quinta-feira, 21 de julho de 2011

Blog entrevista Pai Leonardo (Belo Horizonte - MG)

Qual o nome do senhor e a dijina de santo?

Pai Leonardo. Odélabomy no Candomblé. Bom... Eu tenho duas formações... tenho a formação sacerdotal de Umbanda, que é a formação na Umbanda bem tradicional mineira, preto velho, caboclo, exu. Eu tenho minha formação no Candomblé. No Candomblé eu sou feito, raspado, filho de Don`ana do Ogum. Don`ana é uma Mãe de Santo ainda da geração antiga da casa de Oxumaré em Salvador.

Qual sua formação dentro da academia?

Sou Graduado em Tecnologia em Processamento de Dados, pós graduado em Banco de Dados. Sou também formado em Psicanálise e especialista em Hipnoterapia e Técnicas de Regressão.

O senhor é sacerdote há quantos anos?

O sacerdócio na Umbanda eu exerço há seis anos, que foi, quando a instituição que dirijo foi aberta. No Candomblé eu não sou sacerdote ainda, ainda sou iaô, mas eu não tenho pretensão de ser sacerdote de Candomblé, quero continuar com a Umbanda.

O ilê do senhor fica em qual endereço?

O Núcleo Holístico São Miguel Arcanjo fica em Belo Horizonte Minas Gerais. Site: http://www.nucleoholistico.com.br/

Quais são as atividades desenvolvidas no templo?

Temos as Giras tradicionais da Umbanda e uma série de atividades.

Como estão configuradas as religiões Afro-brasileiras em sua cidade? E em Minas Gerais como um todo?

Em se tratando das religiões afro-brasileiras, eu acho que, a Umbanda está muito descentralizada, muito “desafricanizada”, em Belo Horizonte, principalmente. Eu acho que no restante do Brasil o cenário pode ser diferente. A Umbanda aqui em Belo Horizonte, ela é uma instituição que ao meu ver, vive à sombra do espiritismo kardecista, sendo o tempo todo, em qualquer momento, comparada com o espiritismo kardecista, vivendo à sua margem. Já o Candomblé, eu acho que ele está num período, na cidade, de redescoberta. Os terreiros de Candomblé estão tentando voltar às origens de Salvador, buscando pessoas de Salvador para vir aqui em Minas a ensina-los a trabalhar, a fazer, a rezar, a fazer os rituais. Com dois interesses distintos. Primeiro lugar a descoberta mesmo. O segundo lugar, é a afirmação dos postos, dos terreiros de Belo Horizonte como terreiros tradicionais. Essas pessoas estão buscando este reconhecimento, que é uma coisa que até então, onde eu conheço o Candomblé a muitos anos, a vinte anos atrás não existia esta preocupação do Candomblé se buscasse reafirmar como instituição religiosa respeitada, original, como está acontecendo agora.

As religiões afro-brasileiras sofrem processos de intolerância religiosa? Se sim, oriunda de que setores?

Sofrer, elas sofrem sim. Nós sabemos que isto é uma coisa a nível nacional! Mas eu acredito que em Minas Gerais a gente tem bem menos problemas com intolerância religiosa do que em outros cenários como São Paulo e Rio de Janeiro por exemplo. Isso porque em nosso estado, a maioria esmagadora é católica e a intolerância vem muito mais das religiões protestantes do que da religião católica, pelo menos aqui em Minas. Como aqui o cenário é um pouco diferente, quanto à intolerância, acredito que seja um pouco menor. Mas, eu não sou uma pessoa boa para falar de intolerância religiosa, porque eu nunca tive nenhum episódio! Nunca sofri preconceito, não tive nenhum problema relacionado à atuação religiosa. Eu sei de algumas histórias, mas eu não sou um exemplo.

O senhor faz alguma atividade social? Se sim, qual?

Sim. Nós mantemos uma biblioteca numa cidade chamada São Joaquim de Bicas. Esta biblioteca é comunitária com livre acesso e tem o objetivo de proporcionar oportunidade de leitura a todos os habitantes do bairro. O bairro é de classe baixa, que vive assim na beira da miséria. E temos também outras atividades, pois temos um sítio próximo, e elegemos a comunidade no entorno para que a ajudássemos. Onde desenvolvemos projetos sociais como profissionalização, ensino de trabalhos manuais para as mulheres, oficina de costura, doação e distribuição de alimentos também. É uma atividade que fazemos às vezes com uma frequência maior, outras vezes com uma frequência limitada dependendo do numero de pessoas que puderem estar envolvidas nisso.

Como foi a parceria com a FTU para disponibilizar cursos de extensão universitária?

O Núcleo recebeu o primeiro curso de extensão da FTU aqui em Minas e essa parceria é sempre bem vinda. Eu acredito que é a única solução que nós temos para que, daqui a alguns anos nós tenhamos uma religião com mais credibilidade. É importante que se façam parcerias para estudar, sentar e estudar.

Qual é a reposta da comunidade para as comunidades de terreiro que como a sua, tem levado a educação pelo templo?

Normalmente, eu acredito que 80% do nosso público intrareligioso, dos iniciados, tem sido atraídos pela casa pelo fato do investimento que nós fazemos em educação. A comunidade que vem aqui, as pessoas de nossa assistência, nossos “pacientes”, eles também veem com excelentes olhos a educação. Agora, a comunidade de Umbanda no geral, ela não está presente aqui quando temos nossas iniciativas. Quando temos nossas diversas atividades como oficinas de cinema, mostra de filmes, semana de palestras. Infelizmente. Talvez se a divulgação fosse maior poderia ter um outro efeito.

Como o senhor tem encarado o conceito de Escolas propugnado pelas linhas de pesquisa da FTU?

Para nós, no nosso trabalho, a Umbanda não é só um coletivo de escolas, a gente adiciona na Umbanda diversas outras doutrinas filosóficas espiritualistas. Porque há um trabalho holístico e além de ter toda fé de Umbanda, a gente tem influência do taoísmo, do hinduísmo, do budismo tibetano, e de diversas outras correntes esotéricas que no nosso trabalho acabam sendo tão importantes quanto Orixás, Caboclos, e guias que toda a estrutura de Umbanda nos oferece. Então, eu acho que este conceito que a FTU hoje trás é extremamente válido, libertador, é universalista como a própria Umbanda é, e acredito que seja a forma melhor que nós temos para poder tratar a religião hoje.

O senhor autoriza a disponibilização desta entrevista para a FTU nos seus meios digitais e impressos?

Sim!


Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 166

2 comentários:

  1. Axé Babá Mi
    A entrevista com Pai Leonardo vem reforçar a universalidade tão falada e propagada pela nossa escola através de seus ensinamentos. Como é bom, muito bom poder participar deste movimento junto com o Sr. e com meus irmãos. Mais uma vez obrigada pela oportunidade...
    Benção Mestre

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  2. É muito bom conhecer as práticas de outros terreiros e ver que existem pessoas que fazem um trabalho sério em nome das tradições Afro-Brasileiras juntamente com um trabalho social, tirando o preconceito e trazendo para Umbanda cada vez mais pessoas.
    Axé Babá

    Ricardo Briga

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