quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Religiões afro-brasileiras – Somos seres transitórios em contínua mudança...



Espiritualidade vivenciada nas Religiões Afro-brasileiras/Americanas têm como escopo demonstrar que do nascimento à morte (a última etapa/momento da vida) há nuances que se bem experienciadas, vivenciadas permitem ao indivíduo humanizar-se, adquirir sua cidadania planetária. Nascimento – vivências – morte – renascimento, eis o ciclo que nos qualifica como transitórios; a cada minuto somos diferentes do que éramos no instante anterior.
Transitórios, pois mudamos da infância até a senectude, embora sejamos os mesmos em essência (espírito). Na realidade o que muda é a forma, tal qual a matéria que estruturou o universo. Somos seres mutantes! Que bom!
Como seres mutantes (mudança, movimento) não podemos nos demorar no ontem, a vida pede passagem, discernimento e adaptações, e é isto que, sem alardes, preconizam as Religiões Afro-brasileiras/Americanas.
Temos a cada momento de nossas vidas a possibilidade de reajustar, ressignificar pensamentos, sentimentos (palavras), atitudes. Sim, como seres mutantes podemos recriar, remodelar nosso destino, devendo a nós mesmos o sucesso ou fracasso de nossas vidas.
Nas Religiões Afro-brasileiras/Americanas aprendemos por intermédio de itanifás, mitos, diálogo com os ancestrais ilustres (Caboclos, Pretos-velhos, Encantados, Exus e outros) que a mente fechada nos traz ignorância; a palavra mal direcionada pode nos levar à ira ou aversão, o mesmo acontecendo com as atitudes que podem ser produtos de nossos apegos.
Todavia, por intermédio de nossos Orixás ou Ancestrais Ilustres podemos cambiar ignorância por sabedoria; ira ou aversão por atração positiva ou amor e os apegos por ações positivas em nosso benefício e de toda a comunidade a que estamos inseridos.
Os pensamentos associamos à cabeça (Ori). Os sentimentos ao coração. As atitudes ou ações e reações comportamentais associamos ao abdome e membros inferiores.
Aqueles acostumados com as Tradições Afro-ameríndias não terão a menor dificuldade de perceber, e os que não estão também, de que falamos de fundamentos de suma importância. Sim, citamos cabeça – que associamos a Ori (Consciência/Destino); Coração (Okan) associado ao Emi (alma) e por último, os membros inferiores (pernas – pés) relacionados ao movimento dado pelo próprio destino, ou melhor, os caminhos que viemos a tomar – onan burukú (maus caminhos) ou onan rere (bons caminhos). Isto é, os aspectos negativos ou positivos do caminho que escolhemos, mas que uma consulta a Orunmilá-Ifá ou aos Ancestrais Ilustres, poderemos retificar, resignificar nosso destino – o bom destino.
No término desse texto esperamos que todos tenham percebido o quanto as Religiões Afro-brasileiras/Americanas, por intermédio dos Orixás e Ancestrais Ilustres, nos demonstram os Onan rere a seguir, retificando o destino, afirmando que todos podem fazer um bom destino, e só querer.
Também afirmam que o amanhã é muito importante, mas mais do que ele é o hoje, o aqui e agora. Sim, façamos o hoje o melhor possível e teremos um amanhã melhor ainda. É só conferir! Tal qual dissemos no início... Tudo transita. Transitemos, pois, do bom para o melhor! É isso que sinceramente desejamos a todos nós – à Comunidade Planetária. Axé!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 211

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