quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Blog entrevista Mãe Maria do 7 (São Luís - Maranhão)

Perguntas:

Qual o nome da senhora e como é conhecida no santo?

A senhora é sacerdotisa há quantos anos?

A casa da senhora fica em qual endereço?

Quais são as atividades desenvolvidas no templo?

Como estão configuradas as religiões Afro-brasileiras em sua cidade? E no Nordeste como um todo?

As religiões afro-brasileiras sofrem processos de intolerância religiosa? Se sim, oriunda de que setores?

A senhora faz alguma atividade social? Se sim, qual?

Como está sendo a parceria com a FTU ?

A senhora autoriza a disponibilização desta entrevista para a FTU nos seus meios digitais e impressos?

Respostas:

Nome: Maria da Conceição Muniz.

Sou conhecida como Maria do 7 ou Maria do Caboclo 7 Flexas.

Sou sacerdotisa a 38 anos, sendo que passei pelos seguintes cargos na Tenda Espirita de Umbanda Rainha de Yemajá em Codó Maranhão, Assistente, presidente, contra-guia e atualmente sou a Guia daquela casa, ou seja sou a segunda pessoa na hierarquia da casa depois do sacerdote da mesma o Mestre Bita do Barão.

Mais hoje também sou sacerdotisa da minha própria casa. Kamafêu de Oxóssi que funciona a 17 anos aqui em São Luís, mais com as mesmas raízes da minha casa matriz, onde cultuamos o Terecô, um pouco do Tambor de Mina e Umbanda respectivamente.

Estamos instalados na Praia do Araçagy, São Luís-Ma.

Além das sessões de caridade realizadas 1 vez a cada mês, temos dois toques festivos na casa, em Janeiro, tocamos no segundo final de semana do mesmo para os patronos da casa, Oxossi e Yemanjá. e no ultimo sábado do mês de Julho, tocamos para Obaluayê.

Temos ações na área de saúde com parceria com a rede de saúde nos terreiros e com as secretarias de saúde do município e do estado, com ênfase para os esclarecimentos e prevenção do HIV/DST-Aids para a comunidade do terreiro e adjacências.

Desenvolvemos oficinas de Tambor de Crioula e outras relativos a confecção de rosários e guias ritualísticas com a comunidade infantil do terreiro.

Bom, aqui em São Luís as religiões de matriz africana são bem diversificadas. A nossa casa é a única aqui na capital maranhense que vem das raízes do terecô, mas basicamente as maiorias das casas daqui são mesmo do Tambor de Mina, apesar de um numero considerável delas já realizarem fusão de Tambor de mina e Umbanda. É uma tendência muito forte aqui. São poucas as casas que só cultuam as entidades da Umbanda e já existem aqui em São Luís importantes casas de Candomblé.

A exemplo de São Luís, o Nordeste também adota essa postura da mistura do Cultos e no Pernambuco e na Bahia predomina o Candomblé. Mas como o nordeste é muito grande, temos noticias que se cultua praticamente todas as religiões de matriz africana.

A intolerância religiosa quanto as religiões Afro-brasileira aqui no maranhão é extremamente preocupante, pois cada vez está mais exacerbada, pelas igrejas eletrônicas evangélicas que se vale da estratégia desse meio de comunicação de massa para denegrir e aniquilar com todos e quaisquer praticante de religião afro-brasileira. Em Codó chegam ao fanatismo de partirem para agressão física quando as agressões psicológicas já não funcionam mais, a ponto de ficarem jogando sal grosso em qualquer manifestação publica das religiões de matriz africana.

Mais de contra partida a relação dos terreiros com a religião católica aqui no Maranhão se dá de maneira totalmente pacifica. A exemplo da maioria das festas do Divino Espirito Santo, aqui no maranhão está ligada às festas de obrigação dos terreiros de Mina. sendo obrigatoriamente a ser realizada uma missa no ponto alto da festa, as caixeiras do Divino, tocam suas caixas e entoam seus cânticos dentro das igrejas e alguns casos tem algumas filhas de santo incorporadas com seus Voduns nesses referidos rituais, sendo tudo isso feito na mais intensa harmonia.

As atividades sociais promovidas pelo terreiro já foram citadas acima, mas vale salientar que agora no mês de setembro sempre escolhemos uma comunidade bem carente para realizarmos uma ação para as crianças, sendo assim nossa obrigação para São Cosme e São Damião.

A parceria com a FTU está sendo importante, pois a informação é tudo, principalmente para um segmento tão carente de informações feito o nosso da comunidade de terreiro.

Sim, autorizo que a FTU, publique essa entrevista em seus meios de comunicação.

Axé a todos!

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 180

Nenhum comentário:

Postar um comentário