segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Teologia e Medicina Integrativa

RESUMO

Apesar dos avanços inquestionáveis da ciência e da grande sofisticação tecnológica, os problemas milenares da humanidade continuam os mesmos.

As religiões por sua vez mais interessadas no marketing religioso (há honrosas exceções) e muitas delas, de há muito, por posicionarem-se de forma fundamentalista deflagraram ignominiosas guerras fratricidas. Por isso, encontram-se alheias aos avanços e descobertas das ciências.

Acreditamos que cabe à Teologia (Conhecimento Religioso), pois sendo uma disciplina acadêmica, pautada no senso crítico fazer a interface do diálogo entre ciência e religião. É com este escopo que surgiu a FTU – Faculdade de Teologia Umbandista com ênfase nas religiões afro-brasileiras, justamente para facilitar e promover esse diálogo à exaustão.

Palavras-chave: Ciência, FTU, Medicina Integrativa, Religião, Teologia

ABSTRACT

Despite the unquestionable science advances and great technological sophistication, the age-old problems of humanity remain the same.

Religions more
interested in religious marketing (there are honorable exceptions) and many of them, for a long time now, by positioning themselves as fundamentalist, deflagrates shameful fratricidal wars. Bercause of this, they are unrelated to the advances and discoveries of science.

We believe that it is for Theology (Religious Knowledge), because being an academic discipline, based on critical thinking to make the dialogue interface between science and religion. It is with this scope that came the FTU - School of UmbandaTheology, with an emphasis on afro-brazilian religions, precisely to facilitate and promote such dialogue to exhaustion.

Keywords: Science, FTU, Integrative Medicine, Religion, Theology.


TEOLOGIA E MEDICINA INTEGRATIVA

Apesar dos avanços inquestionáveis da ciência e da grande sofisticação tecnológica, os problemas milenares da humanidade continuam os mesmos.

As religiões por sua vez mais interessadas no marketing religioso (há honrosas exceções) e muitas delas, de há muito, por posicionarem-se de forma fundamentalista deflagraram ignominiosas guerras fratricidas. Por isso, encontram-se alheias aos avanços e descobertas das ciências. Como simples exemplo, citamos que no estudo da Bíblia podem-se constatar as afirmações de que a Terra teria sua origem há mais ou menos seis mil anos, e que cada forma de vida teria sido construída, uma a uma pelo Criador.

Não queremos discutir a fé, as crenças, todavia como negar que o planeta tem no mínimo 4,3 bilhões de anos? Que a evolução das espécies propugnada por Charles Darwin é uma realidade inconteste, e que ninguém de bom senso pode negar? Como querer ou aceitar o criacionismo, fixismo das espécies, ao invés do transformismo, pois evolução é mudança, adaptação?

Esses e outros conflitos, entre ciência e religião tem sido uma constante, impedindo o salutar diálogo, que sem duvidas pode e deve favorecer a qualidade de vida de nossa sociedade planetária. O diálogo deveria ser do Conhecimento Científico com o Conhecimento Religioso e não com crenças religiosas. O Conhecimento Religioso tal qual o Conhecimento Científico é imparcial, o que não ocorre com as “crenças religiosas”

Acreditamos que cabe à Teologia (Conhecimento Religioso), pois sendo uma disciplina acadêmica, pautada no senso crítico deve fazer a interface do diálogo entre ciência e religião. É com este escopo que surgiu a FTU – Faculdade de Teologia Umbandista com ênfase nas religiões afro-brasileiras, justamente para facilitar e promover esse diálogo à exaustão.

Colocado o fato, os obstáculos que vimos impedem o diálogo ciência e religião, mas que podem ser resolvidos pela Teologia, interfaceando religião e ciência.

Do que expusemos melhor se entenderá nossas discussões entre ciência e religião que muitos podem achar dispensáveis ou enfadonhos, mas continuaremos a demonstrar a viabilidade de conciliação entre ciência e religião por intermédio da Teologia – Conhecimento Religioso.

Depois de nossas considerações sobre o diálogo entre ciência e religião discutiremos de forma sumarizada a medicina defendida pela Teologia das religiões afro-brasileiras. A seguir, disponibilizaremos o vídeo “Espiritualidade, Axé e Medicina Integrativa”.

Visando o entendimento do tema apressamo-nos em conceituar o que seja homeostasia, tão importante na manutenção da vida de todo ser vivo.

No caso do Homem – Homo sapiens sapiens – a homeostasia é a capacidade de manter o meio interno constante. O meio interno, no caso do homem, é o interior de seu organismo. Depois destas ligeiras considerações, somos levados a questionar como é mantida a homeostasia.

Para simplificar diremos que no organismo temos vias de acesso ao meio interno (boca, nariz) e vias de excreção de resíduos - meio externo (boca, nariz, ânus e uretra).

Imaginemos um indivíduo se alimentando. Ingere o alimento pela boca que via esôfago chega ao estomago (digestão) e daí ao intestino delgado (no duodeno recebe enzimas digestivas do fígado e do pâncreas). Finalmente, dirige-se ao intestino grosso, para ser excretado via ânus.

Explicamos parte do processo, aprofundemo-nos um pouco mais. Na boca tem início a digestão, como também a absorção do alimento, o mesmo acontecendo no estômago, intestino delgado e intestino grosso.

Mas como ocorre a absorção? A absorção ocorre nas mucosas dos órgãos citados. Tudo o que é absorvido, é levado ao sangue, circulando por todo organismo, alimentando toda economia orgânica.

Ressalvamos que o sangue ao passar pelos pulmões recebe o O2 e expele o CO2 que é expirado ao meio externo pelos pulmões durante a fase expiratória da respiração.

O sangue bombeado pelo coração carreia a todo o organismo nutrientes, O2, água, hormônios e outros elementos essenciais à vida. Quando passa pelos rins sofre um processo de depuração, sendo que os resíduos dão formação à urina.

Depois de sumarizarmos como o individuo absorve, transforma e elimina substâncias, esperamos ter resumido como se processa a homeostasia.

Vejamos como a Medicina Integrativa ou Medicina das Religiões Afro-brasileiras tem uma visão própria, que não desdenha da medicina tradicional, tem-na como parceira.

Cremos que a medicina tradicional cura pelos conhecimentos e avanços científicos. Como cremos que tudo provem por intermédio dos Orixás, inclusive a medicina, os terreiros respeitam-na e atuam auxiliando a mesma. Assim sendo, ambas são manifestações do poder volitivo do Orixá.

O vídeo que postamos – “Espiritualidade, Axé e Medicina Integrativa” – demonstra a convergência entre Medicina e Axé, e como integrá-los em várias situações, mormente nos aspectos preditivos, preventivos, curativos e paliativos. Axé!

P.S. Queremos reiterar após a leitura atenta do texto se entende o porquê do conteúdo curricular preconizado pela FTU. Nele estão inclusos, pelos motivos aludidos, várias disciplinas tais quais: Sociologia, Psicologia, Filosofia, Botânica, Biologia Humana, Meio ambiente e Espiritualidade, Música, Medicina Integrativa, Teologia das religiões ocidentais e orientais, Filosofia do direito, Hermenêutica, entre outras. É um estudo imparcial e promove o diálogo com os vários setores do conhecimento humano.

Esta abordagem que não desdenha das “crenças religiosas” promove o Conhecimento Religioso que é imparcial tal qual o Conhecimento Científico. Eis o porquê da Faculdade de Teologia Umbandista, que procura interfacear o Conhecimento Religioso com o Conhecimento Científico.




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 124


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Toque de Caboclo


No templo da FTU, mantida pela O.I.C.D., que fundamos e dirigimos há quarenta e três anos, o Toque de Caboclo dá início ao nosso ano litúrgico. A finalidade é pedir bênçãos para todos os trabalhos que serão realizados durante o período, e que os mesmos proporcionem saúde, paz, amor, prosperidade e cobertura espiritual a todos os filhos espirituais, ao povo do santo e a sociedade como um todo.

Realizamos no dia 19 mais um Toque de Caboclo quando compartilhamos com vários filhos espirituais, filhos de fé, irmãos espirituais, o respeito às diferenças, a fraternidade, a renovação e redistribuição de Axé em forma de bênçãos e energias positivas.

O Rito é um indício de pluralidade, de ancestralidade comum, já que Caboclo é nome genérico do Ancestral indígena brasileiro – Orixá do Brasil – que pode estar representando um Orixá ou a si próprio, o qual “baixa” nos Candomblés de Caboclo, Jurema, Pajelança, Toré, Terreiros de Umbanda e outras veneráveis Escolas. Na verdade, o Caboclo (a Entidade Ancestral Caboclo) sendo comum a vários ritos, é fator decisivo de convivência pacífica e solidária entre as várias etnias com suas religiões e crenças.

Antes de disponibilizarmos o álbum de fotos do Toque de Caboclo, queremos, sensibilizados, agradecer a presença de todos “mães e pais de santo” (51 terreiros), que trouxeram seus filhos e dividiram conosco as bênçãos do Axé e do trabalho. Retornem sempre, a Casa é de vocês, de todos nós! Axé!









Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 123


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Introdução da atuação recíproca entre Medicina e Religiões Afro-brasileiras

O ser espiritual manifesta-se em primeira instância na mente, essa por sua vez no sistema nervoso central e periférico que tem a função, juntamente com o psiquismo, de levar as informações espirituais a toda a economia orgânica. Para melhor entendermos o processo da manifestação do espírito disponibilizamos o diagrama que se segue:

Nesta publicação disponibilizamos o vídeo “A Medicina na visão das religiões afro-brasileiras”. Axé!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 122


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Manifesto à Sociedade Brasileira, em especial, à Comunidade das Religiões Afro-brasileiras

Aos irmãos planetários,

A Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino – OICD -, fundada por nós em 1970, é um Templo que defende e sustém a Escola de Síntese, a qual ocupa na Umbanda uma posição de vanguarda, pois apresenta um enfoque que abrange todas as Escolas ou Segmentos de Umbanda. Não discrimina nenhum setor filosófico-religioso, científico ou artístico; É não-excludente, grassando de forma explicita que todas as Escolas têm seu valor, sendo todas igualmente respeitadas.

A Escola de Síntese, esposada pela OICD, é o pensamento filosófico e doutrinário propagado pela Umbanda. Não se trata apenas de escola de ensino, mas de uma Filosofia baseada em Epistemologia, Ética e Método.

Nesta linha filosófico-doutrinária fundamos o Instituto de Estudos Avançados e Pesquisas em Teologia – IEAPT -, que promove atividades diversas, tais como workshops e seminários temáticos, permitindo aos participantes reconhecer a essência das questões propostas, encontrando soluções abrangentes e universais para os problemas que afligem os indivíduos nos aspectos espiritual, social, político e econômico.

O IEAPT promove atividades em todos os setores, e sua atuação pode ser dividida, para melhor compreensão, em duas áreas.

Na Umbanda, os seminários de Introdução à Teologia, segundo a Escola de Síntese, são transmitidos em três módulos.

1º Módulo –

Nos seminários são apresentados os aspectos fisioandrogônicos, que atingem todo contingente de adeptos umbandistas. Franqueado aos interessados de todas as Escolas Umbandistas. Não se exige grau de escolaridade. O curso tem duração de 12 meses, com carga horária de seis horas semanais.

2º Módulo –

Nestes são apresentados os aspectos cosmogônicos. Inicia com uma revisão da Historia da Umbanda e pervade os aspectos doutrinários teórico-práticos das varias Escolas Umbandistas. O acesso é aberto a todos os setores filosófico-religiosos, científicos e artísticos. A duração é de 12 meses. Carga horária de seis horas semanais.

3º Módulo –

Nestes seminários são discutidos os aspectos teogônicos de umbanda, como: cosmogênese; planetogênese; filogênese; ontogênese; antropogênese; aspectos antropológicos de Umbanda, bases fundamentais da doutrina de todas as Escolas Umbandistas; estudo teórico-prático das Leis que regem a magia etéreo-física; a psicurgia e a teurgia; Umbanda e suas Divindades; convivência pacífica; História das Religiões e fundamentos da Convergência. A duração é de 12 meses. Carga horária de seis horas semanais.

Embora o curso seja abrangente, pretende colaborar nos ensinamentos transmitidos pelos Mestres Espirituais (Mães e Pais de Santo) de cada Escola, e nunca o contrário. Assim, não iremos diplomar sacerdotes, magos ou similares, pois se assim fizéssemos estaríamos afirmando ser nossa Escola melhor que as demais, ferindo a Diceologia de Umbanda.

Os seminários de Introdução à Teologia ou outro qualquer não são Iniciação. Somente as pessoas com esta tarefa kármica devem cumprí-la, e isso com certeza não é transmitido em curso de caráter geral, independente do tempo de duração do mesmo. Para quem tenha esta predisposição kármica, recomendamos procurar um Mestre Espiritual consumado e seguir seus métodos.

Não podemos nivelar graus conscienciais. Isto é um acinte ao bom senso espiritual. Esta é a visão dos que desejam obter vantagens financeiras de outrem afirmando que todos podem ser iniciados, magos, etc. Esta é a massificação daqueles que querem homogeneizar a Umbanda, mesmo que, ideologicamente, afirmem o contrário.

Queremos afirmar que achamos justo o desejo de todos serem Iniciados. Porém, não devemos confundir o querer com o poder. É desastroso transmitir a Iniciação a quem não a tenha em seu karma.

Esperamos que todos entendam que isto não é filigrana, mas sim respeito às Leis Espirituais, a todos os Irmãos Planetários, aos quais queremos bem, sendo esta a causa de nossa posição. Todavia, respeitamos quem não pense como nós. Acreditamos ser o livre-arbítrio algo inalienável em qualquer plano do universo.

Após descrição sumarizada dos três módulos de seminários de Introdução à Teologia Umbandista, penetremos em nosso corolário – a Faculdade de Teologia Umbandista - FTU. A FTU, fundada em 2004, oferece um curso universitário, autorizado e credenciado pelo MEC e os interessados deverão ser selecionados por meio de vestibular, de acordo com as normas previstas pelo MEC. O curso têm duração de quatro (4) anos, suas aulas são ministradas de segunda à sexta-feira, no período noturno (das 19:30hrs as 23:30hrs). O curso abrange todas as áreas do conhecimento humano, como as Ciências Sociais, as Ciências Físicas e as Ciências Biológicas, sempre relacionando-as com os conceitos da Teologia Geral e da Teologia Umbandista. A FTU tem como ponto alto de sua proposta o diálogo interdisciplinar, inter-religioso e intra-religioso que nos remetem a uma visão amplificada de todos os Segmentos, da Vertente Una do Sagrado, da Convergência.

O mote da Faculdade é a Convergência e não o lucro. A receita é revertida para a manutenção da mesma e para a aplicação em projetos sócio-culturais importantes para a comunidade. A FTU tem um corpo docente formado por Sacerdotes e simpatizantes umbandistas que possuem titulação acadêmica nos graus de Especialista, Mestre ou Doutor.

A FTU, em seu curso de graduação, forma teólogos com visão universalista, que colaboram para uma melhor qualidade de vida calcada na igualdade e na inclusão total que remetem à Paz Mundial, pois preconizam a convivência pacífica entre todos os segmentos filosófico-religiosos, e destes com a Filosofia, a Ciência e a Arte.

Defende uma visão de síntese, a universalidade e unidade de todas as coisas (tudo proveio de um só conhecimento e a ele retornará) que remetem a Paz Mundial e se consolidarão na Convergência.

Importante que se defina Convergência, segundo o conceito grassado pela Faculdade de Teologia Umbandista. A questão é perceber que a forma, quando em detrimento da essência, impede a Convergência, abrindo espaço para as divergências ou conflitos vários que infelizmente pululam em nossa Sociedade Planetária.

Depois desta alusão, temos que Convergência não é a simples combinação ou união de ideias, pois as mesmas permanecem como são e se conflitam. Na Convergência as ideias ou filosofias desaparecem na aparência, mas persistem na sua essência para dar lugar a uma nova realidade superior.

Esperamos com isto ter demonstrado que não queremos institucionalizar o Sacerdócio Umbandista, nem mesmo negá-lo, como muitos têm afirmado. Desejamos sim formar teólogos com uma mentalidade arejada e abrangente sobre a Realidade Espiritual, Cultural, Social, Política e Econômica.

Portanto, nosso curso não vilipendia os Sacerdotes Umbandistas, nem os nega. Todavia, aos que desejarem, há seminários, a título de reciclagem, independente de seus graus de escolaridade (privilegia todas as Escolas).

Como muitos podem ter dúvidas a respeito do critério do ensino da Doutrina de Umbanda, afirmamos que nenhuma Escola representativa deixará de ser estudado à luz da lógica, da razão e do bom senso que devem nortear um curso de nível superior...

A outra área de atuação do IEAPT atenderá a todos os setores Religiosos, Filosóficos, Científicos e Artísticos, realizando seminários, objetivando congregar os representantes destes setores no intuito de exemplificar a convivência pacifica e propor meios que conduzam à Convergência.

Esta, em linhas gerais, é a organização externa da OICD, pois existe o aspecto iniciático, interno que tem amplitude e magnitude ligadas ao interior do Templo, sendo para aqueles que possuem a predisposição kármica para tal empreitada. Estes aspectos, reiteramos, é bom que se ressalte, não são transmitidos em cursos que fornecem apostilas e títulos, e conferem graus mediante os processos capitalistas tão bem conhecidos. Iniciação não se faz como se fosse uma aventura, é fruto de amadurecimento espiritual e compromisso com o bem estar planetário.

Na Faculdade de Teologia Umbandista há vários cursos temáticos de Extensão Universitária, onde se busca aproximar o saber acadêmico com o saber popular tradicional. Encerrando, gostaria de deixar registrado uma reflexão e pronta ação por parte de todos nós...

Esperamos com isso incentivar uma cultura de Paz que nos remeta ao consenso da necessidade de união de nossa gente.

Estamos em consonância com a UNESCO a qual estabeleceu que de 2001 a 2010 seria a década da Cultura de Paz. Neste contexto, qual o papel da Umbanda?

Não temos mártir, profeta ou reconhecimento público. Muitas vezes a Umbanda é considerada um subproduto espiritual, um adereço periférico a cultura e à sociedade.

Na verdade, a Umbanda, ressurgida há mais de um século no Brasil, foi capaz de conciliar e harmonizar, silenciosamente, as diferentes etnias, os diferentes credos os variados segmentos sociais e econômicos. Foi o amortecedor da magoa deixada pela escravidão e é hoje o polo que procura neutralizar as desigualdades materiais geradoras de violências várias (com a criação da FTU aumentou a credibilidade umbandista).

Mártires umbandistas são todos aqueles que, anonimamente, dedicaram suas vidas a esperança de um mundo mais espiritualizado. Profetas são todos aqueles que, fielmente, servem como veículos mediúnicos as palavras dos Ancestrais (Guias Espirituais) que curam as dores do corpo e da alma.

Em silêncio, sem alarde, há muito, a Umbanda é emblema de universalidade, de uma Cultura de Paz, em Espírito e Verdade.

É isso que a OICD e a FTU desejam a todos os Umbandistas, adeptos das Religiões Afro-Brasileiras, livres pensadores e a toda Comunidade Planetária. Este é o mote principal da OICD e da FTU que desejam entregar ao maior número possível de pessoas a Cultura de Paz indutora de Luz e Sabedoria!

F. Rivas Neto – Arhapiagha

Fev/11




Publicação 121

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Manifesto dos Teólogos com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras

À Sociedade Civil,

1. Quem somos

1.1 Antes de iniciar este diálogo, gostaríamos de nos apresentar. Somos formados em teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras pela FTU – Faculdade de Teologia Umbandista, uma instituição de ensino superior credenciada e autorizada pelo MEC (Ministério da Educação) por meio da portaria 3864 de 18 de dezembro de 2003. Esta formação é única na história da Teologia brasileira e também no cenário mundial.

1.2 Aproveitamos este manifesto para agradecer publicamente ao Governo Federal e ao Ministério de Educação pela sensibilidade e apoio no processo de isonomia da teologia no campo acadêmico brasileiro.

1.3 Nossa formação se deu ao longo de quatro anos, com aulas de segunda à sextas-feiras no período noturno. Durante este período cursamos as disciplinas das mais variadas tendo como foco a compreensão teológica do pensamento humano em sua rica diversidade.

1.4 Ainda sobre a diversidade, esta necessidade decorre da realidade das Religiões Afro-brasileiras. Seu gradiente de cosmovisões recebe influências das matrizes formadoras do Brasil que são o ameríndio, indo-europeu e africano, bem como de todo o processo de miscigenação cultural-religiosa decorrente destas aproximações em solo brasileiro.

1.5 Na diversidade destas mesmas religiões é possível verificar como ela se estabelece com naturalidade. Esta naturalidade nos estimula a olhar o Outro, como um outro real e que precisa ser respeitado em todas as suas características. Logo, quando dialogamos com teologias que possuem ênfase em outras confessionalidades ou outros setores da sociedade nos colocamos em uma posição distanciada de objetivos homogeneizantes ou pretensões de qualquer tipo de hegemonia, que geram inevitavelmente conflitos, pelo contrário, entendemos a diversidade como necessária e de caráter complementar.

1.6 Pelas profundas contribuições de várias culturas ancestrais, aprendemos uma visão não apenas ocidental de mundo,mas multirreferencial, policêntrica que expressa o pensar das Religiões Afro-brasileiras.

1.7 Este pensar teológico baseado em tradições avoengas nos permitem uma abordagem paradigmática da cultura e religiosidade brasileira. Compreender e levar à sociedade esta abordagem é fundamental para exercer a função social e científica na qual fomos formados.

1.8 Além da pesquisa acadêmica, somos capacitados para trabalhar em equipes multifuncionais. Lidamos com o diferente sem criar relação de desigualdade, entendemos que o Outro possui uma visão específica sobre um assunto que pode ser diferente da nossa. Contudo, o objeto é o mesmo e, se trabalhado adequadamente, as aparentes diferenças podem ser o início de um processo de aprendizado intersubjetivo.

2. Interação com a Sociedade

2.1 Uma vez formados em teologia com ênfase nas religiões afro-brasileiras, como apresentado no primeiro item, assumimos a responsabilidade de levar estas ideias à sociedade civil como um todo, bem como seus órgãos representativos, por meio do diálogo.

2.2 Concomitantemente a esta iniciativa, apresentamos o início de pesquisas acadêmicas sistematizadas em Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras, considerando este novo paradigma e a realidade na qual elas estão inseridas. Com estas pesquisas em diálogo constante com a sociedade poderemos oferecer melhores condições para que a sociedade brasileira conheça melhor as Religiões Afro-brasileiras e, ao mesmo tempo, receber dela contribuições para que estas pesquisas produzam uma unidade de conhecimento aberta, por tanto, dinâmica.

2.3 Em um primeiro momento dialogaremos por meio de um Instituto de Estudos e Pesquisas em Teologia a ser criado pela FTU onde teólogos das mais diferentes confissões do nosso país poderão apresentar e pesquisar temas de interesse coletivo, em conjunto conosco. Em um segundo momento, ampliaremos este plano de trabalho para demais áreas do saber acadêmico que se interessem por esta proposta e, finalmente, no terceiro momento com todas as áreas da gnose humana - Religião, Filosofia, Ciência e Arte.

2.4 Como o diálogo está no cerne desta relação que ora pretendemos estabelecer, naturalmente, os seus frutos podem e deverão ser pacíficos. A cultura de paz e a convivência pacífica se tornam possíveis na justa medida em que apresentamos uma nova cosmovisão, porém sem querer se sobrepor ou ser sobrepujada pelas existentes. Queremos e podemos dialogar entendendo a visão do Outro e aprendendo mutuamente de tal forma que gradativamente este “Eu” e “Ele” se torne “Nós”, sem desigualdades ou exclusão.

3. Comunidades das Religiões Afro-brasileiras

3.1 Os adeptos das Religiões Afro-brasileiras historicamente sofreram, muitos ainda sofrem, um distanciamento das esferas de ação do poder público, do acesso à educação e saúde. Esta é uma realidade que tem melhorada sensivelmente nos últimos anos, porém ainda persiste.

3.2 O advento da FTU marca um avanço significativo na história das Religiões Afro-brasileiras para colaborar com o poder público na transformação desta realidade. Afinal foi por ela que nós somos hoje os primeiros teólogos com ênfase nestas religiões no mundo, condição esta que coloca os adeptos das Religiões Afro-brasileiras em situação de isonomia com as demais confissões religiosas.

3.3 A FTU nos mostrou como podemos utilizar a Teologia e a Educação para fomentar a Inclusão Total, respeitando-se as diversidades de culto e – concomitantemente – valorizando as suas semelhanças de essência. Em nossa pesquisa e discussão pública desenvolveremos estas perspectivas de estudo sistematizado.

3.4 No que diz respeito à pesquisa acadêmica, somos sabedores da existência de várias áreas que se interessam pelas Religiões Afro-brasileiras. Citamos a História, Antropologia, Sociologia, Etnobotânica, Ciências da Religião, Psicologia, entre outras. No exato momento em que apresentamos um estudo sistematizado teológico abrimos possibilidade ao religioso e ao cidadão em acessar um conteúdo de nível que contempla uma episteme “desde dentro”, ou seja, que não o observa apenas como objeto, mas como sujeito construtor desta realidade.

Com esta formação teológica, temos perspectivas de ação em conjunto com a sociedade civil e com a comunidade das Religiões Afro-brasileiras, almejando o início de um profícuo projeto de Cultura de Paz. Podemos dialogar em favor da humanidade sem exclusões, construindo pontes que neutralizam as desigualdades, respeitam as diferenças e valorizam as suas semelhanças.

Maria Elise Rivas

Teóloga com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras

Representante da Comissão dos primeiros Teólogos com Ênfase nas Religiões Afro-brasileiras que assinam este manifesto

Religiões Afro-brasileiras: da Medicina Preditiva à Medicina Paliativa

Resumo


o Homo Sapiens Sapiens, o “homem que sabe que sabe”é entendido pelas Religiões Afro-brasileiras de maneira geral como sendo uma entidade biopsicossocial. O ser espiritual (essência) manifestou-se na matéria (substância) propiciando a vida (existência).

A manifestação deu-se em três níveis: primeiro o mental (psíquico); segundo o corpo (biológico) e terceiro, o social, o relacionamento do homem com outros homens, enfim com a sociedade.

Palavras-chave: medicina preditiva, medicina preventiva, medicina curativa, medicina paliativa, IFE, Religiões Afro-brasileiras.


Abstract


Homo Sapiens Sapiens, the "man who knows he knows" is understood by the Afro-Brazilian religions in general as a biopsychosocial entity. The spiritual being (essence) is manifested in the matter (substance) providing life (existence).

The manifestation took place in three descending levels: first, the mental (psychological); second, the body (biological) and third, the social, man's relationship with other men, and finally with the society.

Keywords: predictive medicine, preventive medicine, curative medicine, palliative medicine, IFE, Afro-Brazilian religions



RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS: DA MEDICINA PREDITIVA À MEDICINA PALIATIVA

O Homo Sapiens Sapiens há milhares de anos habita o planeta Terra. Os poucos mais de seus bilhões de habitantes tem como ancestrais, segundo a Academia, não mais do que um mil habitantes que sobreviveram ao cataclismo ocorrido há milhares de anos.

É instigante entender como poucas pessoas propiciaram uma população (nos dias de hoje) de seis bilhões de habitantes. A biologia, a antropologia e a sociologia afirmam que o aumento da população, pelo menos no início (após o cataclismo) deveu-se a cooperação entre eles superar o conflito. Infortunadamente não seguimos os ensinamentos e exemplos dos ancestrais avoengos, pois se o fizéssemos não estaríamos num mundo de excluídos e miseráveis de todos os matizes.

Após esta breve alusão à sociedade humana, necessário se faz entender quem é o Homo Sapiens Sapiens, o “homem que sabe que sabe”.

É entendido pelas Religiões Afro-brasileiras de maneira geral como sendo uma entidade biopsicossocial. O ser espiritual (essência) manifestou-se na matéria (substância) propiciando a vida (existência).

A manifestação deu-se em três níveis: primeiro o mental (psíquico); segundo o corpo (biológico) e terceiro, o social, o relacionamento do homem com outros homens, enfim com a sociedade.

A longevidade e a boa qualidade de vida dependem desses três relacionamentos que proporcionam equilíbrio, estabilidade e harmonia (triunidade da saúde).

A perda desta triunidade, invariavelmente, faz o indivíduo adoecer, ficar doente.

A medicina seja ela preditiva, preventiva, curativa ou paliativa deve para futuro não muito distante concluir que aquilo que temos como causas das doenças poderão ser apenas efeitos.

Segundo a visão das Religiões Afro-brasileiras doença é todo qualquer sofrimento, seja ele espiritual, mental, emocional, moral ou físico.

A própria medicina preconizada pela ciência oficial chegará à conclusão que as doenças (doentes), podem ser devidas à própria personalidade do indivíduo, ou seja, o que pensa, sente e age. Em suma, a própria conduta em relação a si mesmo, aos outros, à sociedade, à natureza e ao Sagrado.

Para melhor estudarmos e pesquisarmos esses fatores, em nosso consultório fazemos associação dos conhecimentos adquiridos na academia (médico) e os filosófico-religiosos desenvolvidos no IFE (Instituto de Filosofia Espiritualista). Os estudos e pesquisas aliados aos conhecimentos disponíveis permitem tratar nossos pacientes com uma visão globalizada, humanizada e espiritualizada, pois medicina e teologia permitem a vivência de paz, a grande indutora de homeostasia (equilíbrio geral do organismo).

Quanto á medicina paliativa, atendemos pacientes que tenham diagnóstico confirmado por equipe gabaritada, com tratamento em andamento, e com a total permissibilidade da equipe, pois não estamos nos apresentando como um cura-tudo e muito menos ferimos os cânones da diceologia da nobre arte-ciência (medicina acadêmica).

Introduziremos nossas idéias, aqui sumarizadas, no vídeo ora disponibilizado ao prezado irmão planetário.

Continuaremos nossa proposta de reunir os conhecimentos científicos (medicina) em associação com a Espiritualidade, em especial, com as Religiões Afro-brasileiras. Axé!




Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 119

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

História - Relação da FTU com as lideranças umbandistas I


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 118


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A Paz Mundial – Contribuição das Religiões Afro-brasileiras


Paz não significa apenas a ausência de guerras, de disputas políticas, sociais ou econômicas; mais do que isso, paz é um estado de tranquilidade e progresso social, caracterizado pelo relacionamento saudável e cordial entre indivíduos ou povos. O estado de Paz ou Guerra observado em uma sociedade é, na verdade, o reflexo coletivo do grau de Paz interior de cada indivíduo.

Em sentido mais amplo, podemos dizer que "paz" é o ambiente gerado no contato de indivíduos em estado de pleno equilíbrio mental, emocional e físico. A Fundação Arhapiagha para a Paz Mundial investe no Indivíduo como unidade fundamental da sociedade e propõe formas de se alcançar a Paz interior para dar paz ao mundo.

Para haver Paz externa é preciso haver Paz interna. Nossas energias maiores devem ser empregadas no intuito de resolvermos nossos conflitos interiores e deixar que nosso exemplo contagie os demais. E muito pouco produtivo despendermos esforços para transformar o mundo externo de maneira impositiva.

É claro que estando o indivíduo em Paz consigo mesmo, naturalmente estará em paz em seu lar, com sua família, no trabalho, etc; não mais agredirá a seus semelhantes, à natureza e, principalmente, a si mesmo.

Como ponto primordial para a conquista da Paz Interna e Externa, devemos ter sempre em mente a questão da interdependência. O que quer que aconteça com um indivíduo ou o meio ambiente afeta, em maior ou menor proporção, a todos os habitantes do mundo. Como consequência disso, não podemos esperar ter paz ou sermos felizes se todos não experimentarem igualmente esta condição.

Assim, a “Fundação Arhapiagha para a Paz Mundial” propõe que, para alcançar esses objetivos, o homem deve alcançar a harmonia com quatro fatores básicos e interligados: com o próprio Indivíduo, com a Comunidade, com a Natureza e com o Sagrado. As ações desenvolvidas por esta fundação visam, portanto, criar condições para que estes quatro objetivos sejam atingidos de maneira mais rápida e suave possível.

O HOMEM

Cada indivíduo é um universo em si mesmo, a vastidão interior é comparável à vastidão do cosmos. Raros são os que buscam conhecer a vastidão interior, a maioria prefere poupar-se o trabalho, mantendo-se na ignorância. O resultado é a criação de um hiato, um abismo entre o interior e o exterior, gerando a dualidade e o conflito, o sujeito e o objeto. A dor e o sofrimento são conseqüências dessa fragmentação que se espalha por tudo que o homem toca.

A personalidade humana expressa-se através de pensamentos, sentimentos e ações; deveria haver um perfeito entrelaçamento dessas três instâncias. Para termos Paz devemos direcionar nossos Pensamentos no sentido da Sabedoria; nossos sentimentos no sentido do Amor; nossas ações no sentido da Evolução.

Três são os venenos causadores das distorções da personalidade: egoísmo, vaidade e orgulho.

Se um indivíduo quer ter Paz interior, deve procurar eliminar estes venenos, cultivar a humildade, a simplicidade e a pureza de intenções. Deve ter paciência e perseverança. Saber que o caminho é longo e demorado, que a conquista maior (de si mesmo) é feita no silêncio. Compreender que o crescimento leva o homem a servir, não a ser servido; que os maiores tesouros são imateriais e eternos. Queremos propagar essas realidades e acreditamos que com esforço poderemos criar uma nova sociedade, um novo homem, livre desses venenos, e seremos todos mais felizes.

A HUMANIDADE

A busca da paz e da felicidade é inerente a qualquer indivíduo, não há quem busque, deliberadamente, o sofrimento e a dor. Ainda assim, mesmo com todos os indivíduos do planeta buscando a alegria e a felicidade, o que encontramos é uma humanidade triste, doente, desconsolada e sofrendo dores atrozes, morais e físicas. Por que será que o resultado é exatamente o oposto do esperado? Será que o sofrimento é uma contingência inevitável da vida e estejamos todos destinados a padecer desde o nascimento até a morte? Acreditamos que não, e que é possível alcançarmos a felicidade de todos.

O problema maior não é o desejo de ser feliz e de ter progresso, mas sim o que consideramos felicidade e progresso e a maneira que buscamos atingi-los. Enquanto acreditarmos que para ter sucesso precisamos ser melhores que os outros, ter poder sobre nossos semelhantes ou acumular bens materiais, continuaremos vítimas do sofrimento e da insatisfação. O sucesso não é determinado pela comparação entre indivíduos, mas sim pelo quanto alguém progride em relação a si mesmo e ao seu próprio potencial.

Por outro lado, a felicidade não pode ser encarada como um objeto absoluto, uma meta pré-determinada. A felicidade maior está justamente em poder contemplar a eterna mutação da vida e acompanhá-la de forma suave e natural, se modificando e se aperfeiçoando a cada dia.

Por fim, o maior obstáculo para sermos felizes é o fato de que buscamos a felicidade do eu, a realização pessoal. Funcionamos em sociedade como um "cabo de guerra" com inúmeras cordas dispostas de maneira radial, como uma estrela, em que cada um puxa para seu lado e ninguém sai do lugar.

Em síntese, se você quer ser feliz, faça seu próximo feliz.

A NATUREZA

A harmonia com a Natureza é um dos fatores primordiais para termos Paz interna e externa. Nossa vida origina-se e é mantida pela Natureza e seus reinos mineral, vegetal e animal. Entretanto, o homem trata o meio ambiente com descaso, destruindo-o e espoliando os recursos naturais. A postura da humanidade em relação ao planeta e à natureza se dá nos moldes do parasitismo inconsequente, no qual o parasita explora o hospedeiro até a morte, ocasionando a morte também para si próprio.

O homem não está para ser parasita da Terra, sua relação deve ser de simbiose com o planeta, dando oportunidade para o progresso mútuo. A insistência em destruir a natureza traz conseqüências desastrosas para a própria humanidade, já que a interferência negativa sobre o equilíbrio natural dos ecossistemas provoca efeitos invariavelmente nocivos ao homem. Como exemplos citamos: a destruição da camada de ozônio, o efeito estufa, os cataclismos, as doenças contagiosas; todos, em última instância, produtos da insensatez humana.

Devemos evitar destruir e, na medida do possível, reconstruir o que danificamos no meio ambiente. Precisamos reciclar materiais; produzir menos lixo; encontrar alternativas alimentares sustentáveis; evitar a exploração e esgotamento das riquezas minerais (elas são responsáveis pelo equilíbrio eletromagnético planetário).

Além desses aspectos, acreditamos que a Natureza seja fonte de remédio e tratamento para nossas desarmonias. Se o desenvolvimento do ser humano (ontogênese) repete o desenvolvimento da vida no planeta (filogênese), temos representações dos reinos naturais em nosso organismo. Enquanto a Natureza ainda preserva uma certa harmonia, o ser humano perdeu a sua própria. O convívio harmônico com a Natureza pode restaurar o equilíbrio do indivíduo, não apenas pelos alimentos físicos, mas principalmente mentais e afetivos que absorvemos de maneira mais ou menos inconsciente.

Pretendemos demonstrar que a forma que o Homem trata a Natureza é a exteriorização do tratamento que o homem dá a si mesmo, ou seja, de uma maneira imediatista, gananciosa, ignorante e egoística. Queremos ajudar ao homem aprender a tratar de si mesmo ensinando-o a observar a Natureza.

O SAGRADO

Todos os povos do planeta têm suas formas peculiares de se relacionar com o Sagrado, com as realidades divinas. Todas as religiões ou manifestações místicas devem ser igualmente respeitadas, tendo a garantia de liberdade de expressão.

O grande paradoxo é que, embora as religiões devam ser motivo de concórdia e união entre os povos, o que se observa na prática é que têm servido para separar indivíduos e nações.

A “Fundação Arhapiagha para a Paz Mundial” acredita que é possível criar uma integração e harmonia entre todas as religiões, basta ressaltarmos os pontos que todas as doutrinas têm em comum para promover a união, e não nos basearmos nas diferenças para fazer separações. Sabemos que todas as religiões pregam a Fraternidade, a Caridade, o Amor, a Sabedoria, a Humildade, entre outros elevados propósitos; precisamos apenas vivê-los e compartilhá-los.

Acreditamos que todo indivíduo necessita pensar sobre o Sagrado, sobre as realidades intangíveis, sobre o Eterno, que não teve início e não terá fim. Não podemos ter medo ou vergonha de buscar colocar nossa forma de ver essas questões em nosso cotidiano. A sociedade atual quer passar uma idéia falsa de que a realidade, o progresso e a ciência sejam, necessariamente, ateístas e desvinculados do espírito e que toda religião seja tolice ou fantasia gerada pela ignorância dos fenômenos naturais.

O conceito da Divindade, com pequenas variações de visão, é inato a todo ser humano; este fator deve ser considerado por todo aquele que deseja alcançar a Paz. Mais que isso, deve o homem procurar, segundo suas tendências e afinidades, o sistema que melhor lhe proporcione este relacionamento saudável com o sagrado, com o abstrato e procurar tornar cada instante da sua vida igualmente sagrado e devotado aos princípios que acredita.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 117

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Sociedade na visão de Umbanda na Escola de Síntese

Para a Umbanda a Sociedade ideal é uma sociedade baseada no cooperativismo, interessada no bem comum e na evolução espiritual de todos. Seus valores são universalistas e não separatistas, isso significa a extinção das discriminações e mesmo das barreiras geopolíticas e de linguagem.

Além disso, a escala de valores da sociedade preconizada pela Umbanda baseia-se no fato de que somos espíritos eternos imersos na matéria transitória. Portanto, nosso maior interesse não deve estar calcado nos bens impermanentes, perecíveis, mas na conquista de atributos superiores de personalidade que nos sintonizem cada vez mais com os Planos da Aruanda.

Para a concretização dessa nova era de paz e evolução para o nosso planeta é preciso uma mudança na visão que se tem do poder político e dos governos. Os líderes dessa nova sociedade deverão ser aqueles que se destacarão pela Sabedoria, pelo Amor, pela Capacidade de auxiliar a todos na jornada evolutiva. Serão aclamados por serem os mais capazes de acelerar a evolução planetária, por não estarem presos a desejos egoísticos e por conhecerem as formas da libertação, tendo maior experiência kármica. Ou seja, pessoas compromissadas com o bem coletivo acima do individual e dispostas a se doar inteiramente a essa tarefa.

O desenvolvimento necessita ser plenamente sustentado, sem agressão à natureza, com modificações na economia, no comércio e até mesmo na forma de alimentação. É possível uma relação de equilíbrio entre o uso que fazemos dos recursos naturais e a capacidade de renovação do planeta desde que vivamos de forma racional, sem pensar apenas na satisfação dos desejos dos sentidos.

Isso significa uma relação mais harmônica do Homem com a Natureza e o Cosmos, reconhecendo seu caráter sagrado e, ao mesmo tempo, conhecendo o funcionamento da energia em seus aspectos mais sutis, sabendo como agregar sobre si mesmo o necessário para sua manutenção física.

Como corolário do esforço para o surgimento de uma nova sociedade, teremos o homem vivendo com toda a plenitude que a existência possa permitir, seremos todos cidadãos planetários; não apenas com uma melhor distribuição das riquezas, mas também com uma nova visão sobre o que seja a própria riqueza em si.



Encerrando, gostaríamos de divulgar a 4ª capa do livro Umbanda - A Proto-síntese Cósmica publicada pela Editora Pensamento:





Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 116