quinta-feira, 7 de julho de 2011

Blog entrevista Pai Marco Ribeiro (Macapá-AP)

Qual o nome do senhor e a dijina de santo?

Meu nome é Marco José Ribeiro dos Santos, meu orukó na tradição de Ketu é Odé Olufonnin. Recebi o deká em 1993. O templo Ilê axé Ibi Olufonnin fica no bairro Congós, Macapá estado do Amapá.

Quais são as atividades desenvolvidas no templo?

Atividades como Iniciações, atualizações de obrigações, ordenações sacerdotais, sacramentos: Igbé Iyawô (casamento) Icomojadê (batizados, consultas espirituais, consultorias acadêmicas.

Como estão configuradas as religiões Afro-brasileiras no Amapá? E na Região Norte como um todo?

A religião autóctone aqui de Macapá é a Pajelança, que hoje sofreu influência do catolicismo. Vemos na única casa de pajelança aqui na capital a presença de um altar católico, os próprios guias incorporados louvam a Jesus crisro e N. S. da Conceição, mas ainda preservam o espaço para a cura de consulentes, a utilização dos tauarís, das penas e maracás, e a utilização de pouca luminosidade nos rituais. Porém, a Umbanda aqui é muito forte com influência do tambor de Mina do Maranhão e da mina Parauara, o tambor de babaçuera no Pará.

As religiões afro-brasileiras sofrem processos de intolerância religiosa? Se sim, oriunda de que setores?

Quanto à intolerância eu mesmo fui acusado de sacrificar animais com maus tratos e também de perturbação do sossego público pelo uso dos tambores, por isso fui julgado no júri comum, mas fui absolvido. Temos enfrentado outros fatos, mas agora estamos fortalecidos com a assessoria jurídica das federações e da LIRA, Na semana da consciência negra fazemos em parceria com outros setores do movimento negro a passeata zumbi dos Palmares, onde o pelotão dos afro-religiosos carregamos faixas, cartazes, usamos um trio elétrico e fazemos um grande barulho com palavras de ordem contra a intolerância.

O senhor faz alguma atividade social? Se sim, qual?

A LIRA em parceria com a CONAB e o Governo do Estado distribui cestas básicas as comunidades carentes inscritas no programa PAA. Temos atividades educacionais como cursos livres de Massoterapia, Geoterapia, trufoterapia, oficinas de cânticos e percussão, indumentárias e alfaias afro, capoeira etc..

Como está sendo a parceria com a FTU para disponibilizar cursos de extensão universitária?

A parceria com a FTU é uma benção. Os sacerdotes que cursaram o introdutório melhoraram seus discursos, seus entendimentos e suas visões, meus filhos tomaram gosto pelos estudos e passaram a se interessar mais pelas questões da religião. O curso Imaginário está bastante comentado e os alunos estão gostando muito, o mais interessante é entender como se construiu a imagem negativa das religiões afro, isso é importantíssimo no processo para desconstruir essa imagem.

Como o senhor tem encarado o conceito de Escolas propugnado pelas linhas de pesquisa da FTU?

A FTU conseguiu classificar diversas tradições religiosas por seus aspectos ritualísticos peculiares e suas tendências e chamou de escolas umbandistas, isto facilita o entendimento e didaticamente é ótimo, mas como dentro de cada escola está uma diversidade de tradições, ou seja, as escolas não são puras, como as religiões também não o são, acho que falta identificar princípios e valores comuns a todas as escolas e a todas as religiões afro, o que nos une em uma visão de mundo peculiar, particular das nossas tradições religiosas afro ameríndias descendentes, identificar e divulgar, isto certamente irá contribuir e elucidar melhor o conceito de umbanda.

O senhor autoriza a disponibilização desta entrevista para a FTU nos seus meios digitais e impressos?

Autorizo a utilização deste material.



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 162

3 comentários:

  1. Aranauam a todos os irmãos!!
    Como é maravilhoso poder ler e compartilhar CULTURA...e mais que isso,compartilhar e vivenciar,ainda que "online",as experiências de outros Templos...prá mim,muito gratificante ler esta entrevista!!
    Yarashava.

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  2. Como aluno do 4° ano fico muito feliz em ver o reconhecimento da FTU vindo de um lugar tao distante de sp, no caso macapa.

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  3. Aranauam Saravá a todos.
    Fique muito feliz ao ler as entrevistas de Sacerdotes das Religiões Afro brasileiras.
    As Relgiões Afro Brasleiras saõ Essencialmente inclusivas, portanto, é fundamental ouvir e saber como pensam sacerdoses e pessoas que militam neste setor, sobretudo em temnpos de tão desabrida intolerências religiosa.

    Babal'arena

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