quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Blog entrevista Mãe Luiza (Sabará - MG)


Qual o nome do senhora e a dijina de santo? A Senhora utiliza algum?
Aqueles que me conhecem, geralmente me tratam como Mãe Luiza e não tenho uma Dijina.  Os frequentadores que me tratam assim. E devido a isso é Dona Luiza mesmo ou Mãe Luiza.

A senhora é sacerdotisa há quantos anos?
Ah, tem muitos anos que eu trabalho, a mais ou menos uns 30 anos. E comecei no Kardecismo, e de lá, me disseram que minha missão era de “benzeção”, e passei para a Umbanda, veio a obrigação do santo, de zelar. E abri minha casa depois disso uns 8 a 10 anos, num quartinho, e foi melhorando aos poucos. E tudo começou num quartinho, no bairro Sagrada Família, na Rua Cabrobó º 56 em Belo Horizonte. Depois que fizemos um templo com maior espaço.

O ilê do senhor fica em qual endereço?
A Tenda Espírita Mãe Maria e Pai José de Angola fica em Sabará-MG, bem pertinho de Belo Horizonte.

Quais são as atividades desenvolvidas no templo?
Além das reuniões às quartas-feiras, faço caridade com o que ganho. O que recebo faço doações, levo a creches, grupo escolar e jardim de infância. Faço festa na creche como este ano já fiz. Doamos cestas básicas que recebemos da Prefeitura e de outras pessoas.
Temos Congado, não é uma religião, mas é uma coisa que eu faço. Levantei a bandeira no último domingo de junho de São João Batista e São Pedro. E em julho, a de Santana, que representa Nanã no Candomblé. Levanto as bandeiras e toco Congado é porque foi promessa, que eu fiz a mais de 10 anos. Ainda levanto a São Lázaro, e Cosme-Damião. As pessoas que ajudam são da família e amigos. E a prefeitura me ajuda muito, quando vem congado de fora, porque vem muita gente.

Como estão configuradas as religiões Afro-brasileiras em sua cidade? E em Minas Gerais como um todo?
Dentro de Minas se cultiva mais a Umbanda e o Candomblé está aumentando, e ele faz parte desta visão sagrada, mas eu faço parte da Umbanda, mas também tenho raízes no Kardecismo, no Candomblé e até fiz obrigações por lá. Considero muito estas religiões, mas eu trabalho com a Umbanda, pois as pessoas que frequentam a minha casa ajudo com o Preto Velho, Caboclo, Exu, Erês, Baianos e Boiadeiros, tudo dentro da Umbanda.

As religiões afro-brasileiras sofrem processos de intolerância religiosa? Se sim,oriunda de que setores?
Com o respeito à Umbanda, o pessoal do Candomblé não respeita muito a Umbanda por aqui... Eu acho que somos desrespeitados. Aqui no bairro meus vizinhos frequentam minha casa, nunca aconteceu qualquer coisa. Aconteceu um caso com os evangélicos, mas tudo foi conversado e existe muito respeito entre as duas partes.

A senhora faz alguma atividade social? Se sim, qual?
A Prefeitura de Sabará pede que demos cursos ...não pede, exige. O que conta para eles é uma ajuda material, como doações, cursos etc. E como não tenho espaço, não há como realizar atividades para a população, estou olhando como irei resolver isso. E tudo que eu recebo, reverto em doações para as pessoas e entidades do bairro que necessitam.

Como a senhora tem encarado o conceito de Escolas propugnado pelas linhas de pesquisada FTU?
Acho uma ótima idéia, está reunindo as pessoas, é como cultivar uma religião de um ou de outro, e todos se unindo. Este é também o meu viver e é aquilo que também aprendi.

A senhora autoriza a disponibilização desta entrevista para a FTU nos seus meios digitais e impressos?
Pode sim, vocês tem minha autorização para colocar esta entrevista para público.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá
Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico
Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”
Publicação 191

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