segunda-feira, 18 de julho de 2011

FTU na SOTER: Mais uma vitória das Religiões Afro-brasileiras e homenagem ao amigo José Flávio


Nesta última semana, entre 11 e 14 de julho, ocorreu o 24º Congresso Internacional da SOTER (Sociedade de Teologia e Ciências da Religião) que discutiu o tema “Religião e Educação para a Cidadania” na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), em Belo Horizonte. Lembramos que este evento é tradicional da área, com reconhecimento nacional e internacional.

A SOTER é uma instituição de origem católica e está presente também na INSeCT (“Rede Internacional de Sociedades Católicas de Teologia”, com sede jurídica na Alemanha). Nos últimos anos muitos teólogos protestantes e de outras denominações cristãs têm participado das discussões da instituição. Em 2011, pela primeira vez, a Teologia com ênfase em Religiões Afro-brasileiras entrou no diálogo acadêmico marcando grande presença com a FTU.

Ao todo, foram três trabalhos apresentados por sete professores da FTU somados ao nosso trabalho em conjunto com o prof. José Flávio Pessoa de Barros. Certamente esta comunicação foi sua última contribuição em vida para o meio acadêmico. Uma parceria muito profícua conosco que ensejou além do artigo, curso de extensão universitária, participação em nosso último Congresso da FTU, entre outras iniciativas.

Gostaríamos de prestar mais uma homenagem, divulgando em primeira mão o resumo do nosso artigo que foi publicado pela SOTER e será exposto na íntegra por meio do próximo número da Revista Teologia da Convergência. Axé!

Religiões Afro-brasileiras, religiões de transe: dirimindo questões sociais

Autores: F. Rivas Neto e José Flávio Pessoa de Barros

GT 5: Teologia no Espaço Público e no Mundo Contemporâneo

O transe nas religiões foi analisado historicamente sob vários ângulos e ficou marcado por preconceitos. No início do século XX não foram poucos os cientistas sociais e até mesmo médicos que classificaram o transe como distúrbio mental. Atualmente o panorama mudou sensivelmente e o tema é considerado como uma manifestação legítima dentro de expressões religiosas específicas, caso das Religiões Afro-brasileiras, porém no imaginário brasileiro este estigma de certa forma permanece.

A comunicação discutirá o transe, encarado pelas Religiões Afro-brasileiras como estado superior de consciência, e seus mecanismos que dirimem questões sociais tomando como ponto de partida a análise crítica da Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras expressa pela primeira faculdade do gênero: FTU.

Palavras-chave: Religiões Afro-brasileiras; Transe; Consciência; Teologia; Imaginário Brasileiro.

Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 165

9 comentários:

  1. Axé Babá mi, sua benção!
    Gostaria de parabenizar a todos os professores e irmãos que estiveram participando neste evento em Minas Gerais.Fico feliz em ter irmãos que representam tão bem a FTU. Ao meu Mestre e irmãos, é com muita admiração e respeito pelo trabalho e pela luta da causa que eu mais uma vez parabenizo-os.

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  2. Aranauan, Saravá, Axé!
    Esta publicação apresenta conquistas muito importantes para as Religiões Afro-brasileiras.
    Pela primeira vez a Teologia com ênfase nas Religiões Afro-brasileiras foi discutida em alto nível ao lado das demais Teologias dentro de uma Instituição que é referência para a comunidade teológica: SOTER – Sociedade de Teologia e Ciências da Religião.
    Pai Rivas inaugurou este processo discutindo o transe em termos profundos e respeitosos com a nossa crença fazendo valer sua experiência sacerdotal e acadêmica. Construiu um artigo em conjunto com o prof. e também sacerdote José Flávio Pessoa de Barros (in memoriam).
    Outros sete professores da FTU participaram do evento com apresentação de trabalhos inéditos. Também é de grande valia destacar a discussão promovida por teólogos de outros setores. Comentamos o artigo do prof. Volney mencionando a FTU e o Centro de Cultura Viva, mas também ouvimos em uma das mesas centrais um coordenador de curso em teologia batista destacando o papel da FTU na construção das novas Diretrizes Curriculares Nacionais da Teologia que está tramitando no MEC.
    Isto mesmo, meus irmãos. As Religiões Afro-brasileiras foram tratadas com dignidade por outros setores religiosos dentro do ambiente acadêmico porque encontraram na FTU um trabalho sério e honesto. Pai Rivas não levou a FTU para lá, no intuito de legislar em favor da casa A, B ou C. Fomos lá para defender o respeito pelas diferenças, o conceito de Escolas das Religiões Afro-brasileiras sem exclusão. Pela inclusão total!
    Estas iniciativas são estruturantes e estruturais. Estamos em um setor importante da sociedade que é a Educação, promovendo diálogos que vão de forma gradativa revertendo olhares preconceituosos sobre as Religiões Afro-brasileiras.
    Por tudo isto, como participante deste processo e testemunha ocular da revolução pacífica que ocorrera neste espaço tão importante da teologia, agradeço ao Pai Rivas pelo pioneirismo. É necessária muita coragem e presença do Astral Superior para agir de forma tão aberta que desconstrói o status quo. Os resultados neste início do século XXI, conquistas reais de um Mestre com mãos cheias, mostra que todo o esforço não foi em vão. Todos nós, sem distinção, ganhamos!

    Axé Babá Mi
    Yabauara

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  3. Suas bençãos Mestre!
    Isto tudo só é possível porque temos no Sr. a constante renovação e transformação, pois a FTU em menos de 10 anos de existência já transforma os saberes acadêmicos, demonstrando que temos conteúdo muito conteúdo e sabemos exatamente o que queremos...Parabéns aos irmãos e professores pioneiros participantes do evento. Como aluna da FTU tenho a maravilhosa oportunidade de conviver e apreender com vocês.
    Axé Babá Mi

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  4. Benção Mestre, axé a todos,

    Certamente um grande marco no encontro entre as tradições afro-brasileiras e a academia.
    Dois sacerdotes levam a vivência do transe para religiosos e telógos de outros setores, bem como cientistas da religião, a partir de uma linguagem comum, que é a teologia!
    Contribuem para que que as tradições afro-brasileiras sejam respeitas e legitimadas. Em última instância, aproximam mentes e corações que por muitas centenas de anos estiveram erroneamente separadas !!!


    Um abraço
    Fernanda R

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  5. Aratish - Antônio Luz19 de julho de 2011 11:15

    A participação das Tradições Afro-brasileiras, representadas aqui pela FTU, no contexto da SOTER inaugura um novo e renovado ciclo de reflexões direcionadas ao diálogo e a mútua cooperação, destinatárias de ações que repensem a transformação da realidade social. A inserção de um novo pensar sobre a realidade planetária humana, para além dos discursos apologéticos e de proselitismos de cunho hegemônico, descortina este novo momento em que as Tradições Afro-brasileiras muito têm a contribuir para a construção desta nova realidade, tão necessária quanto urgente.

    Axé Babá Mi

    Aratish

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  6. Aranauam, Axé, Saravá a todos!

    Estas vitórias são frutos de anos de dedicação, trabalho incansável e destemido em prol das Religiões Afro-Brasileiras e de toda a Sociedade. E não poderia ser diferente.
    Mas eu gostaria de lembrar um fato que marcou a passagem do Prof. Dr. José Flavio P. de Barros pela FTU.
    Por ocasião do 3°Congresso Brasileiro de Umbanda do Sec XXI, tivemos a oportunidade de conversar com o Prof Dr e Sacerdote José Flavio P. de Barros. Pessoa ímpar...Simples e disponível a todos. Quando de sua visita ao Centro de Cultura Viva das Tradições Afro-Brasileiras, pudemos acompanhá-lo e continuar nossa prosa. Ao final da mesma, junto ao portão, falou para vários Discípulos de Mestre Arhapiagha que ali estavam, que "devíamos nos orgulhar do Pai que tínhamos, de seu trabalho e de suas realizações na FTU e no Centro de Cultura". Despedimo-nos, sentindo que sua ligação com a FTU e com o Centro de Cultura se acentuavam cada vez mais. Parecia-nos que sempre estivera entre nós, tal a sintonia que mostrava com nossa Casa Espiritual. Pena ter voltado ao Orun tão cedo...
    Nossa homenagem ao Prof. José Flavio.

    Mestre Arhapiagha, peço sua Bênção...
    Axé, Baba Mi!

    Tashirenanda

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  7. Axé Baba Mi,

    sinto-me honrada em poder fazer parte desse trabalho árduo mas vitorioso, que é levar dignidade e respeito a todos os adeptos das religiões afro-brasileiras.

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  8. Aranauam a todos!
    Muito feliz fiquei ao ler sobre a integração que a FTU tem proporcionado a todos nós...importantíssimo este diálogo inter-religioso...
    Minha admiração a todos os irmãos que representaram a FTU em MG.
    Sua bênção ,meu Pai!!
    Yarashava.

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  9. Bênçãos Mestre,
    mais uma vez as Religiões Afro-Brasileiras se fizeram presentes por intermédio da FTU, que através do diálogo vem demonstrando a igualdade entre todos, respeitando a diferença que há em cada um e em cada setor. Esta diferença como ferramenta importante na construção de novas realidades e de novos pensares. Sinto-me honrado de pertencer às Religiões Afro-Brasileiras e de ser Teólogo Umbandista.
    Axé Baba Mi!
    Aratyara

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