas publicações (não obrigatoriamente as subseqüentes) discorreremos sobre temas instigantes como Cosmogênese, Big Bang, multiuniverso, matéria escura, planetogênese, biogênese, filogênese, antropogênese e ontogênese, todos relacionados e colacionados pela “Cosmovisão da Tradição do Santo”.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

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Publicação 126