quinta-feira, 14 de julho de 2011

Blog entrevista Pai Fábio Maurício (Aracaju-SE)

Qual o nome do senhor e a dijina de santo (se possuir)?

Chamo Fábio Mauricio e sou dirigente espiritual do Centro de Umbanda Caboclo Tupy. Não utilizamos nomes de batismo.


O senhor é sacerdote há quantos anos?

Há 21 anos


O ilê do senhor fica em qual endereço?

Bairro Aruana em Aracaju-SE

Site: www.geraweb.net/caboclotupy


Quais são as atividades desenvolvidas no templo?

Todas as nossas atividades estão ligadas, exclusivamente, à prática da caridade. Aos sábados temos consultas com os guias espirituais abertas ao público e em outros dias específicos ministramos diversos cursos, voltados para o desenvolvimento espiritual e mediúnico, conceitos e raízes da Umbanda, Geoterapia, benzeduras, fitoterapia, Magnetismo, oferendas e o meio ambiente dentre outros. Além de alguns preceitos internos como iniciação, reinos sagrados, pontos riscados, batismos e casamento.


Como estão configuradas as religiões Afro-brasileiras no Sergipe? E na Região Nordeste como um todo?

A religião predominante é o Candomblé de caboclo, misturando conceitos e guias da Umbanda com rituais de sacrifícios do candomblé. No interior do estado, podemos encontrar pouquíssimas casas que trabalham na Juremeira/catimbó. As casas de Umbanda têm proximidade com os católicos, em sua totalidade com altares com santos católicos. Em todo o nordeste a predominância é do Candomblé, catimbó e pajelança, este último com uma forte ligação com a Umbanda de caboclo com resquícios da tribo indígena dos Karirischocós.

As religiões afro-brasileiras sofrem processos de intolerância religiosa? Se sim, oriunda de que setores?

Sim, infelizmente sofremos, o nosso centro passou por momentos muitos difíceis, inclusive vindo à intolerância de alguns irmãos de culto. Por duas vezes tivemos que nos mudar porque algumas pessoas não aceitavam o nosso centro naquela comunidade. Hoje, graças a Deus e aos nossos guias espirituais conseguimos nossa sede própria, mas o que nos entristece é que isso ainda acontece. Eu me pergunto onde estão as federações, associações que “dizem” defender e auxiliar os federados de todo o Brasil e é nessa hora que sentimos o peso da solidão. De alguns anos para cá, estamos vendo movimentos fortes e organizados da cultura negra e isso é muito importante, mas ainda não vejo organização e vontade para nos unirmos em prol da nossa religiosidade. Como disse, o pior é quando vem o preconceito de nossos irmãos de escolas diferentes. A predominância em nosso estado é do Candomblé de caboclo e a desunião começa aí, pois eles não entendem, ou não querem entender, que existem formas diferentes de se trabalhar espiritualmente. Sofremos também preconceito dos Kardecistas e evangélicos e há um descaso por parte das autoridades, pois não apoiam iniciativas em nosso favor.

O senhor faz alguma atividade social? Se sim, qual?

O desenvolvimento mediúnico não deve ficar inerte à prática da atividade e inclusão social e em nosso centro, como formadores de cidadãos conscientes de nossas responsabilidades na sociedade. O trabalho do Centro não poderia se resumir às consultas espirituais, por isso desenvolvemos tarefas como visitas a entidades sociais. Nestas visitas, além de donativos procuramos trabalhar o lado humano, dando atenção, afeto, escutando e ajudando dentro das necessidades de cada instituição. Apoiamos projetos sociais com ideologia voltada para a inclusão no mercado de trabalho. Dentro do nosso centro, temos pedagogos, psicopedagogos, assistente social, psicólogos, advogados, dentre outros profissionais, atendendo as necessidades de nossa comunidade.



Como o senhor tem encarado o conceito de Escolas propugnado pelas linhas de pesquisa da FTU?

As religiões são os ramos de uma grande árvore, esclarecer, ensinar, procurar a união e respeitar acima de tudo é uma obrigação de todos. Não consigo ver onde está o erro, não consigo entender as críticas. Devemos nos sentir orgulhosos quando somos lembrados como religião séria e de fundamentos científicos, onde temos irmãos que se dedicam ao estudo e a explicar tudo o que nos foi negado, esclarecer a todos que queiram aprender e olhar diferente para a nossa religião. Isso tudo com respeito à diversidade de preceitos.

O senhor autoriza a disponibilização desta entrevista para a FTU nos seus meios digitais e impressos?

Sim



Aranauam, Motumbá, Mucuiú, Kolofé, Axé, Salve, Saravá

Rivas Neto (Arhapiagha) – Sacerdote Médico

Ifatosh'ogun "O sacerdote de Ifá que tem o poder de curar”

Publicação 164

5 comentários:

  1. Benção Mestre,

    Muito bom podermos conhecer outros dirigentes, seus trabalhos e ter contato com outras realidades, que ao meu ver nesta entrevista, mostra que é bem parecida com a nossa aqui em São Paulo. Acredito que quanto mais pudermos nos unir através desses diálogos, mais pessoas atingiremos, e talvez assim tocando seus corações e fazendo com que todos respeitem cada dia mais as Religiões Afro Brasileiras.

    Maíra Fagundes Munhoz

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  2. Este é um espaço muito valioso: além de nos colocar diante de conhecimentos vivenciados profundamente, também nos permite a aproximação com sacerdotes e terreiros de todo o Brasil, eliminando todo tipo de barreira (seja esta geográfica ou não)...

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  3. Muito me alegra ver pessoas que ainda levam com tanta simplicidade e seriedade o Sacerdócio e as Religiões Afro -Brasileiras...Paó pro Pai Fábio Mauricio que faz um trabalho tão bonito em Sergipe.
    O único fato que ainda me amargura é ver o quanto é difícil poder exercer esse Sacerdócio perante uma comunidade ainda preconceituosa e intolerante.
    Benção meu Pai

    Ricardo Briga

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  4. Axé a todos,


    São pessoas assim que fazem a Umbanda ser o ela é! Sinto-me ainda mais orgulhosa de ser umbandista, ao ler as suas palavras.

    Fernanda R

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  5. Axé a todos,

    essa entrevista, ou melhor, esse diálogo com nosso irmão de santé, nos mostra que a essência das coisas é a mesma. Seja aqui ou a 3000 km de distância o astral se faz presente, com muito trabalho para os que se dedicam em ajudar a si mesmo e ao seu semelhante.

    Aryashava

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