segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Caboclo pede Agô

O inabitual sempre traz espanto e quase sempre descrença! Por mais bem-intencionada que seja a maioria dos Filhos de Fé que se agrupam nos mais variados terreiros, raros deles podem crer que Caboclo deixe o terreiro, o charuto, a vela, e troque a pemba de giz pela pemba de lápis ou caneta. De fato não trocamos, apenas usamos, também, quando temos oportunidade, o lápis, em algum recinto do terreiro ou em qualquer local em que o "cavalo" (médium) sentir-se bem à vontade — vibratoriamente falando.

Assim, sabemos que muitos de nossos "Filhos de Terreiro" não estão habituados a observar um Caboclo de Umbanda fazer uso do lápis. De fato, não nos é comum expressarmo-nos nesta modalidade mediúnica, que é a dimensão-mediunidade, que também pode ser traduzida como psicografia dimensional e sensibilidade psicoastral.

A grande maioria dos Filhos de Fé, bem como a grande massa de crentes, está acostumada a ver Caboclos "montarem" em seus "cavalos" através da mecânica de incorporação.

Não raras vezes, falamos de maneira que nem sempre quem nos ouve nos entende, precisando da ajuda imprescindível do cambono. Muitas vezes usamos este artifício visando nos tornar bem próximos do consulente, bem como permitir que o cambono aprenda e observe as mazelas humanas, e saiba como encará-las de frente, segundo nossas próprias atitudes perante cada consulente.

Outros, menos ligados aos fenômenos da Ciência do Espírito, não conseguem entender como um Caboclo (Entidade Espiritual que usa a vestimenta fluídica de um Ser Espiritual da Raça Vermelha) pode escrever através de seu "cavalo" ou dizer coisas que só o homem civilizado conhece. Como pode um Caboclo escrever? No tempo em que ele vivia na Terra era analfabeto, nem sabia que tinha escrita, muito menos ciência, filosofia, etc. E, muitos Filhos ainda pensam assim! Pura falta de informação sobre as leis da reencarnação e sobre a lei dos ciclos e dos ritmos.

Caboclo acredita que realmente à primeira vista, isto pode suscitar dúvida e descrença, tanto sobre o Caboclo como sobre o intermediário entre os dois planos — o médium ou cavalo. A grande maioria tem em mente que o Caboclo não fala português, é bugre da mata virgem; como, de repente, já vem ele ditando normalmente o português, ou, o que é mais estranho, escrevendo?

Realmente muitos pensarão: Ou o cavalo é mistificador, ou essa Entidade que diz ser um Caboclo não o é.

Pode até acontecer que algum cavalo seja mistificador e que algum Caboclo não seja Caboclo, mas palavra de Caboclo que o Caboclo que aqui escreve é o mesmo que baixa no terreiro, e que o cavalo é o mesmo que nos "recebe" nas sessões semanais, tanto no "desenvolvimento" mediúnico como nas sessões de caridade, onde atendemos grande número de consulentes, por meio da mecânica de incorporação. Os mecanismos são diferentes, mas as finalidades não, pois ambas visam direcionar os Filhos de Fé, dirimindo as suas dúvidas.

Imaginem, como simples exemplo, se de repente, em todas as "giras", o Caboclo se apresentasse não na incorporação, mas completamente materializado, isto é, se todos os Filhos de Fé, sem precisarem fazer uso da mediunidade que lhes dilatasse os poderes de alcance visual, nos vissem em corpo astral densificado?! Provavelmente, de início, ficaríamos com pouquíssimos ou nenhum Filho de Fé no terreiro! Uns sairiam correndo apavorados e tresloucados. Outros ficariam extáticos, em profunda hipnose, tal o choque psíquico.

Outros mais, peto estresse, teriam fortes descargas de adrenalina, podendo ter crises de arritmias graves e até espasmos coronarianos, distúrbios que poderiam levá-los ao desencarne.

Com isso, afirmamos que tudo que foge do habitual traz espanto, traz dúvidas. Isso é naturalíssimo! Mas um dia teríamos que começar a nos manifestar sob outras formas não-habituais. E de há muito já começamos! Esta é mais uma dessas formas. Mas, com o decorrer do tempo, tudo tornar-se-á comum. Esperemos! Os tempos são chegados! Para muito breve, veremos que muitos dos Filhos de Fé se acostumarão a ver seu próprio Caboclo também ditando um livro, uma mensagem. Chegará o tempo em que as mensagens ditadas serão tão habituais como a importantíssima mecânica de incorporação em nosso ritual.

Filhos de Fé! Entendam que o Caboclo que ora escreve é um desses mesmos Caboclos que "baixam no terreiro" e atendem aos Filhos de Fé, nas tão costumeiras consultas, conselhos, passes, etc. Este Caboclo é o mesmo 7 Espadas de Ogum, que "baixa" nas sessões de nossa humilde tenda, e que agora, nestas pequenas lições, vez por outra usará termos tão comuns em nossas "giras de terreiro". Os Filhos de Fé de nossa humilde choupana de trabalhos já estão acostumados com as variações da mediunidade e entendem que o ser espiritual pode usar a vestimenta astral que melhor lhe aprouver, tudo visando ser melhor compreendido quando se dirigir aos filhos da Terra, ainda presos a certos conceitos arraigados sobre Caboclos, Pretos-Velhos, etc. Devemos entender também que a mediunidade é fruto do perfeito entrelaçamento vibratório entre o cavalo (médium) e a entidade atuante, através de sutis laços fluídico-magnéticos, e principalmente através da sintonia e dos ascendentes morais-espirituais.

Quando queremos ditar, escrever ou levar o cavalo a certos transes mediúnicos (dimensão-mediunidade), emitimos certa ordem de fluidos que se casam com os do cavalo, tanto em seu mental como em seu emocional (corpo astral), fazendo com que ele sinta nossa presença, em forma de "um quê" que o emociona até as fibras mais íntimas de seu ser, e "um quê" que o deixa levemente ansioso, devido a vibrarmos com alguma intensidade em certas regiões de seu sistema nervoso central e nos centros superiores da mente, principalmente nos lobos frontais e temporais e em todo o complexo celular neuronal moto-sensitivo. Por processos astrais técnicos que regem o mecanismo mediúnico, e mesmo etérico-físicos, que deixaremos de explicar por fugir da singeleza destas lições, o cavalo conscientemente sente-nos a presença e, como servidor leal, aquiesce de boa vontade à tarefa que irá desempenhar em comunhão conosco. Não raras vezes, nos vê através da clarividência, e a maior parte das vezes pela sensibilidade psicoastral. Pronto! Entidade e cavalo agora formam um complexo em perfeita simbiose espiritual, todo favorável aos trabalhos que irão ser desenvolvidos. Ativamos certas zonas em seu corpo mental e em todo o sistema nervoso periférico, para que não haja excessos de desgaste energético em sua economia orgânica. Desde a epífise, a glândula da vida espiritual, passando por complicada rede hipotalâmica, chegamos a promover esta ou aquela ativação ou inibição hormonal.

Tudo é criterioso; não podemos lesar nem sobrecarregar tão abnegado cavalo que montamos e dirigimos. Em rápidas palavras, apresentamos resumidamente os cuidados e as técnicas para a execução deste livro. Foi dessa forma que surgiu este pequeno volume que agora está em suas mãos. Nele, procuramos um enfoque simplificado dos tópicos mais complicados, em que muitos Filhos de Fé desanimam em progredir em seus estudos e conclusões. Esperamos alcançar o objetivo.

Já é alta madrugada, Caboclo falou demais... O dia já vai clarear e o galo vai cantar, anunciando um novo dia de bênçãos renovadas que vai chegar.

Povo d'Aruanda, lá no Humaitá (plano do astral em que vibram as entidades de Ogum), já está me chamando...

Antes de Caboclo "subir", ir a "oló", quer deixar fixado no papel as vibrações de amizade e simpatia por todos os Filhos de Fé. Que Oxalá os abençoe sempre.

— Filho de Fé — Caboclo fala sussurrando para não te assustar. — Acorda, é novo dia. Os clarins estão tocando e a todos chamando. Abre os olhos. Abre os ouvidos. E muito principalmente o coração. Caminha trabalhando e aprendendo sempre. Um novo dia está surgindo. Vamos, desperta! Testemunha com trabalho o raiar da Nova Era...

Filho de Fé, saravá... Estarei sempre contigo. Fica sempre comigo. Que TUPÃ nos abençoe a tarefa que temos de cumprir. Iremos cumpri-la.

Vamos às lições de Caboclo, que espero serão bem assimiladas por todos, umbandistas ou não. Assim, Umbanda — Caboclo Pede Agô...

Saravá Oxalá — Senhor do planeta Terra

Saravá Ogum

Yama Uttara... Ogum... E... Ê... E...

OGUM...

Caboclo 7 ESPADAS

São Paulo, 28 de setembro de 1987.

Este texto foi extraído do livro “Umbanda – A Proto-síntese Cósmica”. Aproveitando o ensejo, gostaríamos de transcrever as palavras de escritores importantes para o meio espiritualista que ficaram registradas na orelha da capa do livro editado pela Pensamento.

“Então, “Caboclo” vem através de seu médium autenticar os ensinamentos mais límpidos, que são eternais ou de todas as escoas esotéricas ou filosóficas de conceito de antiguidade.(...) Inumeráveis leitores de nossas obras vão encontrar semelhanças no que escrevemos e no que está nesta obra. Evidentemente, a verdade não são duas, é uma só. Uns alcançam-na até certo ponto e outros ainda vão além, dentro de sua relatividade.”

W.W. da Matta e Silva, médium, escritor e Mestre Espiritual; modificou o panorama umbandístico com nove obras de escol, entre elas Umbanda de Todos Nós e Lições de Umbanda.

“Rivas Neto (Mestre Arhapiagha) veio à Terra com a missão espiritual de resgatar e replasmar a Umbanda em sua total pureza. Neste obra ímpar, ele reitera a ancestralidade e universalidade da Umbanda que remete-nos à Convergência, à Paz Mundial”.

Reinaldo Leito, advogado, escritor renomado, orador espírita internacionalmente conhecido.

“O contato com Umbanda – A Proto Síntese Cósmica e, posteriormente, com Mestre Arhapiagha lançou luz sobre a visão que tínhamos sobre a Umbanda, desfazendo conceitos errôneos adquiridos em outras obras. Chamou-nos a atenção a naturalidade com que são conciliadas a Ciência, a Filosofia e a Religião”

Sérgio Rigonatti, psiquiatra forense, professor do Instituto de Psiquiatria da USP, leitor crítico da literatura espiritualista, com autoridade no assunto por experiência própria e por herança paterna.

“Se tivéssemos que sintetizar nossa visão sobre Umbanda – A Proto-síntese Cósmica, diríamos que é uma obra definitiva, seus conceitos transcendem a visão dos adeptos, dos acadêmicos e mesmo da maioria dos sacerdotes, revelando uma doutrina cuja consistência sequer é imaginada”

Roger Feraudy, saudoso e antigo amigo era odontólogo, ensaísta, compositor da MPB, renomado escritor e poeta. Profundo conhecedor da Umbanda em seus aspectos teórico-práticos. Sacerdote que escreveu várias obras umbandistas de alta relevância para o movimento.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 115

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Faculdade de Teologia Umbandista e sua linha de pesquisa

Gostaríamos de divulgar um texto acadêmico de nosso filho espiritual Yabauara importante para as religiões afro-brasileiras, que visa esclarecer a função da Faculdade de Teologia Umbandista na sociedade brasileira

Reflexão crítica sobre a FTU

O texto ora apresentado se apóia na minha pesquisa em Ciências da Religião, nível doutorado, pela PUC-SP. Projeto este que foi aprovado na UFJF como requisito parcial para o processo seletivo no programa em Ciência da Religião.

Ainda na pesquisa em Filosofia, nível Mestrado, trabalhei o autor Jürgen Habermas e sua ética do discurso. Uma teoria que passa pelos aspectos intersubjetivos, políticos e éticos propriamente ditos. O discurso em Habermas exercita aos interlocutores no diálogo um encontro constante com o Outro. Ou seja, é uma alteridade real, não apenas idealizada.

Por que evoco isto? Porque esta sustentação filosófica de alteridade é fundamental para penetrar na pesquisa das religiões afro-brasileiras. Excetuando os colegas acadêmicos que se interessaram por estudos de caso com terreiros de forma isolada, conciliar um objeto de estudo tão plural é complexo. Torna-se necessário pensar o(s) Outro(s).

Dentro da teologia com ênfase nas religiões afro-brasileiras existem dois conceitos que facilitam uma compreensão desta diversidade com lógica, o que é fundamental para um filósofo ou mesmo cientista, e contemplam esta necessária alteridade.

O primeiro conceito inédito é o de “Escolas”. Nele o autor F. Rivas Neto sustenta o tripé epistemologia (corpo doutrinário próprio), metodologia (linha de transmissão deste corpo) e ética (interdependência). Afirmo inédito, pois na literatura existente o termo Escola nunca foi apresentado com esta configuração. Aditando a ideia original, o autor insere o sentido de gestalt para defender o argumento de que as Religiões Afro-brasileiras só existem pela co-existência de suas várias Escolas. Desta forma, o adepto das religiões afro-brasileiras possui várias formas (diversidade) de acessar o Sagrado (unidade). Sendo assim, o conceito de Escolas é inclusivo e não excludente

O outro conceito é o de “umbandização”. Termo inicialmente cunhado por Roger Bastide e trabalhado por vários sociólogos e antropólogos, remetia no sentido original a uma ideia de purismo dos cultos “afro” abalado pela presença marcante da Umbanda. Na releitura ampliada de F. Rivas Neto é possível mostrar que tendo como base a formação das religiões afro-brasileiras a mesma do povo brasileiro, este contato e troca entre as mais diversas cosmovisões não só é interessante, como mantém viva a sua tradição.

Um momento importante para o diálogo ciência e religião foi o advento da Faculdade de Teologia Umbandista que é autorizada e credenciada pelo Ministério da Educação (MEC) para formar teólogos, nível bacharelado, com ênfase nas religiões Afro-brasileiras.

Inicialmente poderia ser questionado que diante desta diversidade de Escolas, qual ou quais delas seriam estudadas em sala de aula. Todas as Escolas são contempladas, dada a inserção deste conceito em seu projeto pedagógico. O mote da FTU é pela inclusão total, pois em sua linha de pesquisa procura compreender a diversidade de visões que existem no seio das religiões afro-brasileiras.

Ao citar o MEC, em nossa pesquisa de campo, nos chama a atenção como ele tem se preocupado por criar no curso de teologia do país cadeiras que versem não só sobre o conteúdo confessional, mas também interdisciplinar. Este modelo foi desenvolvido de forma pioneira pela FTU mostrando uma posição de vanguarda nesta área acadêmica. Na linguagem interdisciplinar a FTU busca aproximar o senso crítico do senso comum, passando pelo senso religioso criando pontes entre Filosofia, Arte, Ciência e Religião.

Só que existe um ponto importante nesta constatação. Não basta apresentar os elementos desta teologia umbandista, é necessário testar os seus argumentos. Neste momento as ferramentas filosóficas como metafísica e lógica ganham destaque para compreender visão de mundo e as ciências naturais e sociais podem auxiliar no entendimento sobre suas expressões concretas.

Um teólogo, filósofo, cientista das mais diversas áreas (naturais, sociais e mesmo o da religião) não pode ser conivente com o erro. Quando se utilizado o senso crítico, e em todas as áreas citadas isto ocorre, não é permitido aceitar uma ideia por coerção ou estratégias de persuasão. Apenas o argumento sólido e consistente comprovadamente pode perdurar.

Nada contra as pessoas que venham a produzir erros, mas, como filósofo, não posso ficar alheio. Compreendo as paixões e desejos pessoais, porém existe um compromisso com a pesquisa e principalmente com o objeto de pesquisa que são as religiões afro-brasileiras. A diceologia e deontologia do pesquisador de campo nos alerta para o perigo da falácia ou de olvidar fatos.

Neste sentido é importante citar os ritos realizados pela mantenedora da FTU que exercitam as várias linguagens epistemológicas das Escolas existentes nas religiões Afro-brasileiras. Estive no rito de Exu e constatei in loco a presença de milhares de pessoas o que demonstra a importância quantitativa e a presença de sacerdotes de dezesseis estados do Brasil, reforçando sua abrangência qualitativa.

Isto apresenta uma relação teórica e prática desenvolvida pela FTU de ponta. Quem se beneficia diretamente desta construção é a comunidade das religiões afro-brasileiras, pela inserção cultural, social, político-econômica utilizando a educação teológica como ferramenta. Julgo ser interessante pesquisar o motivo de setores irem contra à faculdade, para compreender os seus motivos.

Em suma, a consistência filosófica sustentada pela FTU foi recentemente reconhecida pela educação pública brasileira. O MEC autorizou e a USP chancelou os primeiros vinte e um diplomas dos teólogos umbandistas, afro-brasileiros, na história do planeta. Com esta marca histórica a FTU reforça sua proposta de inserção social do adepto religioso afro-brasileiro na sociedade contemplando toda a diversidade das religiões afro-brasileiras.


João Luiz Carneiro

Doutorando em Ciências da Religião e Mestre em Filosofia



Ps: No que pese a redação acadêmica, minha dijina é Yabauara. Sou religioso das tradições Afro-brasileiras e, com satisfação, filho espiritual do Pai Rivas (Arhapiagha)


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Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 114

Pai Matta e Silva – O Arauto da Umbanda

Em meados de 1987 enviamos à apreciação de Pai Matta a obra “Umbanda – A Proto-síntese Cósmica”. Também enviamos “Umbanda – Luz na Eternidade”, que assim como a outra obra citada havia sido “ditada” pela mesma entidade espiritual – Caboclo 7 Espadas.

“Umbanda – A Proto-síntese Cósmica” foi um marco pois no universo das Religiões Afro-brasileiras foi a primeira obra psicografada, tanto que, nosso Mestre Espiritual – Pai Matta (Mestre Yapacany) afirmou ser a “Proto-síntese” um bastião para a Umbanda. Disse que estava muito feliz em saber que suas obras, em especial “Umbanda de Todos Nós”, iria continuar e seriam desdobradas, pois os tempos eram chegados e maiores esclarecimentos eram inadiáveis.


Pai Matta, um dos mais completos clarividentes havia vaticinado que a “Proto-síntese” rapidamente alcançaria vários milhares de exemplares, o que realmente aconteceu, pois estamos na 12ª edição deste que é considerado pela comunidade umbandista um grande clássico.


Desde seu lançamento em 1989 foi responsável por uma profunda mudança na visão que havia de Umbanda, tanto pelos próprios umbandistas, que encontraram sustentação doutrinária e filosófica capaz de graçá-los no caminho espiritual, quanto pelos não umbandistas filósofos, cientistas, religiosos e artistas que se sentiram cativados pela universalidade expressa nesta obra.

A obra, desde a 7ª edição é editada pela Editora Pensamento, estando na atualidade, em 2011 na 12ª edição.

No ensejo da 12ª edição de “Umbanda – A Proto-síntese cósmica” queremos homenagear meu mestre, meu pai, meu amigo (Pai Matta) publicando seu prefácio, sim tive a honra de tê-lo como prefaciador. Fez da obra, além de seus reconhecidos fundamentos transmitidos pelo Caboclo 7 Espadas, um grande diferencial.

Agradecemos ao Astral Superior a honra de me permitir ser iniciado pelo maior mestre de Iniciação de de todos os tempos, após convivência iniciática de 18 anos. Fui por ele iniciado em 1978, como Mestre de Iniciação de 7º Grau, no grau de mago. Em 1987 transmitiu-me a Raiz da Escola. Hoje como detentor da Raiz de Pai Matta (Pai Guiné) desdobramos conceitos como ele mesmo predisse, afirmando ser algo inadiável.

Sem mais delongas entregaremos a todos para que possam refletir as palavras de Pai Matta, da qual tive a honra e mérito de ser seu discípulo e filho espiritual. Sua benção, Pai Matta! Axé!

PREFACIANDO

Sim, Caboclo pede licença aos poderes das divindades, ou seja, aos Orishas Superiores, para expressar para a coletividade umbandista as verdades, ou melhor, levantar um pouco do véu dos arcanos, para reafirmar ou mesmo revelar muitas coisas que fazem o mistério da vida deste mundo e do outro.

Esses ensinamentos que o leitor vai encontrar nesta obra transmitidos por intermédio dos canais mediúnicos de F. Rivas Neto, filho do meu “Santé”, ou seja, coroado em nosso Santuário de Itacuruçá. Ele é um Mestre de Iniciação de 7º Grau, no grau de mago, e com a outorga do Astral Superior de promover a Iniciação de seus médiuns.

Assim, desejamos que o leitor consciente de que esse “Caboclo” (Entidade Espiritual que usa a roupagem fluídica de índio), que pede agô (licença) para transmitir o que vai transmitir, traz ensinamentos da doutrina esotérica da Umbanda.

Quando qualificamos de Umbanda Esotérica, queremos que fique bem claro que ela não tem nada em comum com o “Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento”.

É só o leitor abrir um dicionário e verificar o que significam os termos esotérico e exotérico, que são coisas internas e externas, respectivamente.

Assim é que, como Umbanda em seus aspectos externos, entendemos os rituais que são produzidos pelos atabaques ou palmas, quer seja nos terreiros, praias, cachoeiras, etc., alimentados por crenças e crendices e superstições, sem querermos apontar diretamente para o animismo vicioso que pode se manifestar nesses setores ditos dos cultos afro-brasileiros.

Então, “Caboclo” vem através de seu médium autenticar os ensinamentos mais límpidos, que são eternais ou de todas as escoas esotéricas ou filosóficas de conceito de antiguidade.

Assim é que ele fala primeiro da Divindade Suprema sem que com isso queira defini-la, e rasga os véus de certos mistérios que eventualmente foram ditos muito por alto em obras de outros autores conceituados. Assim é que fala do Além, isto é, “do outro lado da vida”, das vivências grosseiras que existem e aguardam os Seres Espirituais imprevidentes que se mancharam de vícios, egoísmos, ódios, ambições, luxúria, e que são imediatamente atraídos para campos de teor vibratório de energias degradantes e morbosas após o desencarne. Eles são reconhecidos devido ao aura de seus corpos espirituais, ou seja, pela cor vibratória que modela suas características psicoastrais.

Esta obra é de certa forma um pouco contudente, porque revela conceitos que podemos chamar até de inéditos.

Em Umbanda – A Proto-síntese Cósmica o leitor vai verificar como essa entidade fala das 7 fases da Umbanda no Brasil, como tem um ensinamento muito preciso sobre os Exus, como aborda a questão do desencarne, etc. Caboclo 7 Espadas, que é como se identifica essa Entidade, fala com muita propriedade da ancestralidade da Umbanda, vindo até a comprovar a sua origem da Raça Vermelha, em pleno solo brasileiro. Faz o mesmo com a origem do termo Exu, coordenação precisa de termos que sofreram ligeiras alterações semânticas mas que no fundo são a mesma coisa.

Inumeráveis leitores de nossas obras vão encontrar semelhanças no que escrevemos e no que está nesta obra.

Evidentemente, a verdade não são duas, é uma só. Uns alcançam-na até certo ponto e outros ainda vão além, dentro de sua relatividade.

Finalizando este prefácio, queremos dizer aos nossos leitores que nos sentimos até certo ponto envaidecido com que Umbanda – A Proto-síntese Cósmica ensina.

Portanto, leia-o leitor, atentamente, porque vai ficar plenamente satisfeito.

MESTRE YAPACANY

Woodrow Wilson da Matta e Silva

Itacuruçá, 18 de dezembro de 1987.

Na 4ª capa do livro “Umbanda – A Proto-síntese Cósmica” há vários créditos, deles selecionei o de Roger Feraudy.

“Se tivéssemos que sintetizar nossa visão sobre Umbanda – A Proto-síntese Cósmica, diríamos que é uma obra definitiva, seus conceitos transcendem a visão dos adeptos, dos acadêmicos e mesmo da maioria dos sacerdotes, revelando uma doutrina cuja consistência sequer é imaginada”

Roger Feraudy – saudoso e antigo amigo era odontólogo, ensaísta, compositor da MPB, renomado escritor e poeta. Profundo conhecedor da Umbanda em seus aspectos teórico-práticos. Sacerdote que escreveu várias obras umbandistas de alta relevância para o movimento.

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Publicação 113

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Manifesto I - Sobre Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras

Aos irmãos planetários,

À Sociedade Civil como um todo,

Aos irmãos das Religiões Afro-brasileiras,

Por meio deste manifesto, nos propomos a dialogar sobre a teologia com ênfase nas religiões afro-brasileiras e sua função estruturante para promover a inclusão total pela educação. A teologia ora apresentada utiliza lógica e razão para compreender criticamente a religião. Em síntese, aplica o senso crítico à religião visando construir pontes que permitem aproximar os saberes e fazeres.

Neste sentido fundamos a FTU (Faculdade de Teologia Umbandista) que é autorizada e credenciada pelo MEC (Ministério da Educação) – portaria 3864 de 18 de dezembro de 2003 – para ministrar um curso acadêmico de nível bacharelado que forma teólogos. Ressaltamos que além da fundação desta instituição, outro evento inédito ocorreu em 2010 quando diplomamos os primeiros vinte e um teólogos com ênfase nas religiões afro-brasileiras do mundo, diploma este emitido pela FTU e chancelado pela USP.

A teologia cristã, seja católica, protestante ou outra importante confissão, possui um início histórico com as suas faculdades de teologia na Europa. A teologia com ênfase nas religiões afro-brasileiras encontra na FTU seu marco histórico, estruturante e estruturador do pensamento teológico. Indelevelmente estamos em condições isonômicas com as demais confissões religiosas no Brasil e no mundo.

O ganho das religiões afro-brasileiras com a fundação da FTU é incontestável. Ir contra ou negá-la é olvidar este processo de inclusão à educação, à cultura, ao social, ao político e ao econômico.

Não podemos ficar reféns de grupos que por desfaçatez ou outros motivos menos nobres insistem em propostas de cursos que de teologia só possui o nome. Ratificamos que teologia não é religião, afinal não são sinônimos. A teologia pensa a religião utilizando ferramentas próprias para compreendê-la. Como transmitir de forma séria esta formação de nível universitário distante dos parâmetros educacionais estipulados pelo MEC? Cursos que não atendem estas especificações criam barreiras intransponíveis entre o cidadão religioso afro-brasileiro e a educação.

Por estes justos motivos, estabelecemos este diálogo com a sociedade das religiões afro-brasileiras para se atentarem a tais fatos. Somos a favor de todas as Escolas das Religiões Afro-brasileiras e seus respectivos templos. Não somos nós que queremos formar sacerdotes em cursos e, pior, algumas modalidades de “sacerdócio” que dispensam a mediunidade, dispensam o transe – elemento fundamental à nossa tradição.

Lembramos que, pelas prerrogativas do MEC, a FTU poderia formar além de teólogos, sacerdotes. Porém respeitando a ética das religiões Afro-brasileiras e as linhas de transmissão da Raiz que cada genuína Escola possui, optamos desde o primeiro momento formar apenas teólogos.

O momento é de reflexão e diálogo. Precisamos pensar bem e saber o que na realidade queremos para a nossa comunidade. No instante que fundamos a faculdade, formamos os seus primeiros teólogos e outras iniciativas importantes, optamos pela convivência pacífica, pelo respeito incondicional às diferenças, sem confundir o mesmo com erro ou desvio de caráter.

Algumas pessoas interessadas em confundir os ideais da FTU, afirmaram que a faculdade queria tomar para si o que os templos fazem. Isto levou muitas pessoas a crerem que a faculdade era contra os templos. Pelo contrário, defendemos que os templos ligados às suas respectivas Escolas são os locais ideais para a formação de sacerdotes. Tanto é verdade que somos sacerdote há mais de quarenta anos formado no templo. Além disto, a FTU foi e é frequentemente local de congregação de várias Escolas na realização de ritos pela paz e união umbandista, tendo no último rito de Exu (2010) a presença de templos da maioria dos estados brasileiros e do Uruguai. A FTU não é templo religioso, é instituição de ensino superior que sustenta a importância fundamental dos templos e religiosos afro-brasileiros.

F. Rivas Neto – Pai Rivas (Arhapiagha)

Diretor Geral da FTU


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Publicação 112

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Hierarquia Divina na Umbanda na visão da Escola de Síntese

RESUMO

A presente publicação que versa sobre a Hierarquia Divina, a manifestação da Divindade nos vários planos do universo onde todos têm como fatores essenciais a Energia/Matéria. Ressalve-se que a Escola de Síntese denomina esse plano de ação de Universo Astral, onde há domínio da Energia/Matéria, decorrência do Poder Volitivo do Orixá aplicado à Substância Escura, portanto, anterior ao Big Bang ou ao t0(instante zero).

O ORIXÁ antecede o Big Bang, portanto é anterior ao Universo, logo, também, ao Planeta Terra, que faz parte de determinado Sistema Solar, que faz parte do Universo.

O plano que antecede o Universo como conhecemos, é o que denominamos Cosmo Espiritual ou Reino Virginal. Virginal, pois não há matéria ou energia (vazio) como conhecemos do planeta e no Universo Astral.

Depois deste sumário do Cosmo Espiritual (adimensional, atemporal) e de sua manifestação no Universo Astral ou Reino Natural (dimensional, temporal), penetremos mesmo que de forma parcial ou superficial, na Hierarquia Divina e sua manifestação no Cosmo Espiritual e nos vários locais do Universo Astral onde há domínio da Energia/Matéria.

Palavras-Chave: Hierarquia Divina, Escola de Síntese, Cosmologia, Cosmogênese, Umbanda

ABSTRACT

This publication focuses on the Divine Hierarchy, the manifestation of God in the various planes of the universe where everyone has, as essential factors, the Energy / Matter. The Synthesis school calls this action plan the Astral Universe, where there is the field of Energy / Matter, due to the volitional power of the Orixá applied to the dark substance, therefore, before the Big Bang or t0 (time zero).

The ORIXÁ before the Big Bang, so it is from a time before the universe, so, too, before the Planet Earth, which is part of a particular solar system, which is part of the Astral Universe.

The plan prior to the universe as we know, is what we call Spiritual Cosmo or Virginal Kingdom. Virginal, because there is no matter or energy (empty) as we know from the planet and universe Astral.

After this summary of Spiritual Cosmo (dimensionless, timeless) and its manifestation in the Astral Universe or Natural Kingdom (dimensional, temporal), let us penetrate, even as in a partial or superficial way, the Divine Hierarchy and its manifestation in the Spiritual Cosmos and the various spiritual sites in the Astral Universe where there is the domain of Energy / Matter.

Keywords: Divine Hierarchy, School Summary, Cosmology, Cosmogenesis, Umbanda

A HIERARQUIA DIVINA NA UMBANDA NA VISÃO DA ESCOLA DE SÍNTESE

Aproveitamos o ensejo da publicação anterior, em que apresentamos um modelo (tipo) de ritual de fundamento, segundo os princípios esposados pela Escola de Síntese, para de forma resumida, descrever a Hierarquia Divina.

Da publicação passada, reiteramos a importância da unidade irredutível ORIXÁ-EXU. É EXU que acompanha todos os Orixás, que executa a função do ORIXÁ; no caso das Religiões Afro-Brasileiras, é EXU que mobiliza seus poderes ou remédios sobrenaturais, cumprindo assim as suas funções.

No texto apontado é explicado todo o awô do rito de fundamento por nós apresentado, pois Ele (EXU) manifesta a vontade do Orixá, do Caboclo (Orixá do Brasil), de outros Ancestrais (Mestres, Caboclinhos, enfim as entidades tidas como Encantados) e também permite o transe e o pós-transe – “o estado de erê” – “estado infantilizado”, tal qual é o inconsciente, que gradativamente, após o transe, permite o indivíduo retomar a sua personalidade própria, com ganho de percepção, cognição, estado de harmonia e equilíbrio biopsicossociológico.

Deixaremos para próximos trabalhos os fundamentos da Entidade sobrenatural Exu (Yorubá) – Elegbara (Jeje) – Aluvaiá (Bantu), entendamos o texto da presente publicação que versa sobre a Hierarquia Divina, a manifestação da Divindade nos vários planos do universo onde todos têm como fatores essenciais a Energia/Matéria. Ressalve-se que a Escola de Síntese denomina esse plano de ação de Universo Astral, onde há domínio da Energia/Matéria, decorrência do Poder Volitivo do Orixá aplicado à Substância Escura, portanto, anterior ao Big Bang ou ao t0(instante zero).

O ORIXÁ antecede o Big Bang, portanto é anterior ao Universo, logo, também, ao Planeta Terra, que faz parte de determinado Sistema Solar, que faz parte do Universo.

O plano que antecede o Universo como conhecemos, é o que denominamos Cosmo Espiritual ou Reino Virginal. Virginal, pois não há matéria ou energia (vazio) como conhecemos do planeta e no Universo Astral.

Depois deste sumário do Cosmo Espiritual (adimensional, atemporal) e de sua manifestação no Universo Astral ou Reino Natural (dimensional, temporal), penetremos mesmo que de forma parcial ou superficial, na Hierarquia Divina e sua manifestação no Cosmo Espiritual e nos vários locais do Universo Astral onde há domínio da Energia/Matéria.

No livro “Umbanda – a Proto-Síntese Cósmica. 12ª ed. São Paulo: editora Pensamento. 2011, de nossa “autoria”, temos o seguinte texto:

“No capítulo em que tratávamos da Deidade ou Divindade Suprema, dissemos que no Cosmo Espiritual existia como realidade única, o Ser Espiritual em consciência, percepção, inteligência, etc. Nesse mesmo Cosmo Espiritual havia uma realidade acima de todos os Seres Espirituais, sendo essa a Realidade Absoluta, o Supremo Espírito, o Qual denominamos, sem defini-lo ou limitá-lo, como Deus. Assim, nesse Cosmo Espiritual, a Suprema Luz Espiritual estende suas Vibrações Espirituais aos primeiros 7 Puros Espíritos, na chamada Coroa Divina, ou seja, aquelas Potestades de Sublime Luz que estendem suas Vibrações a todos os Seres do Cosmo Espiritual. São os 7 Espíritos Virginais por nós denominados ORIXÁS VIRGINAIS”.

Sumarizemos e desdobremos o parágrafo acima citado:

Nesse Cosmo Espiritual o Supremo Espírito – Deus – O Incriado Absoluto – estende suas Supremas Vibrações Espirituais (se é assim que podemos nos expressar) aos 7 Puros Espíritos (Puros, pois estão isentos de qualquer agregação sobre si mesmo que conhecemos como Energia/Matéria.). A “Natureza Espiritual”, dos Seres Espirituais ou simplesmente Espíritos, nada tem em comum com a “natureza material” ou do Universo Astral.

Essas Potestades Primevas – os 7 Puros Espíritos são os primevos, no Reino Virginal, a receber sobre os mesmos o Poder Espiritual Divino – do Supremo Espírito que denominamos Tupan, Olodumare, Zamby, Deus. Eles, os 7 Espíritos Supremos por interveniência do Poder Divino deram formação à Coroa Divina. Nas várias Escolas das Religiões Afro-Brasileiras, assim como na Escola de Síntese, são denominados de ORIXÁ VIRGINAL. O ORIXÁ VIRGINAL deflagrou seus Poderes Espirituais no Cosmo Espiritual nos:

ORIXÁ CAUSAL – 7 Espíritos e Hierarquia que são os Senhores do Karma Causal. Esse por sua vez deflagra suas vibrações no ORIXÁ REFLETOR que são os 7 Espíritos e Hierarquia que são Senhores da Luz Espiritual – coordenadores do processo do início da manifestação da matéria, o que aconteceu, no Universo Astral, por intermédio do ORIXÁ ORIGINAL – os 7 Espíritos e Hierarquia que são reguladores do Karma Constituído e da criação do Universo Astral. Deflagraram na substância escura seus poderes volitivos promovendo a Cosmogênese (Luz – Som – Movimento), a origem do Universo. Eles estenderam seus poderes ao ORIXÁ SUPERVISOR – 7 Espíritos e Hierarquia que são Senhores que regulam a Lei Divina em todo o Sistema Galáctico. Deflagraram suas vibrações no ORIXÁ INTERMEDIÁRIO – 7 Espíritos e Hierarquia que são Senhores de todo o Sistema Solar (Verbo Solar). Também deflagraram suas Vibrações no ORIXÁ ANCESTRAL – 7 Espíritos e Hierarquia que são Senhores do Sistema Planetário.

Da resenha que fizemos conclui-se que: no Universo Astral o ORIXÁ ORIGINAL é o ORIXÁ CÓSMICO; o ORIXÁ SUPERVISOR é o ORIXÁ GALÁCTICO; o ORIXÁ INTERMEDIÁRIO é o ORIXÁ SOLAR; o ORIXÁ ANCESTRAL é o ORIXÁ PLANETÁRIO.

No texto que ora estamos desenvolvendo, daremos ênfase a atuação do ORIXÁ ANCESTRAL nas Religiões Afro-Brasileiras, principalmente de como Ele promove sua Hierarquia no planeta e na Tradição do Orixá. Na Umbanda o conceito trazido explica o surgimento e a função dos Orixás e suas Vibrações Espirituais manifestas nas 7 Linhas ou Vibrações Originais (pois foram deflagradas, no Universo Astral , pelo ORIXÁ ORIGINAL.

Antes de pormenorizarmos a atuação do ORIXÁ ANCESTRAL OU PLANETÁRIO e sua Hierarquia reforcemos o conceito de Universo Astral, e qual sua constituição nos três planos de manifestação.

Continuando é de vital importância entender-se que o Princípio Espiritual (imanifesto) ou Essência, ao manifestar-se (Existência) fê-lo no Universo Astral, onde, como vimos, havia domínio da Energia (Substância) em seus vários graus de densidade.

Interpenetrando fundamentos, afirmamos que o Ser Espiritual gerou, exsudou a Substância Escura, sendo a mesma protoforma para a Cosmogênese onde, repisamos, deu início ao domínio da Energia/Matéria.

Recapitulando, visando o melhor entendimento, afirmamos que o Princípio Espiritual Uno (Essência) ao se bipolarizar, separando-se objetivamente (Existência), gerou de moto próprio, devido à sua atribuição criadora, a Substância Escura que é indiferenciada, caótica, sem movimentos coordenados.

É a essa Substância Escura que a Coroa Divina, os 7 ORIXÁS SUPREMOS – Espíritos Virginais de Máximo Poder – por intermédio da Potenciação de suas Vontades, de seus Poderes Volitivos, propiciaram movimentos ordenados, diferenciando-a, imprimindo-lhe um ciclo e ritmo particular, por intermédio de sua Hierarquia deflagrada no ORIXÁ ORIGINAL.

Esse ciclo e ritmo deu formação à Energia Bipolarizada. A essa Energia Bipolarizada denominamos Energia Mental Abstrata e Energia Mental Concreta.

A Energia Primeva Bipolarizada deflagrou a constituição setenária no Universo Astral.

Assim, o Poder Volitivo dos 7 ORIXÁS ORIGINAIS, aplicado à Substância Escura, gerou o Universo Astral. A concretização desse Poder Volitivo pode ser expressa na Cosmogênese, no “Big Bang”, gerador de três fenômenos que perduram até nossos dias. A Luz, o Som e o Movimento são as expressões concretas do Poder Volitivo dos Orixás.

Antes de prosseguirmos no estudo que nos conduz aos Fundamentos do ORIXÁ e Hierarquia, observemos como, analogamente à constituição cósmica, desdobram-se a Matéria e a Energia, em nosso Planeta, pois os mesmos constituem a pedra angular do entendimento do destino planetário e individual.

A matéria constitutiva do planeta Terra é, igualmente, Setenária. A Energia Bipolarizada em Energia Mental Abstrata e Energia Mental Concreta dá origem, por rebaixamento de sua vibração essencial à Energia Astral.

A Energia Astral, por dissociação ou emissão, dá formação a quatro Energias, totalizando o Setenário. A Energia Astral é a base constitutiva da dimensão sutil, hiperfísica do planeta.

Na dimensão densa, a energia astral deflagra os quatro estados da manifestação.

O primeiro estado de manifestação é o Eólico (Ar), essencialmente expansivo.

O segundo estado de manifestação é o Ígneo (Fogo), essencialmente radiante.

O terceiro estado de manifestação é o Hídrico (Água), essencialmente fluente.

O quarto estado de manifestação é o Telúrico (Terra), essencialmente coesivo.

Concluindo, os elementos Ar, Fogo, Água e Terra compõem o Plano Físico denso do planeta, sendo que as Linhas de Forças (Energias Sutis) os sustentam por intermédio do Poder Atuante dos Executores dos ORIXÁS – os Exus, em suas várias funções (qualidades).

A seguir o quadro demonstrativo do que discutimos:

Obs: Clique no diagrama para ampliá-lo.

Após a representação esquemática de toda a Hierarquia Divina, desde o Cosmo Espiritual até um planeta do Universo Astral entremos sem mais delongas na Hierarquia da Umbanda.

Já vimos que os 7 ORIXÁS ou Vibrações Originais que conhecemos como as 7 Linhas são denominados ORIXÁS ANCESTRAIS. Esses donos Vibratórios de cada Linha ou Vibração Original também promovem suas Hierarquias no planeta Terra e, em nosso caso, na corrente Astral e Humana de Umbanda. Assim é que, dentro da Faixa Vibratória Espiritual do ORIXÁ ANCESTRAL, temos Três Planos que se subdividem em 7 Graus ou Vibrações descendentes. Desse modo, o ORIXÁ ANCESTRAL promove a Hierarquia de 1º Plano. Chamemos essas Entidades de ORIXÁS MENORES, pois são Senhores da Luz, Luz como Evolução, Sabedoria, Amor e Conhecimento, relativos ao nosso sistema planetário. Esses ORIXÁS MENORES, Entidades de 1º Plano dentro da Faixa Vibratória do ORIXÁ ANCESTRAL, subdividem-se em 3 graus. O ORIXÁ MENOR de 7º Grau é o chefe de legião. O ORIXÁ MENOR de 6º Grau é o chamado chefe de falange. O ORIXÁ MENOR de 5º Grau é o chamado chefe de subfalange. Essas entidades são, pois as Detentoras da Luz. No 2º Plano, que só tem um Grau, O 4º grau, chamamos as Entidades de GUIAS, os quais são os Refletores da Luz dos ORIXÁS. É o chamado chefe de grupamento. No 3º Plano, que como o 1º Plano subdivide-se em 3 Graus, 3º, 2º , 1º Graus, chamamos as Entidades atuantes de Protetores, que são os Executores da Luz, os chamados integrantes de grupamento. Assim temos:

Dentro de uma Faixa Vibratória, ou do ORIXÁ ANCESTRAL, temos assim posicionados os 3 Planos e os 7 Graus.

No término de mais uma publicação em que não pretendemos esgotar o assunto, demonstramos como a Escola de Síntese entende e defende o conceito de Planos de Evolução (Cosmo Espiritual e Universo Astral), e dentro deles os ORIXÁS, os quais consideramos nossos Pais Divinos. A Eles e aos nossos Ancestrais Ilustres que velam pelos destinos do Planeta e de todos nós Mojubá. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 111

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Contos, encantos e encontros num ritual de fundamento da Escola de Síntese

Na Umbanda, reiteramos, pela diversidade dos seus adeptos, há também uma diversidade de rituais e de formas de transmissão do Conhecimento. A essas várias formas de entendimento e vivência de umbanda denominamos de Escolas Umbandistas. Apesar de não haver consenso quanto à ritualística, que as são várias formas de manifestar e interpretar a Doutrina, a essência de todas é a mesma e são legitimamente denominadas Umbandistas.

Quanto à Escola de Síntese é o pensamento filosófico doutrinário e propugnado por nosso Templo-Terreiro. Não se trata de Escola como instituição de ensino, mas sim uma filosofia própria de Umbanda baseada em Epistemologia, Ética e Método.

Dentro da Umbanda a Escola de Síntese ocupa uma posição de vanguarda visto que apresenta um enfoque que abrange todas as Escolas de Umbanda. Não discrimina nenhum setor filosófico, religioso, científico ou artístico. Propaga de forma explicita, por todos os meios, que todas as Escolas Umbandistas têm o mesmo valor, sendo todas respeitadas.

Antes de descrevermos sucintamente um dos ritos de fundamento da Escola de Síntese, resumiremos os critérios que caracterizam e determinam uma “comunidade religiosa” como Escola Umbandista.

Os fundamentos, na íntegra, estão disponibilizados na publicação 109, de 16 de janeiro, onde iniciamos citando que das Três Escolas Umbandistas Primevas (Ameríndia ou Americana, Africana e Indo-Européia) por intermédio de releituras, reelaborações e, principalmente, pelo processo que denominamos Convergência (uma realidade nova e superior) propiciaram e propiciam o surgimento de novas Escolas.

Após as explicações devidas que remetem ao texto anterior, resumamos o conceito de Escola Umbandista, na práxis, no dia-a-dia dos Terreiros, Brasil afora.

As muitas Escolas Umbandistas (Umbanda Traçada, Mista, Esotérica, Oriental, Cristã, Jurema, Pajelança e outras) são assim caracterizadas: exemplifiquemos com a denominada Umbanda Branca.

A “Umbanda Branca”, legítima Escola Umbandista, na forma está vinculada, pelo menos na aparência, ao Espiritismo e Catolicismo (sincretismo). Na essência, na sua doutrina interna é Africana (Orixás) e Indígena (Pajelança) ao mesmo tempo.

Como afirmamos é Africana, pois cultua os Orixás (Divindades Africanas) e também Indígena, pois cultua o Caboclo-Ancestral brasileiro, dito também o Orixá do Brasil.

Quais os elementos fundamentais que caracterizam uma Escola? São três: (1) As Escolas não valorizam somente uma Escola. (2) Não desvalorizam nenhuma. (3) Contemplam todas as Escolas. Satisfeitos esses critérios próprios da Espiritualidade, que contemplam a total inclusão, temos aquilo que denominamos Escolas Umbandistas.

Depois desta breve revisão sobre o conceito de Escola Umbandista descrevamos um ritual de fundamento, que é realizado em nosso Templo-terreiro, em que há o transe em suas várias acepções.

ASPECTOS INICIAIS DO RITUAL

1ª Fase - O Ritual do Padê

Tem inicio no dia anterior ao ritual de fundamento. Nesse ritual, invoca-se a presença de Exu em seus vários aspectos, para que ele possa tornar propício o ato a ser realizado.

A oferenda composta de água, aguardente acondicionadas em quartinhas de barro, farinha de mandioca, dendê, acondicionados em alguidar e fumo.

A oferenda permite o aporte do axé para os transes que ocorrerão, da mesma forma, também como elo de comunicação propiciatório entre os dois mundos: o sobrenatural e o natural.

O RITUAL, PROPRIAMENTE DITO

2ª Fase - Invocação ao Ancestral brasileiro

O “Castiço” (catiço) – o Caboclo – é tido em muitas Religiões Afro-Brasileiras como o Orixá do Brasil.

Com a invocação e chegada dos Caboclos em “terra”, que são entidades espirituais de muito poder espiritual e curativo, tem início o ritual, onde dispensam suas bênçãos a todos os presentes ou ausentes mas que estão sob os influxos de sua poderosa corrente.

Assim, abrem-se as portas, as “matas”, os poderes espirituais, as ordens a outras Entidades Espirituais que virão cumprir seu ciclo que mantém ou devolve a harmonia e o equilíbrio.

3ª Fase – Invocação de Exu

Após o “retorno” do Caboclo aos “espaços sagrados” (“Aruanda”) deixando suas “ordens de direitos”, seu comando Espiritual às demais entidades que virão cumprir o ciclo iniciado, prepara-se a invocação de Exu – Senhor das Encruzilhadas, dos Caminhos, Porteiro Sagrado entre várias dimensões. Nada terá sentido ou existência se não tiver Exu. Ele é, representa e conduz o Axé, princípio e poder de realizar e fazer crescer, desenvolver todas as coisas, sendo pois, justo, principalmente na Umbanda Traçada, Omolokô e outras mais, ser o primeiro a ser invocado, antes do próprio Orixá, o mesmo acontecendo com as oferendas. Exu é o primeiro a “comer”, pelos motivos aludidos.

No Templo chega em terra Exu. Mo Ju Ba...Laroyê...Exu!

Faz suas consultas, “resolve” algumas pendências, e tenta neutralizar os quatro principais problemas que assolam as humanas criaturas, que as fazem vir ao terreiro.

Procura administrar remédios mágicos, com suas palavras magísticas e trabalhos teúrgicos que neutralizam:

“Doenças Físicas” – males físicos (doenças de vários matizes)

“Doenças Afetivas” – males emocionais e afetivo-sexuais

“Doenças Sociais” – problemas que impedem a pessoa de exercer função remunerada ; bloqueios financeiros, vida ou caminhos fechados nos aspectos econômico-financeiros. Perdas monetárias e outras mazelas afins. Negócios enrolados, e outros embaraços...

“Doenças Espirituais” Mediunidade desajustada, “encostos”, “quebrantos”, “mal olhados”, perseguição de Eguns, de Arajés, Magia Negra – atuação no campo espiritual bloqueando a espiritualidade e o desempenho na vida social e emotiva-sexual; problemas mentais vários; problemas acompanhados de depressão , ansiedades, manias, distimias e principalmente, o medo, entre outros tantos.

4ª fase – Invocação dos Pais Divinos - Orixá, Inquice ou Vodun

Com Exu no reino, atendendo e encaminhando as pessoas, Ele mesmo, como o primeiro a vir, pode invocar os Orixás (segundo a ordem do Xirê) que trarão suas bênçãos e sua proteção. Após suas bênçãos e transmissão de axé desincorporam de seus “cavalos de santo” na camarinha, completando seus ciclos de vibrações que veiculam axé, iwa e abá.

5ª Fase – Invocação aos Ancestrais

Ainda com o Ancestral Exu no reino, invocam-se os Ancestrais que conhecemos como Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos e outros menos cultuados, para darem seguimento ao ciclo de ritos que objetivam a harmonia, o equilíbrio e a estabilidade de todos. Com seus métodos peculiares, promovem verdadeiras catarses nos consulentes e naqueles que se encontrem diante deles.

6ª Fase – Invocação dos Encantados

Os encantados de todas as nações – principalmente os Mestres Juremeiros - vem estender seus “saberes”, sua “sabedoria” completando mais uma fase do ciclo, a penúltima.

São oriundos como dissemos do Terecô ou Tambor da Mata, do Tambor de Mina, da Jurema, do Babassuê, enfim dos vários reinos de encantos e encantados.

Seus encantos são poderosos em neutralizar magias negativas várias, principalmente da “fumaça às esquerdas”. Também com as “fumaçadas” (receitas de fumo misturado com ervas para finalidades várias), de suas marcas (cachimbo) que curam tristezas, “dor de amor”, “dores na alma” e tantas outras dores que a “medicina titular” nem conhece, nem desconfia, por isso não pode curar.

O rito vai completando seu ciclo, seus ritmos ditam novos destinos, esperanças renovadas, angústias neutralizadas, dores curadas, e principalmente, feitiçarias, bozós e berundangas quebradas, cortadas e derrubadas.

Assim na alegria e na paz, onde todos já experimentaram um gole de vinho da Jurema, os consulentes podem retornar às suas casas. Pede que não se demorem a dormir, pois os trabalhos, as conversas e os ajustes continuarão do outro lado, lá no pé da Jurema – árvore de ciência, de sabedoria.

Os mestres, reis, príncipes e princesas desacostando, indo para seus “reinos sagrados”, o Exu que está no reino faz os últimos acertos com a curimba, queima sua fundanga, bebe um pequeno gole de seu curiador e, finalmente, com a fumaça proveniente de seu charuto, devolve a todos axé renovado, redobrado e melhorado.

O Exu se despede, e em algum poleiro do mundo o galo esta cantando, anunciando que mais um ciclo esta terminando. Exu Ye... Laroyê... Exu já afundou... Mo Ju Ba Exu Odara, Lonan, Elegbara e Okoto e todos os demais – Axé!

7ª Fase – Os erês

Alguns dos “Cavalos de santo”, após “terminado” o “transe”, retornam às suas personalidades muito lentamente. Eles ficam em estado de erê, “erezados”. Seus comportamentos se parecem com o de uma “criança”, como um candengo, mas em verdade é o retorno do transe, que transita do inconsciente para o consciente. É comum neste período os cambonos ou médiuns iniciantes receberem algumas orientações ou mesmo uma aproximação por intermédio de um abraço, que retoma, refaz a ligação do sagrado com o secular; tudo vai se restabelecendo, vai retornando ao normal.

Importante que se frise, que esse natural é um estado muito superior de felicidade, de alegria e vontade de viver, de viver bem, de bom ânimo que só será sobrepujado pela próxima gira, pelo próximo ritual. Axé!

Encerrando, claro está que resumimos em muito, mas queremos reiterar que o rito para ser realizado precisou contar com o aval do Caboclo ou Preto Velho e sua falange, que estendeu seu agô ao Exu que movimentou , deu caminho e direcionamento a todos os pedidos, como também às ordens recebidas.

Nessa jornada de reconhecimento ao mundo das religiões afro-brasileiras, ao universo das Potestades e Ancestrais Ilustres, nos encontramos com Eles e Deles recebemos bênçãos, bons auspícios espirituais e materiais, e mais, estamos renovados e felizes para continuarmos a seguir nosso caminho. Vamos seguir os caminhos? Os caminhos estão abertos para todos nós! Axé!

P.S. Foi numa noite dessas que esse rito de fundamento ocorreu. Com ele se encerrou um ciclo. É hora de recomeçar. Há muito tempo, já recomeçamos. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 110