quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Blog entrevista Pai Fernando de Oxaguiãn (Portugal)


Qual o nome do senhor e a dijina de santo (caso possua)?
nome: Fernando José dos Santos Soares; Dijina: Fernando de Oxaguiãn

O senhor é sacerdote há quantos anos?
Sou sacerdote há 11 anos.
O ilê do senhor fica em qual endereço?
O meu templo designa-se por "Terreiro de Umbanda Pai Oxalá e Mãe Iemanjá" e a morada é Assafora, São João das Lampas.
Quais são as atividades desenvolvidas no templo?
Desenvolvemos as seguintes actividades: Consultas com Entidades (Pretos Velhos e Caboclos), Descarregos, Energizações/Passes, cerimonias de Casamentos , Batizados, desenvolvimento mediúnico e iniciação à Umbanda.
Como estão configuradas as religiões Afro-brasileiras em Portugal? E na União Européia como um todo?
As religiões Afro-Brasileiras são vistais mais como seitas religiosas, gozando no entanto do preceito constitucional da liberdade religiosa; oficialmente somos constituídos em associações de direito privado sem fins lucrativos e actividade religiosa. A nível europeu, creio não se distanciar muito desta mesma realidade; socialmente somos ainda vistos com alguma estranheza, sendo que poucos são os Umbandistas entre as muitas seitas que vão proliferando. Existe contudo, mais abertura e exposição através da Internet o que tem levado a um maior conhecimento.
As religiões afro-brasileiras sofrem processos de intolerância religiosa? Se sim, oriunda de que setores?
Não podemos falar em intolerância em termos de actos praticados contra pessoas ou terreiros, mas sim de algum escárnio por parte de alguns grupos religiosos,  nomeadamente dos Evangélicos. De uma forma geral, existe um ambiente pacífico no país no que toca à tolerância religiosa.
O senhor faz alguma atividade social? Se sim, qual?
Desde o início de actividade do terreiro, que temos tido a preocupação de ajudar materialmente instituições dedicadas à assistência social, com recolhas de donativos junto daqueles que ocorrem ao terreiro. 
Como está sendo a parceria com a FTU para disponibilizar cursos de extensão universitária?
Considero muito positiva a parceria com a FTU, embora os cursos não tenham tido um numero expressivo de frequentadores, pois se por um lado a comunidade estudantil se projecta e baseia nas faculdades de antropologia existentes no país, sendo que estas têm debatido e debruçado-se frequentemente sobre as religiões afro-brasileiras, oferecendo meios logísticos e uma centralidade para além de capacidade de divulgação que acaba por agregar muito do possível interesse por esta área de estudos; por outro lado entre a comunidade de uma forma geral, não existe ainda uma apetência tão expressiva como no Brasil, dado que é uma religião relativamente recente e ainda em fase de implantação.
Como o senhor tem encarado o conceito de Escolas propugnado pelas linhas de pesquisa da FTU?
Creio que o conceito de "Escolas" é inovador e inclusivo pois permite observar as diferenças entre as distintas formas de praticar Umbanda de um ponto de vista mais abrangente, não pondo de parte a validade desta ou daquela forma , mas sim, mostrando que são formas inteligentes e perfeitamente válidas de se chegar ao mesmo objectivo.

O senhor autoriza a disponibilização desta entrevista para a FTU nos seus meios digitais e impressos?
Autorizo a disponibilização desta entrevista para a FTU nos seus meios digitais e impressos.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 188

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